🎯 FOCO DA PROVA DE FARMACOLOGIA
A professora confirmou: Farmacocinética, Farmacodinâmica, Simpático, Parassimpático e Antidepressivos. NÃO cai neoplasia.
📘 FARMACOCINÉTICA (ADME) — Resumo para Prova
A — ABSORÇÃO
• Difusão passiva: segue gradiente, depende de lipossolubilidade e ionização
• pH e ionização: ácidos fracos absorvem melhor em pH ácido (estômago), bases fracas em pH alcalino (intestino). Fármaco NÃO-IONIZADO atravessa melhor a membrana
• Biodisponibilidade (F): fração do fármaco que chega à circulação sistêmica. IV = 100%. VO (Via Oral) = variável (primeira passagem)
• 1ª passagem hepática: metabolismo extenso antes de chegar à circulação. Reduz biodisponibilidade oral. Nitroglicerina sublingual evita isso
• Fatores: área de absorção (intestino > estômago pelas vilosidades), fluxo sanguíneo, motilidade GI
D — DISTRIBUIÇÃO
• Vd (Volume de Distribuição): Vd pequeno = fármaco fica no plasma (hidrofílico). Vd grande = vai pros tecidos (lipofílico)
• Ligação proteica: albumina liga ácidos, α1-glicoproteína liga bases. SÓ FÁRMACO LIVRE age! Competição = interação (ex: varfarina + AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais))
• Barreiras: BHE (só lipofílicos passam), placentária (cuidado teratogênicos no 1º tri), testicular
M — METABOLIZAÇÃO (Biotransformação)
• Objetivo: tornar mais hidrossolúvel para excretar
• Fase I (CYP450): oxidação, redução, hidrólise. CYP3A4 (~50% fármacos), CYP2D6 (~25%), CYP2C19, CYP2C9
• Fase II: conjugação (glicuronidação, sulfatação, glutationa)
• Indutores CYP (↑metabolismo = ↓efeito): rifampicina, fenobarbital, carbamazepina
• Inibidores CYP (↓metabolismo = ↑toxicidade): cetoconazol, cimetidina, fluoxetina (CYP2D6!)
• Pró-fármacos: codeína → morfina (CYP2D6). Clopidogrel → ativo (CYP2C19)
• ⚠️ DICA DE PROVA — Paracetamol: CYP2E1 → NAPQI (tóxico) → depleta glutationa → necrose hepática. Antídoto: N-acetilcisteína (NAC) repõe glutationa. Eficaz até 8-10h
E — EXCREÇÃO
• Renal (principal): filtração glomerular, reabsorção tubular, secreção tubular ativa
• pH urinário: alcalinizar urina (NaHCO3) para eliminar ÁCIDOS fracos (ex: salicilato em intoxicação por aspirina)
• Meia-vida (t½): tempo para concentração cair 50%. Estado estacionário = 5 meias-vidas
• Clearance: Cl = Vd × Ke. Volume depurado por unidade de tempo
• Janela terapêutica: entre CME (concentração mínima eficaz) e CMT (concentração mínima tóxica). Estreita = monitorar (varfarina, digoxina, lítio)
💜 FARMACODINÂMICA — Resumo para Prova
Alvos Moleculares
• Receptores: GPCR (7 domínios transmembrana, proteínas G: Gs↑cAMP, Gi↓cAMP, Gq↑IP3/Ca²⁺), Tirosina quinase, Canais iônicos, Nucleares (esteroides)
• Enzimas: COX (AINEs), ECA (IECA), MAO (IMAO), AChE (neostigmina)
• Transportadores: SERT (ISRS), NET (IRSN), DAT (bupropiona)
Conceitos-Chave
• Afinidade (Kd): capacidade de LIGAR ao receptor. Menor Kd = MAIOR afinidade
• Eficácia (α): capacidade de ATIVAR. Pleno α=1, Parcial 0<α<1, Antagonista α=0
• Potência (EC50): dose para 50% do efeito máximo. Menor EC50 = MAIS potente
• ⚠️ DICA DE PROVA: Potência ≠ Eficácia! Fármaco pode ser POTENTE (age em dose baixa) mas POUCO EFICAZ (efeito máximo baixo)
Tipos de Ligantes
• Agonista pleno: afinidade + eficácia máxima (100%). Ex: morfina no receptor opioide μ
• Agonista parcial: eficácia submáxima (25-75%). Ex: buprenorfina. Pode agir como antagonista na presença de agonista pleno!
• Antagonista competitivo: compete pelo MESMO sítio, REVERSÍVEL, superável por ↑agonista. Curva desloca para DIREITA, Emax NÃO muda
• Antagonista não-competitivo: liga em sítio DIFERENTE (alostérico), IRREVERSÍVEL. NÃO superável. REDUZ Emax
• Antagonista inverso: reduz atividade ABAIXO do basal
• Modulador alostérico positivo: ex: benzodiazepínicos no GABA-A (potencializa GABA sem ativar sozinho)
Tolerância e Interações
• Tolerância: down-regulation de receptores (uso crônico de β2-agonistas). Solução: associar corticoide
• Up-regulation: ↑receptores após antagonismo crônico. Ex: retirada de β-bloqueador → rebote (taquicardia!)
• Sinergia: efeito combinado > soma. Antagonismo: efeito < soma. Adição: efeito = soma
❤️ SNA (Sistema Nervoso Autônomo) SIMPÁTICO — Resumo para Prova
Receptores Adrenérgicos (DECORE ESTA TABELA!)
| Receptor | Proteína G | Localização | Efeito |
|---|---|---|---|
| α1 | Gq ↑IP3/Ca²⁺ | Vasos, olho, esfíncter | Vasoconstrição, midríase, contração esfíncter |
| α2 | Gi ↓cAMP | Pré-sináptico, plaquetas | ↓liberação NA (feedback), agregação plaquetária |
| β1 | Gs ↑cAMP | Coração, rim | ↑FC (Frequência Cardíaca), ↑contratilidade, ↑condução, ↑renina |
| β2 | Gs ↑cAMP | Brônquios, vasos, útero, fígado | Broncodilatação, vasodilatação, glicogenólise |
| β3 | Gs ↑cAMP | Adiposo | Lipólise, termogênese |
Simpaticomiméticos (Agonistas)
• Adrenalina (α+β): anafilaxia (IM!), PCR, broncoespasmo grave
• Noradrenalina (α>β1): 1ª linha choque séptico
• Dopamina: dose baixa=D1 renal, média=β1 cardíaco, alta=α1 vasoconstrição
• Dobutamina (β1>>β2): ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva) aguda, choque cardiogênico
• Salbutamol (β2, SABA): resgate asma. Salmeterol/Formoterol (LABA): manutenção (NUNCA monoterapia!)
• Fenilefrina (α1): descongestionante nasal
• Clonidina (α2): hipertensão central
• Indiretos: anfetamina (libera NA/DA), cocaína (bloqueia recaptação), efedrina (misto)
Simpatolíticos (Antagonistas)
• α-bloqueadores: prazosina/doxazosina (α1, hipertensão/HPB), tamsulosina (α1A, HPB sem hipotensão), fentolamina (α1+α2, feocromocitoma)
• β-bloqueadores cardioseletivos (β1): metoprolol, bisoprolol, atenolol — hipertensão, pós-IAM (Infarto Agudo do Miocárdio), ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva)
• β-bloqueadores não-seletivos (β1+β2): propranolol — ⚠️ CONTRAINDICADO em asma! (broncoconstrição)
• β+α bloqueadores: carvedilol, labetalol — ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva), crise hipertensiva
• ⚠️ DICA DE PROVA — Rebote: retirada ABRUPTA de β-bloqueador → up-regulation → taquicardia, hipertensão, angina. SEMPRE desmame gradual!
💚 SNA (Sistema Nervoso Autônomo) PARASSIMPÁTICO — Resumo para Prova
Receptores Colinérgicos (DECORE!)
| Receptor | Tipo | Localização | Efeito |
|---|---|---|---|
| M1 | Gq ↑IP3/Ca²⁺ | SNC (Sistema Nervoso Central), glândulas | Cognição, secreção gástrica |
| M2 | Gi ↓cAMP | Coração | ↓FC (Frequência Cardíaca), ↓contratilidade, ↓condução AV |
| M3 | Gq ↑IP3/Ca²⁺ | Musc. liso, glândulas, olho | Miose, broncoconstrição, ↑peristaltismo, ↑secreção |
| NN | Canal Na⁺/K⁺ | Gânglios | Despolarização ganglionar |
| NM | Canal Na⁺/K⁺ | Junção neuromuscular | Contração muscular |
Parassimpaticomiméticos
• Diretos: betanecol (M3, retenção urinária), pilocarpina (M1/M3, glaucoma/xerostomia), carbacol (M+N, glaucoma)
• Indiretos (anticolinesterásicos reversíveis): neostigmina (miastenia gravis), piridostigmina (miastenia), fisostigmina (atravessa BHE (Barreira Hematoencefálica), intoxicação anticolinérgica)
• Irreversíveis: organofosforados (sarin, malation) → intoxicação → SLUDGE
• ⚠️ DICA DE PROVA — SLUDGE: Salivação, Lacrimejamento, Urina (micção), Defecação, GI secretion, Êmese. Tratamento: atropina + pralidoxima
Anticolinérgicos (Parasimpatoliticos)
• Atropina (não-seletivo): bradicardia, intoxicação colinérgica, pré-anestesia. Síndrome: "vermelho como beterraba, seco como deserto, quente como forno, maluco como abelha"
• Ipratrópio (M3 inalado): DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica)/asma (broncodilatação sem efeitos sistêmicos)
• Oxibutinina (M3): bexiga hiperativa
• Escopolamina: cinetose (enjoo de movimento)
• Bloqueadores NM: succinilcolina (despolarizante, fasciculações→paralisia), rocurônio (não-despolarizante). Reversão: neostigmina + atropina
💛 ANTIDEPRESSIVOS — Resumo para Prova (Aula de amanhã!)
Hipótese Monoaminérgica
Depressão = deficiência de serotonina (5-HT), noradrenalina (NA) e/ou dopamina (DA) na fenda sináptica. Antidepressivos aumentam a disponibilidade desses neurotransmissores. Latência de 2-4 semanas (neuroplasticidade, não só recaptação).
1. ISRS — Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (1ª LINHA!)
• Mecanismo: bloqueiam transportador SERT → ↑5-HT na fenda sináptica
• Fármacos: fluoxetina (t½ longa ~6 dias, inibe CYP2D6), sertralina (mais usada), paroxetina (mais anticolinérgico, mais descontinuação), citalopram, escitalopram (mais seletivo)
• Efeitos adversos: náusea/diarreia (5-HT3 no TGI), insônia OU sonolência, disfunção sexual (↓libido, anorgasmia), ganho de peso (crônico), síndrome de descontinuação (tontura, parestesias, "brain zaps")
• Latência: 2-4 semanas para efeito antidepressivo pleno
• ⚠️ CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA: ISRS + IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) = SÍNDROME SEROTONINÉRGICA! (hipertermia, agitação, mioclonia, diarreia, coma). Washout: 2 semanas (5 semanas se fluoxetina)
2. IRSN — Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina
• Mecanismo: bloqueiam SERT + NET → ↑5-HT + ↑NA (dupla ação)
• Fármacos: venlafaxina (dose baixa=ISRS, dose alta=IRSN), duloxetina (também dor neuropática e fibromialgia), desvenlafaxina
• Vantagem: útil em depressão + dor, depressão + fadiga/anedonia
• Efeitos adversos: similar ISRS + hipertensão (NA!), sudorese, boca seca
3. Tricíclicos (ADT) — 2ª/3ª linha
• Mecanismo: bloqueiam recaptação 5-HT + NA (NÃO seletivos!) + bloqueio M (anticolinérgico) + bloqueio H1 (sedação) + bloqueio α1 (hipotensão) + bloqueio canal Na⁺ (cardiotoxicidade)
• Fármacos: amitriptilina (mais sedativo, dor neuropática), nortriptilina (menos efeitos), imipramina (enurese noturna), clomipramina (mais serotoninérgico, TOC)
• Efeitos adversos: "SUJO" — anticolinérgicos (boca seca, constipação, retenção urinária, visão turva), sedação, hipotensão ortostática, ganho de peso, CARDIOTOXICIDADE (alargamento QRS, arritmia)
• ⚠️ DICA DE PROVA: Janela terapêutica ESTREITA. Risco em overdose (suicídio!) → arritmia cardíaca fatal. Por isso ISRS é 1ª linha (mais seguro)
4. IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) — Inibidores da Monoamina Oxidase
• Mecanismo: inibem MAO-A (degrada 5-HT e NA) e/ou MAO-B (degrada DA) → ↑todas monoaminas
• Fármacos: tranilcipromina (único no Brasil, irreversível), fenelzina, selegilina (MAO-B seletivo, usado em Parkinson)
• ⚠️ CRISE TIRAMÍNICA ("Reação do Queijo"): tiramina em alimentos (queijo curado, vinho tinto, embutidos, cerveja) + IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) → tiramina NÃO é degradada → ↑↑NA → CRISE HIPERTENSIVA GRAVE → risco AVC (Acidente Vascular Cerebral)
• Contraindicações: ISRS/IRSN (síndrome serotoninérgica), simpaticomiméticos, alimentos com tiramina, meperidina
5. Atípicos/Outros
• Bupropiona: inibe recaptação NA+DA (IRND). SEM disfunção sexual! Auxilia cessação do tabagismo. ⚠️ Risco: convulsão (não usar em epilépticos)
• Mirtazapina: antagonista α2 pré-sináptico (↑NA+5-HT) + anti-H1 → sedação + ↑apetite/peso. Boa para depressão com insônia e inapetência
• Trazodona: antagonista 5-HT2 + fraco inibidor recaptação 5-HT. Sedação forte (usado como hipnótico). ⚠️ Priapismo (raro)
• Vortioxetina: multimodal (ISRS + agonista 5-HT1A + antagonista 5-HT3). Melhora cognição
📋 TABELA COMPARATIVA — Quando usar cada classe?
| Classe | 1ª Linha? | Vantagem | Desvantagem principal |
|---|---|---|---|
| ISRS | SIM ✅ | Seguro, bem tolerado | Disfunção sexual |
| IRSN | Sim (2ª opção) | Dor neuropática + depressão | Hipertensão |
| Tricíclico | Não | Dor neuropática, enxaqueca | Cardiotoxicidade, overdose fatal |
| IMAO | Não (última linha) | Depressão atípica refratária | Crise tiramínica, interações |
| Bupropiona | Alternativa | Sem disfunção sexual, tabagismo | Convulsão |
| Mirtazapina | Alternativa | Insônia + inapetência | Ganho de peso, sedação |
AULA 1 — 06/02 — FISIOPATOLOGIA: Lesão Celular Reversível
Conceitos Fundamentais
1️⃣ Lesão pequena → célula trabalha mal mas VIVE
2️⃣ Se a causa sai → célula se recupera (reversível!)
3️⃣ Lesão fica muito tempo → passa do ponto de não retorno
4️⃣ Morte celular → necrose (explode) ou apoptose (suicídio organizado)
Mecanismos de Lesão Reversível
1. Depleção de ATP (Adenosina Trifosfato)
2. Aumento de Cálcio Intracelular
3. Dano ao Retículo Endoplasmático
- ❌ Para de fazer proteínas
- ⚠️ Proteínas malformadas se acumulam (STRESS!)
