📊 Simulado de Farmacologia

Respondidas
0/217
✅ Acertos
0
❌ Erros
0
Nota (0-10)
-
Q1. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente, 50 anos, sexo masculino, tomava um medicamento para arritmia cardíaca diariamente por via oral. Um dia, ele desmaiou e precisou ficar internado. Em um dos dias da internação, precisou tomar a medicação por outra via de administração, pois não estava conseguindo engolir o comprimido. Com base neste caso e no gráfico de curvas concentração-tempo das diferentes vias de administração, assinale a alternativa correta.
Concentração Plasmática Tempo Concentração Máxima Tolerável (CMT) Concentração Eficaz Mínima (CEM) Faixa Terapêutica Curva 1 (IV) Curva 2 (IM) Curva 3 (VO) Curva 4
Gráfico: Curvas concentração-tempo por via de administração
Qual via de administração corresponde ao uso habitual do paciente e qual o cuidado com as vias parenterais?
✅ Resposta: B
💡 A via oral corresponde à curva 3 (absorção mais lenta, menor pico). Vias parenterais como IV (curva 1) e IM (curva 2) atingem pico de concentração plasmática acima da concentração máxima tolerável, exigindo cautela.
Q2. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente, mulher, 55 anos, com hipertensão arterial em tratamento com Losartana de referência. Após 3 meses, decide comprar um medicamento similar não-bioequivalente sem informar o médico. Nota que a pressão arterial voltou a subir.
Qual das alternativas melhor descreve a diferença entre genéricos e similares bioequivalentes ou não?
✅ Resposta: A
💡 Genéricos e similares bioequivalentes passam por testes de bioequivalência que garantem biodisponibilidade equivalente ao referência. Similares não-bioequivalentes podem ter variações nos excipientes que afetam absorção e biodisponibilidade, levando a falha terapêutica.
Q3. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Morador de Artur Nogueira foi vítima de assalto à mão armada. Relatou que ficou com o coração 'disparado', olhos 'arregalados', pele 'amarelada', pelos 'ouriçados'.
Em relação ao sistema nervoso autônomo (1), neurotransmissor (2) e receptores nos órgãos efetores (3), qual afirmativa descreve corretamente estes sintomas?
✅ Resposta: B
💡 A resposta de luta-ou-fuga é mediada pelo SNA Simpático. A norepinefrina é liberada nas terminações pós-ganglionares simpáticas e atua em receptores adrenérgicos (alfa e beta) nos órgãos efetores, causando taquicardia (beta1), midríase (alfa1) e piloereção (alfa1).
Q4. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Professor de Medicina, 45 anos, depressivo, em uso de tranilcipromina (Parnate; inibidor não seletivo da monoaminoxidase - iMAO). Foi a um jantar com vinho e queijos variados. Após o jantar, apresentou cefaleia intensa e hemiparesia esquerda. PA de 240x140 mmHg. TC evidenciou hemorragia intraparenquimatosa. A tranilcipromina inibe a enzima que degrada as catecolaminas.
Podemos dizer que este fármaco é um:
✅ Resposta: B
💡 A tranilcipromina é um iMAO que inibe a degradação de catecolaminas (norepinefrina, dopamina, serotonina) pela MAO. Como age indiretamente (não ativa o receptor diretamente, mas aumenta a disponibilidade do neurotransmissor), é um agonista adrenérgico de ação indireta. A tiramina dos queijos/vinhos também é metabolizada pela MAO — com iMAO, há acúmulo de tiramina → liberação maciça de norepinefrina → crise hipertensiva.
Q5. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente de 52 anos com artrite reumatoide e dor moderada a intensa nas articulações. O médico tem duas opções: medicamento A (naproxeno, 500 mg, 2x/dia) e medicamento B (cetoprofeno, 100 mg, 2x/dia).
Qual é a principal diferença entre os fármacos A e B em relação à potência e eficácia?
✅ Resposta: D
💡 Potência refere-se à dose necessária para produzir o efeito — o cetoprofeno (100 mg) necessita de dose menor que o naproxeno (500 mg) para o mesmo efeito, logo é mais potente. Eficácia é o efeito máximo alcançável — ambos, sendo AINEs da mesma classe, atingem o mesmo efeito analgésico máximo (mesma eficácia).
Q6. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Mulher, 37 anos, com epilepsia em uso de Fenitoína (Idantal®), aumentou a dose por conta própria. Apresenta fala empastada, ataxia e confusão mental — quadro de intoxicação. Sabendo que a Fenitoína é um ácido fraco:
Qual a estratégia utilizada pela equipe médica para reverter este quadro?
✅ Resposta: B
💡 Para ácidos fracos, a alcalinização da urina (com bicarbonato de sódio) promove a ionização do fármaco no túbulo renal. Na forma ionizada, o fármaco é hidrossolúvel e não consegue ser reabsorvido pela membrana tubular, sendo excretado pela urina — é o aprisionamento iônico.
Q7. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA No tratamento de tuberculose pulmonar da paciente J.H., foi prescrita Rifampicina. O médico ressaltou a necessidade de usar outros métodos contraceptivos além do anticoncepcional, pois a Rifampicina interfere no metabolismo enzimático (CYP450) dos anticoncepcionais, diminuindo sua biodisponibilidade e efeito.
Baseados no caso, podemos afirmar que a Rifampicina é um:
✅ Resposta: D
💡 A Rifampicina é um potente indutor enzimático da CYP450. Ela aumenta a expressão das enzimas hepáticas que metabolizam o anticoncepcional, acelerando sua biotransformação e reduzindo seus níveis plasmáticos e efeito contraceptivo.
Q8. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente de 55 anos com depressão em tratamento com amitriptilina. Após prescrição de um inibidor de protease viral para HIV, apresentou confusão mental e arritmia. O inibidor de protease inibe a CYP2D6, responsável pela biotransformação da amitriptilina.
É possível concluir que:
✅ Resposta: A
💡 O inibidor de protease inibe a CYP2D6, diminuindo a biotransformação da amitriptilina. Com metabolismo reduzido, o fármaco se acumula, aumentando sua concentração plasmática acima da faixa terapêutica, gerando toxicidade (confusão mental, arritmia).
Q9. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente AP, 53 anos, com câncer e dor importante, em uso de morfina (agonista pleno de receptor Mi) 30mg 8/8h há 2 meses. Desenvolveu dependência. A buprenorfina foi escolhida para retirada — um agonista parcial com atividade intrínseca fraca sobre receptores Mi.
Qual dos fármacos tem maior eficácia terapêutica?
✅ Resposta: D
💡 A morfina é agonista pleno: atividade intrínseca = 1 (máxima), ocupando todos os receptores Mi produz 100% do efeito analgésico possível. A buprenorfina é agonista parcial: mesmo ocupando todos os receptores, produz resposta submáxima. Portanto, a morfina tem maior eficácia terapêutica.
Q10. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente de 12 anos com asma brônquica fazia uso de salbutamol, um fármaco que exerce efeito através da ativação de receptor acoplado à proteína G.
Sobre o caso, responda corretamente:
✅ Resposta: C
💡 Receptores acoplados à proteína G (GPCRs) são receptores metabotrópicos com 7 domínios transmembrana. Quando ativados, a subunidade alfa da proteína G se dissocia e ativa/inibe enzimas efetoras (adenilato ciclase, fosfolipase C), gerando segundos mensageiros (AMPc, IP3, DAG). Não formam poros iônicos (isso é canal iônico).
Q11. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Mulher, 60 anos, em uso de rivaroxabana 10mg (anticoagulante) para TVP, inicia cetoconazol 200mg (antifúngico). O cetoconazol é inibidor da glicoproteína P (P-gp) renal.
Qual o risco desta associação?
✅ Resposta: D
💡 A glicoproteína P (P-gp) é um transportador de efluxo que secreta fármacos para o lúmen tubular renal, promovendo excreção. Ao inibir a P-gp, o cetoconazol diminui a secreção tubular da rivaroxabana → menor excreção → acúmulo → aumento dos níveis plasmáticos → risco de hemorragia.
Q12. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Homem, 60 anos, com hipertensão e diabetes tipo 2, diagnosticado com hiperlipidemia. Prescrito atorvastatina (v.o., 1x/dia). O médico explicou que a atorvastatina passa pelo efeito de primeira passagem hepática.
Qual alternativa melhor descreve o efeito de primeira passagem e suas implicações?
✅ Resposta: C
💡 O efeito de primeira passagem (metabolismo pré-sistêmico) é a metabolização hepática do fármaco após absorção intestinal, antes de atingir a circulação sistêmica. Isso reduz a biodisponibilidade oral. Fármacos com alto efeito de primeira passagem (como a atorvastatina) têm menor fração do fármaco inalterado na circulação.
Q13. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA A Acetazolamida é um diurético que inibe a anidrase carbônica, aumentando a excreção renal de bicarbonato de sódio (alcalinizando a urina). A lisdexanfetamina (Venvanse®) é uma anfetamina (base fraca) para TDAH.
Qual é a possível consequência da interação entre estes fármacos?
✅ Resposta: D
💡 A acetazolamida alcaliniza a urina. Bases fracas (como anfetaminas) em urina alcalina ficam na forma não ionizada (lipossolúvel), sendo reabsorvidas no túbulo renal → menor excreção → aumento da meia-vida → aumento do efeito psicoativo. É o oposto do aprisionamento iônico.
Q14. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Um centro cirúrgico tem dois anestésicos disponíveis. Analisando os gráficos de dose-resposta e dose-efeito tóxico de cada um:
Assinale a alternativa que aponte o anestésico mais seguro com sua justificativa:
Anestésico A Dose → % Resposta Efeito terapêutico Efeito tóxico ← Janela estreita → Anestésico B Dose → Efeito terapêutico Efeito tóxico ← Janela AMPLA →
Gráfico: Comparação da janela terapêutica dos anestésicos A e B
✅ Resposta: B
💡 A janela terapêutica é a faixa entre a dose eficaz mínima e a dose tóxica mínima. Quanto mais ampla a janela, mais seguro o fármaco — pois há grande margem entre dose terapêutica e dose tóxica. O anestésico B tem janela ampla, permitindo doses terapêuticas sem risco de toxicidade.
Q15. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Algumas populações como médicos anestesiologistas são mais propensas à dependência de opioides como fentanil. Sintomas de intoxicação: bradicardia, hipotensão, bradipneia e miose (pupila puntiforme). A naloxona é o antídoto, antagonista de receptor Mi.
Analise o gráfico e classifique corretamente a naloxona:
% Efeito Máximo Log [Dose] → 100% 50% Agonista sozinho Agonista + Antagonista Deslocamento à direita (Emax mantido)
Gráfico: Efeito do antagonista competitivo na curva dose-resposta
✅ Resposta: D
💡 A naloxona é um antagonista competitivo reversível dos receptores opioides Mi. Ela compete com agonistas (morfina, fentanil) pelo mesmo sítio de ligação, deslocando-os de forma reversível. No gráfico, o antagonista competitivo desloca a curva dose-resposta do agonista para a direita, sem reduzir o efeito máximo.
Q16. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente, 55 anos, com diabetes mellitus tipo 2, muita sede, poliúria, muita fome, visão turva e parestesia em MMII. Parou metformina por intolerância. Glicemia 145 mg/dL, HbA1c 7,1%. Prescrito dapagliflozina (iSGLT2) e gliclazida (sulfanilureia). Sabendo que sulfanilureias aumentam a captação da glicose através do aumento da secreção de insulina:
Assinale a alternativa correta sobre a gliclazida:
✅ Resposta: C
💡 As sulfanilureias (como gliclazida) bloqueiam canais de K+ ATP-dependentes nas células beta pancreáticas, provocando despolarização e secreção de insulina. A insulina liberada promove a absorção celular de glicose (captação pelos tecidos periféricos, especialmente músculo e tecido adiposo, via GLUT4).
Q17. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Mesmo caso do paciente diabético. Exame de urina mostra proteinúria. Se ocorrer proteinúria por tempo prolongado:
Quais seriam as consequências para a farmacocinética?
✅ Resposta: B
💡 Proteinúria prolongada → perda de albumina → hipoalbuminemia → mais fração livre de fármacos → mais fármaco disponível para metabolismo hepático e excreção renal → ambos aumentados → diminuição do tempo de meia-vida dos fármacos.
Q18. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Mesmo paciente diabético. SGLT2 é um cotransportador de sódio e glicose que promove a reabsorção renal destes nutrientes. O fármaco prescrito (dapagliflozina) tem como mecanismo de ação:
Assinale a alternativa correta:
✅ Resposta: C
💡 Os inibidores de SGLT2 (gliflozinas) bloqueiam o cotransportador SGLT2 no túbulo proximal renal, inibindo a reabsorção de glicose. Com a reabsorção inibida, a glicose permanece no lúmen tubular e é excretada pela urina (glicosúria), reduzindo a glicemia.
Q19. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Homem, 55 anos, epiléptico, medicado com lamotrigina há tempo, livre de crises. Após infecção, prescrito doxiciclina (antibiótico). Dias depois apresentou nistagmo, ataxia e vertigem — sintomas de superdosagem de lamotrigina. A doxiciclina interfere na CYP450 responsável pela metabolização da lamotrigina.
Podemos afirmar que a doxiciclina atua como:
✅ Resposta: A
💡 A doxiciclina atua como inibidor enzimático da CYP450, diminuindo a metabolização da lamotrigina. Com metabolismo reduzido, a lamotrigina se acumula no organismo, elevando a concentração plasmática acima da faixa terapêutica, resultando em toxicidade (nistagmo, ataxia, vertigem).
Q20. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente de 35 anos com dor no ouvido direito há 2 dias, diminuição da audição, membrana timpânica avermelhada e inflamada. Diagnosticado com otite média aguda. Prescrito ibuprofeno 400mg de 8/8h VO. Sabendo que os AINEs são ácidos fracos:
Assinale a alternativa correta:
✅ Resposta: C
💡 Fármacos ácidos fracos em pH ácido (estômago, pH 1-3) ficam predominantemente na forma não ionizada (protonada), que é lipofílica. A forma lipofílica atravessa facilmente a membrana celular, facilitando a absorção. É a regra: ácidos são melhor absorvidos em pH ácido.
Q21. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente faz uso de lítio para tratar episódios maníacos do transtorno afetivo bipolar. O lítio é um fármaco com índice terapêutico estreito.
Isso significa que este fármaco apresenta:
✅ Resposta: B
💡 Índice terapêutico (IT) = DT50/DE50. IT estreito significa que a dose tóxica está próxima da dose terapêutica — há pouca margem de segurança. O lítio (IT estreito) requer monitorização sérica frequente, pois pequenas variações na dose podem causar toxicidade (tremores, arritmia, convulsões).
Q22. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Jovem, 18 anos, chega ao SE agitado, confuso, com alucinações. Amigos relatam que comeram cogumelos na floresta. O paciente foi o primeiro a comer e passou mal.
Quais sintomas são característicos de intoxicação colinérgica?
✅ Resposta: C
💡 Intoxicação colinérgica (muscarínica) = DUMBBELLS: Diarreia, Urinação, Miose, Bradicardia, Broncoespasmo, Emese, Lacrimejamento, Salivação (sialorreia). A combinação bradicardia + cólicas abdominais + sialorreia é a típica síndrome colinérgica por cogumelos com muscarina.
Q23. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Homem, 26 anos, motoqueiro, sofreu grave acidente automobilístico. Na emergência: inconsciente, hemorragia torácica, queda de PA e DC. A equipe médica introduziu adrenalina IV.
A adrenalina foi administrada porque:
✅ Resposta: C
💡 A adrenalina atua em: alfa1 nos vasos → vasoconstrição → aumento da resistência vascular periférica → menor perda sanguínea; beta1 no coração → aumento do inotropismo (força de contração) e cronotropismo (FC) → aumento do débito cardíaco e da PA.
Q24. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Mulher, 35 anos, com progressivo cansaço, dificuldade para mastigar, deglutir e manter pálpebras abertas. Diagnosticada com miastenia grave.
O fármaco indicado para tratamento paliativo é:
✅ Resposta: A
💡 Na miastenia grave, há destruição autoimune dos receptores nicotínicos na junção neuromuscular. Os anticolinesterásicos de ação intermediária (fisiostigmina, neostigmina, piridostigmina) inibem reversivelmente a acetilcolinesterase, aumentando a concentração de ACh na fenda sináptica e melhorando a transmissão neuromuscular.
Q25. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente é recebido desacordado no PA. Amigos relatam uso de clonazepam (ansiolítico) e que naquela noite ingeriu dose maior após briga com namorada. A equipe aplica flumazenil, que reverte o efeito depressor e o paciente recobra consciência.
Podemos afirmar que o flumazenil é:
✅ Resposta: B
💡 O flumazenil é um antagonista competitivo dos receptores benzodiazepínicos (GABA-A). Ele compete com o clonazepam pelo mesmo sítio de ligação, deslocando-o e bloqueando seu efeito depressor. Antagonistas competitivos reduzem a eficácia (efeito máximo) do agonista quando presentes em concentração suficiente.
Q26. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Gráfico ilustra a concentração plasmática da varfarina em função do tempo após dose única oral (linha vermelha) e após administração de rifampicina por dias (curva verde, com menor concentração).
A análise do gráfico permite afirmar que:
Concentração Plasmática Tempo (horas) CEM Varfarina sozinha Varfarina + Rifampicina ↓ Cmax ↓ t½
Gráfico: Concentração plasmática da varfarina com e sem rifampicina
✅ Resposta: A
💡 A rifampicina é um potente indutor enzimático da CYP450 (especialmente CYP3A4 e CYP2C9). Ao induzir as enzimas hepáticas, ela acelera a biotransformação e consequente excreção da varfarina, reduzindo seu tempo de meia-vida e concentração plasmática — risco de perda do efeito anticoagulante.
