Antipsicóticos

Guia completo — Psicose, Vias Dopaminérgicas, Fármacos Típicos & Atípicos, Manejo Clínico e Pérolas da Aula

Vista lateral do cérebro humano — base anatômica para entender psicose e vias dopaminérgicas
Cérebro humano (vista lateral): o ponto de partida visual para psicose, dopamina e onde os antipsicóticos “encontram” os receptores.
Imagem: NIH / Wikimedia Commons (domínio público)

Índice

  1. Parte I — Psicose e Conceitos Fundamentais
    1. Definição, Estigma e Indicações Amplas
    2. O que é Psicose
    3. Manejo Comunicacional da Psicose
    4. Ilusão vs Alucinação
    5. Delírio vs Delirium
    6. Agitação: Manejo no Pronto-Socorro
    7. Sintomas Positivos vs Negativos
  2. Parte II — Neuroquímica e Vias Dopaminérgicas
    1. Hipóteses Neuroquímicas
    2. Substâncias e Psicose
    3. As 5 Vias Dopaminérgicas (com diagrama)
    4. Receptores Dopaminérgicos
  3. Parte III — Antipsicóticos (1ª e 2ª Geração)
    1. 1ª Geração (Típicos) — Detalhes Clínicos
    2. 2ª Geração (Atípicos) — Detalhes Clínicos
  4. Parte IV — Efeitos Adversos Detalhados
  5. Quiz (25 Questões)
  6. Flashcards (18 cartões)
  7. Jogo de Associação (3 fases)

Parte I — Psicose e Conceitos Fundamentais

1 Definição, Estigma e Indicações Amplas PROVA

O que são Antipsicóticos

Antipsicóticos são fármacos desenvolvidos para tratar psicose, mas suas indicações vão MUITO além da esquizofrenia.

⚠️ "NÃO É REMÉDIO DE DOIDO" — O professor enfatizou diversas vezes: é uma classe farmacológica ampla, utilizada em diversas condições clínicas e neuropsiquiátricas.
Comprimidos — lembrete visual de que antipsicóticos são fármacos com indicações formais
Classe farmacológica, não rótulo social: mesma “família” de comprimidos pode aparecer em psiquiatria, neurologia, gastro (náusea), onco-paliativo etc., conforme mecanismo e evidência.
Foto: Symode09 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Indicações além da psicose

  • Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) — estabilização do humor (aripiprazol, brexpiprazol)
  • Depressão resistente — potencialização de antidepressivos
  • Síndrome das pernas inquietas
  • Psicose do Parkinson — "o tratamento de Parkinson pode causar psicose, aí a gente precisa usar antipsicóticos"
  • Inquietude e dor em cuidados paliativos
  • Náuseas e vômitos — ação antidopaminérgica no CTZ
  • Tiques motores e Síndrome de Tourette
  • Soluços intratáveis
  • Movimentos involuntários da Doença de Huntington — controle de movimentos coreicos
  • Irritabilidade no TEA (Transtorno do Espectro Autista)

Condições que podem cursar com psicose

Psicose NÃO é exclusiva da esquizofrenia. Diversas condições podem apresentar sintomas psicóticos:

  • Transtornos de humor — mania, hipomania com características psicóticas
  • Psicose induzida por substâncias — cocaína, anfetaminas, cannabis, álcool
  • Depressão maior com características psicóticas
  • Demências com características psicóticas — Alzheimer, Lewy Body
  • Delirium — estado confusional agudo de causa orgânica

2 O que é Psicose PROVA

Definição

Perda de contato com a realidade, manifestada por:

  • Delírios — crenças fixas falsas, irredutíveis à argumentação
  • Alucinações — percepções sem estímulo externo
  • Pensamento/discurso desorganizado
  • Comportamento grosseiramente desorganizado ou anormal (inclui catatonia)
Professor
"Na cabeça dela é completamente real. Não adianta brigar, não adianta falar, a pessoa acredita naquilo."
Diagrama de neurônio com sinapse — neurotransmissores e circuitos na base da psicose
Neurônio e sinapse: delírios e alucinações emergem de circuitos e neurotransmissores (dopamina, serotonina, glutamato) — não de “falta de vontade”.
Diagrama: Wikimedia Commons

3 Manejo Comunicacional da Psicose PROVA ⚠️ MUITO IMPORTANTE

Técnica Clínica: Acompanhar sem Validar

O professor enfatizou que o manejo comunicacional é uma habilidade clínica essencial. Você NÃO briga com o delírio — você acompanha a experiência do paciente mantendo o vínculo terapêutico.