- 💀 Se ficar ruim demais, célula ativa suicídio programado (apoptose)
4. Dano Mitocondrial
Degenerações Celulares
Degeneração Hidrópica (Edema Intracelular)
Reversível? ✅ SIM! Se tirar a causa (hipóxia, toxina, calor)
Degeneração Gordurosa (Esteatose)
Definição: Acúmulo de triglicerídeos dentro das células lipídicas
- Órgãos afetados: Fígado (mais comum), coração, rins
- Causas: Desnutrição, diabetes mellitus, álcool, hipóxia, síndrome metabólica
- Mecanismo: Aumento de ácidos graxos livres OU diminuição de oxidação/exportação
- Microscopia: Gotículas lipídicas no citoplasma (PAS negativo, Sudan Black positivo)
- Reversibilidade: Sim, com remoção da causa (exceto cirrose avançada)
Degeneração Proteica
Definição: Acúmulo anormal de proteínas estruturais ou funcionais
- Exemplos: Amiloide (amiloidose), proteína tau (Alzheimer), prion (CJD)
- Causa: Síntese aumentada ou degradação prejudicada
- Reversibilidade: Geralmente irreversível (proteína mal dobrada)
Degeneração Hialina
Definição: Acúmulo de material hialino (proteína coagulada/roseta)
- Observado em: Inflamação crônica, vasos renais (hialina vascular)
- Microscopia: Material eosinófilo (rosa) ao microscópio óptico
Fatores que Determinam Reversibilidade
Lesão por alguns minutos? Volta! Por horas? Difícil, pode não voltar.
💪 INTENSIDADE:
Pancada leve? Volta. Pancada forte? Não volta.
🧠 CADA CÉLULA É DIFERENTE:
Neurônios 🧠 vs Hepatócitos 🍗
Cérebro é chato: não gera células novas fácil, sofre muito. Fígado é demais: regenera rápido, aguenta porrada!
📊 QUANTO DA CÉLULA MORREU?
Morreu < 20%? Órgão ainda funciona (reversível).
Morreu > 80%? Falha de órgão (pode ser irreversível).
Flashcards - Lesão Reversível
Quiz - Lesão Celular Reversível
Q1: Paciente masculino, 62 anos, hipertenso e diabético, chega ao pronto-socorro com dor forte no peito há 4 horas. Exames mostram aumento de troponina no sangue e alterações no eletrocardiograma.
O que está acontecendo com as células do coração desse paciente?
Q2: Paciente com cirrose hepática avançada sofre uma infecção urinária. Por que a lesão das células do fígado nesse caso tende a ser IRREVERSÍVEL, ao contrário de um fígado saudável?
Qual fator torna o fígado cirrótico tão vulnerável?
Q3: Menina de 8 anos com desnutrição severa apresenta aumento do fígado (hepatomegalia) ao exame. A mãe relata que ela está muito "inchada". Qual tipo de degeneração celular está acontecendo?
O que o fígado dela está acumulando?
Q4: Paciente sofre infarto do miocárdio. Durante a falta de sangue no coração, qual é o PRIMEIRO mecanismo de lesão celular que ocorre?
O que falta de oxigênio faz PRIMEIRO com a célula?
Q5: Qual dessas enzimas antioxidantes é responsável por transformar o perigoso peróxido de hidrogênio (H₂O₂) em água e oxigênio?
Como a célula se protege de H₂O₂?
Q6: Durante um acidente, um mergulhador fica sem oxigênio por 10 minutos. Qual célula terá lesão MAIS rápida: neurônio cerebral ou hepatócito?
Qual órgão é mais sensível à falta de oxigênio?
Q7: Qual íon entra DESCONTROLADAMENTE na célula durante hipóxia severa e ativa "proteases assassinas" que destroem a estrutura celular?
Qual é o "botão de morte" da célula?
Q8: Um paciente alcoólatra apresenta esteatose hepática. Qual é o PRINCIPAL mecanismo de acúmulo de gordura?
Por que bebida causa fígado gorduroso?
Q9: Qual achado ao microscópio é CARACTERÍSTICO de esteatose hepática?
Como o patologista PROVA que é gordura e não outra coisa?
Q10: Paciente com infarto do miocárdio é tratado 8 horas após o início dos sintomas. Qual tipo de morte celular predomina no miocárdio?
Como o tecido cardíaco morre nesse tempo?
Q11: Qual é a diferença fundamental entre lesão REVERSÍVEL e IRREVERSÍVEL?
Qual o "ponto de não retorno" para a célula?
Q12: Uma mulher com hipertensão arterial crônica apresenta vasos sanguíneos com "hialina" (depósitos de proteína coagulada). Qual tipo de necrose é associada a isso?
O que tipo de necrose forma esses depósitos hialinos?
Q13: Qual tipo de necrose é típico de tuberculose pulmonar?
Como TB mata as células do pulmão?
Q14: Um paciente sofre traumatismo craniano severo. O cérebro lesado sofre necrose liquefativa. Por que o cérebro tem esse padrão de necrose diferente do coração?
Por que o cérebro vira "sopa" quando lesionado?
Q15: Qual tipo de necrose afeta principalmente o tecido adiposo (gordo)?
Como gordura morre?
Q16: Qual é o papel da apoptose (morte programada) nas lesões celulares?
Quando a célula escolhe morrer?
Q17: Durante isquemia reperfusão (falta de sangue seguida de volta do sangue), por que muitas células morrem DURANTE a reperfusão e não durante a isquemia?
Por que trazer oxigênio de volta mata mais células?
Q18: Um paciente com hemocromatose (excesso de ferro) tem cirrose. Qual mecanismo de lesão é ativado pelo ferro em excesso?
Como ferro causa dano celular?
Q19: Qual mecanismo de lesão reversível é responsável pela maioria dos primeiros sinais de hipóxia?
O que a falta de oxigênio faz PRIMEIRO?
Q20: Qual fator determina se uma lesão celular será reversível ou irreversível?
O que separa a célula que vive da que morre?
Questões Dissertativas - Lesão Reversível
E1: Explique os mecanismos pelos quais a depleção de ATP (Adenosina Trifosfato) mitocondrial causa edema celular.
1. Na⁺ acumula intracelularmente
2. Água segue osmoticamente o Na⁺
3. A célula incha (edema/tumefação)
4. Este processo é reversível SE a hipóxia for corrigida antes do dano mitocondrial irreversível (liberação de citocromo c)
5. Se continuar, Ca²⁺ entra → ativa proteases → lesão irreversível
E2: Por que o fígado é mais reversível para lesões celulares que o cérebro?
2. Metabolismo: Hepatócitos têm metabolismo robusto e grande número de mitocôndrias. Neurônios dependem criticamente de ATP e oxigênio.
3. Plasticidade: O fígado tolera lesão de até ~80% e ainda mantém função. O cérebro perde função rapidamente com lesão (tempo é cérebro).
4. Estoque energético: Hepatócitos têm estoques maiores de glicogênio. Neurônios dependem de glicose contínua da circulação.
E3: Descreva os tipos de degenerações celulares reversíveis e suas características histológicas.
- Acúmulo de água e eletrólitos
- Microscopia: Citoplasma claro, pálido, inchado; núcleo deslocado
- Causa: Hipóxia, toxinas, IC
- Reversível com tratamento da causa
2. Degeneração Gordurosa (Esteatose):
- Acúmulo de triglicerídeos
- Órgão: Fígado > coração > rins
- Microscopia: Gotículas lipídicas PAS-negativas; Sudan Black+ (lipídios)
- Causa: Álcool, desnutrição, diabetes, hipóxia
- Reversível (até certo ponto)
3. Degeneração Proteica:
- Acúmulo de proteínas estruturais anormais (amiloide, tau, prion)
- Microscopia: Agregados protéicos, muitas vezes eosinófilos
- Causa: Síntese aumentada ou degradação reduzida
- Geralmente irreversível
4. Degeneração Hialina:
- Acúmulo de material hialino (proteína coagulada)
- Microscopia: Material eosinófilo (rosa); pode formar rosetas
- Observado em: Inflamação crônica, vascular hialino
- Relacionada à hipertensão crônica
AULA 2 — 10/02 — FARMACOLOGIA: Conceitos Gerais + Formas Farmacêuticas
Definições Fundamentais
Diferenças importantes que muitos estudantes confundem:
- Fármaco: Substância química pura com ação biológica conhecida (ex: metoprolol, paracetamol)
- Droga: Qualquer substância que afeta processos biológicos (mais genérico, pode incluir drogas ilícitas)
- Medicamento: Fármaco + excipientes + forma farmacêutica = produto pronto para uso (ex: comprimido de paracetamol 500mg)
- Remédio: Medicamento indicado para tratar doença específica (ex: paracetamol para febre)
Farmacologia vs Farmacoterapia
- Farmacologia: Ciência que estuda efeitos de fármacos no corpo (farmacocinética + farmacodinâmica)
- Farmacoterapia: Arte de usar fármacos para tratar doenças (aplicação clínica da farmacologia)
Formas Farmacêuticas
Formas Sólidas
- Comprimido: Pó comprimido + aglutinante; absorção via VO (Via Oral); fácil transporte; liberação imediata ou modificada
- Cápsula: Pó/grânulos em cápsula gelatina; absorção via VO (Via Oral); mascara sabor; liberação prolongada possível
- Pó: Não comprimido; dissolve em água; absorção variável
- Drágea: Comprimido revestido com açúcar/polímero; melhora sabor; proteção gástrica
- Granulado: Partículas pequenas; absorção rápida; pode ser de liberação prolongada
Formas Líquidas
- Solução: Fármaco dissolvido em veículo; absorção rápida; facilita ajuste dose
- Suspensão: Partículas sólidas em líquido; agitar antes de usar; absorção variável
- Xarope: Solução com açúcar; sabor agradável; via oral; típico para crianças
- Elixir: Solução alcoólica; sabor melhorado; absorção rápida
- Injeção (IV/IM (Intramuscular)/SC (Subcutâneo)): Solução estéril; absorção imediata (IV) ou gradual (IM (Intramuscular)/SC (Subcutâneo))
Formas Semissólidas
- Pomada/Creme: Via tópica cutânea; absorção local/sistêmica variável
- Gel: Consistência gelatinosa; penetração melhorada; via tópica
- Supositório: Via retal; primeira passagem parcialmente evitada (~50% sistêmica direta)
- Óvulo: Via vaginal; absorção local/sistêmica
Formas Especiais
- Adesivo (Patch) transdérmico: Via percutânea; liberação prolongada; níveis plasmáticos estáveis (ex: nitroglicerina, estradiol)
- Inalação/Aerossol: Via pulmonar; absorção rápida; grande superfície; uso local (asma) e sistêmico
- Gotas oftalmológicas: Via ocular; absorção limitada; efeito local + sistêmico
- Nanofármaco: Nanopartículas; penetração celular melhorada; liberação controlada (futuro)
- Lipossomos: Vesículas lipídicas; proteção de fármaco; direcionamento a células alvo
Vias de Administração
Via Oral (VO)
- Vantagem: Segura, conveniente, não invasiva, paciente autonomia
- Desvantagem: Metabolismo de primeira passagem hepática, absorção variável com alimento, vômito/refluxo
- Biodisponibilidade: 5-90% (depende do fármaco e primeira passagem)
- Tempo de ação: 30-120 minutos (depende de absorção e distribuição)
- Exemplos: Paracetamol, metoprolol, antibióticos
Vias Parenterais
Intravenosa (IV):
- Absorção: 100% instantânea
- Biodisponibilidade: 100%
- Tempo de ação: Segundos a minutos
- Vantagem: Efeito rápido, dose precisa, ideal para emergência
- Desvantagem: Risco de infecção, tromboflebite, reação anafilática rápida
Intramuscular (IM):
- Absorção: Variável (depende lipossolubilidade)
- Biodisponibilidade: 70-100% (evita primeira passagem)
- Tempo de ação: 10-30 minutos
- Vantagem: Absorção previsível, evita primeira passagem, pode ser depot (liberação longa)
- Desvantagem: Dor no local, hematoma, necrose se mal aplicada
Subcutânea (SC):
- Absorção: Lenta e gradual
- Biodisponibilidade: 70-90%
- Tempo de ação: 30-60 minutos
- Vantagem: Segura, ambulatorial, menos dor que IM
- Desvantagem: Absorção lenta, volume limitado, irritação local
Outras Vias
- Tópica: Pele ou mucosa; efeito local e sistêmico variável; absorção lenta
- Inalatória: Pulmões; absorção rápida, grande superfície; ideal para broncodilatadores
- Oftalmológica: Olho; efeito local; absorção sistêmica rápida via nasofaringe
- Otológica: Ouvido; efeito local
- Retal: Evita ~50% de primeira passagem; absorção variável
- Sublingual: Mucosa bucal; evita completa primeira passagem (ex: nitroglicerina)
Biodisponibilidade
Definição: Fração do fármaco administrado que atinge circulação sistêmica em forma ativa
Cálculo: F = (AUC oral × Dose IV) / (AUC IV × Dose oral)
- Via IV: F = 100% (definição padrão)
- Via VO (Via Oral): F = 5-90% (afetado por absorção e primeira passagem)
- Via IM (Intramuscular)/SC (Subcutâneo): F = 70-100% (melhor que VO (Via Oral), evita primeira passagem)
- Fármacos com baixa F oral: Nitroglicerina, propranolol (primeira passagem extensa) → preferir IV/SL
- Fármacos com alta F oral: Paracetamol, antibióticos → seguro via VO (Via Oral)
Flashcards - Conceitos Farmacologia
Quiz - Conceitos Farmacologia
Q1: Uma criança de 4 anos com febre alta (39.5°C) não consegue engolir comprimido. A mãe quer saber qual forma farmacêutica seria ideal.
Qual forma farmacêutica é MAIS apropriada para esta criança?
Q2: Um idoso com dificuldade de deglutição recebeu prescrição de enalapril 10 mg comprimido. Ele não consegue engolir sem risco de engasgo.
O que pode ser feito para garantir que o medicamento seja absorvido completamente?
Q3: Uma paciente com enxaqueca severa está vomitando. Seu marido quer dar um comprimido de analgésico via oral.
Por que via oral é CONTRAINDICADA neste momento?
Q4: Um paciente diabético toma metformina 500 mg comprimido 2x/dia. Seu médico disse que meia-vida dela é ~6 horas e biodisponibilidade oral é ~50%.
O que NÃO é afetado pela biodisponibilidade de 50%?
Q5: Um paciente com angina pectoris aguda está com dor no peito. Seu prescritor forneceu nitroglicerina em duas formas: tablets sublinguais e cápsulas orais idênticas.
Por que sublingual é SUPERIOR a oral nesta emergência?
Q6: Um farmacêutico vê um cliente comprando uma suspensão de amoxicilina infantil. O cliente pergunta se precisa agitar.
Qual é a razão científica para SEMPRE agitar suspensões?
Q7: Um paciente precisa tomar insulina. Seu médico ofereceu duas opções: injeção subcutânea (SC) 2x/dia ou tablet oral.
Por que insulina NUNCA pode ser oral?
Q8: Um paciente com insônia recebe prescrição de um benzodiazepínico de meia-vida longa. Seu médico o avisou: 'Nunca quebrar ou pulverizar este comprimido de liberação prolongada!'
Por que quebrar/pulverizar uma forma de liberação prolongada é PERIGOSO?
Q9: Um paciente toma dipirona 500 mg oral para dor. A biodisponibilidade é ~85%. Qual interpretação está CORRETA?
O que significa F = 85%?
Q10: Uma mulher menopáusica recebe prescrição de reposição hormonal com estradiol. Seu médico ofereceu: oral (100 mcg/dia) ou adesivo transdérmico (1 patch = 50 mcg/dia).
Por que a dose do adesivo é MENOR que oral, mas funciona igual?
Q11: Uma criança recebeu prescrição de um comprimido revestido com açúcar (drágea) para bronquite.
Qual é a vantagem principal dessa forma farmacêutica para CRIANÇAS?