Q27. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Mulher, 65 anos, submetida a perineoplastia. Recebeu anestesia regional com morfina (opioide) e bupivacaína (anestésico local). No pós-operatório evoluiu com prurido intenso.
O que se pode afirmar?
✅ Resposta: A
💡 A morfina promove degranulação de mastócitos, liberando histamina — responsável pelo prurido. A bupivacaína é anestésico local que bloqueia canais de sódio (não libera histamina). A morfina age em receptores opioides Mi (não em canais de sódio). A bupivacaína não age em receptores opioides.
Q28. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Homem, 68 anos, tabagista, DPOC há 5 anos, usa formoterol (2x/dia). Vai ao PS com febre, cansaço, dispneia e escarro amarelado há 3 dias. Sat O2 93%. Prescrito inalação com SF + fenoterol (5gts) + brometo de ipratrópio (30gts) + hidrocortisona 100mg IV.
Sobre o mecanismo de ação do fenoterol, podemos afirmar:
✅ Resposta: C
💡 O fenoterol é um agonista beta-2 adrenérgico de curta duração (SABA). Ao estimular receptores beta-2 na musculatura lisa brônquica, ativa a adenilato ciclase → aumento de AMPc → relaxamento muscular → broncodilatação. É usado como broncodilatador de resgate.
Q29. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Mesmo caso do paciente com DPOC. Além do fenoterol, foi prescrito brometo de ipratrópio por inalação.
Sobre o mecanismo de ação do brometo de ipratrópio:
✅ Resposta: A
💡 O brometo de ipratrópio é um anticolinérgico (antagonista muscarínico M3). A acetilcolina ativa M3 na musculatura lisa brônquica → contração → broncoconstrição. Ao bloquear M3, o ipratrópio impede a broncoconstrição colinérgica → broncodilatação. É especialmente útil na DPOC.
Q30. 📋 QUESTÃO LITERAL DA PROVA Paciente recebeu varfarina/rifampicina. O gráfico mostra curvas dose-resposta para três fármacos. Avalie: I- Fármaco A é mais potente que B e C; II- Fármaco C tem menor eficácia; III- Fármacos A e B têm mesma eficácia; IV- Fármaco B é menos potente que A.
Quais afirmativas estão corretas?
% Efeito Máximo Log [Concentração] → 100% 50% A B C ~60% EC50(A) EC50(B)
Gráfico: Curvas dose-resposta dos fármacos A, B e C
✅ Resposta: C
💡 No gráfico dose-resposta: A atinge efeito máximo em menor concentração que B → A é mais potente (I e IV corretas). A e B atingem o mesmo efeito máximo → mesma eficácia (III correta). C não atinge o mesmo efeito máximo → menor eficácia, MAS a afirmativa II como escrita pode não corresponder exatamente ao padrão. As corretas são I, III e IV.
Q31. Paciente de 30 anos com enxaqueca recebe sumatriptano via subcutânea. Pergunta ao médico por que não pode tomar o comprimido, já que tem em casa.
Qual a principal vantagem da via subcutânea neste caso?
✅ Resposta: B
💡 A via subcutânea evita o efeito de primeira passagem hepática, proporcionando maior biodisponibilidade (96% SC vs 14% VO para sumatriptano). O início de ação é mais rápido (10 min SC vs 30 min VO), crucial na crise de enxaqueca.
Q32. Mulher de 35 anos com lúpus eritematoso sistêmico recebe prednisona 40mg/dia há 3 meses. Após melhora, o médico reduz abruptamente a dose para 5mg/dia. A paciente apresenta fadiga, hipotensão, náuseas e dor abdominal.
Qual o mecanismo desta reação?
✅ Resposta: B
💡 O uso crônico de corticoides exógenos suprime o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) por feedback negativo. A adrenal atrofia e não consegue produzir cortisol suficiente quando a dose exógena é retirada abruptamente. Resultado: crise addisoniana (insuficiência adrenal aguda). Sempre desmame gradual.
Q33. Mulher de 48 anos com fibrilação atrial em anticoagulação com varfarina estável (INR 2-3) inicia ácido acetilsalicílico para prevenção secundária. Não há interação farmacocinética, mas médico orienta cuidado.
Qual o mecanismo mais relevante desta preocupação?
✅ Resposta: C
💡 Essa é uma interação FARMACODINÂMICA (não farmacocinética). Varfarina inibe síntese de fatores de coagulação vitamina K-dependentes. AAS inibe agregação plaquetária e síntese de tromboxano. Ambos afetam hemostasia por mecanismos distintos → sinergia → maior risco de sangramento.
Q34. Mulher de 60 anos com ICC em uso de carvedilol (betabloqueador com atividade alfa-bloqueadora) é prescrita dopamina (agonista dopaminérgico/adrenérgico) em baixa dose para melhorar perfusão renal.
Qual é o mecanismo do efeito renal esperado?
✅ Resposta: A
💡 Dopamina em doses baixas (1-3 mcg/kg/min) ativa receptores D1 renais (dopaminérgicos) → vasodilatação de artérias renais → aumento de fluxo sanguíneo renal → aumento de TFG → aumento de diurese (natriurese). Em doses médias (3-10 mcg/kg/min): adrenérgica (alfa, beta). Em doses altas (>10): vasoconstrição (alfa predomina). Carvedilol (beta/alfa bloqueador) tem seletividade beta, logo não antagoniza bem dopamina D1.
Q35. Paciente de 45 anos com infecção por MRSA recebe vancomicina IV. Após 1ª infusão rápida, apresenta flushing facial intenso, hipotensão e taquicardia.
Qual é o mecanismo desta síndrome de infusão?
✅ Resposta: B
💡 Red man syndrome é reação de infusão comum com vancomicina IV rápida (histamina-mediada, não alérgica IgE). Manifestações: flushing facial, prurido (especialmente face/pescoço), taquicardia, hipotensão ocasional. Prevenção: infundir lentamente (>1h), pré-medicação com difenidramina 25-50mg IV, prednisolona 12.5mg IV. O síndrome é evitável e reversível. Em pacientes com alergia a penicilina, considerar clindamicina (similar espectro, menos red man).
Q36. Homem de 52 anos com depressão em uso de tricíclico (amitriptilina) começa a tomar prometazina (anti-histamínico H1 para insônia). Desenvolve retenção urinária e constipação severa.
Qual mecanismo farmacodinâmico é responsável?
✅ Resposta: B
💡 Tricíclicos têm propriedades anticolinérgicas (bloqueio muscarínico). Anti-histamínicos de 1ª geração (prometazina, difenidramina) também. Combinação → efeitos anticolinérgicos aditivos: retenção urinária, constipação, visão embaçada, taquicardia, confusão em idosos. Preferir anti-histamínico de 2ª geração não-anticolinérgico (loratadina, cetirizina) ou revisar necessidade de prometazina.
Q37. Mulher de 28 anos em uso de anticoncepcional combinado (estrogênio + progestina) inicia rifampicina para tuberculose. Relata sangramento inesperado após 2 semanas.
Qual é o mecanismo de falha contraceptiva?
✅ Resposta: B
💡 Indutores de CYP3A4 (rifampicina, rifabutina, fenitoína, carbamazepina) reduzem níveis de contraceptivos hormonais (ACO, implante, anel vaginal, adesivo) → falha contraceptiva. Progestina-only pills (minipílula) também afetadas. Recomendação: usar contraceptivo com dose maior (30-35 mcg EE), trocar para método não-hormonal (DIU-Cu, DIU-LNG), ou descontinuar indutor se possível.
Q38. Paciente de 68 anos com artrite reumatoide em uso de naproxeno (AINE não-seletivo) durante 5 anos desenvolve úlcera gástrica com sangramento.
Qual é o mecanismo da lesão gástrica?
✅ Resposta: B
💡 Prostaglandinas PGE2 e PGI2 são citoprotetoras: estimulam secreção de muco gástrico, aumentam fluxo sanguíneo mucoso, estimulam bicarbonato. COX-1 constitutiva produz essas PGs. AINEs inibem COX-1 → reduz PGs citoprotetoras → gastrite, úlcera, sangramento. Risco é maior com AINEs não-seletivos (bloqueiam COX-1 e COX-2) vs coxibes (COX-2 seletivos). Proteção: IBP ou H2-antagonista concomitante.
Q39. Mulher de 45 anos com hipotensão ortostática usa midodrina (agonista alfa-1 adrenérgico) e relata tremor, palpitações e ansiedade crescentes.
Qual é o mecanismo destes efeitos adversos?
✅ Resposta: B
💡 Midodrina é agonista alfa-1 seletivo. Apesar de seletivo, quantidades suficientes ativam alfa-1 miocárdico e receptores centrais. Efeitos: vasoconstrição periférica (aumenta PA — efeito desejado em hipotensão ortostática), mas também taquicardia, tremor, ansiedade, insônia. Recomenda-se usar antes de atividades (não à noite) e monitorar PA supino (risco de hipertensão noturna).
Q40. Paciente de 35 anos recebe omeprazol para DRGE e inicia claritromicina para infecção respiratória. Após dias, apresenta arritmia cardíaca (prolongamento de QT).
Qual mecanismo farmacocinético é responsável?
✅ Resposta: B
💡 Omeprazol é inibidor de CYP3A4. Claritromicina é substrato de CYP3A4. O omeprazol ↓ metabolismo de claritromicina → ↑ níveis plasmáticos → toxicidade (prolongamento QT, arritmias). Alternativa: azitromicina ou usar diferentes IBP.
Q41. Paciente de 58 anos com diabetes tipo 2 em metformina recebe GLP-1 RA (semaglutida) subcutânea semanal.
Qual é a vantagem da combinação metformina + GLP-1 RA sobre monoterapia?
✅ Resposta: B
💡 Combinação metformina + GLP-1 RA é sinérgica: metformina (hipoglicemiante basal reduzindo produção hepática) + GLP-1 RA (pós-prandial, estimula insulina glicose-dependente, reduz apetite) = controle superior. Além disso, ambas causam perda de peso (GLP-1 RA ~3-5kg, metformina ~2-3kg), efeitos aditivos. Recomendação: adicionar GLP-1 RA se metformina sozinha não controla glicemia, ou combinar desde início em pacientes com IMC elevado/obesidade.
Q42. Mulher de 42 anos com hiperlipidemia em uso de atorvastatina é prescrita diltiazém para hipertensão. Semanas depois, apresenta elevação de CK e queixa de dor muscular intensa.
Qual interação farmacocinética é mais provável?
✅ Resposta: B
💡 Atorvastatina é substrato de CYP3A4. Diltiazém (bloqueador de cálcio não-dihidropiridínico) é inibidor moderado de CYP3A4. A inibição ↑ atorvastatina → miosite, rabdomiólise. Monitorar CK, considerar trocar por atorvastatina com dose menor ou trocar diltiazém por verapamil (menos inibidor).
Q43. Paciente de 60 anos com DM2, em uso de empagliflozina (iSGLT2), desenvolve infecção urinária e candidíase genital.
Qual o mecanismo que predispõe a estas infecções?
✅ Resposta: B
💡 Os iSGLT2 eliminam ~70g de glicose/dia pela urina (glicosúria intencional). A urina rica em glicose constitui meio de cultura favorável para crescimento de bactérias e Candida spp., aumentando o risco de ITU e candidíase genital. Orientar higiene adequada e hidratação.
Q44. Homem de 55 anos com hiperhidrose axilar é tratado com toxina botulínica, que bloqueia a liberação de acetilcolina nas terminações nervosas. Não houve alívio da hiperhidrose.
Qual tipo de neurônio autônomo não é afetado pela toxina botulínica?
✅ Resposta: B
💡 A maioria dos neurônios simpáticos pós-ganglionares libera noradrenalina (adrenérgicos) — exceto para glândulas sudoríparas e algumas glândulas, que são inervadas por neurônios simpáticos COLINÉRGICOs (incomum). A toxina botulínica bloqueia liberação de acetilcolina → afeta neurônios colinérgicos (parassimpáticos + simpáticos colinérgicos das glândulas sudoríparas). Neurônios simpáticos adrenérgicos (vasos) não são afetados (usam noradrenalina, não ACh).
Q45. Homem de 55 anos com ICC (fração de ejeção 30%) em uso de enalapril (iECA) é prescrito espironolactona (antagonista de aldosterona).
Qual é o benefício farmacodinâmico desta combinação?
✅ Resposta: B
💡 Em ICC com FE reduzida (HFrEF), combinação iECA + antagonista de aldosterona é benéfica (RALES trial com espironolactona mostrou redução de mortalidade). Mecanismo: iECA reduz RAAS, MAS aldosterona é compensatoriamente ativada por vias alternativas (catecolaminas, ACTH) → retenção de Na⁺ persistente. Espironolactona bloqueia aldosterona diretamente → reduz retenção, melhora hemodinâmica, reduz morte. Monitorar K⁺ (risco hipercalemia com iECA + espironolactona).
Q46. Homem de 65 anos com hipertensão arterial em uso de losartana desenvolve síncope ao exercício.
Qual mecanismo pode explicar esta falha de ortostatismo?
✅ Resposta: B
💡 ARAII/iECA podem causar hipotensão sintomática ou syncope, especialmente ao exercício. Mecanismo: bloqueio de RAAS reduz vasoconstrição (angiotensina II), reduz volume (aldosterona), especialmente se volume basal já reduzido (diuréticos, desidratação, IRC). Ao exercício, demanda de vasoconstrição reflexa > capacidade de compensação → queda de PA → syncope. Estratégia: hidratação adequada, reduzir dose ARAII, dropar diurético concomitante se possível.
Q47. Paciente de 70 anos com constipação crônica em opioides (morfina para dor oncológica) recebe docusato (emoliente fecal).
Qual é o mecanismo de ação do docusato?
✅ Resposta: B
💡 Constipação opioidé é dose-dependente (todos os opioides causam), não há tolerância (diferente de analgesia). Estratégia: combinar opioides com laxante/emoliente. Docusato sozinho é emoliente fraco — combinar com laxante osmótico (lactulose, sorbitol) ou estimulante (sena). Alternativa: metilnaltrexona (antagonista opioide periférico — já mencionado) que reverte constipação bloqueando mu-receptores no TGI.
Q48. Paciente de 35 anos com depressão em uso de fluoxetina (ISRS) apresenta inibição de orgasmo tanto em homens quanto em mulheres.
Qual mecanismo farmacodinâmico do ISRS é responsável?
✅ Resposta: B
💡 ISRS aumentam serotonina globalmente, inclusive em regiões sexuais. Serotonina via 5-HT2/5-HT7 INIBE óxido nítrico síntase (produção de NO) e vasodilatação → vasoconstrição paradoxal → dificuldade erétil em homens, inibição de orgasmo em ambos. Mecanismo oposto ao esperado (mais serotonina = mais sexualidade). Estratégias: trocar para ISRS com menos efeito (bupropiona, mirtazapina), adicionar bupropiona (dopaminérgico), ou adicionar sildenafil.
Q49. Gestante de 28 semanas é diagnosticada com infecção urinária. O médico evita prescrever trimetoprima no primeiro trimestre, mas permite no terceiro.
Qual propriedade farmacocinética é relevante na escolha de fármacos na gestação?
✅ Resposta: B
💡 A barreira placentária permite passagem de fármacos lipossolúveis, de baixo peso molecular (<600 Da) e não ionizados por difusão simples. A trimetoprima (antagonista do folato) é teratogênica no 1º trimestre (período de organogênese).
Q50. Paciente de 55 anos recebe inibidor de anidrase carbônica tópico (dorzolamida) para glaucoma + celebrex (coxibe COX-2 seletivo) para artrite.
Qual complicação específica de coxib é relevante?
✅ Resposta: B
💡 Coxibes (COX-2 seletivos: celecoxib, rofecoxib, etoricoxib) foram desenvolvidos para poupar COX-1 GI (menos úlceras GI). MAS COX-2 também produz PGs renais (vasodilatação, natriurese). Coxibes reduzem PGs renais → vasoconstrição renal, retenção de sódio e água, hipercalemia, aumento de PA. Risco cardiovascular aumentado (trombose). Vigilância: monitorar PA, eletrólitos, renal; preferir AINE não-seletivo com IBP protetor em vez de coxibe.
Q51. Mulher de 32 anos com endometriose recebe dienogeste (progestágeno) para tratamento.
Qual o mecanismo de ação dos progestágenos no tratamento da endometriose?
✅ Resposta: B
💡 Os progestágenos suprimem o eixo HHG → menos estrogênio → menos estímulo proliferativo sobre o endométrio ectópico → atrofia das lesões. O dienogeste também tem ação anti-inflamatória local e antiangiogênica, reduzindo dor e progressão da endometriose.
Q52. Paciente de 62 anos com tremor essencial recebe propranolol (betabloqueador). Após dias de uso, tremor diminui significativamente.
Qual é o mecanismo de ação no tremor essencial?
✅ Resposta: B
💡 Tremor essencial melhor quando tratado com betabloqueadores (propranolol, atenolol, carvedilol) que reduzem beta-atividade em músculos esqueléticos. Mecanismo: beta-2 ativação amplifica tremor; betabloqueador reduz essa amplificação. Primeira linha para tremor essencial sintomático (não causa, mas alivia sintomas). Primidona é alternativa.
Q53. Paciente de 48 anos com depressão em uso de sertralina (ISRS) é prescrito tramadol para dor pós-operatória. Desenvolve síndrome serotoninérgica com hipertermia, rigidez muscular e agitação.
Qual é a natureza desta interação?
✅ Resposta: B
💡 Essa é uma interação FARMACODINÂMICA (não farmacocinética). Sertralina ↑ serotonina por reabsorção bloqueada. Tramadol ↑ serotonina também. Combinação → excesso de serotonina → síndrome serotoninérgica (tremor, rigidez, hipertermia, agitação, confusão). Evitar combo; se necessário, usar analgésico diferente.