Professor — Exemplo 1
"Sentava uma pessoa do meu lado: 'Oi, estou aqui esperando o Jesus.' Eu só perguntei: 'Que horas que ele chega?'"
Professor — Exemplo 2
"A pessoa fala 'olha o dragão', você fala 'de que cor que ele é?'"
Professor
"Você NÃO briga com a pessoa. Na cabeça dela é REAL."
Por que funciona: Ao "entrar" na experiência, você mantém o vínculo terapêutico sem reforçar a crença delirante. Isso permite avaliar o paciente, ganhar confiança e planejar o tratamento.
Ilustração de profissional de saúde em contato respeitoso com paciente — vínculo terapêutico
Manejo comunicacional: presença, escuta e perguntas abertas (“que horas ele chega?”) mantêm o vínculo sem validar o delírio.
Ilustração: Blausen Medical / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

4 Ilusão vs Alucinação PROVA

ILUSÃO

Interpretação errada de algo que EXISTE

  • Tem estímulo real
  • Visual: cabide no escuro → "vulto"
  • Auditiva: vento fazendo "uuh" → acha que ouviu algo

ALUCINAÇÃO

Percepção SEM estímulo externo

  • NÃO tem estímulo real
  • Ouvir vozes no silêncio completo
  • Ver figuras que não existem
Ilusão de ótica Pato-Coelho — mesmo desenho, duas interpretações; há estímulo real na retina
Ilusão de ótica clássica (Pato–Coelho): o professor usou o exemplo do cabide no escuro — há estímulo real, mas a mente interpreta errado. Não é alucinação nem psicose.
Imagem: Jastrow / Wikimedia Commons (domínio público)
Professor — Ilusão Visual
"Passando em casa, no escuro, a gente vai pro banheiro, de repente 'Nossa, que susto! Parece um fantasma!' Aí olha direito — só aquela lata de lixo."
Professor — Ilusão Auditiva
"Dia de tempestade, vento fazendo 'uuh, uuh', você acha que escutou alguma coisa" — tem estímulo real (o vento).
Professor — Alucinação
"Completamente em silêncio, e a pessoa ouve vozes" — NÃO tem correspondente real.
Modalidades de alucinação: visual, auditiva, olfativa, gustativa, tátil (cenestésica).
Para ser psicose, a alucinação NÃO pode ter correspondente real.
"Relaxa, todo mundo de vez em quando tem uma alucinaçãozinha, não precisa começar a tomar antipsicótico" — professor tranquilizando a turma.

5 Delírio vs Delirium PROVA ⚠️ MUITO IMPORTANTE

DELÍRIO (psiquiátrico)

Sintoma de psicose — crença fixa falsa

  • Persecutório — acredita estar sendo perseguido
  • De referência — acha que a TV fala com ele
  • Grandeza — acredita ser alguém especial
  • Erotomaníaco — acredita que alguém famoso o ama
  • Niilista — acredita que está morto/não existe
→ Chama a PSIQUIATRIA

DELIRIUM (orgânico)

Estado confusional agudo por causa clínica

  • Desidratação → hidratar
  • Infecção (ITU, pneumonia) → antibiótico
  • Distúrbio hidroeletrolítico → corrigir
  • Medicamentos → ajustar
  • Privação de álcool/drogas
→ Busca a CAUSA ORGÂNICA
Professor
"Delírio → chama a psiquiatria. Delirium → busca a causa orgânica."
Professor — Exemplos de Delirium
"Idoso que desidratou tem delirium. É só hidratar."
"Transtorno hidroeletrolítico → pessoa começa a ver coisas. Conserta e manda pra casa."
"Infecção causa delirium. É só dar antibiótico."
🚨 "Isso vai mudar COMPLETAMENTE a conduta de vocês" — Distinguir delírio de delirium é FUNDAMENTAL.

"Se for delirium e vocês deixaram o paciente inconsciente com haloperidol, o psiquiatra vai xingar vocês primeiro."