Q12: Um paciente recebe metoprolol via intravenosa (IV) em emergência cardíaca. Seu médico disse: 'Biodisponibilidade é 100%, por isso funciona agora.'
Por que IV tem biodisponibilidade de 100% por DEFINIÇÃO?
Q13: Um paciente com gastrite severa precisa de alívio rápido de dor. Seu médico ofereceu: comprimido de paracetamol oral, injeção IM, ou supositório.
Por que o supositório é uma boa alternativa neste caso?
Q14: Uma paciente asthmatic usa salbutamol. Seu médico explicou: 'Via inalada é 10x melhor que oral. Mesma dose inalada = melhor efeito que dose 10x maior por oral.'
Por que inalação é superior em asma?
Q15: Um paciente toma cápsula de amoxicilina. O farmacêutico avisa: 'Não esfregue na água ou ácido. Engula inteira.'
Por que cápsulas de antibiótico não devem ser abertas?
Q16: Um paciente tem que tomar warfarina (anticoagulante) com 'janela terapêutica estreita'. Seu INR (nível de anticoagulação) precisa ser monitorado regularmente.
O que significa 'janela terapêutica estreita'?
Q17: Um diabético recebe prescrição de metformina XR (extended-release) uma vez ao anoite antes de dormir. Seu médico explicou: 'À noite porque libera lentamente, controlando glicose while you sleep.'
Qual conceito farmacológico EXPLICA por que ER è melhor que imediata para diabetes?
Q18: Uma idosa recebe prescrição de vitamina B12. Seu médico ofereceu: tablet oral, injeção IM, ou tablet sublingual.
Por que B12 sublingual pode funcionar melhor que oral em alguns pacientes?
Q19: Um paciente recebe prescrição de um comprimido solúvel/efervescente de vitamina C. Instruções dizem: 'Dissolver em água antes de beber.'
Qual é o PRINCIPAL benefício farmacológico de dissolver antes de tomar?
Q20: Um paciente recebe 'dose de ataque' (loading dose) de digoxina 1.5 mg IV seguida de 'dose de manutenção' (maintenance dose) de 0.25 mg/dia via oral. Seu médico explicou: 'Ataque para emergência, depois manutenção.'
Qual é a RAZÃO científica para essa estratégia em 2 fases?
AULA 3 — 11/02 — FARMACOLOGIA: Farmacocinética (ADME) + Absorção
O que é Farmacocinética (ADME)?
ADME = Absorção → Distribuição → Metabolização → Excreção
Estuda o que o corpo FAZ ao fármaco (caminho do fármaco desde administração até eliminação)
Diferente de Farmacodinâmica, que estuda o que o fármaco FAZ ao corpo (efeitos biológicos)
ABSORÇÃO - Primeira Etapa (A)
Mecanismos de Absorção
1. Difusão Passiva
- Definição: Movimento de moléculas segundo gradiente de concentração
- Dependência: NÃO requer energia ATP (Adenosina Trifosfato)
- Requisitos: Alto gradiente de concentração (TGI > sangue) + lipossolubilidade alta
- Velocidade: Proporcional à diferença de concentração
- Exemplos: Álcool, lidocaína, anesté locals
2. Difusão Facilitada
- Definição: Passagem através de canais/proteínas transportadoras
- Dependência: NÃO requer ATP (Adenosina Trifosfato)
- Seletividade: Proteína de transporte é seletiva (específica para certos compostos)
- Característica: Saturável (quando todos os transportadores estão ocupados, velocidade máxima)
- Exemplos: Glicose (SGLT1), vitaminas B12
3. Transporte Ativo
- Definição: Transporte CONTRA gradiente de concentração
- Dependência: REQUER energia ATP (Adenosina Trifosfato)
- Importância: Permite absorção mesmo com concentração baixa
- Exemplos: Alguns aminoácidos, íons
4. Endocitose
- Definição: Internalização de partículas maiores/complexas por invaginação de membrana
- Uso clínico: Nanopartículas, lipídios complexos
- Exemplos: Lipossomos, nanofármacos
Fatores que Afetam Absorção
1. Lipossolubilidade (Lipophilicity)
- Importância: MAIOR fator que determina absorção (especialmente difusão passiva)
- Muito lipofílico: Absorção excelente; distribuição ampla em tecidos gordurosos; eliminação lenta
- Muito hidrofílico: Absorção reduzida; distribuição limitada ao plasma; eliminação renal rápida
- Ótimo: Balanço entre lipossolubilidade (para absorção) e hidrossolubilidade (para excreção)
- Medida: Coeficiente de partição óleo-água (Kow)
2. Ionização (pH-Dependência)
- Princípio: Moléculas ionizadas (carregadas) = baixa permeabilidade de membrana
- Moléculas não-ionizadas: Alta permeabilidade (lipossolúveis)
- Regra de pH: Ácidos fracos absorvem melhor em pH BAIXO (protonados); bases fracas em pH ALTO
- Equação Henderson-Hasselbalch: pH = pKa + log([A-]/[HA]) → prediz ionização em dado pH
- Exemplo prático: Aspirina (ácido fraco, pKa=3.5) absorve melhor em ESTÔMAGO (pH 1-2)
3. pH do Trato Gastrointestinal
- Estômago: pH 1-2 (muito ácido) - favorece ácidos fracos
- Intestino delgado (duodeno): pH 6-7 (neutro) - favorece bases fracas
- Decisão de absorção: Intestino > estômago (maior área de absorção = vilosidades)
- Vômito/refluxo: Reduz tempo no estômago → absorção reduzida para ácidos fracos
4. Superfície de Absorção
- Estômago: Pequena área, absorção mínima
- Intestino delgado: MAIOR ÁREA (vilosidades + microvilosidades) = ~200-400 m² → local principal de absorção
- Colon: Menor área, absorção reduzida mas possível
- Consequência: Fármacos que passam rápido pelo estômago (< pH crítico) podem ter absorção reduzida
5. Fluxo Sanguíneo
- Mecanismo: Maior fluxo sanguíneo → maior gradiente de concentração (sangue remove fármaco absorvido)
- Resultado: Taxa de absorção aumenta proporcionalmente ao fluxo
- Órgãos bem vascularizados: Intestino (absorção rápida), pulmão (absorção rápida se inalado)
6. Motilidade Gastrointestinal
- Aumentada por: Refeição gordurosa, movimento, estimulantes
- Diminuída por: Stress, alguns fármacos (anticolinérgicos, opioides)
- Efeito: Motilidade ↑ = tempo de contato reduzido = absorção pode reduzir
- Prática clínica: Tomar fármaco com/sem comida afeta absorção (ex: certos antibióticos)
7. Alimento no Estômago
- Efeito: VARIÁVEL dependendo do fármaco
- Aumenta absorção de: Fármacos lipofílicos (gordura aumenta absorção), ciclosporina
- Diminui absorção de: Alguns antibióticos (tetraciclina, fluoroquinolonas se Ca²⁺, Mg²⁺, Fe³⁺ presentes)
- Prática: Ler bula: "tomar com alimento" vs. "tomar em estômago vazio"
8. Barreira Epitelial e Transportadores de Efluxo
- P-glicoproteína (MDR1): Transportador que EXPULSA fármacos (bomba de efluxo)
- Efeito: Reduz absorção de certos fármacos (ex: loperamida, alguns estatinas)
- Inibição: Certos fármacos inibem P-gp → aumentam absorção de outros (interação!)
Curva Concentração-Tempo (Farmacocinética Gráfica)
Três Fases Típicas:
- Fase de Absorção: Concentração plasmática ↑ (absorção > eliminação); curva sobe
- Fase de Distribuição: Concentração ↓ lentamente (absorção = eliminação); fármaco sai do plasma para tecidos
- Fase de Eliminação: Concentração ↓ linearmente em escala semilog (absorção negligenciável); depuração renal/metabólica
Cmax (Concentração Máxima):
- Definição: Pico de concentração plasmática atingido
- Relação com efeito: Maior Cmax = maior efeito farmacológico (até certo ponto)
- Relação com toxicidade: Muito alto = toxicidade (concentração tóxica mínima CTM)
- Importância clínica: Ajuste de dose visa manter Cmax no range terapêutico
Tmax (Tempo para Cmax):
- Definição: Tempo necessário para atingir concentração máxima após administração
- Dependência: Via de administração
- Valores típicos:
- IV: Tmax = 0 (instantâneo)
- VO: Tmax = 1-3 horas (depende absorção, motilidade GI)
- IM: Tmax = 10-60 minutos
- Transdérmico: Tmax = 12-24 horas
AUC (Area Under Curve):
- Definição: Área sob a curva concentração-tempo
- Significado: Representa EXPOSIÇÃO TOTAL do fármaco (integral de concentração × tempo)
- Unidade: mg·h/L ou equivalente
- Uso: Cálculo de biodisponibilidade: F = (AUC_oral × Dose_IV) / (AUC_IV × Dose_oral)
Janela Terapêutica e Biodisponibilidade
Questões de Prática
Q1: Um paciente toma aspirina (ácido fraco, pKa=3,5) com água no estômago (pH 1-2).
Em qual situação o remédio será melhor absorvido?
Q2: Uma mulher toma um medicamento por via sublingual (debaixo da língua).
Por que essa via evita o efeito de primeira passagem?
Q3: Um homem toma um remédio por via oral. 100 mg chega ao intestino, mas só 30 mg consegue chegar à circulação sistêmica.
Qual é a biodisponibilidade desse remédio?
Q4: Uma criança toma um medicamento. O fígado destrói 60% do remédio antes dele chegar ao sangue.
Esse efeito é chamado de quê?
Q5: Um paciente com refluxo ácido toma omeprazol (que reduz o ácido do estômago).
Como isso afeta a absorção de medicamentos ácidos fracos?
Q6: Uma pessoa tem uma lesão no intestino delgado que reduz a área de absorção.
O que acontece com a absorção de remédios?
Q7: Uma mulher toma um remédio com alimento gorduroso (feijão com óleo).
Como o alimento gorduroso afeta um remédio lipofílico?
Q8: Um homem toma um medicamento que precisa de transportadores de membrana para entrar nas células.
Qual mecanismo de transporte está acontecendo?
Q9: Um medicamento é muito hidrofílico (carregado de água, não dissolve em gordura).
Como isso afeta a absorção?
Q10: Um paciente toma um remédio de liberação prolongada (que solta o medicamento devagar).
Qual é a vantagem dessa formulação?
Q11: Uma pessoa toma um remédio e a motilidade intestinal aumenta muito (diarreia).
O que acontece com a absorção?
Q12: Um paciente recebe uma injeção sublingual de um medicamento.
Por que a absorção é rápida nessa via?
Q13: Um medicamento tem coeficiente de partição óleo-água (Kow) muito alto.
O que isso significa?
Q14: Um paciente tem achlorhydria (não produz ácido no estômago).
Como isso afeta a absorção de um ácido fraco?
Q15: Um remédio precisa usar uma proteína transportadora específica para entrar na célula.
Se o número dessas proteínas é limitado, qual problema pode ocorrer?
Q16: Um medicamento é muito lipofílico e depois de absorvido vai todo para o tecido gorduroso.
Como isso afeta a quantidade que chega ao sangue?
Q17: Um paciente com baixo fluxo sanguíneo intestinal (choque) toma um remédio.
Como o fluxo afeta a absorção?
Q18: Um medicamento pode ser absorvido por endocitose (célula engole a partícula).
Qual tipo de molécula geralmente usa esse mecanismo?
Q19: Um paciente toma um remédio de forma sublingual para uma doença cardíaca (por exemplo, nitroglicerina).
Qual é a grande vantagem dessa via?
Q20: Um medicamento tem pH crítico: absorve bem em pH < 3, mas ioniza e não absorve em pH > 6.
Qual é a melhor hora de tomar esse remédio?
Janela Terapêutica (Therapeutic Window):
- Definição: Range de concentração plasmática entre CME (concentração mínima eficaz) e CTM (concentração tóxica mínima)
- Fármacos com janela ESTREITA: Requerem monitoramento plasma (digoxina, varfarina, teofilina, lítio, fenitoína)
- Fármacos com janela AMPLA: Margem de segurança maior (paracetamol, penicilinas)
- Prática clínica: Fármacos com janela estreita = risco de sub/superdosagem
Biodisponibilidade Relativa (F relativa):
- Definição: Comparação de biodisponibilidade entre duas formulações VO (Via Oral) de mesmo fármaco
- Importância: Diferentes formas farmacêuticas podem ter F diferentes (ex: comprimido vs. cápsula)
- Bioequivalência: Dois produtos são bioequivalentes se 80-125% de F relativa
Flashcards - ADME Absorção
Quiz - Absorção ADME
Questões Dissertativas
E1: Explique a equação Henderson-Hasselbalch e como ela prediz absorção de ácidos fracos vs. bases fracas.
Interpretação:
- Quando pH = pKa: 50% ionizado, 50% não-ionizado
- Quando pH < pKa: Prevalece forma não-ionizada (HA) → lipofílica → absorve bem
- Quando pH > pKa: Prevalece forma ionizada (A-) → hidrofílica → não absorve bem
Para ÁCIDOS FRACOS (pKa 2-8):
- Melhor absorção em pH BAIXO (estômago pH 1-2)
- Em pH alto (intestino 6-7) → ionizados → não absorvem
- Exemplo: Aspirina (pKa=3.5) absorve excelente em estômago (pH<
Para BASES FRACAS (pKa 8-10):
- Melhor absorção em pH ALTO (intestino pH 6-7)
- Em pH baixo (estômago) → ionizadas → não absorvem
- Exemplo: Metanfetamina (pKa=9.7) absorve melhor em intestino alcalino
Consequência clínica: Modificar pH gastrointestinal afeta absorção!
E2: Diferencie as fases de uma curva concentração-tempo e seu significado clínico.
- Curva sobe (concentração ↑)
- Absorção > Eliminação
- Fármaco sai do TGI → sangue
- Dura ~30-120 min (VO)
- Significado: Início do efeito farmacológico
Fase 2 - DISTRIBUIÇÃO:
- Curva continua subindo mas mais lentamente
- Absorção = Eliminação (aproximadamente)
- Fármaco sai do plasma → tecidos
- Significado: Pico de concentração plasmática (Cmax) no final desta fase
Fase 3 - ELIMINAÇÃO (Pseudo-primeira ordem):
- Curva desce linearmente em escala semilog
- Absorção negligenciável
- Eliminação por metabolismo e excreção renal
- Segue cinética de primeira ordem: Concentração reduz ~50% a cada meia-vida
- Significado clínico: Determina intervalo de dosagem (a cada meia-vida toma nova dose)
Importância clínica: Saber em qual fase está ajuda a entender se fármaco foi absorvido, distribuído, ou está sendo eliminado.
AULA 4 — 24/02 — FARMACOLOGIA: Distribuição + Metabolização (CYP450)
DISTRIBUIÇÃO (D) - Segunda Etapa ADME
Processo de disseminação do fármaco absorvido para diversos compartimentos corporais
Volume de Distribuição (Vd)
Definição: Volume teórico em que o fármaco se distribui para manter concentração plasmática observada
Fórmula: Vd = Dose / Concentração plasmática inicial
- Vd PEQUENO (< 0.5 L/kg): Fármaco fica principalmente no intravascular (plasma). Moléculas hidrofílicas ou muito polares (ex: heparina). Distribuição limitada.
- Vd MÉDIO (0.5-1 L/kg): Distribuição em fluido intersticial + plasma
- Vd GRANDE (1-3+ L/kg): Fármaco distribui-se amplamente em tecidos, especialmente adiposo e intracelular. Moléculas lipofílicas (ex: cloroquina, amiodarona). Podem acumular em tecidos!