Q54. Paciente de 50 anos recebe ondansetrona (Zofran) antes da quimioterapia para prevenir náuseas e vômitos. A ondansetrona é um antagonista seletivo dos receptores 5-HT3.
Qual o mecanismo antieméico deste fármaco?
✅ Resposta: B
💡 A quimioterapia causa lesão das células enterocromafins do TGI → liberação de serotonina → ativação de receptores 5-HT3 nos aferentes vagais → centro do vômito. A ondansetrona bloqueia esses receptores 5-HT3, interrompendo a via emetogênica.
Q55. Paciente de 72 anos com DRGE em uso crônico de omeprazol (IBP) por 5 anos desenvolve deficiência de vitamina B12 com anemia megaloblástica.
Qual é o mecanismo desta complicação?
✅ Resposta: B
💡 IBPs (omeprazol, lansoprazol, pantoprazol) reduzem ácido gástrico, necessário para dissociar B12 das proteínas alimentares (a B12 ligada a proteínas não é absorvida). Além disso, FI é secretado por células parietais gástricas que também reduzem com IBP. Deficiência B12 após 3-5 anos de IBP é comum (10-30% em uso prolongado). Monitorar B12 em uso crônico de IBP; considerar suplemento IM anualmente.
Q56. Paciente de 35 anos com estrongiloidíase recebe ivermectina. Relata fiebre, hipotensão e alteração da consciência 12h após infusão.
Qual é o mecanismo desta síndrome (Ivermectin-Induced Severe Adverse Event)?
✅ Resposta: B
💡 Em estrongiloidíase disseminada (especialmente em imunodeprimidos), ivermectina causa morte massiva de parasitas → síndrome similiar a Jarisch-Herxheimer (febre, hipotensão, choque, encefalopatia) → mortalidade significativa. Estratégia: em imunodeprimidos com CD4 <50, pré-tratar com albendazol (mata parasitas lentamente) antes de ivermectina, ou usar albendazol sozinho (mais seguro mas menos efetivo).
Q57. Mulher de 48 anos com aspergilose pulmonar crónica recebe voriconazol (azólico de 2ª geração) VO. Após dias, relata visão turva e fotofobia.
Qual é o mecanismo desta neurotoxicidade?
✅ Resposta: B
💡 Voriconazol causa distúrbios visuais reversíveis em ~20-30% dos pacientes: visão turva, fotofobia, alterações de cores, fotopsia (flashes de luz). Mecanismo: penetração SNC → efeito tóxico em retina. Geralmente resolvem em 30 min a 2h mesmo com continuação da droga, ou revertem após descontinuação. Monitorar acuidade visual, considerar oftalmo se persistir.
Q58. Paciente de 78 anos com HAS em uso de verapamil (bloqueador de cálcio) é prescrita rifampicina para tuberculose. Após 1 semana de tratamento, apresenta aumento significativo de PA.
Qual mecanismo fisiopatológico explica isto?
✅ Resposta: B
💡 Verapamil (não-dihidropiridínico) é metabolizado principalmente por CYP3A4. Rifampicina é potente INDUTOR de CYP3A4 → acelera metabolismo de verapamil → reduz seus níveis plasmáticos → perda de efeito vasodilatador e cronotrópico negativo → aumento de PA e FC. Solução: aumentar dose de verapamil ou trocar por dihidropiridínico (amlodipina), menos sensível a indução de CYP3A4.
Q59. Mulher de 45 anos com hipotireoidismo em uso de levotiroxina 100mcg/dia é orientada a tomar o medicamento em jejum, 30 minutos antes do café da manhã.
Qual o fundamento farmacocinético desta orientação?
✅ Resposta: B
💡 A levotiroxina tem absorção variável (40-80% em jejum). Alimentos, fibras, cálcio e ferro diminuem tanto a velocidade quanto a extensão da absorção, reduzindo a biodisponibilidade. O jejum garante absorção máxima e reprodutível.
Q60. Paciente de 62 anos com candidíase disseminada recebe anfotericina B IV. Após primeiras doses, apresenta febre alta, calafrios, hipotensão e dor nas costas.
Qual é o mecanismo de reação infusional?
✅ Resposta: B
💡 Anfotericina B desoxicolato (preparação antiga) causa reações de infusão severas (febre, calafrios, hipotensão, dor) em ~80% dos pacientes. Mecanismo: ligação a colesterol de monócitos/macrófagos → ativação, liberação de citocinas. Preparações lipídicas (lipossomal, lipid complex) reduzem reações. Prevenção: pré-tratamento com paracetamol, dipirona, meperidina (antagoniza citocinas), hidrocortisona IV.
Q61. Homem de 55 anos com criptococose meníngea (meningite fungal) recebe fluconazol IV em altas doses. Desenvolveu toxicidade hepática (elevação de transaminases >5x normal).
Qual é o mecanismo?
✅ Resposta: B
💡 Azólicos (fluconazol, itraconazol, cetoconazol) inibem CYP3A4 humano além de CYP51 fúngica. Em doses altas ou uso prolongado, hepatotoxicidade é possível (incidência ~1%). Monitorar transaminases em terapia antifúngica prolongada. Cetoconazol (hepatotóxico, 1-2%) é raramente usado IV agora pois fluconazol e voriconazol são preferidos.
Q62. Paciente asmático de 40 anos com alergia a AAS usa montelucaste (Singulair) como terapia adicional.
Qual o mecanismo de ação do montelucaste?
✅ Resposta: B
💡 O montelucaste antagoniza o receptor CysLT1, bloqueando a ação dos cisteinil-leucotrienos (LTC4, LTD4, LTE4) — potentes broncoconstritores e pró-inflamatórios derivados do ácido araquidônico via 5-lipoxigenase. É especialmente útil em asma induzida por AAS (que desvia o metabolismo do AA para a via dos leucotrienos).
Q63. Homem de 42 anos com asma leve usa salmeterol (LABA — beta-2 agonista de longa ação) como monoterapia 2x/dia. Após 6 meses, nota aumento na frequência de crises.
Qual conceito farmacodinâmico explica a redução de eficácia?
✅ Resposta: B
💡 LABA como monoterapia é contraindicado — causa dessensibilização rápida (down-regulation) de receptores beta-2 e aumenta risco de exacerbações e morte por asma (estudos SMART). Sempre usar com corticoide inalatório (que reduz inflamação) ou usar SABA + LABA + corticoide. Eficácia de LABA é melhor mantida com ICS concomitante.
Q64. Mulher de 60 anos com ICC sistólica em uso de enalapril (iECA) é prescrita espironolactona, MAS após 2 semanas apresenta fraqueza muscular, palpitações, e eletrocardiograma mostra prolongamento de intervalo PR e aumento de onda T.
Qual é a complicação eletrolítica?
✅ Resposta: B
💡 Hipercalemia é complicação séria de combinação iECA/ARAII + antagonista de aldosterona/diurético poupador de K⁺. Risco aumentado: IRC (clearance reduzido), diabetes (hiporeninemia), NSAIDs (reduzem secreção tubular K⁺). Monitorar K⁺ antes de iniciar, 1-2 semanas após início, mensalmente. Eletrólitos podem ser letais (arritmias fatais). Se K⁺ >5.5, descontinuar antagonista de aldosterona, considerar trocar iECA por outro agente.
Q65. Paciente de 40 anos com herpes genital recorrente recebe aciclovir VO crônico para supressão (dose 400 mg 2x/dia).
Qual é a indicação para terapia supressiva vs episódica?
✅ Resposta: B
💡 Herpes genital recorrente é tratado com 2 estratégias: 1) Episódica: aciclovir 800 mg 5x/dia x5 dias durante crise; 2) Supressiva: aciclovir 400 mg 2x/dia contínuamente. Supressiva reduz frequência de recorrências e transmissão sexual. Indicações supressão: >6/ano, parceiro seronegativo, muito incômodo. Resistência a aciclovir é rara (<1% em imunocompetentes, >5% em HIV CD4 <50). Valaciclovir (profármaco, melhor absorção) é alternativa.
Q66. Paciente de 55 anos com fibrilação atrial permanente recebe amiodarona IV para tentativa de cardioversão. Após infusão, apresenta fotodermatite (dermatite por luz UV).
Qual é a complicação crônica associada à amiodarona?
✅ Resposta: B
💡 Amiodarona é altamente lipofílica, contém 37% iodo, meia-vida longa (dias-meses) → acúmulo tissular. Efeitos adversos: fotodermatite, pigmentação azulada, fotosensibilidade severa, ceratite, neuropatia óptica, hepatotoxicidade (rara, 1%), pneumonite intersticial (rara mas grave), disfunção tireoidea. Prevenção: protetor solar, óculos UV, monitorar TFT (TSH anualmente). Descontinuação não reverter pigmentação (desaparece lentamente em meses).
Q67. Paciente de 45 anos com glaucoma ângulo-fechado agudo é tratado com dorzolamida (inibidor de anidrase carbônica tópico). O oftalmologista evita prescrever pilocarpina concomitante.
Qual é a razão fisiopatológica para evitar pilocarpina?
✅ Resposta: B
💡 Na iridotomia a laser ou cirurgia, o ângulo-fechado é corrigido. MAS antes da cirurgia, tenta-se reduzir PIO com medicações. Pilocarpina (constrição pupilar) piora mecanicamente o fechamento angular (tração de iris para trás). Dorzolamida (reduz produção aquosa) é segura. Após iridotomia definitiva, pilocarpina pode ser seguramente usada. Ordem importante: anidrase carbônica inibidora/betabloqueador PRIMEIRO para abrir ângulo.
Q68. Paciente de 40 anos com malária por P. vivax recebe cloroquina + primaquina.
Por que é necessário adicionar primaquina ao esquema?
✅ Resposta: B
💡 P. vivax e P. ovale formam hipnozoítas (formas dormentes no fígado) que podem reativar meses/anos depois. A cloroquina é esquizonticida sanguínea (mata formas eritrocíticas), mas não elimina hipnozoítas. A primaquina é o único antimalárico que elimina hipnozoítas hepáticos — essencial para cura radical. Risco: hemólise em deficientes de G6PD.
Q69. Mulher de 60 anos com osteoartrite em uso de celecoxib (coxibe, COX-2 seletivo) apresenta edema periférico progressivo e ganho de peso.
Qual é o mecanismo?
✅ Resposta: B
💡 COX-2 é responsável por produção de PGs renais (vasodilatação aferente, natriurese). Coxibes bloqueiam COX-2 → reduzem PGs renais → vasoconstrição renal, reduzem TFG e natriurese → retenção de Na⁺/H₂O → edema periférico, ganho de peso, hipertensão. Monitorar peso, PA, edema. Se persistir, trocar por AINE + IBP ou acetaminofém.
Q70. Homem de 62 anos com HIV em terapia com 3TC (lamivudina — ITRN) e AZT (zidovudina — ITRN) desenvolve neuropatia periférica e pancreatite.
Qual é o mecanismo de toxicidade?
✅ Resposta: B
💡 ITRNs têm toxicidade mitocondrial: inibem DNA polimerase mitocondrial γ (pol-γ) → dano mitocondrial em células energeticamente ativas (neurônios periféricos, células pancreáticas, músculos). Efeitos: neuropatia periférica, pancreatite, miopatia, acidose lática (rara mas grave). Combinações com múltiplos ITRNs aumentam risco. Monitorar sinais/sintomas, considerar trocar para inibidor de integrase (não-ITRN).
Q71. Mulher de 45 anos com diabetes tipo 2 em uso de gliburida (sulfoniluréia) desenvolve hipoglicemia recorrente, especialmente à noite.
Qual propriedade farmacocinética de gliburida explica isto?
✅ Resposta: B
💡 Gliburida é metabolizada em metabólitos ativos (principalmente 4-OH gliburida) com meia-vida prolongada (~10h) → efeito hipoglicemiante prolongado → risco de hipoglicemia noturna. Especialmente problemático em IRC. Recomendação: preferir glipizida (metabólito inativo, meia-vida curta 4h) ou sulfoniluréia de curta ação (gliclazida) em idosos ou IRC.
Q72. Mulher de 28 anos grávida (2º trimestre) com infecção respiratória necessita antibiótico.
Qual é o mecanismo de seleção de beta-lactâmico vs quinolona?
✅ Resposta: B
💡 Seleção de antibióticos na gravidez é crítica. Beta-lactâmicos (pen, cefalos) são SEGUROS (FDA-A) pois mecanismo (inibição de síntese de parede bacteriana) não existe em mamíferos → sem teratogênese. Fluoroquinolonas foram associadas a artropatia em animais e raramente em bebês → evitar. Trimetoprim (antagonista de folato, teratogênico no 1º trimestre) é evitado em 1º TRI. Macrolídeos são seguros mas evitar em 1º TRI (eritromicina). Primeira escolha: cefalexina, amoxicilina.
Q73. Homem de 72 anos com ICC diastólica recebe verapamil (bloqueador de cálcio não-dihidropiridínico) para controle de FC.
Qual é o mecanismo de melhora hemodinâmica?
✅ Resposta: B
💡 Em ICC diastólica, o ventrículo é rígido (enchimento prejudicado). O aumento de FC reduz tempo de enchimento → piora pré-carga → piora sintomas. Betabloqueador e bloqueador AV (verapamil, diltiazém) reduzem FC → maior tempo de enchimento → melhora hemodinâmica. Verapamil também vasodilatador → reduz pós-carga. Cuidado: verapamil tem efeito inotrópico negativo; contraindicado em ICC sistólica com FE reduzida.
Q74. Paciente de 62 anos com diabetes tipo 2 mal-controlada em máximas doses de metformina + sulfoniluréia recebe SGLT2 inibidor (empagliflozina).
Qual é o novo mecanismo anti-hiperglicemiante?
✅ Resposta: B
💡 iSGLT2 (empagliflozina, dapagliflozina, canagliflozina) têm mecanismo único — inibem reabsorção renal de glicose → glicosúria. Benefícios: perda de peso (~2-3kg), redução de PA, redução de CV eventos (heart failure, CKD progression). Efeitos adversos: ITU/candidíase genital (glicose na urina), cetoacidose euglicêmica (rara, séria). Vantagem: efeito não-dependente de insulina pancreática (efetivo em IRC, IRC progressiva).
Q75. Mulher de 28 anos com toxoplasmose cerebral (CD4 <50 com HIV) recebe pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico.
Qual é o papel do ácido folínico?
✅ Resposta: B
💡 Pirimetamina é antagonista de DHFR (como methotrexato). Inibe DHFR tanto parasitária quanto humana → mielossupressão em doses altas. Ácido folínico (leucovorina — forma ATIVA de folato, diferente de ácido fólico que requer conversão) restaura síntese de nucleotídeos em células humanas sem interferir com eficácia de pirimetamina (que age bloqueando DHFR, não THFA). Estratégia essencial para evitar mielossupressão.
Q76. Paciente de 45 anos com infecção por Clostridium difficile em diarreia severa recebe metronidazol VO.
Qual é a farmacocinética relevante para eficácia?
✅ Resposta: B
💡 Metronidazol é bem absorvido VO, mas também é excretado na bile → atinge lúmen intestinal em concentrações altas. C. difficile é anaeróbio que causa toxinas → diarreia. Metronidazol VO é efetivo pois: 1) atinge lúmen intestinal em altas concentrações (ação local vs C. diff); 2) absorção sistêmica permite ação sobre toxemia. Fidaxocina (novo, não absorvido VO) é alternativa. Vancomicina VO é alternativa (não absorvida, alta lúminal).
Q77. Paciente de 45 anos com pneumonia comunitária recebe amoxicilina + ácido clavulânico. O médico explica que o ácido clavulânico protege a amoxicilina.
Qual o mecanismo de ação do ácido clavulânico?
✅ Resposta: B
💡 O ácido clavulânico é um inibidor suicida de beta-lactamases (classe A). Ele se liga irreversivelmente à enzima beta-lactamase, impedindo-a de degradar a amoxicilina. Assim, a associação amoxicilina + clavulanato é eficaz contra bactérias produtoras de beta-lactamases (ex.: H. influenzae, S. aureus sensível).
Q78. Paciente de 42 anos com infecção urinária recebe ciprofloxacino 500mg VO e é orientado a não tomar com antiácidos contendo alumínio ou magnésio.
Qual o motivo desta orientação?
✅ Resposta: B
💡 Cátions divalentes (Al²⁺, Mg²⁺, Ca²⁺, Fe²⁺) formam quelatos insolúveis com fluoroquinolonas no TGI, reduzindo drasticamente a absorção. Deve-se administrar o antibiótico 2h antes ou 6h após o antiácido.
Q79. Paciente de 50 anos com angina estável recebe anlodipino (bloqueador de canais de cálcio di-hidropiridínico).
Qual o mecanismo antianginoso do anlodipino?
✅ Resposta: B
💡 O anlodipino (BCC di-hidropiridínico) bloqueia seletivamente canais de cálcio tipo L vasculares. Menos Ca²⁺ intracelular → relaxamento da musculatura lisa → vasodilatação arteriolar → redução da resistência vascular periférica e pós-carga → menor trabalho cardíaco → menor consumo de O2 miocárdico.
Q80. Paciente de 55 anos com ansiedade usa lorazepam. Inicia tratamento com cetoconazol (infecção fúngica). Dentro de 2 dias, apresenta sedação excessiva e confusão mental.
Qual é o mecanismo?
✅ Resposta: B
💡 Lorazepam é (parcialmente) metabolizado por CYP3A4. Cetoconazol é potente inibidor de CYP3A4. Inibição ↓ metabolismo de lorazepam → acúmulo → sedação profunda, confusão. Opção: usar oxazepam (eliminado por conjugação, não afetado) ou reduzir dose de lorazepam.
Q81. Homem de 45 anos com migrânea recebe paracetamol (acetaminofén) regularmente para controle (4-6 doses/dia, 5+ dias/semana por 6 meses).
Qual complicação farmacológica pode desenvolver?