"Psiquiatria CONVERSA. Como é que o psiquiatra vai conversar com uma pessoa inconsciente?"
Sessão de acolhimento e conversa — delírio exige avaliação psiquiátrica com paciente acordado
Delírio (psiquiátrico): conversa e vínculo — o psiquiatra precisa entrevistar a pessoa.
Foto: tiyowprasetyo / Wikimedia Commons (CC0)
Ilustração de fluido intravenoso — causa orgânica corrigível no delirium
Delirium (orgânico): hidratar, corrigir eletrólitos, tratar infecção — a imagem lembra “causa de base”.
Ilustração: Blausen Medical / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

6 Agitação: Manejo no Pronto-Socorro PROVA

Agitação pode acompanhar tanto delírio quanto delirium

A conduta diante de um paciente agitado depende da causa:

Se for DELIRIUM (clínica)

  • Sedar para pegar acesso
  • Sedar para tratar infecção
  • O clínico até agradece
  • Depois de estável → tratar causa

Se for DELÍRIO (psiquiatria)

  • NÃO chame o psiquiatra com paciente dormindo
  • Psiquiatra precisa conversar
  • Esperar efeito passar ou usar dose menor
Professor
"É muito comum as pessoas darem antipsicótico de primeira geração, que é muito, muito potente."

"Se for da clínica [delirium], o clínico até agradece. Se for psiquiatria [delírio], não chame enquanto o paciente estiver dormindo."
Pronto-socorro — agitação exige definir se a causa é orgânica (delirium) ou psiquiátrica (delírio)
PS / emergência: a mesma agitação pode ser delirium (tratar causa, sedar se preciso para acesso) ou delírio (não “apagar” o paciente antes da psiquiatria avaliar).
Ilustração: Blausen Medical / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

7 Sintomas Positivos vs Negativos PROVA ⚠️ MUITO IMPORTANTE

➕ POSITIVOS

"GANHOU" algo que não deveria existir
  • Delírios
  • Alucinações
  • Pensamento desorganizado
  • Comportamento desorganizado
  • Catatonia
  • Agitação psicomotora

➖ NEGATIVOS

"PERDEU" algo que deveria existir
  • Embotamento afetivo
  • Isolamento social
  • Alogia (pobreza da fala)
  • Avolição (sem iniciativa)
  • Anedonia (sem prazer)
  • Prejuízo da atenção
🚨 PONTO-CHAVE: O bloqueio D2 pode melhorar sintomas positivos (via mesolímbica) mas pode PIORAR os negativos (via mesocortical), pois reduz ainda mais a dopamina onde ela já está deficiente.

→ Por isso, 1ª geração (antagonista D2 puro) melhora positivos mas PIORA negativos!
Hemisférios cerebrais — circuitos límbicos e córtex na base dos sintomas positivos e negativos
Anatomia de apoio: positivos ligam-se à hiperatividade dopaminérgica mesolímbica; negativos à hipofunção mesocortical — o bloqueio D2 “em todo lugar” explica por que os típicos pioram o quadro negativo.
Gray’s Anatomy (1918) / Wikimedia Commons (domínio público)

Parte II — Neuroquímica e Vias Dopaminérgicas

8 Hipóteses Neuroquímicas da Psicose

As 3 Hipóteses Principais

1. Hipótese Dopaminérgica (D2)
Excesso de dopamina em certas vias → psicose. A mais clássica e embasada farmacologicamente. Base: anfetaminas ↑DA → psicose; antipsicóticos bloqueiam D2 → melhoram psicose.
2. Hipótese Serotoninérgica (5-HT2A)
Hiperestimulação de receptores 5-HT2A → alterações perceptivas e psicóticas. Base: LSD/psilocibina (agonistas 5-HT2A) → alucinações. Fundamento para entender atípicos (bloqueiam 5-HT2A).
3. Hipótese Glutamatérgica (NMDA)
Hipoatividade dos receptores NMDA → desregulação de circuitos corticais. Base: cetamina/PCP (antagonistas NMDA) → psicose com alucinação visual + alteração perceptiva.
Estrutura da dopamina Dopamina (D2)
Estrutura da serotonina Serotonina (5-HT2A)
Estrutura do glutamato Glutamato (NMDA)

9 Substâncias e Psicose PROVA

Padrões de Psicose por Substância

Cocaína / Anfetamina

Estrutura química da cocaína
↑ Dopamina
Paranoia + Alucinação AUDITIVA
"parece que está escutando coisas em volta"

Cetamina

Estrutura química da cetamina
Antagonista NMDA
Alucinação VISUAL
luzes brilhantes, bichinhos, dragões
Percepção ALTERADA

LSD / Psilocibina / Ayahuasca

Estrutura química do LSD
Agonismo 5-HT2A
Alucinação VISUAL (mística)
universos, seres, experiência espiritual
Percepção ALTERADA