- Vd MUITO GRANDE (> 5 L/kg): Distribuição extensa; pode exceder peso corporal (redistribuição de plasma para tecidos)
Significado Clínico:
- Vd pequeno: Fármaco concentrado no plasma → efeito potente, T1/2 curta
- Vd grande: Fármaco diluído em tecidos → efeito menos potente por mg, T1/2 longa, acúmulo possível
- Exemplo: Digoxina tem Vd = 7 L/kg (muito grande); acumula em tecidos cardíacos → risco de toxicidade
Ligação a Proteínas Plasmáticas
• Albumina = adora ácidos fracos (Aspirina, Varfarina)
• Alfa-1-glicoproteína = adora bases fracas (Propranolol)
• Outras = globulinas, lipoproteínas
🔑 CONCEITO CRÍTICO:
Remédio LIGADO à proteína = INATIVO (pendurado não funciona!)
Remédio LIVRE = ATIVO (trabalha!)
⚠️ PROBLEMA REAL:
Se você mede concentração TOTAL (ligado + livre), tá mentindo! O remédio ativo é só a fração livre!
Exemplo: Varfarina = 99% ligada = só 1% é o remédio de verdade!
🚫 Distribuição reduzida → Remédio pendurado não sai da veia → não chega nos tecidos
⏳ Meia-vida prolongada → Remédio ligado não é eliminado rápido → fica no corpo MUITO tempo
⚠️ INTERAÇÕES PERIGOSAS! → Dois remédios competem pelo mesmo sítio de ligação!
Exemplo real: Varfarina (anticoagulante 99% ligada) + AINE (tipo Ibuprofeno)
O AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal) desloca a Varfarina → de repente MUITO anticoagulante livre → SANGRAMENTO (nariz, gengiva, etc)!
Barreiras Anatômicas
Barreira Hematoencefálica (BHE)
- Estrutura: Tight junctions entre células endoteliais cerebrais; membrana basal
- Função: Protege SNC (Sistema Nervoso Central) de toxinas/patógenos
- Requisitos para atravessar: Alta lipossolubilidade OU transportador específico
- Consequência: Fármacos hidrofílicos NÃO agem no SNC (ex: mannitol - hiperosmótico periférico)
- Exemplos de "bons penetradores BHE (Barreira Hematoencefálica)": Anestésicos (lipofílicos), certos antibióticos (fluoroquinolonas)
- Patológico: Em meningite/inflamação, BHE (Barreira Hematoencefálica) fica "leaky" (permeável) → melhor penetração de antibióticos
• Talidomida (antibiótico antigo) = sem braços/pernas!
• ACE-inibidores no 2º/3º trimestre = problema renal fetal
• Isotretinoína (acne) = múltiplas malformações
REGRA: Gravidez 1º trimestre = máxima cautela! Apenas remédios realmente necessários!
Barreira Hematotesticular
- Função: Protege espermatogênese
- Relevância: Infecções testiculares podem ser refratárias a antibióticos mal distribuidos
METABOLIZAÇÃO (M) - Terceira Etapa ADME
Propósito da Metabolização
⬇️ FÍGADO TRABALHA
Remédio TRANSFORMADO (hidrofílico = aquoso) → sai na urina fácil!
Mas ⚠️: Às vezes o fígado FAZ UM METABOLITO TÓXICO! (tipo produz veneno!)
Fases de Metabolização
O que faz: "Abre" ou "modifica" o remédio = adiciona uns grupos polares para deixar pronto pra próxima fase.
Mecanismos:
• Oxidação (tira elétron)
• Redução (adiciona elétron)
• Hidrólise (quebra química)
⚠️ PROBLEMA: Às vezes CRIA metabolito TÓXICO (pior que o remédio original!).
Exemplo: Paracetamol → CYP450 → metabolito tóxico (por isso não pode tomar demais!)
🧬 POLIMORFISMO GENÉTICO: Você herda genes diferentes do CYP450 → algumas pessoas processam remédio RÁPIDO (metabolizadores rápidos), outras LENTO (lentos) → efeito diferente com mesma dose!
Pega o remédio da Fase I e cola "arandelas" que deixam MUITO aquoso = sai na urina 100%!
Principais reações:
• Glicuronidação (70% dos remédios!) = cola açúcar (glicurônico)
• Sulfatação = cola enxofre
• Acetilação = cola acetila
Resultado: Remédio SUPER hidrofílico = sai na urina MUITO rápido!
FASE III - Transportadores de Efluxo
- Proteína principal: P-glicoproteína (MDR1, ABCB1)
- Função: Transporta fármaco/metabólito para FORA da célula
- Localização: Intestino (reduz absorção), fígado (facilita excreção), rins (aumenta secreção)
- Efeito: Reduz biodisponibilidade, aumenta clearance
Citocromo P450 (CYP450) - CRÍTICO PARA PROVA!
O que precisa: NADPH + Oxigênio (tipo combustível)
O que faz: Oxida, reduz, ou quebra remédios = Fase I da metabolização!
IMPORTANTE: Tem + 50 tipos! Cada um metaboliza remédios DIFERENTES!
Principais isoenzimas e seus fármacos:
| Isoenzima | % Fármacos Metabolizados | Exemplos de Fármacos | Potencial de Interação |
|---|---|---|---|
| CYP3A4 | ~50% | Estatinas (sinvastatina), CCB (diltiazem, verapamil), ciclosporina, tacrolimo, antiretrovirais | MUITO ALTO - maior enzima |
| CYP2D6 | ~25% | Antidepressivos (fluoxetina, paroxetina), antipsicóticos, antiarrítmicos (metoprolol, propranolol), tramadol | MUITO ALTO - polimorfismo genético |
| CYP2C19 | ~10% | Omeprazol, clopidogrel (prodrug!), fluoxetina, escitalopram, imipramina | ALTO |
| CYP2C9 | ~10% | Varfarina (anticoagulante!), AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais), sulfoniluréias, fenitoína | ALTO |
| CYP2B6 | ~5% | Bupropiona, efavirenz, isoflurano | Moderado |
| CYP2E1 | ~5% | Etanol, acetaminofeno (paracetamol), isoniazida | Moderado |
INIBIDORES CYP450 (↓ metabolismo = ↑ toxicidade):
- CYP3A4 INIBIDORES:
- Fortes: Cetoconazol, itraconazol, ritonavir, claritromicina
- Moderados: Diltiazem, verapamil, fluconazol, eritromicina
- Efeito: ↑ sinvastatina (↑ rabdomiolise), ↑ ciclosporina (↑ nefrotoxicidade) - CYP2D6 INIBIDORES:
- Fluoxetina, paroxetina, bupropiona
- Efeito: ↑ metoprolol (↑ bradicardia), ↑ tramadol (↑ efeitos) - CYP2C19 INIBIDORES:
- Fluoxetina, fluvoxamina, omeprazol
- Efeito: ↑ clopidogrel - PROBLEMA! Omeprazol reduz eficácia de clopidogrel (pró-fármaco inativo sem metabolização) - CYP2C9 INIBIDORES:
- Fluconazol, metronidazol, amiodarona, AINEs
- Efeito: ↑ varfarina (↑ INR (Razão Normalizada Internacional) = sangramento!) - ÁLCOOL (agudo): Inibe CYP450 (não crônico)
INDUTORES CYP450 (↑ metabolismo = ↓ eficácia):
- INDUTORES POTENTES:
- Rifampicina (TBC): indutor de CYP3A4, CYP2C19, CYP2D6, etc
- Carbamazepina (anticonvulsivo)
- Fenitoína (anticonvulsivo)
- Fenobarbitais (barbiturato)
- Efeito: ↓ varfarina (↓ INR (Razão Normalizada Internacional) = trombose!), ↓ contraceptivos orais (gravidez!), ↓ ciclosporina (rejeição!) - INDUTORES MODERADOS:
- Rifabutina
- Bosceprevir
- Nafcilina - INDUTORES LEVES:
- St. John's Wort (hipericão) - fitoenergético
- Alguns antiretrovirais - ÁLCOOL (crônico): Indutor de CYP2E1 → ↑ metabolismo etanol, ↑ toxicidade de acetaminofeno
Profármacos e Metabólitos Tóxicos
Profármacos (Prodrugs):
- Definição: Fármaco INATIVO que requer metabolização hepática para se tornar ATIVO
- Vantagem: Melhor biodisponibilidade, menos efeitos colaterais pré-sistêmicos
- Desvantagem: Falha se metabolismo prejudicado (CYP insuficiente, idosos)
- Exemplos importantes:
- Clopidogrel (Plavix) → CYP2C19 → metabolito ativo (bloqueador P2Y12, antiagregante)
- Codeia → CYP2D6 → MORFINA (opioide potente) - metabolizadores lentos têm analgesia reduzida
- Enalapril (IECA) → éster → enalaprilato (IECA ativo)
- Levodopa → DOPA descarboxilase → DOPAMINA (Parkinson)
Metabólitos TÓXICOS (Ativação de Toxina):
- PARACETAMOL (Acetaminofeno):
- Metabolismo normal: Paracetamol → glicuronidação/sulfatação → excreção segura
- SUPERDOSE (> 4g/dia): Via CYP2E1 → N-acetil-p-benzoquinona imina (NAPQI) - tóxico!
- NAPQI = espécie reativa que se liga a proteínas → necrose hepática, insuficiência hepática, morte
- Tratamento: N-acetilcisteína (NAC) - doador de glutationa → neutraliza NAPQI - BENZENO:
- Metabolismo: CYP2E1 → benzeno epóxido → tóxico
- Causa: Aplasia de medula óssea, leucemia - NITROSAMINAS (food/tabaco):
- CYP450 → derivados tóxicos → mutação, cancerígeno - HALOTANO (anestésico inalado):
- CYP450 → ácido trifluoroacético → hepatotoxicidade (necrote hepática fulminante em re-exposição)
Polimorfismo Genético em CYP450
CYP2D6 - Exemplo clássico:
- Fenotipos:
- Metabolizadores ULTRA-rápidos (múltiplas cópias gênicas - raro): metabolizam muito rápido → subestimulado
- Metabolizadores RÁPIDOS (heterozigoto normal): velocidade normal
- Metabolizadores NORMAIS (homozigoto wild-type): velocidade normal
- Metabolizadores LENTOS (deficiência/mutação): ↓ metabolismo → ↑ toxicidade de profármacos
- Metabolizadores ULTRA-LENTOS (deleção completa): sem atividade - Consequência clínica: Metabolizadores lentos de CYP2D6 recebem MENOS analgesia de CODEÍNA (precisa metabolizar para ativar)
- Farmacogenômica: Testes genéticos disponíveis para prever resposta a certas drogas (ex: varfarina CYP2C9, CYP4F2)
Flashcards - Distribuição + Metabolização
Quiz - Distribuição + Metabolização
Q1: Um paciente com câncer recebe cloroquina intravenosa. Após 3 dias, o nível no sangue é muito baixo, mas a droga acumula nos pulmões e fígado. Qual conceito farmacológico explica isso?
O que melhor descreve o volume de distribuição (Vd) da cloroquina?
Q2: Uma mulher toma varfarina (anticoagulante) há 6 meses. Seu INR está bem controlado. De repente, ela começa a tomar Ibuprofeno para dor nas costas. Duas semanas depois, sangramento nasal e roxos fáceis. Qual a causa?
Como o Ibuprofeno afeta a varfarina?
Q3: Um paciente com meningite recebe Penicilina IV. O antibiótico está com boa concentração no sangue, mas a meningite piora. Exame de líquor: concentração penicilina é praticamente ZERO. Por que o antibiótico não chega no cérebro?
Qual barreira explica a baixa concentração de penicilina no cérebro?
Q4: Uma gestante no 2º trimestre de gravidez toma Enalapril (IECA) para hipertensão. Após 2 meses, ultrassom mostra problema renal no feto. Qual conceito aplicável?
Por que Enalapril é teratogênico no 2º/3º trimestre?
Q5: Um paciente com hepatite viral tem função hepática muito reduzida. Recebe Morfina para dor. Após 2 horas, fica com respiração muito lenta (6 respirações/min), confuso, quase em coma. Por que morfina ficou tão forte?
Como a insuficiência hepática afeta metabolismo de morfina?
Q6: Um paciente toma Rifampicina (para tuberculose) e Warfarina (anticoagulante). Seu INR era 3.5 (bem coagulado). Após 2 semanas de rifampicina, INR caiu para 1.2 (sangue grosso demais). Por que?
Qual mecanismo de Rifampicina causa falha de Warfarina?
Q7: Um paciente toma Cetoconazol (antifúngico IV) e Atorvastatina (para colesterol). Após 5 dias, miosites (dor muscular), fraqueza. CK sobe para 3000. Por que?
Como Cetoconazol causa toxicidade de Atorvastatina?
Q8: Um paciente com tuberculose toma Rifampicina. Toma também Paroxetina (antidepressivo = inibidor CYP2D6). Seu humor PIORA ao invés de melhorar. Por que a paroxetina deixou de funcionar?
Por que Rifampicina afeta eficácia de Paroxetina?
Q9: Um paciente com câncer recebe Clopidogrel (Plavix) após stent cardíaco. Toma também Omeprazol para gastroprotecção (úlcera). Semanas depois, infarto. Por que?
Como Omeprazol prejudica Clopidogrel?
Q10: Uma criança recebe Paracetamol para febre. Mãe pensa "se 500mg é bom, 5000mg em uma dose é 10x melhor" e dá superdose. 48h depois: icterícia, ascites, insuficiência hepática fulminante. Por que?
Qual metabólito tóxico do Paracetamol causa necrose hepática?
Q11: Um paciente com inflamação crônica recebe Fluoxetina (antidepressivo) + Metoprolol (beta-bloqueador). Após 2 semanas: bradicardia severa (40 bpm), fraqueza, tontura. Por que o metoprolol ficou tão forte?
Como Fluoxetina aumenta efeito de Metoprolol?
Q12: Um paciente com leishmaniose recebe Anfotericina B (antifúngico). Efeito colateral: nefrotoxicidade (creatinina sobe). Para proteger rim, médico prescreve Ciclosporina (imunossupressor). Semana depois: ciclosporina sobe absurdamente (concentração tóxica). Por que não diminuiu com excreção?
Como Anfotericina B afeta metabolismo de Ciclosporina?
Q13: Um paciente com epilepsia toma Fenitoína (anticonvulsivante). Seu nível sérico é terapêutico (18 μg/mL). Começa Fenobarbital (novo anticonvulsivante para melhorar). 2 semanas depois: convulsões voltam APESAR fenitoína em dose terapêutica. Por que?
Como Fenobarbital reduz efeito de Fenitoína?
Q14: Uma mulher com VIH toma Ritonavir (inibidor protease) + Etinilestradiol (pílula anticoncepcional). Apesar usar pílula "corretamente", engravida. Por que falhou o anticoncepcional?
Como Ritonavir reduz eficácia de Etinilestradiol?
Q15: Um paciente toma Codeia (opioide fraco) para tosse crônica. Apesar dose terapêutica, analgesia é péssima — tosse continua. Teste genético revela: metabolizador LENTO de CYP2D6 (mutação). Por que codeia não funciona?
Por que paciente com CYP2D6 lento não responde a Codeia?
AULA 5 — 25/02 — FARMACOLOGIA: Excreção
O que é EXCREÇÃO?
Repetindo de outro jeito: Excreção = SAÍDA do remédio do corpo. Existem diferentes portas de saída: rim (cano principal), fígado (rota de trás), pulmão (pelo ar que respira).
Excreção Renal (Principal Via - 60-80%)
O RIM é a "SAÍDA PRINCIPAL" dos remédios!
3 Maneiras do Rim Eliminar Remédios:
O que importa: Se o remédio está JUNTO COM PROTEÍNA do sangue, ele não passa (fico dentro). Se está SOLTO, passa tranquilo!