✅ Resposta: B
💡 MOH não é exclusivo de triptanos ou opioides — qualquer analgésico usado >10-15 dias/mês por >3 meses pode causa. Paracetamol causa MOH via sensibilização central. Tratamento: descontinuar (pode piorar temporariamente), usar profilaxia (propranolol, amitriptilina, topiramato). Limite paracetamol a <4 g/dia, <15 dias/mês. Apesar de ser analgésico seguro, uso crônico sem supervisão causa MOH.
Q82. Paciente de 58 anos com ICC NYHA III recebe captopril (iECA), carvedilol (betabloqueador), espironolactona e furosemida.
Qual o mecanismo de ação do captopril e seu benefício na ICC?
✅ Resposta: B
💡 Os iECA inibem a ECA → menos angiotensina II (vasoconstritor, estimulador de aldosterona, promotor de fibrose) e mais bradicinina (vasodilatador, produção de NO e PGI2). Na ICC, isso reduz pré-carga, pós-carga, remodelamento cardíaco e retenção hídrica, melhorando sobrevida.
Q83. Mulher de 48 anos com diabetes tipo 1 recebe pancreas artificial (closed-loop insulin pump) que mede glicemia contínua e ajusta infusão de insulina automaticamente.
Qual é o benefício fisiopatológico?
✅ Resposta: B
💡 Closed-loop insulin delivery systems (artificial pancreas) são avanços em DM1: combina bomba contínua (CSII) + sensor contínuo (CGM) + software (algoritmo de controle PID ou machine learning) → feedback loop → ajuste automático de infusão. Benefício: HbA1c reduzido ~0.5-1%, menor tempo em hiperglicemia, redução de hipoglicemia noturna. FDA aprovado (Medtronic 670G, Tandem Control-IQ). Barreira: custo, treinamento, falhas técnicas.
Q84. Paciente de 45 anos com diabetes tipo 1 em infusão contínua de insulina (bomba) relata episódios de hiperglicemia e cetonúria após 2 dias de falha de cateter (detectado após presentação).
Qual é o risco associado à interrupção de insulina basal?
✅ Resposta: B
💡 Pacientes DM1 em bomba de insulina necessitam de infusão contínua (basal) — interrupção >2-3h causa DKA rápida pois insulina é absolutamente necessária (diferente de DM2 onde há insulina residual). Falhas de cateter/bomba são emergências médicas — pacientes devem carregar caneta de insulina de backup e/ou injetar insulina basal imediatamente se suspeitar falha. Apresentação: hiperglicemia, cetonúria, acidose. Educação de paciente é crítica.
Q85. Paciente de 48 anos com DRGE refratária a IBP recebe H2-antagonista adicional (ranitidina VO). Após semanas, apresenta ginecomastia bilateral.
Qual é o mecanismo endócrino?
✅ Resposta: B
💡 H2-antagonistas (raramente usados agora com PPIs dominando) causavam efeitos endócrinos: ranitidina especialmente causa ginecomastia (1-2% incidência) via redução de testosterona e aumento de prolactina. Fadiga sexual, impotência também relatados. Risco aumentado: doses altas (>400 mg/dia), uso prolongado (>6 meses), idade avançada, IRC (acúmulo). Reversível após descontinuação em dias-semanas.
Q86. Paciente de 72 anos com IAM anterior agudo recebe moxonidina (agonista I-1 imidazolina) para reduzir simpátomimético excessivo.
Qual é o mecanismo de proteção cardíaca?
✅ Resposta: B
💡 Moxonidina é agonista de receptor I1 (imidazolina) com ação central para reduzir atividade simpática. Mecanismo similar a clonidina (alfa-2 agonista) mas mais seletivo. Ensaios clínicos (MOXCON em pós-IAM) não mostraram benefício de mortalidade, então uso é limitado. Betabloqueadores e iECA são preferidos pós-IAM. Moxonidina pode ter papel em hipertensão resistente + ICC.
Q87. Mulher de 40 anos com fobia social recebe propranolol (betabloqueador) para controlar sintomas somáticos de ansiedade. Após 3 meses, relata ganho de peso apesar de não mudança na dieta.
Qual propriedade farmacodinâmica de betabloqueadores explica isto?
✅ Resposta: B
💡 Betabloqueadores não-seletivos (propranolol) bloqueiam beta-2 em adipócitos e músculo, reduzindo lipólise e oxidação de ácidos graxos → ganho de peso. Além disso, reduzem metabolismo basal geral. Alternativa: betabloqueadores cardio-seletivos (atenolol, metoprolol) têm menos efeito, ou usar antidepressivo (ISRS) + psicoterapia para fobia social.
Q88. Paciente de 40 anos com tuberculose recebe esquema RIPE (rifampicina + isoniazida + pirazinamida + etambutol) por 2 meses, seguido de rifampicina + isoniazida por 4 meses.
Por que se utiliza terapia combinada e prolongada na tuberculose?
✅ Resposta: B
💡 O M. tuberculosis tem crescimento lento, populações heterogêneas (intracelulares, extracelulares, em cáseo) e alta taxa de mutação para resistência. A terapia combinada garante que mutantes resistentes a um fármaco sejam eliminados por outro. O tratamento prolongado é necessário para eliminar bacilos dormentes.
Q89. Paciente de 52 anos com artrite reumatoide recebe tocilizumabe (anticorpo monoclonal anti-IL-6).
Qual é o mecanismo anti-inflamatório?
✅ Resposta: B
💡 Tocilizumabe é anticorpo anti-receptor IL-6 (tocilizumabe liga-se a IL-6R e bloqueia sinalização de IL-6 mediada por gp130). IL-6 é citocina central em inflamação crônica (artrite reumatoide). Bloqueio de IL-6R reduz produção de outras citocinas inflamatórias. Eficácia: reduz sinais/sintomas e progressão radiográfica em RARD (rheumatoid arthritis difficult to treat).
Q90. Paciente imunodeprimido com aspergilose pulmonar invasiva recebe anfotericina B lipossomal IV. Apresenta febre, calafrios e hipopotassemia durante a infusão.
Qual o mecanismo de ação e a explicação para estes efeitos adversos?
✅ Resposta: B
💡 A anfotericina B é um antifúngico poliênico que se liga ao ergosterol (componente da membrana fúngica, ausente em mamíferos que têm colesterol). A ligação forma poros → perda de K⁺, Mg²⁺ e outros solutos → morte fúngica. A nefrotoxicidade ocorre por ligação residual ao colesterol de células renais.
Q91. Paciente de 60 anos com gota crônica usa probenecida e é prescrito amoxicilina para infecção dentária. O médico nota que os níveis de amoxicilina ficam mais elevados que o esperado.
Qual o mecanismo desta interação?
✅ Resposta: B
💡 A probenecida é um inibidor da secreção tubular renal de ácidos orgânicos (transportador OAT). Ao competir com a amoxicilina pelo mesmo transportador, reduz sua secreção tubular → menor excreção → maiores níveis plasmáticos. Historicamente, era usada com penicilina para prolongar seu efeito.
Q92. Mulher de 48 anos com HIV em terapia com ritonavir (inibidor de protease — IP) apresenta hepatotoxicidade progressiva com elevação de transaminases.
Qual é o mecanismo?
✅ Resposta: B
💡 Inibidores de protease (especialmente ritonavir, lopinavir) podem causar hepatotoxicidade (incidência 5-10% com transaminases elevadas, <1% grave). Mecanismo: metabolismo hepático extenso com formação de metabólitos reativos ou interferência mitocondrial. Risco aumentado: coinfecção VHB ou VHC, IRC, albumina baixa. Monitorar transaminases, bilirrubina mensalmente em TARV com IP. Se hepatotoxicidade grave, considerar trocar IP por integrase inibidor (menos hepatotóxico).
Q93. Paciente de 45 anos com esofagite por Candida em DRGE crônica com uso de IBP recebe fluconazol VO.
Qual é o fator de risco para candidíase em IBP?
✅ Resposta: B
💡 IBP reduzem ácido gástrico que mata Candida naturalmente. Incidência de candidíase oral/esofágica é 1-3% com IBP. Fatores de risco aditivos: antibióticos (reduzem flora, selecionam Candida), corticoides inalatórios (reduzem imunidade local), IRC (acúmulo de IBP). Recomendação: usar IBP mínimo tempo (4 semanas max), monitorar sintomas de candidíase, considerar antifúngico profilático se alto risco.
Q94. Homem de 64 anos com tuberculose em tratamento com isoniazida é diagnosticado com polineuropatia periférica após 3 meses. Sua concentração plasmática de isoniazida é alta, apesar de usar dose padrão.
Qual fator genético-farmacocinético pode explicar isto?
✅ Resposta: C
💡 A NAT2 acetila isoniazida para inativação. Indivíduos com fenótipo acetilador lento (comum em populações asiáticas e africanas, ~50% dos brasileiros) metabolizam lentamente → acúmulo → polineuropatia. Recomenda-se monitorar níveis plasmáticos e considerar dose reduzida ou piridoxina (B6) para neuropatia.
Q95. Paciente de 65 anos com DPOC moderado recebe fluticasona/salmeterol (corticoide inalatório + LABA em combinação).
Qual é a vantagem farmacodinâmica de combinar ICS + LABA?
✅ Resposta: B
💡 LABA monoterapia causa dessensibilização rápida (down-regulation beta-2) → piora do controle, aumento de exacerbações (estudo SMART). ICS reduz inflamação → restaura resposta beta-2 (inibe down-regulation, aumenta expressão de receptores β2). Combinação ICS + LABA é padrão em DPOC/asma moderada-grave. Sempre ICS + LABA, nunca LABA monoterapia.
Q96. Mulher de 68 anos com arritmia supraventricular (SVT) recebe adenosina IV 6 mg em bolus rápido. Apresenta bradicardia extrema, dispneia e rubor facial.
Qual é o mecanismo de ação e efeitos adversos?
✅ Resposta: B
💡 Adenosina é agente de ação rápida para SVT: bloqueia AV via A1 receptores adenosina inibitórios → parada AV transitória → interrompe re-entrada → conversão a ritmo sinusal. Efeitos adversos breves (<30 seg) mas desconfortáveis: bradicardia, vasodilatação (rubor, dispneia, dor no peito transitória), mesmo ocasionalmente induz asma em asmáticos (E1a adenosina vasodilatação em via aérea). Meia-vida muito curta (<10 seg) → efeitos transitórios. Administrar IV rápido, seguido de flush de soro fisiológico.
Q97. Paciente de 35 anos com HIV recebe esquema TDF + 3TC + DTG (tenofovir + lamivudina + dolutegravir) conforme protocolo brasileiro.
Qual o mecanismo de ação de cada componente deste esquema?
✅ Resposta: B
💡 O esquema TLD ataca o HIV em diferentes etapas: TDF (tenofovir, análogo nucleotídeo) e 3TC (lamivudina, análogo nucleosídeo) inibem a transcriptase reversa, impedindo a conversão de RNA viral em DNA. O DTG (dolutegravir) inibe a integrase, bloqueando a inserção do DNA viral no genoma humano.
Q98. Paciente de 60 anos com osteoartrite de joelho usa celecoxibe (inibidor seletivo de COX-2) há 6 meses. Desenvolve hipertensão e edema periférico.
Qual o mecanismo farmacológico associado a estes efeitos cardiovasculares?
✅ Resposta: B
💡 A COX-2 produz prostaciclina (PGI2) endotelial → vasodilatação + antiagregação. A COX-1 plaquetária produz TXA2 → vasoconstrição + agregação. Inibidores seletivos de COX-2 reduzem PGI2 sem afetar TXA2 → desequilíbrio pró-trombótico, hipertensão e retenção de sódio. Este é o risco cardiovascular dos coxibes.
Q99. Mulher de 58 anos com SIDA (CD4 <50) desenvolve meningite por Cryptococcus neoformans. É prescrita anfotericina B deoxicolato IV.
Qual é a razão para escolher anfotericina B vs azólicos neste cenário?
✅ Resposta: B
💡 Criptococose meníngea em SIDA requer indução com anfotericina B + 5-fluorocitosina (5-FC) por 2 semanas (fungicida), depois consolidação com fluconazol (~8 semanas), depois manutenção com fluconazol até reconstitução imune (CD4 >100). Anfotericina B é fungicida, mas tóxica (necessário monitoramento). 5-FC atua sinergicamente. Fluconazol sozinho como indução é INADEQUADO (altos de morte).
Q100. Mulher de 62 anos com ICC descompensada recebe furosemida IV em bolo único grande (500 mg) para diurese rápida.
Qual é o risco farmacocinético desta estratégia?
✅ Resposta: B
💡 Loop diuréticos (furosemida) causam ototoxicidade quando usados em doses altas, especialmente IV em bolus (concentração plasmática pico). Mecanismo: furosemida reduz sódio na endolinfa → colapso de gradiente de potencial → lesão de células ciliadas cochleares. Apresentação: surdez bilateral, zumbido, às vezes permanente. Prevenção: usar infusão contínua (não bolus), doses menores, monitorar audição. Reversível se detectado cedo.
Q101. Paciente de 28 anos grávida (2º trimestre) com infecção por HSV-1 disseminada recebe aciclovir IV.
Qual é o perfil de segurança em gravidez?
✅ Resposta: B
💡 Aciclovir é seguro em gravidez (FDA Cat. B) — não há dados de teratogênese. HSV disseminado em gravidez é indicação para aciclovir IV. Varicela (VZV) em gravidez próxima ao parto é risco para varicela neonatal severa — tratar mãe com aciclovir. Embora dados de segurança sejam limitados, benefício de tratar infecção viral severa supera riscos teoréticos em gravidez.
Q102. Paciente de 38 anos com gonorreia recebe ceftriaxona 250 mg IM dose única (esquema OMS recomendado).
Qual é a razão farmacológica de dose única intramuscular?
✅ Resposta: B
💡 Ceftriaxona tem meia-vida longa (~6-9h) vs outras cefalosporinas (1-3h), permitindo dosagem menos frequente. Para gonorreia, dose única IM de 250 mg é recomendada por OMS pois: 1) atinge concentrações bactericidas pulso (~2h) suficientes para matar gonococos; 2) meia-vida longa mantém concentrações inibitórias; 3) IM garante adesão. Vantagem sobre fluoroquinolonas: resistência emergente em gonococo a fluoroquinolonas, MAS ainda suscetível a cefalosporinas (por enquanto).
Q103. Paciente de 70 anos com bradicardia sintomática (FC 40 bpm) recebe atropina IV (antagonista muscarínico M1/M2/M3). Inicialmente melhora a FC, mas desenvolve retenção urinária, visão embaçada e confusão mental.
Qual é o mecanismo de toxicidade anticolinérgica?
✅ Resposta: B
💡 Atropina é antagonista muscarínico não-seletivo. Efeitos farmacológicos: bloqueio M2 no nó SA/AV (aumento de FC — desejado), MAS também bloqueia M3 em outros órgãos: bexiga (retenção urinária), olho (cicloplegia, midríase, visão embaçada), TGI (diminui motilidade), SNC (confusão em idosos). O 'síndrome anticolinérgico': 'quente, seco, vermelho, louco' (hipertermia, xerostomia, vasodilatação, confusão).
Q104. Paciente de 52 anos com hipertensão em uso de losartana recebe naprosina (AINE) para dor crônica 3x/dia regularmente.
Qual é o efeito esperado sobre PA?
✅ Resposta: B
💡 AINE reduz PGs renais → reduz natriurese, retém sódio/água → aumenta volume → aumenta PA. Simultaneamente, losartana tenta reduzir PA via bloqueio de angiotensina II. Efeito oposto: AINE antagoniza losartana. PA pode aumentar paradoxalmente. Solução: trocar AINE por acetaminofém ou usar AINE mínimo + IBP protetor + monitorar PA rigorosamente.
Q105. Paciente de 40 anos com diabetes tipo 2 em metformina recebe exenatida (mimético de GLP-1 natural — de saliva de lagarto Gila monster).
Qual é o mecanismo de ação?
✅ Resposta: B
💡 Exenatida é GLP-1 RA injetável (ação rápida, bid). GLP-1 RAs (exenatida, liraglutida, dulaglutida, semaglutida) são efetivos em T2DM: HbA1c ↓ 1-2%, perda de peso 3-5kg, redução de CV eventos. Análogos de ação prolongada (semaglutida semanal) são mais convenientes. Efeitos adversos: náusea, vômito. Contraindicação: história de carcinoma medular tireoidiano (estudo animal mostrou proliferação celular).
Q106. Homem de 70 anos com osteomielite crônica recebe nafcilina IV por 6 semanas (beta-lactâmico que trata Staph aureus).
Qual complicação renal pode ocorrer?
✅ Resposta: B
💡 Beta-lactâmicos (especialmente nafcilina, methicilina, cefalotas) podem causar nefrite intersticial aguda (AIN) por mecanismo de hipersensibilidade ou toxicidade direta. Incidência aumentada em: doses altas, uso >3 semanas, idade avançada, IRC prévia. Apresentação: azotemia com eosinofilia urinária, rash (occasional). Tratamento: descontinuar antibiótico, considerar corticoides se grave. Prognóstico: recuperação em dias-semanas com descontinuação.
Q107. Paciente de 70 anos com candidúria assintomática recebe fluconazol VO. Após semanas de terapia, desenvolveu resistência da Candida a fluconazol (isolado resistente em urinocultura).
Qual é o mecanismo de resistência?
✅ Resposta: B
💡 Tratamento desnecessário de candidúria assintomática (colonização) seleciona cepas resistentes a azólicos, especialmente Candida glabrata e C. auris (alta resistência). RECOMENDAÇÃO: NÃO tratar candidúria assintomática. Tratar apenas: sintomas urinários, imunocomprometido grave, cateter vesical que será mantido >7 dias, grávida (risco de candidíase neonatal). Resistência resulta de mutações CYP51 e bombas de efluxo.