Cannabis

Folha de cannabis
Múltiplos mecanismos
Variável
Delírios variáveis
Substância Mecanismo Alucinação Delírios Percepção
Cocaína / Anfetamina ↑ Dopamina AUDITIVA Paranóicos ("todo mundo quer bater") Normal
Cetamina Antagonista NMDA VISUAL (luzes, bichinhos) Paranóicos ALTERADA
LSD / Psilocibina / Ayahuasca Agonismo 5-HT2A VISUAL (mística, seres) Não paranóicos ALTERADA
Cannabis Múltiplos Variável Variável Variável
🚨 CANNABIS = MAIOR POTENCIAL ESQUIZOFRENOGÊNICO
O professor foi muito enfático: "MACONHA é a droga com MAIOR potencial esquizofrenogênico."
Professor
"Na idade média dessa sala é a pior idade pra fumar."
"Se vocês estão fumando, bom, até agora, provavelmente vocês não têm [susceptibilidade genética]."
"Doença multifatorial = não são para quem quer, são para quem pode."

10 As 5 Vias Dopaminérgicas PROVA ⚠️ MUITO IMPORTANTE

Diagrama das 5 Vias Dopaminérgicas

SN NE Nigroestriatal VTA LIMB Mesolímbica CRTX Mesocortical HIP PIT Túbero-inf. TÁL (do Tálamo) Nigroestriatal (SN→NE) Mesolímbica (VTA→Límbico) Mesocortical (VTA→Córtex) Túbero-infundibular (HIP→PIT) Do Tálamo (menos compreendida)
Hemisférios cerebrais — anatomia clássica para relacionar com as vias dopaminérgicas do diagrama
Anatomia clássica (Gray, pl. 739): use como “mapa real” ao lado do esquema vetorial — mesocórtex, límbico e tronco ficam mais tangíveis.
Gray’s Anatomy (1918) / Wikimedia Commons (domínio público)

1. Via Nigroestriatal (Substância Negra → Núcleo Estriado)

Função: Controle motor — filtro de movimentos finos.

Professor
"Escrever, falar, digitar, tocar instrumento — tudo isso é filtrado por essa via."
Bloqueio D2 → EPS: rigidez, tremores, parkinsonismo medicamentoso, acatisia

2. Via Mesolímbica (Perto do mesencéfalo → Sistema Límbico)

Função: Recompensa, prazer, vício.

Professor
"Feliz por passar no vestibular, comprar algo novo, passar de fase no joguinho — tudo é via mesolímbica."
Na psicose: ↑↑ DOPAMINA → Sintomas POSITIVOS (delírios, alucinações)
Bloqueio D2 → Melhora positivos MAS também tira recompensa/prazer

3. Via Mesocortical (Mesencéfalo → Córtex)

Função: Cognição, afeto.

Professor
"Amor e ódio estão muito próximos, ativam praticamente a mesma via."
Na psicose: ↓↓ DOPAMINA → Sintomas NEGATIVOS (embotamento, alogia, avolição)
Bloqueio D2 → PIORA negativos (pior memória, pior aprendizado)

4. Via Túbero-infundibular (Hipotálamo → Hipófise)

Função: Dopamina INIBE prolactina.

Professor
"Metoclopramida (Plasil) antagoniza D2 aqui → ↑ prolactina → mais leite para mamãe."
Bloqueio D2 → ↑ Prolactina → galactorreia, ginecomastia, amenorreia

5. Via do Tálamo

Menos compreendida. Muita inervação dopaminérgica do tálamo. Papel ainda em estudo.

Padrão Dopaminérgico na Psicose

Mesolímbica
↑↑ DOPAMINA
→ Sint. POSITIVOS
Mesocortical
↓↓
→ Sint. NEGATIVOS
Nigroestriatal
Normal
Controle motor OK
Túbero-inf.
Normal
Prolactina OK
→ Por isso 1ª geração (antagonista D2 puro) melhora positivos mas PIORA negativos!
O bloqueio D2 "indiscriminado" afeta TODAS as vias — causando EPS (nigroestriatal), piora de negativos (mesocortical) e hiperprolactinemia (túbero-infundibular).