SUPER IMPORTANTE - pH da URINA: Se urina é ÁCIDA (tipo suco de limão), remédios ácidos VOLTAM para o sangue. Se urina é ALCALINA (tipo água com bicarbonato), remédios ácidos SAEM mais. É como um jogo de pH!
Alguns remédios competem por saída - 2 remédios no mesmo transportador = um interfere com outro!
REGRA DE OURO: pH da Urina e Remédios
Rim Fraco = Remédio Acumula
RESUMÃO: Rim fraco → clearance baixo → dose menor. Alguns remédios (aminoglicosídeos, vancomicina) MUITO perigosos em rim fraco.
Meia-Vida de Eliminação (t½):
- Definição: Tempo necessário para reduzir concentração plasmática em 50%
- Cálculo: t½ = 0.693 / Ke (constante de eliminação)
- Significado: Prediz intervalo de dosagem (tipicamente a cada t½)
- Exemplos:
- Paracetamol: t½ = 2-3h → tomar a cada 4-6h
- Digoxina: t½ = 36-40h → tomar 1x/dia
- Amoxicilina: t½ = 1h → tomar 3-4x/dia - Estado Estável (Steady-State):
- Atingido após ~5 meias-vidas
- Nesse ponto, absorção = eliminação
- Importância: Alguns fármacos levam dias/semanas para atingir estado estável (digoxina 7-10 dias)
Clearance (Depuração):
- Definição: Volume de sangue completamente depurado de fármaco por unidade de tempo
- Cálculo: Clearance = Vd × Ke = (Dose/AUC)
- Unidade: mL/min ou L/h
- Componentes: Clearance renal + Clearance hepático + Clearance pulmonar (etc)
- Aplicação clínica: Redução de TFG (Taxa de Filtração Glomerular) reduz clearance renal → precisa reduzir dose
Excreção Biliar/Hepática
- Importância: ~10-20% dos fármacos eliminados por essa rota
- Requisito: Fármaco deve ser polar/conjugado (glicuronidado, sulfatado) com PM > 300-400
- Mecanismo: Transportadores ativos (MDR proteins) secretam fármaco/metabólito para bílis
- Rota: Fígado → bílis → vesícula biliar → intestino → fezes (ou reabsorção-recirculação êntero-hepática)
- Significado clínico: Colestase → acúmulo de fármacos eliminados por bílis
Excreção Pulmonar
- Importância: Via principal para gases e voláteis (anestésicos inalados, CO2)
- Fármacos eliminados: Álcool, certos anesté locais voláteis
- Mecanismo: Difusão passiva no alvéolo
Excreção em Outras Vias
- Suor: Mínimo, exceto em febre intensas
- Saliva: Mínimo; importância em concentração salivar para monitoramento (lítio)
- Leite Materno: Importante para fármacos que passam (bases fracas lipofílicas) → risco fetal
- Pele (transpiração): Mínimo exceto em febre
Integração com Lesão Celular (Aula 1 Preview)
Toxicidade Hepática e Renal por Fármacos:
- Paracetamol → Necrose hepática (já discutido em Aula 4): NAPQI causa lesão irreversível ao hepatócito
- AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) → Lesão Renal Aguda:
- AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) bloqueiam COX (Ciclo-oxigenase)1/COX2 → reduz PGE2
- PGE2 normalmente dilata artéria aferente glomerular
- Sem PGE2 → vasoconstrição aferente → ↓ PAS glomerular → ↓ filtração
- Resultado: Insuficiência renal aguda, especialmente em idosos/desidratados
- Lesão: Necrose tubular aguda (NTA) - Aminoglicosídeos → Toxicidade Renal:
- Acumulam em lúmen tubular (não reabsorvido eficientemente)
- Toxina cumulativa: Risco aumenta com duração/dose
- Lesão: Necrose tubular aguda → insuficiência renal aguda
- Monitoramento: Creatinina sérica, TFG a cada 3-5 dias - Metabólitos Tóxicos (Aula 4 Preview):
- Paracetamol → NAPQI (já discutido)
- Ciclofosfamida → acroleína → cistite hemorrágica
Flashcards - Excreção
Quiz - Excreção
EXCREÇÃO RENAL BÁSICA
Um paciente toma Paracetamol (Acetaminofen) oralmente. O rim filtra a maioria dessa droga na urina. Qual é o nome do processo onde a droga passa do sangue para a urina dentro do glomérulo?
Qual é o mecanismo renal responsável por essa eliminação?
💡 Explicação simples: Filtração glomerular é o PRIMEIRO mecanismo. A droga não-ligada a proteína passa pela barreira glomerular (glomérulo filtra como peneira) → entra na urina → é eliminada. Moléculas > 60 kDa (kilodaltons) e as ligadas a albumina NÃO filtram. Paracetamol? Fármaco pequeno → filtra bem! ~50-80% da eliminação renal é via filtração.
LIGAÇÃO PROTEICA E FILTRAÇÃO
Você prescreve Varfarina (anticoagulante) para trombose. Varfarina é 99% ligada a albumina plasmática. Qual é o efeito disso na filtração glomerular?
Como a alta ligação proteica afeta a filtração renal?
💡 Explicação simples: SÓ a fração LIVRE (não-ligada) consegue passar pelo glomérulo! Se 99% está ligado a albumina GIGANTE (66 kDa), apenas 1% está solto → só 1% filtra. Albumina é tão grande que não passa pela barreira. Implicação clínica? Varfarina depende principalmente de SECREÇÃO tubular ativa para ser eliminada, não filtração!
REABSORÇÃO TUBULAR
Uma droga lipofílica é filtrada para a urina (agora no lúmen tubular proximal). Qual é o destino mais provável dela no epitélio tubular?
O que acontece com drogas lipofílicas no túbulo renal?
💡 Explicação simples: Drogas LIPOFÍLICAS E NÃO-IONIZADAS conseguem atravessar a membrana epithelial dos túbulos → são REABSORVIDAS → voltam para circulação → NÃO são eliminadas! Isso é problema! Se droga lipofílica filtra e depois reabsorve, clearance é baixo → acumula. Solução? Aumentar ionização (pH urinário) para impedir reabsorção.
pH URINÁRIO - ÁCIDOS FRACOS
Um paciente é intoxicado com ASPIRINA (ácido acetilsalicílico = ácido fraco, pKa ~3). Você quer aumentar excreção. Se a urina estiver ácida (pH 4), o que acontece?
Em urina ÁCIDA, o ácido fraco (aspirina) fica ionizado ou não-ionizado?
💡 Explicação simples: Henderson-Hasselbalch: pH ácido + ácido fraco = fica NÃO-IONIZADO (protonado). Não-ionizado? LIPOFÍLICO! Atravessa epitélio → é REABSORVIDO → volta pro sangue → permanece tóxico! É o OPOSTO do que queremos em intoxicação. Por isso em aspirina, você NÃO acidifica - você ALCALINIZA!
pH URINÁRIO - ALCALINIZAÇÃO
Continuando o caso anterior de intoxicação por aspirina: você dá BICARBONATO (NaHCO3) para ALCALINIZAR a urina (pH 8). Agora qual é o destino da aspirina?
Em urina ALCALINA (pH 8), o ácido fraco (aspirina) fica como?
💡 Explicação simples: Quando pH > pKa, ácido fraco fica IONIZADO (carregado). Moléculas carregadas NÃO conseguem atravessar epitélio lipídico → não conseguem ser reabsorvidas → permanecem na urina → são ELIMINADAS! Clearance renal pode AUMENTAR 10-20 VEZES! Em overdose aspirina: bicarbonato → urina básica → salicilato ioniza → eliminação massiva → paciente sobrevive! Esse é mecanismo clássico de salvação em toxicologia.
BASES FRACAS E pH
Um fármaco é uma BASE FRACA (exemplo: anfetamina, pKa ~10). Você quer REDUZIR excreção para aumentar efeito. Qual pH urinário você escolhe?
Para bases fracas, qual pH urinário AUMENTA reabsorção?
💡 Explicação simples: Em BASES FRACAS: pH > pKa = ionizado (carregado). pH < pKa = não-ionizado (lipofílico). Se você quer REDUZIR eliminação de base fraca? Faça urina ALCALINA → fica não-ionizada → reabsorve → volta pro sangue. Implicação toxicológica: pacientes em coma por anfetamina → se ácido urina → elimina rápido. Se alcalina urina → elimina lentamente → pode precisar de diálise!
SECREÇÃO TUBULAR ATIVA
Penicilina é um antibiótico pequeno, mas POUCO ligado a proteína (20% ligada). Apesar disso, é eliminada MUITO rápido. Qual mecanismo explica isso?
Por que Penicilina tem clearance tão alto apesar de pouca filtração?
💡 Explicação simples: Penicilina é secretada ATIVAMENTE por transportador OAT (Organic Anion Transporter) no túbulo proximal. Requer ATP! Mesmo que ligação proteica reduza filtração, secreção ATIVA consegue "puxar" penicilina da circulação → joga direto na urina → eliminação rápida. Isso é por quê? Penicilina é ânion → OAT reconhece → transporta. Importante: secreção ativa é por isso que alguns fármacos eliminam muito rápido!
INTERAÇÃO TRANSPORTADOR - PENICILINA + PROBENECIDA
Historicamente, médicos usavam Probenecida com Penicilina para 'economizar' penicilina. Qual é o mecanismo?
O que Probenecida faz à secreção de Penicilina?
💡 Explicação simples: Probenecida COMPETE com Penicilina pelo MESMO transportador OAT! Se Probenecida entra primeiro, Penicilina fica na fila do transportador ("competição"). Resultado? Penicilina não consegue ser secretada → acumula no sangue → níveis maiores. Historicamente (quando penicilina era cara), usavam Probenecida para aumentar níveis de Penicilina e usar dose menor. Hoje não fazemos mais, mas é AULA CLÁSSICA de interação por competição de transportador!
MEIA-VIDA (T½) BÁSICA
Você prescreve Amoxicilina (antibiótico com t½=1 hora) para infecção. Quanto tempo leva para reduzir concentração em 50%?
Qual é o conceito de meia-vida (t½)?
💡 Explicação simples: MEIA-VIDA = tempo para concentração plasmática reduzir em 50%. Amoxicilina t½=1h → após 1 hora de uma dose, metade foi eliminada. Após 2 horas (2 × t½) = 25% restante. Após 3 horas (3 × t½) = 12.5% restante. Padrão LOGARÍTMICO! Importância? Define intervalo de dosagem. Amoxicilina t½=1h é impraticável de dosar A CADA HORA → por isso dá a cada 6-8h (precisa de níveis constantes). Paracetamol t½=2-3h → a cada 4-6h!
MEIAS-VIDAS MÚLTIPLAS
Você prescreve um fármaco com t½=4 horas. Quanto tempo leva para 93.75% ser eliminado?
Após quantas meias-vidas 93.75% é eliminado?
💡 Explicação simples: Cada meia-vida reduz 50% do anterior: 1ª = 50% restante. 2ª = 25% restante. 3ª = 12.5% restante. 4ª = 6.25% restante (= 93.75% ELIMINADO!). 5ª = 3.125% restante. Se t½=4h → 4 meias-vidas = 16 horas para 93.75% ser eliminado. Por que 5 meias-vidas? Porque 97% é "praticamente tudo" → médicos dizem "após 5 meia-vidas, droga saiu do corpo". Essa é regra de ouro em farmacocinética!
STEADY-STATE (ESTADO ESTÁVEL)
Você prescreve Digoxina (t½=36-40h) por via oral diária. Quando a concentração vai estabilizar e não mudar mais?
Após quantas meias-vidas atinge estado estável (steady-state)?
💡 Explicação simples: ESTADO ESTÁVEL = quando tomando medicamento repetidamente, concentração atinge platô (não muda mais). Isso acontece quando ENTRADA (dose) = SAÍDA (eliminação) = balanço perfeito! Quando? SEMPRE após ~5 meias-vidas! Digoxina t½=36-40h → 5 × 40h = 200h ≈ 8-9 DIAS para atingir steady-state! Implicação clínica: Novo paciente em Digoxina → não consegue avaliar eficácia nos primeiros 8 dias → pode parecer não funcionar! Por isso às vezes dão DOSE DE ATAQUE (loading dose) no início para chegar a steady-state rápido!
CLEARANCE (DEPURAÇÃO)
Um paciente tem Clearance renal de Gentamicina (aminoglicosídeo) = 80 mL/min em função renal normal. O que isso significa?
Qual é a definição de Clearance (depuração)?
💡 Explicação simples: CLEARANCE = volume de plasma do qual fármaco é COMPLETAMENTE REMOVIDO por unidade de tempo. Exemplo: Gentamicina Cl=80 mL/min → significa que 80 mL de plasma EM UM MINUTO fica 100% livre de gentamicina (droga sai pela urina). É como "máquina de lavar"! Ml alto = elimina rápido (talvez precise dose alta). Cl baixo = elimina lentamente (talvez acumule). FÓRMULA CHAVE: Cl = Vd × Ke = (0.693 × Vd) / t½. Implicação: IRC reduz Cl → precisa reduzir dose!
INSUFICIÊNCIA RENAL - ACÚMULO DE DROGA
Um paciente com insuficiência renal crônica severa (TFG=15 mL/min) recebe Gentamicina (aminoglicosídeo) em dose normal. Qual é o risco?
Como insuficiência renal afeta eliminação de fármacos renais?
💡 Explicação simples: Insuficiência renal = PROBLEMA GRAVE para fármacos eliminados renalmente! Se TFG cai de 90 para 15 mL/min → Clearance renal cai ~80% → fármaco ACUMULA → TOXICIDADE! Gentamicina é NEFROTÓXICA e OTOTÓXICA → em IRC sem ajuste dose → necrose túbulo intersticial + surdez irreversível! Como evitar? 1) AJUSTAR DOSE por TFG/CrCl. 2) MONITORAR NÍVEIS plasmáticos ("valley"/trough). 3) Aumentar INTERVALO entre doses (em vez de 8h, fazer 24-48h). SEM AJUSTE = MORTE!
RELAÇÃO MEIA-VIDA E CLEARANCE
Um paciente com IRC severa tem TFG reduzida. Você sabe que Digoxina normalmente tem t½=36-40h. Em IRC, qual é a mudança esperada?
Como IRC afeta a meia-vida de fármacos?
💡 Explicação simples: FÓRMULA CHAVE: t½ = 0.693 × Vd / Clearance. Em IRC, Cl (clearance) CAIR → t½ AUMENTA! Digoxina normal t½=36-40h. Em IRC severo, pode chegar a 100-150h! Implicação MASSIVA: Em vez de tomar Digoxina a cada 24h (normal), em IRC pode ser a cada 5-7 DIAS! Sem ajuste dose/intervalo → acumula → arritmias cardíacas → morte. Essa fórmula é PILAR de toda dosagem em insuficiência renal! A maioria dos médicos que dosam errado NÃO conhecem essa fórmula!
EXCREÇÃO BILIAR E CICLO ÊNTERO-HEPÁTICO
Um fármaco é metabolizado pelo fígado, conjugado (glicuronidado) e secretado para BILE. Depois de deglutido pelo paciente (entrado novamente no intestino), é reabsorvido de volta ao sangue. Qual é o nome desse ciclo?
Qual é o mecanismo de reciclagem via fígado-intestino-sangue?