Q108. Paciente de 50 anos com angina instável recebe ticagrelor (P2Y12 antagonista) como parte de dupla antiagregação. Relata dispneia progressiva e tosse.
Qual é o mecanismo desta complicação pulmonar?
✅ Resposta: B
💡 Ticagrelor é P2Y12 antagonista irreversível com mecanismo de ação não apenas em plaquetas mas também aumenta adenosina extracelular (mecanismo não totalmente claro). Adenosina ativa receptores A2b em musculatura lisa brônquica → broncoconstrição → tosse, dispneia (incidência ~5-10%). Desaparece após descontinuação. Se persistir, considerar trocar para prasugrel ou clopidogrel (menos efeito em adenosina).
Q109. Paciente de 60 anos com angina estável em uso de nitroglicerina SL (sublingual) como resgate relata que a medicação '(nã0 funciona mais tão bem' quando usa frequentemente.
Qual fenômeno farmacodinâmico explica isto?
✅ Resposta: B
💡 Tolerância a nitrato é bem estabelecida. Mecanismo: nitrato necessita de tiol redutase mitocondrial para ser convertido a NO (vasodilatador). Uso crônico depleta cofatores de enxofre → reduz metabolismo de nitrato → perda de eficácia. Solução: período de wash-out de 10-12h/dia sem nitrato ('nitrate-free window'). Exemplo: usar nitroglicerina SL apenas 2-3x/dia, não continuamente.
Q110. Mulher de 38 anos com lupus eritematoso sistêmico em uso de metotrexato (MTX) apresenta nefrotoxicidade progressiva. Havia iniciado enalapril para proteinúria.
Qual é o principal fator farmacocinético de risco?
✅ Resposta: B
💡 MTX é filtrado livremente e secretado tubularmente. Inibidores da ECA (enalapril) reduzem a pressão glomerular e fluxo sanguíneo renal → reduzem filtração e secreção de MTX → acúmulo renal → nefrotoxicidade. MTX é nefrotóxico per se; iECA exacerba. Monitorar clearance de creatinina e níveis de MTX.
Q111. Paciente hipertenso de 55 anos com diabetes e nefropatia recebe losartana.
Qual o mecanismo de ação da losartana e por que é preferida ao iECA em alguns pacientes?
✅ Resposta: B
💡 Os BRA (bloqueadores dos receptores de angiotensina II) como losartana bloqueiam o receptor AT1, impedindo as ações vasoconstritoras, proliferativas e de retenção de sódio da angiotensina II. Diferente dos iECA, não acumulam bradicinina → sem tosse seca. São nefroprotetores em diabéticos.
Q112. Paciente de 55 anos com DPOC Gold D recebe tiotrópio (Spiriva) por inalação 1x/dia.
Qual o mecanismo de ação do tiotrópio e por que é administrado 1x/dia?
✅ Resposta: B
💡 O tiotrópio é um LAMA (antagonista muscarínico de longa ação) com dissociação muito lenta dos receptores M3 na musculatura lisa brônquica, proporcionando efeito de 24h com dose única diária. Na DPOC, o tônus colinérgico é o principal mecanismo reversível de broncoconstrição.
Q113. Mulher de 38 anos com síncope vasovagal recebe fludrocortisona (mineralocorticoide) como profilaxia.
Qual é o mecanismo de prevenção de síncope?
✅ Resposta: B
💡 Síncope vasovagal é reação neurovegetativa reflexa (hipovolemia ou estresse ativa parassimpático → bradicardia, vasodilatação → queda PA → síncope). Fludrocortisona (retenção de Na⁺ e H₂O) aumenta volume intravascular → melhora ortostatismo → reduz síncope em alguns pacientes. Combinação com betabloqueador (atenolol) é padrão em prefilaxia de síncope vasovagal recorrente.
Q114. Paciente de 55 anos com endocardite bacteriana por Enterococcus faecalis recebe ampicilina + gentamicina. O médico explica a necessidade de associação.
Qual o conceito farmacológico que justifica esta combinação?
✅ Resposta: B
💡 A ampicilina danifica a parede celular do enterococo, facilitando a penetração da gentamicina (aminoglicosídeo) para o citoplasma bacteriano. A gentamicina então inibe a subunidade 30S ribossômica. O resultado é sinergismo bactericida — essencial para enterococos, que são naturalmente tolerantes a cada fármaco isoladamente.
Q115. Paciente de 48 anos com úlcera gástrica H. pylori-positiva recebe esquema tríplice: omeprazol + amoxicilina + claritromicina por 14 dias.
Qual o mecanismo de ação do omeprazol?
✅ Resposta: B
💡 Os IBP (omeprazol, esomeprazol, pantoprazol, lansoprazol) são pró-fármacos que, em ambiente ácido canalicular, são ativados e se ligam covalentemente à bomba H⁺/K⁺-ATPase, inibindo-a irreversivelmente. Bloqueiam a via final comum da secreção ácida, independente do estímulo (histamina, ACh, gastrina). São os mais potentes antissecretores.
Q116. Paciente de 75 anos com ICC em diuréticos crônicos desenvolveu alcalose metabólica severa com hipocaliemia (pH 7.55, K 2.8 mEq/L).
Qual é o mecanismo da alcalose paradoxal?
✅ Resposta: B
💡 Alcalose metabólica em ICC/diuréticos é 'paradoxal' — volume depleção ativa RAAS → aldosterona → perdas urinárias de K⁺ e H⁺ → hipocaliemia + alcalose. Além disso, perda de ácido (vômitos GI, drenagem NG) agrava. Tratamento: volume expansion (NS IV), potássio (KCl IV), descontinuar/reduzir diurético se possível, considerar iECA/ARAII para reduzir aldosterona. Importante reconhecer hypocaliemia pois piora ICC (arritmias, função diastólica prejudicada).
Q117. Paciente de 60 anos com hipertensão controlada com losartana (ARAII) é prescrita indometacina para dor pós-operatória. Após dias, apresenta hipercalemia (K 5.9 mEq/L).
Qual é o mecanismo desta interação?
✅ Resposta: B
💡 ARAII (losartana) bloqueia angiotensina II → reduz aldosterona → reduz secreção tubular de K⁺. Adicionar AINE (indometacina) que também reduz aldosterona (via inibição de PGs) → hipercalemia aditiva. Similar com iECA, iSGLT2, diuréticos poupadores de K⁺. Monitorar K⁺ quando combinado ARAII/iECA + AINE; considerar albumina ou IB não-seletivo (melhor que Cox-2 seletivo para hipercalemia).
Q118. Paciente de 45 anos com asma usa salbutamol de resgate múltiplas vezes ao dia. Após semanas, percebe que o medicamento está fazendo menos efeito.
Qual fenômeno farmacodinâmico está ocorrendo?
✅ Resposta: B
💡 O uso excessivo de agonistas beta-2 causa dessensibilização dos receptores: fosforilação por GRK (quinases de receptores acoplados a proteína G), ligação de beta-arrestina, internalização e degradação dos receptores (down-regulation). Resultado: menor resposta ao agonista (tolerância farmacológica).
Q119. Mulher de 55 anos em transição menopausal com afrontamentos severos recebe terapia hormonal de reposição (THR) com estrogênio transdérmico.
Qual é o benefício farmacocinético da via transdérmica vs oral?
✅ Resposta: B
💡 Estrogênio oral sofre metabolismo hepático de primeira passagem extenso (~80%) → doses orais (1-2 mg/dia) necessárias. Via transdérmica (patch 0.1-0.4 mg/24h) evita primeira passagem → biodisponibilidade ~100% → menores doses sistêmicas. Vantagem: reduz efeitos hepáticos indesejados (↑ SHBG, ↑ fatores coagulação, ↑ TG) → menor risco trombótico com transdérmico. Recomendação: preferir transdérmico se risco trombótico elevado.
Q120. Mulher de 25 anos com candidíase vaginal recorrente recebe fluconazol 150mg dose única oral.
Qual o mecanismo de ação do fluconazol?
✅ Resposta: B
💡 Os azólicos (fluconazol, itraconazol, cetoconazol, voriconazol) inibem a lanosterol 14-alfa-demetilase (CYP51 fúngica), bloqueando a conversão de lanosterol em ergosterol. Sem ergosterol, a membrana fúngica perde integridade e fluidez → fungiostático. O fluconazol tem boa biodisponibilidade oral e penetração no SNC.
Q121. Paciente de 68 anos com glaucoma recebe pilocarpina (agonista muscarínico M3) em colírio. Apresenta miose, broncoespasmo e hipotensão.
Qual é o mecanismo dos efeitos adversos sistêmicos?
✅ Resposta: A
💡 Pilocarpina é um agonista muscarínico não-seletivo (M1-M5). Apesar de instilada topicamente no olho (objetivo: constrição pupilar M3 → aumento de escoamento aquoso → redução PIO), é absorvida sistêmico. Ativa M3 nos pulmões → broncoconstrição, nos vasos → vasodilatação, no coração → bradicardia. Efeitos colaterais exigem cuidado em asmáticos.
Q122. Paciente de 58 anos com diabetes tipo 2 recebe sitagliptina (iDPP4) para melhorar controle glicêmico. Apresenta tosse seca persistente e falta de ar.
Qual é a complicação rara de iDPP4?
✅ Resposta: B
💡 iDPP4 são geralmente bem tolerados, MAS casos raros de pancreatite aguda e pneumonite intersticial foram relatados pós-comercialização (mecanismo desconhecido, possível hipersensibilidade). Recomendação: usar com cautela, monitorar sintomas de pancreatite (dor epigástrica) e pneumonite (tosse, dispneia), descontinuar se suspeita.
Q123. Paciente de 72 anos, desnutrido, com hipoalbuminemia (albumina 2,0 g/dL) recebe fenitoína para epilepsia. Apesar de níveis séricos totais normais, apresenta toxicidade.
Qual a explicação farmacocinética?
✅ Resposta: B
💡 A fenitoína tem alta ligação proteica (~90%). Com hipoalbuminemia, menos fármaco está ligado → mais fração livre (farmacologicamente ativa). O nível sérico total pode parecer normal, mas a fração livre está elevada → toxicidade. Deve-se dosar fenitoína livre.
Q124. Paciente de 38 anos com enxaqueca refratária recebe ergotamina (agonista parcial serotoninérgico). O médico explica que, diferente do sumatriptano (agonista pleno), a ergotamina pode ter efeito variável.
Qual a explicação farmacodinâmica para esta diferença?
✅ Resposta: B
💡 Agonistas parciais têm atividade intrínseca entre 0 e 1. Na ausência de agonista endógeno, comportam-se como agonistas (estimulam o receptor). Na presença de altos níveis de agonista endógeno, comportam-se como antagonistas funcionais (ocupam o receptor sem ativar maximamente). O efeito líquido depende do tônus basal.
Q125. Paciente de 52 anos com DPOC severa com uso de múltiplos broncodilatadores (SABA, LABA, LAMA) ainda com sintomas apresenta exacerbação. É prescrito roflumilast (inibidor de fosfodiesterase-4).
Qual é o mecanismo de benefício no DPOC severo?
✅ Resposta: B
💡 Roflumilast é inibidor de PDE-4 que reduz inflamação (não broncodilatação). Útil em DPOC severo com exacerbações frequentes como adjunto a broncodilatadores. Reduz exacerbações em ~15-20%. Efeitos adversos: nausea, diarreia, perda de peso. Não é primeira linha (droselação após broncodilatadores não adequados). Uso em asma não é recomendado (pouco benefício adicional a ICS).
Q126. Mulher de 48 anos com lúpus eritematoso sistêmico em uso de prednisona (20 mg/dia por anos) sofre supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA).
Qual mecanismo farmacodinâmico de corticoides causa esta supressão?
✅ Resposta: B
💡 Glicocorticoides (prednisona, dexametasona) agem em receptores GR em hipotálamo e hipófise anterior → reduzem CRH e ACTH → reduzem DHEA e cortisol endógeno. Com uso crônico, a glândula adrenal atropia (reduz capacidade de responder a ACTH). Retirada abrupta → insuficiência adrenal aguda. Sempre retirar gradualmente ('taper'); pacientes em corticoides cronicamente necessitam 'stress steroid' durante cirurgia/infecção.
Q127. Paciente de 70 anos com herpes zoster recebe aciclovir 800mg 5x/dia por 7 dias.
Qual o mecanismo de ação do aciclovir e por que ele é seletivo para células infectadas?
✅ Resposta: B
💡 O aciclovir é um pró-fármaco que requer fosforilação pela timidina quinase (TK) viral para a forma monofosfato. Depois, quinases celulares formam o trifosfato, que inibe a DNA polimerase viral e causa terminação prematura da cadeia de DNA. Como a TK é viral, células não infectadas não ativam o fármaco — seletividade.
Q128. Homem de 38 anos com ascaridíase (Ascaris lumbricoides) recebe mebendazol (benzimidazol).
Qual é a vantagem farmacocinética do mebendazol?
✅ Resposta: B
💡 Mebendazol é primeira linha para ascaridíase (dose única 400 mg ou 100 mg 2x/dia x3 dias). Benzimidazóis se ligam a beta-tubulina parasitária → inibem microtúbulos → morte do verme. Mebendazol tem baixa absorção GI (ação local), seguro em gravidez (categoria A — teratogênese não bem demonstrada), crianças. Albendazol é alternativa com absorção melhor (requer alimentos gordurosos) e espectro similar.
Q129. Paciente de 62 anos com diabetes tipo 2 em uso de metformina desenvolve deficiência de vitamina B12 após 5 anos de terapia.
Qual é o mecanismo?
✅ Resposta: B
💡 Metformina em uso prolongado (>5 anos) causa deficiência B12 em parte de pacientes (10-30%). Mecanismo: possível interferência com absorção ileal de B12 ou alteração de microbiota intestinal que sintetiza B12 (debate em literatura). Recomendação: monitorar B12 anualmente, considerar suplementação IM se deficiente. Não contra-indica metformina (benefício supera risco).
Q130. Mulher de 48 anos com gastroparesia diabética recebe domperidona (antagonista de dopamina) como procinético.
Qual é o mecanismo de melhora da motilidade?
✅ Resposta: B
💡 Dopamina é inibitória endógena na musculatura lisa GI. Antagonistas de dopamina (metoclopramida, domperidona) bloqueiam essa inibição → restauram contração coordenada → esvaziamento gástrico melhorado. Domperidona é antagonista periférico (não cruza BHE) → menos efeitos SNC vs metoclopramida. Indicação: gastroparesia, náuseas, constipação.
Q131. Paciente de 70 anos com candidemia (hemocultura positiva) recebe equinocandina (anidulafungin).
Qual é a vantagem do mecanismo de ação?
✅ Resposta: B
💡 Equinocandinas têm mecanismo DIFERENTE de azólicos (não inibem ergosterol, mas sim glucano da parede). Vantagem: efetivas contra Candida (inclusive azólico-resistentes), com menos interações de CYP450 que azólicos. Ativas em biofilmes de cateteres. Recomendada como terapia inicial para candidemia (não esquecer remover cateter). Penetração LCR é pobre (não usar em meningite). Efeito fungicida não fungiostático.
Q132. Homem de 58 anos com herpes zóster (shingles) recebe aciclovir IV em altas doses. Desenvolve confusão, alucinações e convulsões após 2º infusão.
Qual é o mecanismo desta encefalopatia?
✅ Resposta: B
💡 Aciclovir em doses altas IV pode causar encefalopatia (5-10%): confusão, tremor, convulsões, alucinações, coma. Mecanismo: aciclovir-trifosfato também inibe DNA polimerase mitocondrial (menos seletivo que DNA polimerase viral) → dano mitocondrial em neurônios. Risco: IRC (acúmulo), idade avançada, desidratação. Prevenção: hidratação adequada, reduzir dose em IRC, usar valaciclovir (profármaco de aciclovir com melhor biodisponibilidade VO) se possível.
Q133. Paciente de 70 anos com IAM anterior agudo (infarto do miocárdio) recebe ácido acetilsalicílico (AAS) e clopidogrel (P2Y12 antagonista).
Qual é o mecanismo sinérgico de antiagregação?
✅ Resposta: B
💡 Dupla antiagregação plaquetária (DAP) com AAS + clopidogrel (ou ticagrelor, prasugrel) é padrão em síndrome coronariana aguda e stent. Mecanismos: AAS bloqueia via TXA2 (COX-1), clopidogrel bloqueia via ADP (P2Y12). Diferentes vias → melhor eficácia que monoterapia. Duração: 12 meses em SCASST, 6-12 meses em SCACSST com stent metálico/farmacológico.
Q134. Mulher de 65 anos com fibrilação atrial em anticoagulação com varfarina recebe fluconazol para candidíase oral. Horas depois apresenta equimose em extremidades e sangramento gengival.
Qual é o mecanismo desta hemorragia?
✅ Resposta: B
💡 Fluconazol (e outros azólicos: itraconazol, cetoconazol) inibem CYP2C9 → aumentam varfarina → risco de super-anticoagulation → sangramento. Necessário reduzir dose de varfarina 30-50%, monitorar INR (diariamente depois de ajuste). Alternativa: usar antifúngico não-azólico (nistatina tópica) ou trocr anticoagulante para DOAC (menos interação com azólicos).
Q135. Homem de 35 anos com HIV em TARV com dolutegravir (inibidor de integrase) + TDF (tenofovir) + FTC (emtricitabina) apresenta queda de CD4 após 3 meses apesar de boa adesão.
Qual é a complicação possível?
✅ Resposta: B
💡 Tenofovir desoxifosfato (TDF) tem nefrotoxicidade bem estabelecida (incidência 1-3% em TARV): injúria tubular proximal renal via inibição de mtDNA polimerase → reduz TFG, hipofosforemia, doença óssea. TAF (prodrug novo de tenofovir) tem toxicidade renal MENOR (<1%) pois requer ativação intracelular específica (menos exposição sistêmica). Recomendação: trocar TDF → TAF se TFG <60 ou sinais de doença óssea (osteopenia).