Consequências do Bloqueio D2 por Via

ViaFunção NormalBloqueio D2 →Gravidade
Nigroestriatal Controle motor EPS / Parkinsonismo Alto
Mesolímbica Recompensa / Prazer ↓ Positivos ✓ + ↓ prazer ⚠️ Terapêutico
Mesocortical Cognição / Afeto ↑ Negativos Muito alto
Túbero-infundibular Inibe prolactina ↑ Prolactina → galactorreia Moderado

11 Receptores Dopaminérgicos PROVA

Família D1 (D1, D5)

  • Acoplados à proteína Gs / Gq
  • Efeito EXCITATÓRIO
  • ↑ AMPc
  • Distribuição: estriado, córtex, sistema límbico

Família D2 (D2, D3, D4)

  • Acoplados à proteína Gi / Go
  • Efeito INIBITÓRIO
  • ↓ AMPc
  • D2: estriado, S. límbica, hipófise
  • D3: S. límbica, tálamo
  • D4: córtex frontal, amígdala
⚡ "Dopamina é excitatória OU inibitória? DEPENDE DO RECEPTOR!" — O professor enfatizou que NÃO se pode rotular a dopamina. O efeito depende de qual receptor ela ativa.
Estrutura cristalográfica de receptor acoplado à proteína G (exemplo: beta-2 adrenérgico)
Os receptores dopaminérgicos pertencem à família dos GPCR (receptores acoplados à proteína G). Na figura, um exemplo clássico cristalográfico (β2-adrenérgico) — o formato de hélices transmembrana é análogo ao dos receptores D.
S. Jähnichen / Wikimedia Commons (domínio público)
Autorreceptores D2/D3 (pré-sinápticos): Funcionam como feedback negativo. Quando ativados, reduzem a liberação de dopamina. Por isso, agonistas parciais como aripiprazol podem "estabilizar" o sistema.
Recaptação:
DAT (transportador de dopamina) — principal forma de recaptação nas vias subcorticais
NET (transportador de noradrenalina) — recapta dopamina no córtex pré-frontal (onde há pouco DAT)

Parte III — Antipsicóticos (1ª e 2ª Geração)

Visão Geral: 1ª vs 2ª Geração

1ª Geração (Típicos)

  • Antagonismo D2 potente
  • Bom para sintomas positivos
  • Mais EPS (rigidez, tremor, acatisia)
  • Menos ganho de peso (em geral)
  • Hiperprolactinemia importante
  • Ex: Haloperidol, Clorpromazina
  • Uso: emergência, fase aguda

2ª Geração (Atípicos)

  • Antagonismo D2 + 5-HT2A
  • Positivos E negativos
  • Menos EPS (5-HT2A "libera" DA na nigroestriatal)
  • Mais efeitos metabólicos
  • Perfil mais heterogêneo
  • Ex: Clozapina, Quetiapina, Aripiprazol
  • Uso: manutenção, funcionalidade

12 1ª Geração — Detalhes Clínicos PROVA ⚠️ MUITO IMPORTANTE

Mecanismo

Antagonistas D2 potentes — bloqueio forte e relativamente não-seletivo dos receptores D2.

  • Bons para sintomas POSITIVOS
  • Ocupação D2 ideal: ~65% para efeito terapêutico (acima de 80% → EPS)
Fórmula do haloperidol
Haloperidol — potente antagonista D2; clássico da urgência, mais EPS.
Wikimedia Commons (domínio público)
Fórmula da clorpromazina
Clorpromazina — mais sedação e hipotensão (H1, α1); na fala do professor, costuma ir antes do haloperidol na agitação extrema.
Wikimedia Commons (domínio público)

Pérolas Clínicas do Professor PROVA

Professor — MUITO IMPORTANTE
"Clorpromazina PRIMEIRO, depois haloperidol."
"A maioria dos plantonistas erra isso."
SRC rápido (ordem no surto) 😴 CLOR-PROMO na magazine = travesseiro + pressão no chão (sedação H1 / α1) → vai primeiro.
💉 HALO-PERI-DOL = seringa na urgência, tremor (EPS, D2 forte) → depois.
🚨 Haloperidol NÃO é o antipsicótico com maior potencial sedativo!
Quem é? CLORPROMAZINA.
"Melhor dar clorpromazina primeiro, quando paciente está muito agitado."
Professor — Haloperidol
"Haloperidol mantém em fase aguda, geralmente 1 semana a 1 mês."
"Vai ter em todo serviço de urgência e emergência."
Âncora visual 💉 Seringa + HALO perigoso = todo PS tem · pouca sedação, muito D2 → EPS.
⚠️ "Para tratar esquizofrenia a longo prazo, tenta NÃO usar 1ª geração porque vai acabar com a vida da pessoa."
1ª geração = emergência e curto prazo. Para manutenção → preferir 2ª geração.