💡 Explicação simples: Alguns fármacos seguem ciclo ÊNTERO-HEPÁTICO: 1) Metabolizados no fígado → 2) Conjugados (glicuronidação) → 3) Secretados na BILE → 4) Armazenados vesícula → 5) Entram intestino com refeição → 6) Reabsorvidos intestino → 7) Voltam para sangue via veia porta → 8) Recirculam! Implicação? Alguns fármacos (estrógeno, contraceptivos, ácidos biliares) têm meia-vida LONGA por causa dessa reciclagem! Se bloqueia reabsorção intestinal (exemplo: certos antibióticos destroem bactérias → não consegue desconjugar droga), meia-vida cai drasticamente! Isso explica por quê ALGUNS antibióticos reduzem efeito de contraceptivos orais!
Questões Dissertativas
AULA 6 — 27/02 — FISIOPATOLOGIA: Lesões Irreversíveis (Necrose vs Apoptose)
Diferenças Fundamentais: Necrose vs Apoptose
| Característica | NECROSE | APOPTOSE |
|---|---|---|
| Causa | Lesão severa; isquemia; toxina | Programada; fisiológica |
| ATP (Adenosina Trifosfato) | Depletado; anaerbico | REQUER ATP (Adenosina Trifosfato) |
| Membrana | Rompida (lise) | Intacta; blebbing |
| Inflamação | SEVERA (liberação de DAMPs) | Mínima (corpos apoptóticos internalizado) |
| DNA | Fragmentação aleatória | Fragmentação internucleossômica (180-200 bp) |
| Microscopia | Célula inchada, citoplasma fragmentado | Núcleo condensado (picnose), corpo apoptótico |
| Prognóstico | Morte celular permanente | Morte celular limpa (sem dano tecido) |
NECROSE - Morte Celular Traumática
Definição: Morte celular involuntária causada por lesão severa com perda de integridade de membrana
Mecanismo de Necrose
- Passo 1: Lesão severa (isquemia, toxina, trauma) → depleção ATP (Adenosina Trifosfato)
- Passo 2: Falha de Na⁺/K⁺ ATPase → Na⁺ acumula intracelularmente
- Passo 3: Água segue Na⁺ → tumefação → ruptura de membrana
- Passo 4: Aumento Ca²⁺ → ativa proteases (calpaínas) → degradação celular
- Passo 5: Lise de mitocôndria → liberação de citocromo c e outros fatores tóxicos
- Passo 6: Ruptura de membrana plasmática → LIBERTA conteúdo celular → INFLAMAÇÃO intensa
7 Tipos de Necrose
1. NECROSE COAGULATIVA
- Localização: Coração, rins, baço, cérebro (exceto SNC)
- Causa: Isquemia (infarto do miocárdio, infarto renal)
- Características: Células mant estrutura, citoplasma eosinófilo, núcleo desaparece
- Microscopia: "Sombra de infarto" - células fantasmas
- Curso: 7-10 dias após infarto agudo
- Prognóstico: Cicatriz fibrosa (colágeno) se sobrevive
2. NECROSE LIQUEFATIVA
- Localização: Cérebro (SNC), abscessos bacterianos
- Causa: Isquemia cerebral, infecção bacteriana
- Características: Dissolução completa da célula → cavidade cheia de pus/líquido
- Razão SNC: Cérebro tem poucos macrófagos basais; quando há inflamação, digere tudo
- Microscopia: Vazio, debris celular
- Prognóstico: Cicatriz com deficiência neurológica (AVC)
3. NECROSE CASEOSA
- Localização: Tuberculose (granuloma TB)
- Causa: Infecção por Mycobacterium tuberculosis
- Características: "Queijo" - aspecto macroscópico; fibrinoide no centro do granuloma
- Microscopia: Células epitelioides envolvem necrose central
- Patognomônico de TB (história clássica)
4. NECROSE GANGRENOSA
- Não é tipo próprio; sim, necrose coagulativa + infecção secundária
- Localização: Membros, extremidades
- Causa: Isquemia + infecção (gas gangrene por Clostridium perfringens)
- Características: Tecido necrótico + pus + gás → destruição rápida
- Prognóstico: Amputação necessária se não tratada
5. NECROSE GORDUROSA
- Localização: Pâncreas, tecido adiposo subcutâneo
- Causa: Pancreatite aguda, trauma
- Mecanismo: Enzimas pancreáticas (lipase) liberam-se → degradam lipídios
- Características: Gordura livre reage com Ca²⁺ → sais de cálcio (saponificação)
- Microscopia: Adipócito fantasma, cristais de cálcio, infiltrado inflamatório
- Complicação: Hipocalcemia (Ca²⁺ sequestrado em sais)
6. NECROSE FIBRINOIDE
- Localização: Vasos sanguíneos (hipertensão maligna, vasculite)
- Causa: Lesão vascular aguda, influxo massivo de fibrinogênio
- Características: Deposição de fibrina/fibrinogênio na parede vascular → homogêneo, rosa
- Microscopia: Material fibrinoso eosinófilo (rosa) preenchendo parede vascular
- Consequência: Ruptura vascular, hemorragia
7. NECROSE SUPURATIVA
- Não é tipo histológico próprio; sim abscesso bacteriano
- Localização: Qualquer órgão com infecção piogênica
- Características: Pus (neutrófilos mortos + bactérias + detritos)
- Causa: Streptococcus pyogenes, Staphylococcus aureus, E. coli, etc
APOPTOSE - Morte Celular Programada
Definição: Morte celular PROGRAMADA, energia-dependente, sem inflamação
Vias de Apoptose
VIA INTRÍNSECA (Mitocondrial):
- Estímulo: Dano mitocondrial, hipóxia, estresse do RE, radiação, citotóxicos
- Sensor: Moléculas senoras no citoplasma (ATM, p53) detectam lesão
- p53 - "Guardian of Genome": Proteína supressora tumoral que ativa apoptose se dano irreparável
- Reguladores: Proteínas BCL-2 family
- BCL-2, BCL-XL, MCL-1 = anti-apoptóticos (bloqueiam)
- BAX, BAK = pro-apoptóticos (promovem) - Evento-chave: Permeabilização da membrana mitocondrial externa (MOMP) → liberação de citocromo c
- Citocromo c: Se + dATP + APAF-1 → forma APOPTOSSOMO
- Apoptossomo: Ativa CASPASE-9 (caspase iniciadora)
- Caspase-9: Ativa CASPASE-3 (caspase executora)
- Caspase-3: Cliva DNA → fragmentação internucleossômica (180-200 bp)
- Resultado: Corpo apoptótico; internalizado por macrófagos
VIA EXTRÍNSECA (Receptores de Morte):
- Estímulo: Ligação de FasL (Fas ligand), TNF-α, ou TRAIL a receptores de morte celular
- Receptores: Fas, TNF-R1, TRAIL-R1/R2 (death receptors)
- Complexo DISC: Death-Inducing Signaling Complex recrutado
- Recruta FADD (Fas-Associated protein with DD)
- Recruta Pro-caspase-8 - Caspase-8: Ativada diretamente → ativa Caspase-3
- Cross-talk: Caspase-8 pode ativar via mitocondrial (cliva BID → tBID → BAX ativação)
VIA STRESS DO RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO (RE):
- Estímulo: Proteínas malformadas, hipóxia, hipoglicemia
- Sensor: Proteína kinase do RE (IRE1, PERK, ATF6)
- Resposta: UPR (Unfolded Protein Response) - tenta consertar (chaperones)
- Se falha: Ativa CHOP (pro-apoptótico)
- Resultado: Apoptose (similar à mitocondrial)
Reguladores Chave: BCL-2 family
Anti-apoptóticos (bloqueiam apoptose):
BCL-2, BCL-XL, MCL-1 → mantêm MOMP fechada
Expressão ↑ em câncer (evita apoptose) → alvo terapêutico (venetoclax bloqueia BCL-2)
Pro-apoptóticos (promovem apoptose):
BAX, BAK, BIM, BAD, NOXA → abrem MOMP
Expressão ↑ em normalidade (controla proliferação)
Caspases
- Caspase-1: Citocina inflamatória (piroptose)
- Caspase-3: Executora principal (cliva PARP, vimentina, laminina)
- Caspase-8: Iniciadora da via extrínseca
- Caspase-9: Iniciadora da via intrínseca
Diagnóstico de Apoptose vs Necrose
Histologia:
- H&E (HematoxiLina/Eosina):
- Apoptose: Núcleo condensado (picnose), citoplasma eosinófilo, corpo apoptótico
- Necrose: Célula inchada, núcleo desaparece, citoplasma pálido, debris - Teste TUNEL (Terminal deoxynucleotidyl transferase dUTP nick end labeling):
- Detecta "nicks" em DNA de apoptose
- Marca as células apoptóticas (marrom/preto)
- Padrão: Internucleosomal fragments (180-200 bp em multíplos) - Imunohistoquímica para Caspase-3 ativa:
- Marca células em apoptose
- Específico para apoptose (caspase-8/9 ativadas) - Anexina V (Flow Cytometry):
- Anexina V se liga a Fosfatidilserina (PS)
- PS exposta na membrana externa em apoptose precoce
- Permite identificar estágio de apoptose
- Pode combinar com PI (propidium iodide) para necrose - Teste de Comet (Single Cell Gel Electrophoresis):
- DNA danificado ("comet tail") migra em eletroforese
- Detecta ambos dano DNA e apoptose
Significado Clínico: Necrose vs Apoptose
NECROSE: Inflamação severa, lesão tecidual permanente (cicatriz), sequelas
APOPTOSE: Morte "limpa", sem inflamação, reparação mais rápida
Exemplos clínicos:
- Infarto do Miocárdio (IAM): Primariamente necrose coagulativa (isquemia) → inflamação intensa → após dias, apoptose marginal → cicatriz fibrosa permanente
- Quimioterapia em Câncer: Objetivo é ativar apoptose em células tumorais (caspase-3). Efeitos colaterais quando ativa apoptose também em células normais (TGI, medula óssea)
- Morte de Neurônios em AVC (Acidente Vascular Cerebral): Isquemia → necrose de penumbra vascular (área ao redor) → apoptose periférica (dias depois) → perda neurológica permanente
- Apoptose em Desenvolvimento: Sculpting de membros, regressão de estructuras (fisiológica); bloquear apoptose = malformação
- Câncer: Células malignanas ESCAPAM de apoptose (mutações em p53, ↑BCL-2) → proliferação incontrolada
Integração com Farmacologia (Aula 4)
Indução de Metabólito Tóxico (Aula 4) → Necrose vs Apoptose?
- PARACETAMOL → NAPQI: NAPQI em grande quantidade → lesão mitocondrial severa → necrose hepática fulminante (tipo coagulativa) + apoptose periférica
- QUIMIOTERÁPICOS (cisplatina, doxorrubicina): Danificam DNA → ativam p53 → apoptose propositada em tumor
- AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) → Lesão Renal: Vasoconstrição → isquemia renal → necrose tubular aguda (NTA)
Flashcards - Necrose e Apoptose
Quiz - Necrose e Apoptose
Q1: Um paciente de 58 anos sofre infarto do miocárdio. Na biópsia 48 horas depois, observa-se células cardíacas mantendo sua estrutura original, com citoplasma eosinófilo intenso e núcleo desaparecido.
➔ Qual tipo de necrose o patologista está observando?
Q2: Médico observa em preparado de apoptose que a célula está usando energia para ativar caspases enquanto mantém membrana íntegra. Há fragmentação ordenada de DNA em pedaços de 180-200 pb.
➔ Qual a característica que DIFERENCIA esta morte celular de necrose?
Q3: Paciente com tuberculose pulmonar. A radiografia mostra lesão cavitária no ápice pulmonar. Ao exame microscópico, vê-se granuloma com centro contendo material "queijo-like" e células epitelioides ao redor.
➔ Qual tipo de necrose caracteriza patologicamente esta tuberculose?
Q4: Paciente com pancreatite aguda. Enzimas pancreáticas liberadas no tecido adiposo circundante. Ao exame, vê-se decomposição de gordura com formação de sais de cálcio e hipocalcemia sérica.
➔ Que tipo de necrose ocorre no pâncreas nesta complicação?
Q5: Cérebro de paciente falecido por AVC (acidente vascular cerebral) isquêmico. Ao invés de manter contorno celular, a área infartada apresenta dissolução completa do tecido, formando cavidade cheia de líquido.
➔ Qual tipo de necrose descreve esta dissolução completa?
Q6: Vaso sanguíneo com hipertensão maligna. Endotélio injuriado massivamente com influxo de fibrinogênio. Microscopia mostra parede vascular preenchida com material homogêneo rosa-eosinófilo.
➔ Qual necrose vascular está ocorrendo?
Q7: Em um exame de biologia molecular de células em morte programada, detecta-se ativação de caspase-9 após permeabilização da membrana mitocondrial externa com liberação de citocromo c.
➔ Qual via de apoptose está sendo ativada?
Q8: Célula tumoral apresenta mutação que bloqueia a ativação de p53. Apesar de dano massivo ao DNA, não consegue fazer apoptose. Continua se dividindo descontroladamente.
➔ Que processo crítico está falhando nesta célula cancerosa?
Q9: Um vírus induz morte celular ligando-se a receptor de morte Fas. FADD e pró-caspase-8 são recrutados, formando complexo DISC. Caspase-8 é diretamente ativada.
➔ Qual via de apoptose este vírus está disparando?
Q10: Paciente recebe quimioterapia (cisplatina). Droga causa dano ao DNA. p53 é ativado e desencadeia apoptose em células tumorais, mas também em células normais do TGI.
➔ Como a quimioterapia induz apoptose em células tumorais?
Q11: Exame microscópico de biopsia pulmonar mostra abscesso bacteriano com acúmulo de neutrófilos mortos, bactérias e detritos celulares em cavidade bem demarcada.
➔ Qual processo de morte celular contribui mais para formar este abscesso?
Q12: Ratos knockout para BAX (proteína pro-apoptótica) mostram número reduzido de mortes celulares durante o desenvolvimento embrionário. Extremidades mantêm estruturas que normalmente desaparecem.
➔ Qual evento crítico de apoptose foi afetado nestes ratos?
Q13: Célula de tumor B é tratada com venetoclax, droga que bloqueia BCL-2. BCL-2 era a razão para esta célula escapar da apoptose e proliferar.
➔ Como BCL-2 normalmente protege células de apoptose?
Q14: Neurônio está sob stress de proteínas malformadas no retículo endoplasmático. IRE1 detecta o problema e ativa resposta UPR. Se não conseguir consertar as proteínas, ativa CHOP.
➔ Qual é o objetivo final da ativação de CHOP nesta situação?
Q15: Corpo apoptótico é encontrado no tecido. O macrófago fagocita este corpo inteiro sem liberar conteúdo tóxico. Não há inflamação associada.
➔ Por que apoptose não causa inflamação como necrose?
Q16: Teste TUNEL é aplicado a preparado de tecido contendo células em apoptose. Coloração positiva marca fragmentação de DNA intranucleossomal.
➔ O que exatamente o teste TUNEL detecta em apoptose?
Q17: Tecido cardíaco de infarto mostra zona central de necrose coagulativa cercada por zona de apoptose marginal que ocorre dias depois. Infiltrado de macrófagos crescente.
➔ Por que apoptose ocorre na PERIFERIA do infarto, dias depois?
Q18: Gangrena seca de pé em paciente diabético com aterosclerose. Extremidade escura, seca e demarcada. Versus gangrena úmida com tecido macerado, pus e odor fétido.
➔ Qual diferença fisiopatológica entre gangrena seca vs úmida?
Q19: Paracetamol em sobredose é metabolizado a NAPQI (metabólito tóxico). Em doses altas, NAPQI danifica mitocôndria hepatocytes → causa necrose hepática fulminante + morte apoptótica periférica.
➔ Qual mecanismo a integração fisiopato-farmaco descreve?
Q20: Imunohistoquímica com anticorpo anti-caspase-3 ativa marca núcleos de células em condensação cromática (picnose). Nenhuma marca em células vizinhas estruturalmente íntegras.