Q136. Paciente de 50 anos com giardiose intestinal (Giardia lamblia) recebe tinidazol (nitroimidazol).
Qual é o mecanismo antiprotozoário?
✅ Resposta: B
💡 Tinidazol é nitroimidazol de 2ª geração (metronidazol é 1ª geração, tinidazol é melhor absorvido, meia-vida mais longa, dose menos frequente). Giardiose: tinidazol 2g dose única VO. Efeitos adversos: metallic taste, nausea, potencial mutagênico em altas doses (raro). Contraindicado em primeiro trimestre gravidez. Alternativa: paromomicina (aminoglicosídeo não-absorvido, ativo contra Giardia cística).
Q137. Homem de 68 anos com endocardite streptocócica recebe penicilina G IV de longa ação (benzilpenicilina procaína) combinada com gentamicina.
Qual é a razão farmacocinética de usar penicilina de depósito?
✅ Resposta: B
💡 Penicilina G procaína é sal de procaína que se dissolve lentamente de depósito IM → absorção estendida, meia-vida ~12h vs 30 min para penicilina G aquosa. Em endocardite, penicilina G procaína 1-2 MU IM 1x/dia + gentamicina (que aumenta penetração beta-lactâmico nas paredes de streptococcos) é combinação clássica. Vantagem: dosagem menos frequente, melhor adesão vs penicilina IV contínua (menos prático em ambulatório).
Q138. Homem de 28 anos com entorse de tornozelo recebe diclofenaco tópico (gel). Pergunta por que não recebeu o comprimido.
Qual a vantagem do uso tópico de AINEs em lesão localizada?
✅ Resposta: B
💡 A via tópica permite concentrações terapêuticas no local da lesão com absorção sistêmica mínima (<5-10% vs 100% oral). Isso reduz significativamente os riscos de gastropatia, nefrotoxicidade e eventos cardiovasculares, mantendo boa eficácia analgésica e anti-inflamatória local.
Q139. Mulher de 55 anos com artrite reumatoide em uso de metotrexato é prescrita doxiciclina para infecção respiratória. Apresenta mucosite severa e hepatotoxicidade.
Qual é o mecanismo?
✅ Resposta: B
💡 MTX é antagonista competitivo de dihidrofolato redutase → reduz folatos → pode causar mucosite, hepatotoxicidade. Tetraciclinas, incluindo doxiciclina, afetam microbiota intestinal produtora de folatos e afetam absorção de folatos → exacerbam deficiência folônica induzida por MTX. Usar folato (ácido fólico 5 mg/dia) ou leucovorina (ácido folínico) como proteção.
Q140. Paciente de 65 anos com fibrilação atrial crônica usa warfarina para anticoagulação. INR alvo: 2-3.
Qual o mecanismo de ação da warfarina?
✅ Resposta: B
💡 A warfarina inibe a VKORC1, enzima que regenera a vitamina K reduzida (forma ativa). Sem vitamina K ativa, os fatores de coagulação dependentes de vitamina K (II, VII, IX, X e proteínas C e S) não são gamma-carboxilados no fígado, sendo secretados inativos. Efeito demora 3-5 dias (tempo para os fatores existentes serem consumidos).
Q141. Homem de 68 anos com DPOC moderada é prescrito meloxicam (AINE com seletividade COX-2 relativa) para artrite. Desenvolve piora da função respiratória com tosse produtiva.
Qual é o mecanismo?
✅ Resposta: B
💡 Meloxicam tem seletividade COX-2 RELATIVA (não seletivo como celecoxib). Logo, em DPOC (inflamação crônica das vias aéreas), ainda afeta COX-1 → reduz PGE2 (protetor da via aérea, broncodilatador) → exacerba inflamação. Pacientes com DPOC têm risco de asma induzida por AINE. Evitar AINEs (mesmo seletivos COX-2) em DPOC; usar acetaminofém.
Q142. Paciente de 78 anos com insuficiência hepática Child-Pugh C recebe propranolol para hipertensão portal. Apresenta bradicardia severa e hipotensão com dose habitual.
Qual fator farmacocinético explica essa resposta exagerada?
✅ Resposta: B
💡 O propranolol tem alto metabolismo de primeira passagem (~70-80%). Na insuficiência hepática, o metabolismo hepático está comprometido → menor primeira passagem → maior biodisponibilidade → concentrações plasmáticas muito maiores que o esperado → bradicardia e hipotensão.
Q143. Mulher de 30 anos com ITU por E. coli recebe ciprofloxacino 500mg 12/12h por 7 dias. Pergunta ao médico como este antibiótico mata as bactérias.
Qual o mecanismo de ação das fluoroquinolonas?
✅ Resposta: B
💡 As fluoroquinolonas (ciprofloxacino, levofloxacino, moxifloxacino) inibem a DNA girase (topoisomerase II) em Gram-negativos e a topoisomerase IV em Gram-positivos. Estas enzimas são essenciais para superenrolamento, separação e replicação do DNA bacteriano.
Q144. Homem de 72 anos com asma grave recebe omalizumab (anti-IgE monoclonal) como terapia de controle.
Qual é o mecanismo anti-inflamatório?
✅ Resposta: A
💡 Omalizumab é anticorpo monoclonal anti-IgE que se liga a IgE livre (soro) e impede sua ligação aos receptores FcεRI em mastócitos/basófilos. Resultado: reduz degranulação, reduz mediadores inflamatórios. Indicação: asma alérgica moderada-grave com IgE elevado (30-700 IU/mL). Dosagem: baseada em IgE sérico e peso corporal.
Q145. Homem de 70 anos com infecção abdominal recebe imipenem (carbapenêmico IV). Após 1º dose, apresenta convulsões generalizadas.
Qual é o mecanismo desta complicação?
✅ Resposta: B
💡 Carbapenêmicos têm penetração SNC significante (diferente de penicilinas). Em doses altas (>1-2 g IV 8h), IRC (acúmulo), ou meningite (inflamação aumenta penetração), risco de convulsões. Propensão maior: antecedente de convulsões, IRC, desequilíbrios eletrolíticos. Prevenção: meropenem (menos pró-convulsionante) ou reduzir dose em IRC. Se convulsão, usar benzodiazepínico, reduzir/descontinuar carbapenêmico.
Q146. Mulher de 45 anos com enxaqueca em uso de sumatriptano para crises agudas relata aumento na frequência de cefaleia. O neurologista identifica cefaleia por uso excessivo de medicação (medication overuse headache).
Qual mecanismo farmacodinâmico central está envolvido?
✅ Resposta: B
💡 Medication overuse headache (MOH) é efeito de rebote neuroplástico. Uso frequente de triptanos causa adaptações: menos receptores 5-HT1B/1D, mais CGRP, sensibilização central. Resultado: cefaleia paradoxalmente aumenta. Único tratamento: descontinuar triptano (pode piorar temporariamente), usar profilaxia (propranolol, amitriptilina, topiramato). Limite triptano a <10 dias/mês.
Q147. Paciente de 48 anos com infecção urinária por E. coli sensível a fluoroquinolona recebe ciprofloxacino. Relata tendinite Aquileana após dias de uso.
Qual é o mecanismo de toxicidade desta fluoroquinolona?
✅ Resposta: B
💡 Fluoroquinolonas (cipro, levo, moxi) têm toxicidade extra a topoisomerases bacterianas: afetam mitocôndrias humanas (similar topoisomerase mitocondrial II), especialmente em fibroblastos de tendões → tendinite, ruptura tendão Aquiles. Risco aumentado: idade >60, corticoides concomitantes, IRC. Alternativas: cefalosporinas, macrolídeos. Descontinuar se tendinite suspeita.
Q148. Homem de 55 anos com Helicobacter pylori ativo recebe terapia triple (omeprazol + amoxicilina + claritromicina) por 10 dias.
Qual é a importância de duração adequada?
✅ Resposta: B
💡 H. pylori eradicação requer terapia combinada (PPI + 2-3 antibióticos) por 7-14 dias. Taxa sucesso: 10-14 dias ~85-90%, 5-7 dias ~60-70%. Duração inadequada não erradica completamente → seleção de cepas resistentes (resistência a claritromicina aumentando globalmente). Recomendação: 10-14 dias; em áreas alta resistência a claritromicina, considerar quadruple therapy (PPI + bismuto + metronidazol + tetraciclina).
Q149. Paciente de 62 anos com hiperplasia prostática benigna (HPB) recebe tansulosina. Após a primeira dose, apresenta hipotensão postural e tontura ao levantar.
Qual o mecanismo farmacológico responsável?
✅ Resposta: B
💡 Antagonistas alfa-1 (como tansulosina, doxazosina, prazosina) relaxam a musculatura lisa prostática (alfa-1A) e do colo vesical, melhorando o fluxo urinário na HPB. O efeito colateral principal é hipotensão postural por bloqueio alfa-1B vascular — efeito de 'primeira dose'.
Q150. Paciente de 55 anos vai ao oftalmologista para exame de fundo de olho. Recebe tropicamida (colírio) para dilatação pupilar.
Qual o mecanismo de ação da tropicamida e por que é preferida à atropina para este fim?
✅ Resposta: B
💡 A tropicamida é um antimuscarínico (antagonista M3) de ação curta. Bloqueia a inervação parassimpática do músculo esfíncter pupilar → midríase. A atropina faz o mesmo, mas dura 7-14 dias, causando fotofobia prolongada e cicloplegia. A tropicamida tem efeito de 4-6h, mais prático para exame.
Q151. Mulher de 55 anos com DRGE moderada desenvolve asma persistente após anos de refluxo. É prescrita uma terapia com IBP + SABA.
Qual é a justificativa farmacológica?
✅ Resposta: B
💡 Relação GERD-asma: ácido refluxado irrita vagina (receptor TRPV1) → reflexo aferente → centro respiratório → bronchoconstrição reflexa. Além disso, inflamação esofágica → reduz óxido nítrico protetor de via aérea. IBP reduz ácido → reduz irritação vagal → reduz asma reflexa. Tratamento GERD melhora asma associada.
Q152. Criança de 8 anos com TDAH recebe metilfenidato (Ritalina). Os pais notam diminuição do apetite e leve aumento da frequência cardíaca.
Qual o mecanismo de ação do metilfenidato e a explicação para estes efeitos?
✅ Resposta: B
💡 O metilfenidato é um simpaticomimético de ação indireta que bloqueia o transportador de dopamina (DAT) e noradrenalina (NET). O aumento de DA no córtex pré-frontal melhora atenção. Os efeitos simpaticomiméticos periféricos (noradrenalina) causam taquicardia, hipertensão e supressão do apetite.
Q153. Homem de 45 anos com osteomielite fúngica (rara) recebe itraconazol VO como terapia prolongada. Apresenta edema periférico, ganho de peso e aumento de PA.
Qual é o mecanismo destes efeitos?
✅ Resposta: B
💡 Itraconazol é altamente lipofílico → acúmulo em tecidos adiposos, órgãos. Uso prolongado em altas doses pode causar efeitos metabólicos: edema, ganho de peso, aumento de PA (mecanismo não bem claro, possível retenção hidrossalina). Monitorar peso, PA, edema. Fluconazol (menos lipofílico) é preferido se disponível para terapia prolongada.
Q154. Paciente de 22 anos com acne severa recebe tetraciclina oral. É orientada a evitar laticínios e antiácidos junto com o medicamento.
Qual a interação farmacocinética envolvida?
✅ Resposta: B
💡 As tetraciclinas formam quelatos insolúveis com cátions di/trivalentes (Ca²⁺ do leite, Mg²⁺/Al³⁺ dos antiácidos, Fe²⁺ dos suplementos). Estes complexos não são absorvidos, reduzindo drasticamente a biodisponibilidade. Administrar 2h antes ou 4-6h após estas substâncias.
Q155. Paciente de 55 anos com HAS refratária recebe hidralazina + nitratos para reduzir PA. Após semanas, nota taquicardia reflexa e palpitações persistentes.
Qual é o mecanismo de compensação cardiovascular?
✅ Resposta: B
💡 Vasodilatadores diretos (hidralazina) e óxido nítrico doadores (nitratos) causam redução rápida de PA → ativa baroreflexo → simpaticotonia reflexa → taquicardia, aumento de inotropismo, tremor. Para minimizar, associar betabloqueador. Classe: hidralazina + ISDN (nitratos) para ICC sistólica (combinação clássica em afrodescendentes para HAS/ICC por estudos A-HeFT).
Q156. Criança de 6 anos com oxiuríase (Enterobius vermicularis) recebe albendazol dose única.
Qual o mecanismo de ação do albendazol?
✅ Resposta: B
💡 O albendazol (benzimidazol) se liga seletivamente à beta-tubulina dos helmintos, inibindo a polimerização dos microtúbulos. Consequências: prejuízo na captação de glicose, depleção de glicogênio, perda de organelas e morte. Tem amplo espectro anti-helmíntico (áscaris, ancilostomídeos, oxiúros, tricuros).
Q157. Paciente de 68 anos com bradicardia sinusal sintomática (FC 38bpm) recebe atropina IV na emergência. A frequência cardíaca sobe para 80bpm.
Qual o mecanismo de ação da atropina neste caso?
✅ Resposta: B
💡 O nervo vago (parassimpático) libera ACh que atua em receptores M2 no nó sinoatrial → abertura de canais de K⁺ → hiperpolarização → bradicardia. A atropina bloqueia M2, removendo o tônus vagal inibitório → o simpático prevalece → aumento da FC.
Q158. Paciente de 70 anos com glaucoma recebe timolol (colírio). Após início do uso, apresenta broncoespasmo, bradicardia e hipoglicemia mascarada.
Qual o mecanismo farmacodinâmico responsável por estes efeitos sistêmicos?
✅ Resposta: B
💡 O timolol é um betabloqueador não seletivo. Mesmo em colírio, é absorvido pela mucosa nasolacrimal, atingindo a circulação sistêmica. Bloqueio beta-1: bradicardia, mascaramento de hipoglicemia. Bloqueio beta-2: broncoespasmo (contraindicado em asmáticos).
Q159. Paciente de 58 anos com asma alérgica recebe ipratrópio (antagonista muscarínico M3 inalado) como adjunto.
Qual é o mecanismo anti-asmático?
✅ Resposta: B
💡 Antimuscarínicos inalados (ipratrópio, tiotropio) bloqueiam M3 nas vias aéreas → broncodilatação. Em asma alérgica, além de agonistas β2 (SABAs), antimuscarínicos são úteis em ataque/exacerbações para broncodilatação adicional. Combinação SABA + antimuscarínico é recomendada em exacerbações moderadas-graves de asma.
Q160. Paciente de 68 anos com constipação crônica pós-opioide recebe metilnaltrexona.
Qual o mecanismo de ação deste fármaco e por que ele não reverte a analgesia?
✅ Resposta: B
💡 A metilnaltrexona é um antagonista opioide perifericamente restrito (não cruza a BHE). Bloqueia receptores Mu no TGI, revertendo a constipação induzida por opioides (diminuição do peristaltismo, aumento do tônus esfincteriano, redução da secreção). A analgesia central é preservada.
Q161. Paciente de 72 anos com ICC e diabetes tipo 2 em iECA + ARAII (combinação) é prescrito piroxicam (AINE) para dor óssea. Desenvolve disfunção renal aguda grave.
Qual é o mecanismo crítico desta tríade perigosa?
✅ Resposta: B
💡 Tríade nefrotóxica conhecida: iECA/ARAII + AINE + diurético (ou volume depleção). Mecanismo: iECA/ARAII reduzem efeito de angiotensina II (vasoconstrição aferente) → reduzem PFG; AINE reduz PGs renais vasodilatadoras (efeito aditivo) → insuficiência renal aguda. NUNCA usar iECA + ARAII + AINE. Se iECA + AINE necessário, monitorar creatinina intensamente e manter volume hidratação. Opção segura para dor: acetaminofém, tramadol.
Q162. Paciente de 65 anos com ICC em uso de enalapril (iECA) é diagnosticado com feocromocitoma. O oncologista prescreve fenoxibenzamina (bloqueador alfa não-competitivo) e depois propranolol.
Por que a ordem de administração (alfa ANTES de beta) é crucial?
✅ Resposta: B
💡 Estratégia crítica em feocromocitoma: 1) Alfa-bloqueador PRIMEIRO (fenoxibenzamina) — bloqueia receptores alfa → previne vasoconstrição por catecolaminas. 2) Depois betabloqueador (propranolol) — bloqueia receptores beta, prevenindo taquicardia. Se betabloqueador for dado PRIMEIRO sem bloqueio alfa: catecolaminas ativam beta-receptores não-bloqueados (taquicardia, arritmias) ENQUANTO receptores alfa causam vasoconstrição → hipertensão + taquicardia perigosa.
Q163. Homem de 55 anos com úlcera péptica refratária a IBP recebe sucralfato (agente protetor) para facilitar cicatrização.
Qual é o mecanismo de proteção?
✅ Resposta: B
💡 Sucralfato é complexo de sulfato de sacarose com hidróxido de alumínio. Em pH ácido, polimeriza-se e adere à mucosa danificada/úlcera → cria barreira que reduz contato com ácido/pepsina → estimula localmente síntese de prostaglandinas e fatores de crescimento → cicatrização. Efeito local, não sistêmico. Recomendação: usar com IBP (não monoterapia).
Q164. Homem de 70 anos com diabetes tipo 2 em uso de gliburida (sulfoniluréia) recebe fluconazol para candidíase oral. Apresenta hipoglicemia grave após horas.
Qual mecanismo farmacocinético explica este evento?
✅ Resposta: B
💡 Gliburida é metabolizada por CYP2C9. Fluconazol (e outros azólicos como itraconazol, cetoconazol) inibem CYP2C9 → reduzem metabolismo → prolongam ação → hipoglicemia. Alternativa: usar antifúngico não-azólico (nistatina tópica) ou monitorar glicemia intensamente.