Efeitos Adversos por Via

Via BloqueadaConsequência
NigroestriatalEPS: rigidez, tremor, acatisia, parkinsonismo
Túbero-infundibularHiperprolactinemia → galactorreia, ginecomastia, amenorreia
MesocorticalPiora negativos / cognição

Outros receptores bloqueados:

  • H1 (histamina) → sedação, ganho de peso
  • α1 (adrenérgico) → hipotensão ortostática
  • Muscarínico (M1) → boca seca, constipação, retenção urinária, visão turva

Afinidade por Receptores — 1ª Geração (Heatmap)

Fármaco D2 H1 α1 M1 5-HT2A Perfil
Haloperidol Mais EPS, menos sedação
Clorpromazina Mais sedação, mais hipotensão
Flufenazina Depot (IM longa duração)
Trifluoperazina Alta potência
Legenda: = + = ++ = +++ = ++++

13 2ª Geração — Detalhes Clínicos PROVA ⚠️ MUITO IMPORTANTE

Mecanismo

Antagonistas D2 + 5-HT2A → o bloqueio 5-HT2A "libera" dopamina na via nigroestriatal, resultando em MENOS EPS.

  • Melhores para manutenção e funcionalidade
  • MAS: perfis variados de sedação, hipotensão, ganho de peso, efeitos metabólicos
Estrutura da serotonina
Os atípicos somam bloqueio relevante de 5-HT2A ao D2 — isso altera o “balanço” na nigroestriatal e explica, em parte, menos EPS que os típicos.
Wikimedia Commons (domínio público)

Afinidade por Receptores — 2ª Geração (Heatmap)

Fármaco D2 5-HT2A H1 α1 M1 Destaque
Clozapina PROVA Psicose resistente; agranulocitose
Quetiapina H1→sedação+apetite; boa no idoso
Risperidona Hiperprolactinemia; psiq. infantil
Olanzapina Alto risco metabólico
Aripiprazol (parcial) Pouco peso; bom no TAB
Brexpiprazol (parcial) Similar aripiprazol

CLOZAPINA — Destaque Especial PROVA

Método SRC — Cola Mental
CLO-ZA-PINA → "O CLONE ZANGADO na PINA"
🩸💀 Gota de sangue com caveira (AGRANULOCITOSE — hemograma semanal!)
Um CLONE ZANGADO destrói todas as células brancas do sangue (agranulocitose!). Uma enfermeira corre TODA SEMANA atrás dele pra tirar sangue (hemograma semanal!). A balança ao lado EXPLODE: ele engordou de 60kg pra 100kg em 2 meses (síndrome metabólica GRAVE). Mas ele usa crachá: "SÓ EU funciono quando NADA MAIS funciona" (psicose RESISTENTE).
  • Indicação única: esquizofrenia RESISTENTE (falha de 2+ antipsicóticos adequados)
  • Agranulocitose — não deixa os granulócitos se formarem (neutrófilos, eosinófilos, basófilos)
  • Hemograma semanal no começo. "Vai na UBS ou CAPS toda semana."
  • Síndrome metabólica GRAVE: hiperglicemia, hipercolesterolemia, obesidade
Amostras de sangue para exames laboratoriais
Hemograma seriado na clozapina: lembrete visual do monitoramento obrigatório (agranulocitose).
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Professor
"Quando o antipsicótico não funciona... e a pessoa está resistente → Clozapina."
Professor — Ganho de peso
"Uma pessoa de 60 quilos passa a ter 100 quilos em um ou dois meses."
"Vários pacientes disseram que preferem estar gordinhos do que psicóticos."
Tríade da Clozapina: Psicose resistente + Agranulocitose + Hemograma seriado obrigatório

QUETIAPINA no Idoso PROVA

Método SRC — Cola Mental
QUE-TIA-PINA → "A QUE? A TIA comendo PINA colada!"
👵🍽️ Vovó comendo (idoso + apetite + sono — H1)
Uma TIA idosa ("QUE-TIA?!") toma pinacolada, finalmente com FOME e com SONO (H1 = apetite + sedação). Dorme a noite TODA pela primeira vez em anos. O neto dá o remédio 1-2 horas antes de dormir. O professor fala: "Idoso que não come, morre por quilos podres!"
Professor
"Quetiapina é interessante para geriatria."