➔ O que esta técnica detecta e diferencia?
AULA 7 — 03/03 — FISIOPATOLOGIA: Hiperemia, Congestão e Edema
Definições Fundamentais
HIPEREMIA: Aumento de fluxo sanguíneo a um órgão
- HIPEREMIA ATIVA: ↑ fluxo arterial (sangue vermelho, quente) - vasodilatação ativa
- Causa: Exercício, inflamação, FVR (fluxo vascular reativo), calor
- HIPEREMIA PASSIVA: ↓ drenagem venosa (sangue azulado, edema) - congestão
- Causa: Trombose venosa, insuficiência cardíaca, compressão vascular
CONGESTÃO: Acúmulo de sangue em órgão por ↓ drenagem venosa (=hiperemia passiva)
Edema - 5 Mecanismos de Starling
Equação de Starling: Fluxo = Kf × [(Pc - Pi) - (πc - πi)]
Onde:
- Pc = pressão hidrostática capilar
- Pi = pressão hidrostática intersticial
- πc = pressão oncótica plasmática
- πi = pressão oncótica intersticial
- Kf = coeficiente de filtração
- Mecanismo 1 - ↑ Pressão Hidrostática Capilar (Pc ↑):
Causa: IC, obstrução venosa, insuficiência valvular
Resultado: Filtração ↑ → edema
Exemplo: IC (Insuficiência Cardíaca) esquerda → congestão pulmonar → edema pulmonar - Mecanismo 2 - ↓ Pressão Oncótica Plasmática (πc ↓):
Causa: Hipoalbuminemia (síndrome nefrótica, cirrose, desnutrição)
Resultado: Reabsorção ↓ → edema
Exemplo: Síndrome nefrótica → perda proteína urina → edema periférico - Mecanismo 3 - ↑ Permeabilidade Capilar (Kf ↑):
Causa: Inflamação, anafilaxia, queimadura
Resultado: Filtração ↑ + proteína extravasa → edema inflamatório
Mediadores: Bradicinina, histamina, prostaglandinas - Mecanismo 4 - ↓ Drenagem Linfática:
Causa: Obstrução linfonodal (câncer), remoção de nódulos, infecção
Resultado: Filtração continua mas reabsorção ↓ → edema
Exemplo: Linfedema pós-mastectomia (remoção nódulos axilares) - Mecanismo 5 - Retenção de Sódio (Na⁺):
Causa: Aldosteronismo, IC, IRC
Resultado: ↑ Na⁺ sistêmico → água segue osmoticamente → edema
Mecanismo: Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA) ativado em IC/IRC
Características do Edema por Mecanismo:
- IC (Insuficiência Cardíaca): Mecanismo 1 (Pc ↑) + 5 (retenção Na⁺) → edema periférico + pulmonar
- Síndrome Nefrótica: Mecanismo 2 (πc ↓) + 5 (retenção Na⁺) → edema face + periférico
- Cirrose: Mecanismo 2 (πc ↓) + 1 (Pc ↑ portal) + 5 (retenção Na⁺) → ascite + edema
- Inflamação: Mecanismo 3 (Kf ↑) → edema INFLAMATÓRIO (proteína no líquido)
Tipos de Edema
EDEMA PITTING: Deixa marca ao pressionar (água mobilizável)
EDEMA NON-PITTING: Não deixa marca (edema crônico, fibrose)
EDEMA PERIFÉRICO: Membros inferiores (dependência gravitacional)
EDEMA FACIAL: Face/mãos (síndrome nefrótica, típicamente matinal)
EDEMA PULMONAR: Pulmões (IC esquerda, ortopneia, PND)
ASCITE: Cavidade peritoneal (cirrose, peritonite, câncer)
Integração com Farmacologia
DIURÉTICOS para edema em IC (Insuficiência Cardíaca)/síndrome nefrótica:
- Furosemida (alça): ↓ reabsorção Na⁺ na alça de Henle → ↑ excreção → ↓ volume → ↓ Pc (Pressão Capilar)
- Hidroclorotiazida (tiazida): ↓ reabsorção Na⁺ DCT → ↑ excreção → similar furosemida (menos potente)
- Espironolactona (antagonista aldosterona): Bloqueia retenção Na⁺ por aldosterona → ↑ excreção Na⁺/água
IECA (Inibidor da ECA)/BRA em IC (Insuficiência Cardíaca)/hipertensão:
- Enalapril, losartana: Bloqueiam SRAA (Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona) → ↓ retenção Na⁺ → ↓ edema
- Vasodilação aferente renal: Melhora filtração sem edema paradoxal
AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) - COMPLICAÇÃO em edema:
- AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) CAUSAM retenção Na⁺: Bloqueiam PGE2 → reduz natriurese → ↑ Na⁺ → ↑ água → PIORA edema em IC (Insuficiência Cardíaca)
- Contraindição relativa: AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) em pacientes com IC (Insuficiência Cardíaca), IRC (Insuficiência Renal Crônica), síndrome nefrótica
CORTICOIDES - COMPLICAÇÃO em síndrome nefrótica:
- Corticoides causam retenção Na⁺: Aumentam expressão canal ENaC → reabsorção Na⁺ coletora ↑ → edema
- Pode piorar edema se usados cronicamente
Flashcards - Hiperemia e Edema
Quiz - Edema
Caso: Homem 45 anos, insuficiência cardíaca congestiva com edema em tornozelos e dispneia noturna. Médico vê inchaço que deixa marca ao pressionar.
**Qual tipo de edema está presente?**
💡 Explicação simples: Insuficiência cardíaca causa edema pitting porque o líquido é água pura e móvel (pode deslocar ao pressionar). Non-pitting aparece em linfedema crônico (sem fluidez).
Caso: Criança 6 anos com síndrome nefrótica (proteinúria maciça). Mãe nota inchaço na face principalmente de manhã, desaparece ao longo do dia.
**Por que o edema aparece na FACE e é MATINAL?**
💡 Explicação simples: Síndrome nefrótica perde proteína → hipoalbuminemia → edema facial matinal clássico. Deitado → fluido gravita para face. Acordar e levantar → gravidade drena → inchaço desaparece ao longo do dia. Padrão muito característico.
Caso: Paciente com cirrose avançada. Exame abdominal mostra abdômen distendido, macio, com macicez à percussão (fluido móvel). Albumina sérica baixa.
**Por que cirrose causa ASCITE? Qual mecanismo Starling preponderante?**
💡 Explicação simples: Cirrose = fígado não sintetiza albumina (hipoalbuminemia) → pressão oncótica cai → filtra água. Também aumenta pressão portal (congestão) → aumenta pressão capilar mesentérica. Rim ativa SRAA (retém Na⁺/água) → volume piora → ascite = mecanismo 1 + 2 + 5 combinados.
Caso: Mulher 55 anos após mastectomia bilateral. Braço direito inchaço persistente, duro, não deixa marca ao pressionar. Sem melhora apesar de diuréticos.
**Qual é o mecanismo de edema e por que diuréticos NÃO funcionam?**
💡 Explicação simples: Linfedema pós-mastectomia = remoção linfonodos axilares → sem drenagem linfática → líquido com PROTEÍNA ALTA acumula → edema non-pitting, crônico, fibroso. Diuréticos não ajudam (precisa drenagem manual + compressão). Protein-rich edema é "pegajoso".
Caso: Homem 62 anos com infarto agudo do miocárdio. 2 horas depois: dispneia súbita, tosse com escarro róseo, crepitantes difusos nos pulmões, SpO2 85%.
**O que causou edema pulmonar fulminante?**
💡 Explicação simples: IM → morte miocárdio → VE fraco → não bombeia → sangue volta pulmão → pressão venosa pulmonar sobe → Pc (pressão capilar) aumenta → filtração maciça nos alvéolos → edema pulmonar agudo (emergência). Escarro róseo = espuma com sangue pelos alvéolos.
Caso: Mulher 40 anos toma ibuprofeno por dor articular. Tem insuficiência cardíaca leve controlada com diurético. Uma semana depois: piora edema, falta de ar maior, ganha 3 kg.
**Por que AINE piorou a insuficiência cardíaca?**
💡 Explicação simples: AINEs são CONTRA em IC porque bloqueiam prostaglandinas → reduzem natriurese → rim "acha" desidratação → aldosterona sobe → retenção Na⁺ → água retida → sobrecarga cardíaca. É pior que inútil—é destrutivo. Contraindicação relativa em IRC também.
Caso: Paciente com síndrome nefrótica. Análise do líquido ascítico: proteína 4.5 g/dL, células 2.000/μL, turvo. Comparar com líquido de ICC: proteína 1.8 g/dL, células 150/μL, claro.
**Qual diferença entre TRANSUDATO e EXSUDATO?**
💡 Explicação simples: TRANSUDATO = vazamento mecânico puro (sem inflamação) → proteína baixa, células poucas. Causas: IC, cirrose, síndrome nefrótica. EXSUDATO = vazamento com inflamação → proteína alta, células muitas, fibrina. Causas: pneumonia, peritonite, tuberculose.
Caso: Criança desnutrida severa com kwashiorkor. Exame mostra barriga inchada (ascite), edema periférico. Albumina sérica = 1.8 g/dL (normal >3.5).
**Como desnutrição com hipoalbuminemia causa EDEMA?**
💡 Explicação simples: Kwashiorkor (desnutrição com deficiência proteica) → fígado não faz albumina → pressão coloidosmótica cai → água vaza dos vasos → edema PARADOXAL em desnutrição (criança magra com barriga inchada). Diferente de marasmo (desnutrição geral, sem edema).
Caso: Paciente queimado com 40% da superfície corporal. Primeiras horas: edema fulminante, hipovolemia, choque hipovolêmico. Líquido da queimadura: proteína alta, células.
**Qual mecanismo de edema em queimadura grave?**
💡 Explicação simples: Queimadura → inflamação maciça → mediadores (bradicinina, histamina) aumentam permeabilidade capilar → vaza MUITA proteína intersticial → edema inflamatório com exsudato → choque hipovolêmico (volume perdido é MUITA). Reposição fluida agressiva é essencial (Parkland formula).
Caso: Homem 58 anos com ICC, recebe furosemida 40mg diários. Edema melhora, nega dispneia. Exames: Na⁺ 138, K⁺ 3.2 (baixo).
**Como diuréticos resolvem edema em ICC e qual complicação?**
💡 Explicação simples: Diuréticos (furosemida bloqueia Na⁺/K⁺/Cl⁻ na alça) → perdem sódio + água → volume intravascular ↓ → pressão capilar (Pc) ↓ → edema melhora. MAS perdem potássio também → hipocalemia → risco arritmias. Precisa suplementar K⁺ ou adicionar poupador (espironolactona).
Caso: Recém-nascido com icterícia + hepatomegalia + edema generalizado (anasarca). Diagnóstico: incompatibilidade Rh grave (hemólise). Albumina sérica baixa.
**Por que hemólise grave causa anasarca (edema generalizado)?**
💡 Explicação simples: Hemólise grave → destruição de glóbulos vermelhos → hemoglobina livre → filtra nos rins → perda para urina → hipoalbuminemia progressiva → pressão oncótica cai → edema generalizado (anasarca = "sem carne"). Também causa icterícia bilirrubina. Exsanguíneotransfusão urgente.
Caso: Homem 72 anos com pneumonia bacteriana. Escarro purulento. Raio-X: infiltrado lobar. Análise do líquido pleural: proteína 5.2 g/dL, LDH 800, célula 8.000/μL (principalmente PMN).
**Qual tipo de líquido pleural e mecanismo de edema?**
💡 Explicação simples: Pneumonia → inflamação pulmonar → capilares "furando" → vaza água COM proteína + leucócitos → exsudato (proteína >3 g/dL, células >1000/μL). Teste Light: proteína/LDH elevados = exsudato. Precisa drenar se parainfeccioso.
Caso: Paciente com ICC recebe enalapril (IECA). Diurético é reduzido aos poucos. Edema estabiliza, dispneia melhora. Pressão renal melhora.
**Como IECA ajuda ICC além de simples vasodilatação?**
💡 Explicação simples: IECA + BRA (losartana) bloqueiam SRAA (Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona) → menos retenção sódio/água → modifica causa de ICC (não apenas sintoma). Combinação IECA + diurético é fundamental: diurético = alívio rápido, IECA = cura a longo prazo.
Caso: Mulher 68 anos com cirrose + ascite volumosa. Paracentese tira 8 litros. Médico prescreve albumina intravenosa após procedimento. Após 48h, ascite reacumula.
**Por que albumina sozinha NÃO cura ascite em cirrose?**
💡 Explicação simples: Cirrose = ascite multifatorial (hipoalbuminemia + hipertensão portal + retenção Na⁺). Albumina repõe pressão oncótica MAS hipertensão portal e SRAA continuam → reacumula ascite. Precisa IECA + espironolactona + diurético + restrição sódio/líquidos. Transplante é única cura.
Caso: Paciente com síndrome nefrótica relata que o edema piora com corticoides. Albumina continua baixa. Urina com >3.5g proteína/dia.
**Por que corticoides podem PIORAR edema em síndrome nefrótica?**
💡 Explicação simples: Corticoides têm DOIS efeitos: (1) anti-inflamação (BOTA causa glomerulonefrite, reduz proteinúria). MAS (2) retenção Na⁺ (aumentam ENaC). Se proteinúria não responde aos corticoides (refratária), retenção Na⁺ é PREDOMINANTE → edema piora. Precisa adicionar diurético + IECA para bloquear SRAA.
🩸 AULA 8 — 04/03 — Hemostasia e Coagulação
Conceito Integrador
Hemostasia = mecanismo de parada de hemorragia mantendo sangue fluído. Envolve: (1) Vasoconstrição, (2) Adesão/agregação plaquetária, (3) Coagulação em cascata, (4) Limitação do coágulo, (5) Fibrinólise.
Fisiopatologia: Distúrbios causam sangramento (déficit) ou trombose (excesso).
Farmacologia: Anticoagulantes, antiagregantes, trombolíticos.
Fase 1: Vasoconstrição
- Mecanismo: Resposta neurógena reflexa (lesão vascular) + local (endotélio) + sistêmica (catecolaminas)
- Duração: Segundos a minutos
- Efeito: Reduz fluxo pelo vaso, facilita tampão plaquetário
- Controlada por: Catecolaminas (α1-vasoconstritor), óxido nítrico (vasodilatador)
Fase 2: Hemostasia Primária (Agregação Plaquetária)
Componentes: Plaquetas, vWF (von Willebrand factor), fibrinogênio, endotélio.
Sequência Molecular:
- 1. Adesão: Colágeno exposto → vWF liga colágeno → plaqueta liga vWF via GPIb + colágeno via GPVI → adesão
- 2. Ativação: Colágeno + ADP + TXA2 + trombina → ↑ Ca²⁺ → mudança forma (estrela) → liberação grânulos → exposição fosfatidilserina
- 3. Agregação: Fibrinogênio liga GPIIb/IIIa em múltiplas plaquetas → plugue plaquetário em 3-5 minutos
Inibidores Naturais de Agregação:
- PGI2 (Prostaciclina): Endotélio, ↓ Ca²⁺ intracelular, inibe agregação
- NO (Óxido Nítrico): Endotélio, inibe agregação
- ADPase: Quebra ADP, inibe agregação
Teste Clínico: Tempo de sangramento (normal < 10 min). Prolongado em: trombocitopenia, doença von Willebrand, Aspirina, Ticlopidina.
Fase 3: Coagulação em Cascata
Objetivo: Converter fibrinogênio em fibrina estável para reforçar plugue.