Q165. Paciente de 45 anos com asma grave recebe neostigmina para reversão de bloqueio neuromuscular pós-cirúrgico. Apresenta broncoespasmo, bradicardia e sialorreia.
Qual a conduta farmacológica imediata para reverter estes efeitos?
✅ Resposta: B
💡 A neostigmina inibe a AChE, aumentando ACh em sinapses muscarínicas (efeitos colaterais) e nicotínicas (efeito desejado). Para reverter os efeitos muscarínicos indesejados, administra-se atropina (antimuscarínico), que bloqueia M2 (bradicardia), M3 (broncoespasmo, sialorreia) sem afetar a ação na junção neuromuscular.
Q166. Paciente de 50 anos com infecção urinária recebe nitrofurantoína VO. Após 2 meses de terapia contínua para prevenção (profilaxia), apresenta polineuropatia..
Qual é o mecanismo desta neurotoxicidade crônica?
✅ Resposta: B
💡 Nitrofurantoína é efetiva como profilaxia de ITU recorrente, MAS seu uso prolongado (>1-3 meses) causa efeitos adversos: neuropatia periférica (ERO mitocondrial), hepatotoxicidade (rara, aguda ou crônica), reações pulmonares. Risco aumentado: G6PD (hemólise), IRC (acúmulo). Limite profilaxia a 3-6 meses; considerar alternativas (cotrimoxazol, cefalexina) para uso >6 meses.
Q167. Mulher de 38 anos com lúpus eritematoso sistêmico (LES) com nefrite lúpica recebe prednisona e diclofenaco para dor articular.
Por que combinar corticoide + AINE é particularmente arriscado em LES?
✅ Resposta: B
💡 Combinação corticoide + AINE é arriscada: 1) Gastropatia: corticoide reduz PGs citoprotetoras (reduz muco/bicarbonato), AINE inibe COX → reduz PGs restantes → gastrite/úlcera. 2) Nefrotoxicidade: em LES com nefrite, função renal já comprometida; AINE reduz TFG ainda mais. 3) Efeito sinérgico de dano. Recomendação: evitar AINE se corticoide em uso; considerar acetaminofém, e se AINE necessário, usar com IBP + monitorar renal.
Q168. Homem de 62 anos com hipertensão refratária em uso de hidroclorotiazida recebe lisinopril. Apresenta elevação de potássio (K 5.8 mEq/L) sem causa aparente.
Qual mecanismo farmacocinético-farmacodinâmico explica isto?
✅ Resposta: B
💡 iECA (lisinopril) bloqueia síntese de aldosterona → reduz secreção tubular de K⁺ → hipercalemia. HCTZ sozinho causa hipocaliemia (aumenta perdas urinárias). Combinação é comum para equilibrar K⁺, MAS em IRC ou com outros retentores de K⁺ (ARAII, diuréticos poupadores de K, AINES) → risco de hipercalemia. Monitorar K⁺.
Q169. Paciente de 50 anos com infecção por Pseudomonas aeruginosa recebe ciprofloxacina + ceftazidima (combinação sinérgica).
Qual é o mecanismo de sinergismo?
✅ Resposta: B
💡 Combinações de beta-lactâmicos + fluoroquinolonas frequentemente mostram sinergismo contra Pseudomonas aeruginosa. Mecanismo: beta-lactâmicos enfraquecem parede celular → reduzem permeabilidade (fluoroquinolonas dependem de penetração) → inicialmente antagonismo em monoterapia, MAS no contexto de infecção dinâmica, dano de parede + dano de DNA = sinergismo. Estratégia clássica em P. aeruginosa grave (pneumonia, bacteremia).
Q170. Paciente de 55 anos com insuficiência cardíaca recebe dobutamina em infusão IV. Apresenta taquicardia, palpitações e tremor apesar de PA controlada.
Qual fenômeno farmacodinâmico explica os efeitos simpatomimético excessivos?
✅ Resposta: B
💡 Dobutamina é agonista principalmente beta-1 (cardíaco), mas em doses >5 mcg/kg/min também ativa alfa-1 e beta-2. Efeito: taquicardia (beta-1), vasoconstrição (alfa-1), tremor (beta-2). A seletividade diminui em doses altas. Opção: adicionar betabloqueador ou trocar por milrinona (inibidor de fosfodiesterase, não-adrenérgico).
Q171. Homem de 68 anos com hipertensão recebe diltiazém (bloqueador de cálcio não-dihidropiridínico). Desenvolve edema perimalear pronunciado e constipação.
Qual é a razão para edema (diferente de dihidropiridínicos)?
✅ Resposta: B
💡 Bloqueadores de cálcio não-dihidropiridínicos (diltiazém, verapamil) diferem de dihidropiridínicos (amlodipina) na localização de ação e efeitos adversos. Edema em diltiazém é por redução de fluxo linfático (contração reduzida de células linfáticas), enquanto dihidropiridínicos causam vasodilatação arteriolar. Diltiazém também reduz motilidade GI → constipação. Incidência de edema: diltiazém ~10-20%, nifedipina ~60-70% mas por mecanismo diferente.
Q172. Paciente de 35 anos com influenza tratado com oseltamivir (inibidor de neuraminidase) relata comportamento estranho, confusão e tentativa de suicídio 2 dias após início.
Qual é a relação causal?
✅ Resposta: B
💡 Oseltamivir foi associado a efeitos psiquiátricos e comportamentais adversos, particularmente em pacientes pediátricos e jovens adultos (relatórios pós-comercialização). Manifestações: comportamento estranho, alucinações, confusão, convulsões, raramente suicídio. Mecanismo não bem claro. FDA emitiu black box warning em pediatria. Monitorar comportamento em pacientes em oseltamivir, especialmente idade <18 anos. Balancear risco vs benefício em influenza.
Q173. Homem de 52 anos com insuficiência renal crônica (TFG 25 mL/min/1.73m²) recebe gentamicina para sepse. Apesar da dose 'habitual', apresenta nefrotoxicidade e ototoxicidade progressivas.
Qual conceito farmacocinético explica a necessidade de ajuste de dose?
✅ Resposta: B
💡 Aminoglicosídeos como gentamicina são excretados renalmente intactos (~100% renal clearance). Em IRC grave, o clearance é apenas 5-25% do normal. Sem ajuste de dose, há acúmulo rápido → ototoxicidade e nefrotoxicidade. Recomenda-se estender intervalos ou reduzir dose.
Q174. Paciente de 48 anos com artrite reumatoide usa ibuprofeno 600mg 3x/dia há anos. Desenvolve úlcera gástrica hemorrágica.
Qual o mecanismo de lesão gástrica pelos AINEs?
✅ Resposta: B
💡 A COX-1 constitutiva no estômago produz PGE2 e PGI2 que são citoprotetoras: estimulam secreção de muco e bicarbonato, mantêm fluxo sanguíneo da mucosa e inibem secreção ácida. AINEs não seletivos inibem COX-1 → perda da citoproteção → lesão da mucosa → úlcera.
Q175. Paciente de 55 anos com pneumonia nosocomial recebe piperacilina-tazobactam (beta-lactâmico + inibidor de beta-lactamase) IV. Após 2 doses, apresenta rash urticariforme generalizado.
Qual é o mecanismo de alergia?
✅ Resposta: B
💡 Beta-lactâmicos podem causar alergia (raro: 1-3%). Mecanismo: beta-lactama reativa liga-se a proteínas teciduais (haptenos). Apresentação a células T/B via MHC → resposta IgE (tipo I — anafiláxia, rash, angioedema) ou T cell (tipo IV — rash maculopapular tardio). ~1-3% com alergia a penicilina também reagem a cefalosporinas (reatividade cruzada, rara com 3ª geração).
Q176. Mulher de 62 anos com infecção respiratória recebe levofloxacina (fluoroquinolona) VO. Relata midríase (pupilas dilatadas) e tremor progressivo.
Qual é o mecanismo desta neurotoxicidade?
✅ Resposta: B
💡 Fluoroquinolonas (cipro, levo, moxi) atravessam BBB e podem causar efeitos SNC adversos por bloqueio de GABA (inibitório), especialmente em IRC (acúmulo), idade avançada, ou predisposição a convulsões. Manifestações: tremor, agitação, confusão, alucinações, raramente convulsões. Prevenção: evitar em altos riscos, reduzir dose em IRC, descontinuar se sintomas SNC iniciam.
Q177. Mulher de 52 anos com hipotireoidismo estável em levotiroxina 100 mcg/dia apresenta sinais de hipertireoidismo após iniciar metformina para pré-diabetes.
Qual mecanismo farmacocinético explica este desequilíbrio?
✅ Resposta: B
💡 Metformina, especialmente em altas doses, pode alcalinizar o pH gástrico (reduzindo ácido estomacal) ou afetar absorção intestinal de levotiroxina. Levotiroxina requer absorção em pH ácido. Se levotiroxina é absorvida menos, seus níveis ↓ → desequilíbrio (maior necessidade). Separar medicações por 4h; ajustar levotiroxina conforme TSH.
Q178. Criança de 4 anos com meningite meningocócica recebe ceftriaxona IV de alta dose. Após horas, convulsões persistem apesar de cobertura adequada.
Qual é o mecanismo de penetração inadequada ao SNC?
✅ Resposta: B
💡 Penetração de antibióticos ao LCR é crítica em meningite bacteriana. A maioria dos antibióticos têm penetração <20% em LCR normal, melhorando com inflamação meníngea. Ceftriaxona: ~15-20% com meningite. Vancomicina: ~15-20%. Fluoroquinolonas: melhor (~50-70%), logo frequentemente usadas. Doses devem ser altas (ceftriaxona 2g IV 4h) para atingir MIC no LCR.
Q179. Homem de 52 anos com asma alérgica recebe ciclesonida (corticoide inalatório) como manutenção + formoterol (LABA) + tiotropio (LAMA).
Qual é o benefício de adicionar LAMA (antimuscarínico de longa ação)?
✅ Resposta: B
💡 Em asma grave não-controlada com ICS+LABA, tripla terapia (ICS+LABA+LAMA) é padrão para broncodilatação máxima. Formoterol (LABA) dilata via β2, tiotropio (LAMA) via M3 bloqueio → mecanismos diferentes → efeito aditivo. Ciclesonida (ICS depot) reduz inflamação. Essa tripla terapia é recomendada em diretrizes (GINA 2024) para asma grave.
Q180. Paciente de 62 anos com hipogonadismo recebe testosterona (reposição hormonal masculina).
Qual é o mecanismo de efeito anabólico?
✅ Resposta: B
💡 Testosterona em reposição em hipogonadismo (níveis baixos séricos, sintomas) restaura função sexual, aumenta massa muscular, densidade óssea, libido. Receptores androgênicos (AR) em músculos, ossos, próstata, SNC medeiam efeitos. Monitorar: PSA anualmente (risco de Ca próstata), hematócrito (policitemia), pele (acne). Contraindicado em Ca próstata. Via: intramuscular (IM depósito), oral (raro), transdérmica (gel, patch).
Q181. Homem de 65 anos com infecção respiratória recebe gentamicina 5 mg/kg IV dia. Após 5 dias, apresenta acufia (perda auditiva irreversível).
Qual é o mecanismo desta ototoxicidade?
✅ Resposta: B
💡 Aminoglicosídeos (gentamicina, tobramicina, amicacina) causam ototoxicidade e nefrotoxicidade irreversíveis. Mecanismo: acúmulo intracelular → estresse oxidativo → morte celular. Risco: doses altas, duração prolongada (>5-7 dias), idade avançada, IRC, depleção volumétrica. Monitorar audição (audiometria). Opção: once-daily dosing (5 mg/kg/dia) é menos nefrotóxico/ototóxico que dosagem fracionada.
Q182. Paciente de 68 anos com DPOC e cor pulmonale recebe teofilinaXantínica como broncodilatador.
Qual é o mecanismo de ação e risco de toxicidade?
✅ Resposta: B
💡 Teofilina é xantina (metilxantina) com IT muito estreito → requer monitoramento de níveis séricos. Metabolismo: CYP1A2, CYP3A4 → muitas interações (fumaça cigarro ↑ metabolismo, infecção aguda ↓ metabolismo). Raramente usada agora (preferir ICS+LABA), reservada para DPOC onde outros falharam. Toxicidade é desconfortável (tremor incontrolável, taquicardia, arritmias, convulsões).
Q183. Paciente de 55 anos com migrânea refratária recebe topiramato (anticonvulsivante com múltiplos mecanismos). Relata sudorese aumentada, palpitações e sonolência paradoxal.
Qual mecanismo farmacodinâmico do topiramato pode explicar este perfil?
✅ Resposta: B
💡 Topiramato tem múltiplos mecanismos: bloqueio de canais Na⁺, potenciação de GABA, inibição de anidrase carbônica. Efeitos adversos: sudorese, palpitações, tremor, sonolência. A inibição de anidrase carbônica pode causar acidose metabólica subclinicamente (reduz bicarbonato, aumenta anion gap) → arritmias. Monitorar eletrólitos, ácido-base.
Q184. Homem de 70 anos com diabetes tipo 2 e IRC (TFG 35) recebe iDPP4 (sitagliptina). Qual é a dose recomendada?
Qual é a estratégia de ajuste em IRC?
✅ Resposta: B
💡 iDPP4 (sitagliptina, saxagliptina, linagliptina, vidagliptina) têm sensibilidades diferentes a IRC. Sitagliptina e saxagliptina necessitam ajuste de dose em IRC (60% renal clearance). Linagliptina tem metabolismo hepatobiliar, sem ajuste necessário em IRC. Metformina é contraindicada em IRC (TFG <30). Sempre revisar renalfunction antes de ajustar hipoglicemiantes.
Q185. Mulher de 42 anos com sinusite recebe azitromicina (macrolídeo) 500 mg VO por 5 dias. Após 2 dias, desenvolve dor colateral na região torácica esquerda, palpitações e vertigem (síncope breve).
Qual é a complicação farmacológica?
✅ Resposta: B
💡 Macrolídeos (principalmente azitromicina) prolongam QT bloqueando canais hERG. Risco aumentado: mulheres, hipocaliemia, ICC, bradicardia, uso concomitante de outros QT-prolongadores (antiarrítmicos, antipsicóticos, antifúngicos azólicos). Evitar azitromicina em risco; preferir amoxicilina, cefalosporina ou fluoroquinolona (se sensível). Monitorar ECG em altos riscos.
Q186. Mulher de 25 anos usa anticoncepcional oral combinado (etinilestradiol + levonorgestrel). Inicia tratamento com carbamazepina para epilepsia.
Qual o risco desta associação e o mecanismo envolvido?
✅ Resposta: B
💡 A carbamazepina é um indutor enzimático (CYP3A4, CYP2C9). Acelera o metabolismo dos hormônios do anticoncepcional → menores níveis plasmáticos → falha contraceptiva. Outros indutores com mesmo risco: rifampicina, fenitoína, fenobarbital. Orientar método contraceptivo adicional.
Q187. Homem de 58 anos com fibrilação atrial recebe digoxina IV para controle de FC. Horas depois, apresenta náuseas, visão amarelada (xantopsia) e bradicardia com bloqueio AV de 2º grau.
Qual propriedade farmacodinâmica da digoxina explica este perfil tóxico?
✅ Resposta: B
💡 Mecanismo: digoxina inibe Na⁺/K⁺-ATPase (inibe bomba) → aumenta Na⁺ e Ca²⁺ intracelular (aumento de contratilidade — efeito desejado). Aumenta tônus parassimpático (efeito vagal → atraso AV). IT ESTREITO: níveis terapêuticos (0.5-2 ng/mL) próximos de tóxicos (>2 ng/mL). Toxicidade: NAV (náuseas, vômitos), visuais (amarela), arritmias, bloqueio AV. Monitorar níveis séricos, K⁺, função renal.
Q188. Homem de 58 anos com ICC usa digoxina 0,25mg/dia. Inicia amiodarona para arritmia e apresenta náuseas, visão amarelada e bradicardia intensa após 1 semana.
Qual o mecanismo farmacocinético mais provável desta interação?
✅ Resposta: B
💡 A amiodarona inibe a P-gp renal e intestinal, diminuindo a excreção e aumentando a absorção da digoxina. A digoxina tem IT estreito — pequenas alterações nos níveis plasmáticos causam toxicidade (náuseas, visão amarelada, bradicardia, arritmias).
Q189. Mulher de 50 anos com asma leve é prescrita aspirina (AAS) para prevenção cardiovascular. Apresenta broncoespasmo agudo após primeira dose.
Qual é o mecanismo desta reação?
✅ Resposta: B
💡 Alguns asmáticos (10-20%, especialmente com polypose nasais/sinusites crônicas) têm 'asma induzida por AINE' (NSAID-exacerbated respiratory disease — NERD). Mecanismo: AINEs inibem COX-1 → reduzem PGE2 (que broncodilata e inibe mastócitos) → aumentam caminho de LOX (leucotrienos pró-inflamatórios) → broncoespasmo. Não é alergia IgE mas mecanismo de desequilíbrio de eicosanoides. Evitar AINEs; usar acetaminofém.
Q190. Paciente de 50 anos com DM2, obeso (IMC 35), em uso de metformina 850mg 2x/dia há anos, com HbA1c de 6,8%. Pergunta ao médico como a metformina age.
Qual o mecanismo de ação da metformina?
✅ Resposta: B
💡 A metformina é uma biguanida que ativa a AMPK (proteína quinase ativada por AMP). Principais efeitos: reduz gliconeogênese hepática, melhora sensibilidade à insulina no músculo e adiposo, reduz absorção intestinal de glicose. Não causa hipoglicemia (não estimula secreção de insulina) e pode auxiliar na perda de peso.