Idoso com demência + psicose → quetiapina trata psicose E:

  • Bloqueio H1 → sedação (ajuda insônia)
  • Bloqueio H1 → apetite (ajuda desnutrição)
Casal idoso na refeição — apetite adequado na geriatria
Na prática geriátrica: apetite e sono (H1) podem fazer diferença — “idoso que não come, morre por quilos podres”.
Foto: Bill Branson / Wikimedia Commons (CC0)
Professor
"Dá a quetiapina pro idoso 1-2 horas antes de dormir."
"Idoso que não come, morre por quilos podres."

ARIPIPRAZOL / BREXPIPRAZOL — Agonistas Parciais D2

Método SRC — Cola Mental
ARI-PI-PRA-ZOL → "A ARARA no PRADO ao SOL"
☀️⚖️ Sol equilibrado (PADRÃO OURO pra estabilizar HUMOR!)
Uma ARARA colorida no PRADO ao SOL, equilibrada PERFEITAMENTE numa gangorra (humor estabilizado!). Se o humor sobe = ela desce. Se desce = sobe. Volta pra EUTIMIA sempre. QUASE NÃO ENGORDA! Pouca prolactina! O professor falou: "padrão ouro pra TAB".
Método SRC — Cola Mental
BREX-PI-PRA-ZOL → "O BREXIT no PRADO ao SOL"
☀️ Similar ao aripiprazol (primo dele!)
Igual à arara do aripiprazol, mas agora com bandeira do BREXIT (BREX) — mesmo mecanismo, primo do aripiprazol. Estabiliza humor, quase não engorda. São os MELHORES pra bipolaridade.
Professor
"Absurdamente bons para estabilizar o humor."
"Se o humor estiver muito elevado, diminui. Se estiver muito deprimido, aumenta. Volta para eutimia."
  • Agonismo parcial D2: ativa pouco quando pouca dopamina, bloqueia quando muita → "estabilizador"
  • Engorda bem pouquinho
  • Poucos problemas com hiperprolactinemia
  • Padrão ouro para estabilizar o humor no TAB
Bipolar: Se o humor estiver ↑ elevado → o aripiprazol diminui. Se estiver ↓ deprimido → o aripiprazol aumenta. Volta para eutimia. Esse é o mecanismo do agonismo parcial.

RISPERIDONA — Psiquiatria Infantil

Método SRC — Cola Mental
RIS-PERI-DONA → "A DONA que RI do PERI(go)"
🍼 Mamadeira (HIPERPROLACTINEMIA — leite!)
Uma DONA RI (risada) do PERIGO — e do peito dela sai LEITE sem parar (hiperprolactinemia!). Crianças ao redor correm (psiquiatria INFANTIL, TEA, tiques). Ela tem prolactina nas alturas.
  • Usada bastante em psiquiatria infantil
  • Útil para transtornos de tiques
  • Agressividade em TEA
  • Cuidado: pode causar hiperprolactinemia importante (D2 mais forte entre os atípicos)

Parte IV — Efeitos Adversos Detalhados

14 Efeitos Adversos Importantes PROVA

Resumo dos Efeitos Adversos

EfeitoMecanismoDetalhes
EPS/SEPBloqueio D2 nigroestriatalRigidez, tremor, acatisia ("não consigo ficar sentado/parado"), distonia, discinesia tardia
HiperprolactinemiaBloqueio D2 túbero-infundibularGalactorreia, ginecomastia, amenorreia, disfunção sexual
Síndrome MetabólicaH1, 5-HT2C, M1, α1Hiperglicemia, hipercolesterolemia, obesidade (clozapina +++, olanzapina ++)
AgranulocitoseIdiossincrático (clozapina)Monitorar hemograma! Potencialmente fatal
SNMBloqueio D2 intensoRigidez + Febre + Rebaixamento → EMERGÊNCIA
SedaçãoBloqueio H1Clorpromazina, quetiapina, olanzapina
HipotensãoBloqueio α1Clorpromazina, quetiapina

EPS (Efeitos Extrapiramidais) — Detalhes da Aula

Professor
"A pessoa vai começar a tremer, ter rigidez, acatisia (não consegue ficar parada), parkinsonismo."
"Toda vez que a gente fala de efeitos extrapiramidais..."
A gente NÃO quer que a pessoa vire um cogumelo, vire uma planta. O tratamento moderno busca funcionalidade — por isso preferir 2ª geração na manutenção.

Mecanismo do Ganho de Peso

  • Antagonismo H1 → ↑ apetite, sonolência → ganho de peso
  • Antagonismo Muscarínico → ganho de peso "mesmo comendo pouco"
  • Antagonismo α-adrenérgico → alterações metabólicas hepáticas ("fígado entende que precisa acumular gordura")
Professor — Anedota da ortopedia
"Ela falava: 'Você prefere ter uns tremorzinhos ou engordar e ficar obesa?'"
Balança de banheiro — ganho de peso com antipsicóticos
Ganho de peso: lembrete de acompanhar peso, glicemia e perfil lipídico — sobretudo com clozapina e olanzapina.
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0 DE)

SNM — Síndrome Neuroléptica Maligna

🚨 EMERGÊNCIA MÉDICA!
Tríade: rigidez muscular + febre alta + rebaixamento de consciência
Pode haver ↑ CPK e leucocitose.
Conduta: suspender antipsicótico imediatamente, suporte intensivo, considerar dantrolene/bromocriptina.
Termômetro clínico com febre
A febre na tríade da SNM não é “detalhe” — pense síndrome neuroléptica maligna diante de rigidez + hipertermia + alteração do nível de consciência em uso de neuroléptico.
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Efeito REBOTE vs Efeito ADVERSO PROVA

Efeito REBOTE

Ocorre ao RETIRAR o fármaco

  • Omeprazol: hipersecreção gástrica quando para
  • Fármacos de sono: sonha tudo que não sonhou (REM rebound)
  • Organismo "compensa demais"

Efeito ADVERSO

Ocorre DURANTE o uso

  • Ganho de peso da clozapina
  • EPS do haloperidol
  • Hipotensão da clorpromazina
São conceitos DIFERENTES! Rebote = ao parar. Adverso = durante o uso.
📚

Psicofarmacologia do Stahl

"Padrão ouro da vida, super mega didático, divertido de ler" — Recomendação direta do professor. Referência essencial para psicofarmacologia com ilustrações e linguagem acessível.

🧠 Cola Mental — Todos os Fármacos

💉 HALOPERIDOL

Método SRC — Cola Mental
HALO-PERI-DOL → "O HALO (auréola) do PERI(go) com DOR"
💉 Seringa de emergência (surto agudo, IM, todo serviço de urgência tem)
Um anjo com HALO (auréola) perigoso segura uma SERINGA GIGANTE e causa TREMORES em todo mundo (EPS intenso! +++). Mas quase ninguém dorme (pouca sedação). Uma placa vermelha avisa: "NÃO sou o primeiro! CLORPROMAZINA vem antes de mim no surto!"

😴 CLORPROMAZINA

Método SRC — Cola Mental
CLOR-PRO-MAZINA → "O CLORO na PROMOção da MAGAZINE"
😴 Travesseiro (MUITA sedação — H1+++ α1+++ — mais sedativa que haloperidol!)
Um frasco de CLORO em PROMOÇÃO numa magazine — todo mundo que chega perto DESMAIA de sono (sedação H1+++) e a pressão CAI pro chão (hipotensão α1+++). Placa NEON: "EU VOU PRIMEIRO no surto! Depois vem o haloperidol!" O professor briga: "a maioria dos plantonistas erra isso!"

⚖️ OLANZAPINA

Método SRC — Cola Mental
OLAN-ZA-PINA → "O HOLANDÊS na ZAPINA (festa)"
⚖️ Balança quebrada (ALTO risco metabólico!)
Um HOLANDÊS gordo pisa numa BALANÇA que QUEBRA (alto risco metabólico!). Açúcar e gordura voam pra todo lado. Mas ele é ótimo com crianças agressivas e tiques. Cuidado: engorda MUITO, quase tanto quanto a clozapina.

🤏 ZIPRASIDONA

Método SRC — Cola Mental
ZI-PRA-SI-DONA → "O ZÍPER PRA DONA"
🤏 Corpo magro (BAIXO risco metabólico!)
Uma DONA fecha um ZÍPER (ZIP) apertado porque NÃO engordou (baixo risco metabólico!). Boa opção quando o paciente ganhou peso com outro antipsicótico e a psicose não é tão resistente.

🎯 SULPIRIDA / AMISSULPRIDA

Método SRC — Cola Mental
SUL-PIRIDA → "O SUL(ista) PIRANDO"
🎯 Alvo D2/D3 puro (antagonista seletivo)
Um SULISTA pirando (PIRIDA) de raiva, atacando APENAS os receptores D2 e D3. Muito seletivo! Mas por ser tão focado em D2, pode dar mais hiperprolactinemia e EPS.

Parte V — Atividades Interativas

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Fase 1

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