Q191. Paciente de 42 anos com HIV em TARV com efavirenz (ITRNN — inibidor não-nucleosídico da transcriptase reversa) relata alucinações, vertigem e sonhos vívidos após início.
Qual é o mecanismo de efeitos adversos SNC?
✅ Resposta: B
💡 Efavirenz é ITRNN (inibidor não-nucleosídico da transcriptase reversa de HIV) com penetração SNC. Efeitos adversos SNC comuns (50%): alucinações, vertigem, sonhos vívidos, confusão, depressão, ideação suicida (black box warning). Mecanismo: não bem claro, possível efeito em GABA ou serotonina. Efeitos geralmente transitórios (2-4 semanas). Estratégias: tomar à noite (dormir através dos efeitos), reduzir dose. Se persistir, trocar para integrase inibidor (dolutegravir — menos SNC).
Q192. Paciente de 40 anos com intestino irritável recebe diciclomina (antimuscarínico M3 periférico) para espasmos abdominais. Relata tremor fino de mãos, agitação e insônia.
Qual é a natureza destes efeitos?
✅ Resposta: B
💡 Diciclomina é antimuscarínico com ação principalmente periférica, MAS pode ter efeitos centrais em alguns pacientes: tremor, agitação, insônia (paradoxo — anticolinérgicos podem causar agitação central devido a desequilíbrio de neurotransmissores). Alternativos menos com efeitos centrais: otilônio (seletivo GI, não cruza BBB bem) ou mebeverina (sem propriedades antimuscarínicas, menos efeitos adversos).
Q193. Paciente de 52 anos com cândida esofageal recebe nistatina (antifúngico polieno) suspensão oral.
Qual é a propriedade farmacocinética que a torna segura?
✅ Resposta: B
💡 Nistatina é polieno antifúngico útil para candidiase oral/TGI por sua não-absorção VO → efeito local sem sistêmica. Suspensão VO: repouso na boca, depois engolir para esôfago/TGI. Sem absorção sistêmica, não há toxicidade (diferente de anfotericina B IV que é tóxica). Alternativas tópicas: fluconazol VO (absorvido, sistêmico) se VEL esôfago.
Q194. Homem de 62 anos com câncer de próstata recebe bicalutamida (antagonista de receptor androgênico).
Qual é o mecanismo de ação anticâncer?
✅ Resposta: A
💡 Bicalutamida é antagonista seletivo de receptor androgênico (AR) que bloqueia ligação de androgênios endógenos nas células de câncer de próstata. Usado em câncer de próstata metastático ou localmente avançado, frequentemente como monoterapia ou em combinação com inibidor de síntese androgênica (abiraterona) ou receptor androgênico mais potente (enzalutamida).
Q195. Paciente de 72 anos com feocromocitoma (tumor da adrenal) será operado. No pré-operatório, recebe fenoxibenzamina (bloqueador alfa irreversível) por 2 semanas.
Qual o objetivo deste preparo e por que usar um bloqueador irreversível?
✅ Resposta: B
💡 Na manipulação cirúrgica do feocromocitoma, há liberação maciça de catecolaminas. A fenoxibenzamina (bloqueador alfa irreversível/não competitivo) garante que, mesmo com altas concentrações de catecolaminas, não haverá ativação dos receptores alfa — prevenindo crises hipertensivas letais. Bloqueadores competitivos poderiam ser superados.
Q196. Paciente de 60 anos com diverticulite aguda recebe metronidazol (para anaeróbios) + fluoroquinolona (para gram-negativos). Após dias, desenvolveu diarreia severa e teste de C. difficile foi positivo.
Qual é o mecanismo desta complicação iatrogênica?
✅ Resposta: B
💡 Antibióticos de amplo espectro selecionam C. difficile by depletar microbiota comensais (principalmente Firmicutes anaeróbios). C. difficile, que produz toxinas A e B, cresce exponencialmente → diarreia associada a antibióticos (AAD). Incidência: 10-15% com antibióticos, 20-30% com fluoroquinolonas/clindamicina. Prevenção: usar espectro mínimo necessário, duração curta, considerar probióticos. Tratamento: retirar antibiótico se possível, iniciar vancomicina ou fidaxocina VO.
Q197. Paciente de 42 anos com malária por P. falciparum sensível a cloroquina recebe este fármaco VO.
Qual é o mecanismo anti-parasitário?
✅ Resposta: B
💡 Cloroquina é antimalárico esquizonticida sanguíneo efetivo em P. vivax, P. ovale, P. malariae, P. falciparum (em áreas sensíveis — resistência é alta em muitas regiões). Mecanismo: base fraca, acumula em vacúolo digestivo parasitário → interfere com detoxificação de heme. Efeitos adversos: retinopatia (uso prolongado), miopatia, depleção de G6PD (hemólise se deficiência).
Q198. Homem de 50 anos com diabetes tipo 2 e IMC 32 recebe liraglutida (agonista GLP-1) como adjunto. Relata nausea persistente, vômito e perda de peso rápida.
Qual é o mecanismo de efeito colateral?
✅ Resposta: B
💡 GLP-1 RAs (liraglutida, semaglutida, dulaglutida) têm dual efeito: 1) estimulam secreção de insulina glicose-dependente; 2) ralentizam esvaziamento gástrico, estimulam saciedade. Efeitos adversos: náusea (30-40%), vômito, constipação (transitórios nas primeiras 2-4 semanas). Vantagem: perda de peso, redução de CV eventos (benefício em SUSTAIN-6 para semaglutida vs placebo em T2DM com doença CV).
Q199. Paciente de 60 anos com HAS em uso de losartana (ARAII) recebe betabloqueador não-seletivo (propranolol) para enxaqueca.
Qual é o efeito esperado na pressão arterial e frequência cardíaca?
✅ Resposta: B
💡 Combinação ARAII + betabloqueador é sinérgica em reduzir PA: ARAII reduz angiotensina II (vasoconstrição, aldosterona), betabloqueador reduz adrenérgico (taquicardia, inotropismo). Efeito aditivo: PA reduz significativamente. Risco: hipotensão excessiva, bradicardia, hipercalemia (ARAII + beta juntos reduzem potássio menos, aumentando risco). Monitorar PA, K⁺, FC (alvo FC 50-60 em repouso).
Q200. Homem de 55 anos com fibrilação atrial em anticoagulação recebe neostigmina (anticolinesterásico) para problemas de memória (uso off-label). Desenvolve sialorréia (salivação excessiva), broncoespasmo e bradicardia.
Qual é o mecanismo dos efeitos colinérgicos?
✅ Resposta: B
💡 Anticolinesterásicos (neostigmina, piridostigmina, donepezilo) inibem degradação de acetilcolina → acúmulo → sobrecarga colinérgica. Efeitos: muscarínicos (salivação, lacrimação, micção, defecação, broncoespasmo) + nicotínicos (fraqueza muscular, fasciculações). Toxicidade colinérgica: 'SLUDGE' (salivação, lacrimação, micção, defecação, GI distress, emese). Tratamento: atropina (bloqueio muscarínico).
Q201. Homem de 52 anos com depressão ansiosa recebe paroxetina (ISRS) e, para ansiedade somática, o médico prescreve propranolol (betabloqueador). Semanas depois, relata sonolência extrema e bradicardia.
Qual é o mecanismo de interação entre estes fármacos?
✅ Resposta: B
💡 Essa é interação FARMACODINÂMICA. Propranolol bloqueia receptores beta-adrenérgicos (↓ FC, ↓ inotopia). ISRS aumentam serotonina, e serotonina elevada centralmente pode aumentar tônus vagal → bradicardia adicional. Além disso, ambos são depressores do SNC → sonolência aditiva. Monitorar FC, considerar reduzir dose de propranolol ou trocar por ISRS menos sedativo.
Q202. Paciente de 70 anos com ICC em uso de amiodarona começa a ingerir café em excesso (5-6 xícaras/dia de café coado). Apresenta palpitações e tremor.
Qual é a natureza dessa interação?
✅ Resposta: B
💡 Amiodarona tem múltiplos mecanismos: bloqueador de canais (classe I, II, III, IV). Adenosina endógena contribui a vasodilatação e bloqueio AV. Cafeína (antagonista de A1/A2a adenosina) reduz efeitos de adenosina → pode precipitar arritmias em pacientes em amiodarona. Além disso, cafeína ↑ simpatomiméticos → palpitações, tremor.
Q203. Paciente de 65 anos com arritmia em uso de amiodarona começa a tomar suco de toranja (grapefruit) todos os dias no café da manhã. Após semanas, apresenta toxicidade pela amiodarona.
Qual o mecanismo desta interação?
✅ Resposta: B
💡 O suco de toranja contém furanocumarinas que inibem irreversivelmente a CYP3A4 intestinal (não a hepática). Isso reduz o metabolismo de primeira passagem intestinal, aumentando a biodisponibilidade de fármacos metabolizados pela CYP3A4.
Q204. Homem de 40 anos, etilista crônico, é internado com pneumonia e recebe paracetamol para febre. Evolui com hepatotoxicidade grave em doses terapêuticas de paracetamol.
Qual o mecanismo farmacocinético envolvido?
✅ Resposta: B
💡 O etilismo crônico induz a CYP2E1, que converte mais paracetamol em NAPQI (N-acetil-p-benzoquinona imina), um metabólito altamente reativo e hepatotóxico. Além disso, etilistas têm reservas de glutationa depletadas, reduzindo a capacidade de neutralizar o NAPQI.
Q205. Homem de 65 anos com infecção respiratória por Aspergillus fumigatus recebe posaconazol (azólico de 3ª geração).
Qual é a vantagem farmacodinâmica sobre fluconazol?
✅ Resposta: B
💡 Azólicos variam em espectro: fluconazol (Candida), itraconazol/voriconazol (Aspergillus), posaconazol (Aspergillus + Zygomycetes). Posaconazol é azólico de 3ª geração com cobertura de Aspergillus não-fumigatus e Zygomycetes (raro, mas importante). Biodisponibilidade melhorada com ingestão de alimentos gordurosos. FDA aprovou para profilaxia de aspergilose/candidíase em imunodeprimidos.
Q206. Paciente com DM1 usa insulina glargina (1x/dia) + insulina lispro (antes das refeições). Esquece de aplicar a lispro antes do almoço e apresenta hiperglicemia pós-prandial de 350 mg/dL.
Qual a diferença farmacocinética fundamental entre insulina glargina e lispro?
✅ Resposta: B
💡 Insulina glargina: análogo de ação prolongada (precipita no subcutâneo em pH neutro, liberação lenta e constante por ~24h, sem pico pronunciado — mimetiza secreção basal). Insulina lispro: análogo de ação ultrarrápida (inversão de lisina-prolina impede hexamerização, absorção rápida em 15min, pico 1h, duração 3-4h — cobre picos pós-prandiais).
Q207. Homem de 45 anos recebe fenitoína para epilepsia. Após 2 semanas de terapia, apresenta rash maculo-papular leve e icterícia.
Qual propriedade farmacocinética da fenitoína pode resultar em reação paradoxal?
✅ Resposta: B
💡 Fenitoína é metabolizada por CYP2C9 para arene óxido (metabólito reativo). Alguns indivíduos (genética HLA-B*1502 em asiáticos, HLA-A*3101 em europeus) têm predisposição a reações de hipersensibilidade: rash, DRESS (drug reaction with eosinophilia and systemic symptoms), Stevens-Johnson, síndrome de Lyell. Monitorar rash; se aparecer, descontinuar imediatamente.
Q208. Paciente de 55 anos com DRGE refratária a omeprazol recebe ranitidina como terapia adjuvante noturna.
Qual o mecanismo de ação da ranitidina e por que é menos potente que omeprazol?
✅ Resposta: B
💡 Os antagonistas H2 (ranitidina, famotidina, cimetidina) bloqueiam especificamente o receptor H2 histamínico na célula parietal. Como a secreção ácida também é estimulada por ACh (M3) e gastrina, o bloqueio de apenas uma via é parcial. Os IBP bloqueiam a etapa final → mais eficazes.
Q209. Homem de 68 anos com asma severa alérgica recebe mepolizumabe (anticorpo anti-IL-5) como terapia biológica.
Qual é o mecanismo de ação em asma eosinofílica?
✅ Resposta: B
💡 Biologics em asma severa incluem: anti-IgE (omalizumabe), anti-IL-4/IL-13 (dupilumab), anti-IL-5 (mepolizumabe, reslizumab), anti-IL-5R (benralizumab), anti-TSLP (tezepelumab). Mepolizumabe é para asma eosinofílica severa (eosinófilos >300/mcL em sangue periférico). Efetivo em reduzir exacerbações, esteroides sistêmicos. Custo alto, requer monitoramento. Padrão em asma severa não-controlada com ICS+LABA máximo.
Q210. Mulher de 55 anos com hipertensão refratária usa clonidina (agonista alfa-2 central). Esquece de tomar por 2 dias e apresenta crise hipertensiva grave.
Qual conceito farmacodinâmico explica esta reação?
✅ Resposta: A
💡 O uso crônico de clonidina suprime a atividade simpática central. O corpo se adapta com up-regulation dos receptores adrenérgicos. Na retirada abrupta, os receptores supersensíveis respondem exageradamente às catecolaminas endógenas → crise hipertensiva. Sempre retirar gradualmente.
Q211. Paciente de 68 anos com Parkinson em uso de levodopa + carbidopa apresenta flutuações motoras: períodos de 'on' (efeito presente) curtos alternando com períodos de 'off' (sem efeito).
Qual fenômeno farmacodinâmico é responsável?
✅ Resposta: B
💡 Flutuações motoras em Parkinson avançado resultam da perda progressiva de neurônios dopaminérgicos e denervação dopaminérgica. Com menos receptores, o estímulo dopaminérgico fica cada vez mais pulsátil (on/off) em vez de tônico → sensibilização/dessensibilização rápida dos receptores remanescentes → flutuações clínicas. Estratégia: aumentar frequência de doses de levodopa, usar agonistas dopaminérgicos (não-pulsáteis), ou infusão contínua de apomorfina.
Q212. Mulher de 38 anos com síndrome de Raynaud em uso de nifedipina (bloqueador de cálcio dihidropiridínico) apresenta edema periférico, flush facial e taquicardia reflexa.
Qual é o mecanismo dos efeitos adversos?
✅ Resposta: B
💡 Nifedipina é dihidropiridínico vasodilatador periférico potente. Efeitos: vasodilatação → redução de PA → baroreflexo → aumento simpático → taquicardia reflexa. Efeitos colaterais: edema de perna (venodilatação redistributiva), flush facial, cefaleia. Edema pode ser reduzido elevando pernas, reduzindo sal, ou associando ACE inibidor. Taquicardia é menos problemática se associado a betabloqueador.
Q213. Paciente de 48 anos com hipertenção refratária recebe fentolamina IV (bloqueador alfa não-seletivo) durante manejo de crise de feocromocitoma.
Qual é o mecanismo de redução de PA?
✅ Resposta: B
💡 Fentolamina é bloqueador alfa irreversível (no contexto de feocromocitoma crises) usado IV. Bloqueia alfa-1 e alfa-2 → vasodilatação → reduz PA. IMPORTANTE: usar fentolamina ANTES de betabloqueador em crise de feocromocitoma, não depois (evitar unopposed beta-stimulation). Fentolamina também causa taquicardia reflexa, pode precipitar arritmias.
Q214. Homem de 55 anos com insuficiência renal crônica moderada (TFG 35 mL/min) é prescrito ibuprofeno para dor articular. Apresenta elevação de creatinina e hipercalemia.
Qual é o mecanismo do dano renal?
✅ Resposta: B
💡 PGs renais (COX-1/COX-2 produtos) mantêm fluxo sanguíneo renal (vasodilatação aferente). AINEs inibem COX → reduzem PGs → vasoconstrição renal → hipoperfusão glomerular → reduz TFG. Em IRC já presente, o risco é maior. Além disso, AINEs reduzem excreção de potássio → hipercalemia, especialmente com iECA/ARAII concomitantes. Evitar AINEs em IRC; usar acetaminofém ou outros.
Q215. Homem de 55 anos com tuberculose recebe rifampicina + isoniazida + pirazinamida + etambutol. Após 2 semanas, sua esposa percebe que a warfarina dela (guardada no mesmo armário) 'parou de funcionar'. Ele nega ter tomado a warfarina da esposa.
Qual é o mecanismo mais provável se o paciente fosse também usuário de warfarina?
✅ Resposta: B
💡 A rifampicina é um dos mais potentes indutores enzimáticos conhecidos, aumentando a expressão de CYP2C9, CYP3A4, CYP2C19 e P-gp. Isso acelera o metabolismo de muitos fármacos, incluindo warfarina, anticoncepcionais, antirretrovirais e ciclosporina.
Q216. Paciente com miastenia grave é tratado com piridostigmina (anticolinesterásico). Em consulta, pergunta por que não usa organofosforado para o mesmo fim, já que ambos inibem a colinesterase.
Qual a diferença fundamental entre estas classes?
✅ Resposta: B
💡 Anticolinesterásicos reversíveis (piridostigmina, neostigmina): ligação transitória à enzima (horas). Organofosforados (malation, sarin): ligação covalente irreversível — a enzima só é recuperada por síntese proteica nova (dias-semanas). Pralidoxima pode reativar a enzima se usada antes do 'envelhecimento' da ligação.
Q217. Paciente de 30 anos com asma moderada persistente usa budesonida (corticoide inalatório) diariamente e salbutamol (SABA) de resgate.
Qual o mecanismo de ação da budesonida no controle da asma?
✅ Resposta: B
💡 Os corticoides inalatórios são a base do tratamento de controle da asma. A budesonida atua no núcleo celular, inibindo transcrição de genes pró-inflamatórios → reduz inflamação crônica, edema de mucosa, secreção de muco e hiperresponsividade brônquica. Não são broncodilatadores diretos — o efeito é anti-inflamatório.