Via Extrínseca (Rápida, segundos):
- Iniciação: Lesão tecidual expõe Fator Tecidual (TF) → TF + FVIIa → ativa FX
- Complexo Protrombinase: FX + FV + Ca²⁺ + fosfolípides → Protrombina (II) → Trombina (IIa)
- Teste: TP (Tempo Protrombina, normal 11-13.5s). Prolongado em: deficiência VII, X, V, II, I
Via Intrínseca (Lenta, minutos):
- Iniciação: Contato com colágeno/surfactantes → FXII → FXIa → FIXa + FVIIIa
- Amplificação: Trombina ativa FVIII e FXI (feedback)
- Converge: Via extrínseca em FX
- Teste: TTPA (Tempo Tromboplastina Parcial Ativado, normal 25-35s). Prolongado em: deficiência XII, XI, IX, VIII, V, II, I, Heparina
Via Comum:
- Sequência: FX → Xa (complexo protrombinase) → II → IIa (Trombina) → I (Fibrinogênio) → monômeros de fibrina → polímero
- Reticulação: FXIII ativado por trombina → FXIIIa reticulação cruzada → coágulo ESTÁVEL
- Teste: TT (Tempo Trombina, normal 14-16s). Prolongado em: hipofibrinogenemia, Heparina
Fase 4: Limitação do Coágulo
Objetivo: Parar coagulação para evitar trombose generalizada.
- Antitrombina III: Inibe trombina, Xa, IXa. Cofator: Heparina (↑ 1000x). Deficiência → trombose recorrente
- Proteína C Ativada (APC): Inativa Va, VIIIa. Cofator: Proteína S. Deficiência → trombose
- TFPI: Inibe TF + Xa
- Localização: Coágulo formado apenas no local de lesão (sem propagação distal)
Fase 5: Fibrinólise
Objetivo: Remover coágulo após cicatrização (7-10 dias).
- Plasminogênio → Plasmina: Protease que degrada fibrina
- t-PA (Tissue Plasminogen Activator): Endotélio, específico por fibrina (terapêutico em infarto, AVC (Acidente Vascular Cerebral))
- u-PA (Urokinase): Menos específico, menos usado
- Produtos: D-dímero (fibrina reticulada degradada), FDP (produtos degradação fibrina)
- Inibidores: α2-Antiplasmina, PAI-1
- Testes: D-dímero ↑ em trombose/TEP/DIC; FDP ↑ em fibrinólise
Distúrbios da Hemostasia - Déficit (Sangramento)
TROMBOCITOPENIA (Plaquetas < 150,000/μL):
- Produção ↓: Aplasia medular, infiltração, drogas (quimio), B12/folato ↓
- Destruição ↑: PTI (imune), SHU, TTP (trombótica), infecções (dengue, malária)
- Sequestro: Esplenomegalia (cirrose)
- Clínica: Petéquias, equimose, epistaxe, sangramento mucoso
DOENÇA VON WILLEBRAND (vWD):
- Patogenia: Deficiência/disfunção vWF (adesão plaquetária)
- Tipos: I (75%, parcial), II (qualitativa), III (grave, total)
- Clínica: Sangramento mucoso, menorragia, equimose fácil
- Teste: Tempo sangramento ↑, vWF ↓, FVIII ↓
HEMOFILIA A (Deficiência Factor VIII):
- Genética: Ligada a X (homens afetados)
- Severidade: Leve (5-40%), Moderada (1-5%), Severa (< 1% FVIII)
- Clínica: Hemartroses (articulações), hematomas musculares, sangramento pós-trauma
- Teste: TTPA (Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada) ↑, FVIII ↓, TP/TT normais
HEMOFILIA B (Deficiência Factor IX): Similar, menos comum (1:30,000), FIX ↓
FATOR V LEIDEN:
- Patogenia: Mutação → FV resistente a APC → Va não inativada → hipercoagulabilidade
- Epidemiologia: 5-10% europeus do norte (causa mais comum trombofilia hereditária)
- Manifestações: TVP (Trombose Venosa Profunda), TEP (Tromboembolismo Pulmonar), trombose cerebral
Coagulopatia Consumptiva: Coagulação Intravascular Disseminada (DIC)
Definição: Ativação maciça/descontrolada cascata coagulação → consumo de plaquetas/fatores → micro-trombos → fibrinólise → sangramento paradoxal.
Causas: Sepse (gram-negativas), leucemia promielocítica, descolamento placentário, queimaduras, choque séptico, pancreatite.
Patogenia: Endotoxina/citocinas → TF ↑ em monócitos → cascata descontrolada → FVIII/FV/fibrinogênio/plaquetas consumidos → micro-trombos isquêmicos → plasmina degrada fibrina → sangramento.
Manifestações: Petéquias/equimose, sangramento mucoso/GI/IRA, isquemia dedos, AVC (Acidente Vascular Cerebral), anemia hemolítica, IRA (Insuficiência Renal Aguda).
Testes Lab: Plaquetas ↓↓, Fibrinogênio ↓↓, TP ↑, TTPA (Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada) ↑, D-dímero ↑↑↑, FDP ↑↑↑, Hemoglobina ↓
Prognóstico: Mortalidade 30-50% (pior em sepse 50-70%). Tratamento: causa + suporte (antibióticos, transfusões, vasopressores).
Integração Farmacológica - Anticoagulantes e Antiagregantes
ANTICOAGULANTES ENDÓGENOS vs EXÓGENOS:
Heparina (Não-fracionada, UFH):
- Mecanismo: Potencia Antitrombina III → inibe Trombina (IIa), Xa, IXa
- Farmacocinética: IV/SC (Subcutâneo), onset imediato, T½ 60-90 min (IV) a 2h (SC)
- Monitorização: TTPA (alvo 1.5-2.5x basal)
- Reversão: Protamina (neutraliza heparina)
- Complicação: Trombocitopenia induzida heparina (HIT) - paradoxo trombótico
Warfarina (Vitamina K Antagonista):
- Mecanismo: Inibe epóxido redutase vitamina K → deficiência K → deficiência Fatores II, VII, IX, X (dependentes K)
- Farmacocinética: PO, onset lento (3-5 dias), T½ 36-42h, alta ligação proteica
- Monitorização: INR (alvo 2-3 para maioria, 2.5-3.5 prótese aórtica)
- Reversão: Vitamina K (lento, 12-24h) + FFP/PCCs (rápido)
- Interações: Muitas (difícil controle)
- Teratogênese: Contraindicado 1º trimestre (síndrome fetal warfarina)
NOACs (Anticoagulantes Orais Diretos):
- Dabigatran: Inibidor direto Trombina (IIa), onset 30-120 min, reversível com idarucizumabe
- Rivaroxaban/Apixaban: Inibidores diretos Xa, onset mais rápido, sem antídoto específico
- Vantagens: PO, onset rápido, sem monitorização, previsível
- Desvantagens: Caros, IR requer ajuste, sem total reversão (rivaroxaban/apixaban)
ANTIAGREGANTES PLAQUETÁRIOS:
Aspirina:
- Mecanismo: Acetila COX (Ciclo-oxigenase)-1 irreversivelmente → ↓ TXA2 (agregador) na plaqueta
- Duração: Vida toda da plaqueta (7-10 dias, até regeneração medular)
- Indicação: Prevenção primária/secundária IAM (Infarto Agudo do Miocárdio), AVC (dose baixa 81-325 mg)
- Efeito colateral: Sangramento (especialmente GI), alergia
Clopidogrel (Ticlopidina):
- Mecanismo: Pró-droga, metabolizada por CYP2C19 → bloqueio P2Y12 (receptor ADP plaquetário)
- Farmacocinética: PO, onset 3-5 dias (loading dose 600mg → 6h; manutenção 5-7 dias sem loading)
- Reversível: Sim (diferente aspirina)
- Monitorização: Teste agregação plaquetária (opcional)
- Indicação: Sinergia com aspirina em síndrome coronária aguda (DAPT - dual antiplatelet therapy)
- Complicação: Resistência (CYP2C19*2 polimorfismo)
GPIIb/IIIa Inhibidores (Abciximab, Eptifibatida, Tirofiban):
- Mecanismo: Bloqueio direto receptor GPIIb/IIIa (final common pathway agregação)
- Uso: IV durante angiografia em IAM (Infarto Agudo do Miocárdio) de alto risco
- Efeito: Inibição máxima agregação (mais potente que aspirina/clopidogrel)
Síndrome Coronária Aguda - Protocolos Integrados:
- STEMI/NSTEMI: Aspirina 300-500mg loading + Clopidogrel 600mg + Heparina IV (TTPA) + GPIIb/IIIa (se high-risk) + angiografia urgente + stent + terapia crônica
- Após Stent: DAPT (Aspirina + Clopidogrel) por 12 meses (BES) a vitalício (sem stent)
- Pós-IM: ACEI + β-bloqueador + Estatina + Aspirina + Clopidogrel (6-12 meses)
Slides da Aula — Hemostasia e Coagulação
Flashcards - Hemostasia e Coagulação
Quiz - Hemostasia e Coagulação
Q1: Criança de 8 anos cai na escola e rala o joelho. O sangramento para sozinho em poucos minutos. A mãe pergunta como o corpo conseguiu parar o sangramento.
Qual é a PRIMEIRA coisa que o corpo faz para parar um sangramento?
Q2: Um menino está com uma pequena ferida no dedo. Você vê que depois da vasoconstrição, o sangramento continua. O que acontece agora?
O que faz o "tampão" que fecha a ferida?
Q3: O plug de plaquetas é frágil e dura pouco tempo. Precisa ficar mais resistente. Como o corpo deixa o coágulo mais forte?
Como fica o coágulo mais firme e durável?
Q4: Um paciente idoso está tomando um remédio que afina o sangue para não ter infarto. O remédio bloqueia a vitamina K. Qual é o resultado disso?
Como o bloqueio de vitamina K afeta a coagulação?
Q5: Um paciente com trombose aguda precisa de um afinador de sangue que age RÁPIDO (no mesmo dia). Qual remédio usar?
Qual anticoagulante age mais rapidamente?
Q6: Um paciente toma varfarina há 2 meses para fibrilação atrial. O médico pediu o exame INR para verificar se a dose está correta.
O que o INR mede?
Q7: Uma criança de 6 anos tem hemofilia A (falta fator VIII). Por que ela tem risco de sangramento?
Como a hemofilia causa sangramento?
Q8: Um paciente que toma anticoagulante teve um sangramento grave. Para reverter rapidamente o efeito da varfarina, qual vitamina administrar?
Como recuperar a coagulação em um paciente com sangramento por varfarina?
Q9: Um paciente com infarto agudo do miocárdio toma aspirina. Como esse remédio ajuda a prevenir coágulos?
Qual é o mecanismo de ação da aspirina?
Q10: O médico explica ao paciente que para o corpo parar um sangramento normalmente, são necessárias 3 fases. O paciente pergunta: "Se 1 fase é vasoconstrição e 2 é plaquetas, qual é a 3ª?"
Qual é a terceira fase da hemostasia?
Q11: Um paciente com cirrose hepática severa vai fazer uma cirurgia. Os testes de coagulação mostram: TP prolongado, TTPA prolongado, plaquetas baixas.
Por que pacientes com doença hepática têm problemas de coagulação?
Q12: Uma mulher grávida de 8 meses apresenta hemorragia intensa no parto. Os testes mostram: plaquetas muito baixas, fibrinogênio muito baixo, coágulos em todo o corpo.
Qual é este quadro clínico grave de coagulação?
Q13: Um idoso com hipertensão toma vários medicamentos. Acidentalmente tomou o dobro da dose de varfarina. Qual é o risco imediato?
Qual é o efeito de uma overdose de varfarina?
Q14: Um jovem atleta sofre um trauma no joelho durante um jogo. Há inchaço, mas o sangramento para rapidamente. Qual componente da hemostasia funcionou bem aqui?
O que permitiu que o sangramento parasse rapidamente mesmo após trauma?
Q15: Um paciente pergunta ao médico: "Qual é a diferença entre sangrar demais e ter coágulos demais?"
Qual é a diferença entre sangramento e trombose?
🔴 AULA 9 — 05/03 — Trombose
Conceito: Tríade de Virchow
O QUÊ é Trombose? Um coágulo que se forma DENTRO de um vaso vivo (artéria ou veia). É tipo um entupimento perigoso!
TRÍADE DE VIRCHOW = 3 fatores mágicos:
1. Lesão Endotelial: Quando o "cano" fica machucado (aterosclerose = placa de gordura, trauma, cateter irritando). Sangue vê machucado e quer "proteger" com coágulo.
2. Estase/Turbulência: Quando o sangue fica LENTO ou parado (repouso, insuficiência cardíaca, voo longo, fibrilação atrial). Sangue parado = sangue coagulado!
3. Hipercoagulabilidade: Quando o sangue quer coagular DEMAIS (genético = fator V Leiden; adquirido = câncer, gravidez, pós-cirurgia). É tipo o sangue ficar "ligado demais" em coagular.
LEMBRA ASSIM: Um fator sozinho = geralmente NÃO forma trombose. MAS múltiplos fatores? Aí sim = risco CRESCE E CRESCE!
Trombose Arterial vs Venosa
Culpado: Aterosclerose (placa gordura rasgou) → RÁPIDA (minutos!)
O quê? Muita plaqueta + enzima TXA2
Resultado: Infarto AGUDO (coração morre, cérebro para)
Cura: Aspirina (quebra plaqueta) + Heparina (bloqueia fibrina) + Trombolítico (dissolve coágulo) + Cateter (abre vaso mecanicamente)
Culpado: Sangue parado/viagem longa → LENTA (horas/dias!)
O quê? Fibrina + células vermelhas aderidas
Resultado: Inchaço na perna (TVP) ou embolia pulmão (TEP)
Cura: Warfarina crônica (afina sangue) por 3-6 meses ou para SEMPRE
LEMBRA A DIFERENÇA: Arterial = RÁPIDA + INFARTO. Venosa = LENTA + INCHAÇO.
Composição e Evolução de Trombo
O QUÊ tem dentro de um trombo?
CORPO: Camadas de plaquetas vermelhas + fibrina branca COLADAS na parede do vaso.
CAUDA: Uns pedaços soltos que PODEM se desprender e virar embolia!
OBS: Trombo é diferente de coágulo: trombo GRUDA no vaso, coágulo pós-morte só preenche.
O QUE ACONTECE COM O TROMBO (4 destinos possíveis)?
→ LISE (MELHOR!): Corpo dissolve sozinho em 7-10 dias. Trombo desaparece = voltou ao normal!
→ ORGANIZAÇÃO: Células novas invadem trombo e transformam em CICATRIZ = vaso fica estreito para sempre.
→ CANALIZAÇÃO: Vasinhos novos passam DENTRO do trombo = um pouco de sangue passa de novo (não é bom, mas é alguma coisa).
→ EMBOLIA (PIOR!): Trombo se solta, viaja pelo vaso e ENTOPE outro lugar (pulmão, cérebro, coração)!
Consequências de Trombose
O QUE ACONTECE QUANDO VASO ENTOPE?
Sangue PARA → Célula fica sem oxigênio → Célula respira "errado" → Célula MORRE = INFARTO!
INFARTO BRANCO/PÁLIDO:
Artéria terminal pura, sem ajuda nenhuma → Tecido morre BRANCO = sem sangue nenhum.
Exemplo: Rim, baço ficam brancos.
INFARTO HEMORRÁGICO/VERMELHO:
TINHA vaso paralelo que ajuda → Sangue vem de outro lado → Tecido fica VERMELHO de sangue.
Exemplo: Pulmão, cérebro (quando trombo dissolve e sangue volta = pode virar infarto vermelho!)
INCHAÇO NA PERNA (Edema de TVP (Trombose Venosa Profunda)):
Se veia fica entupida → Sangue não consegue SAIR da perna → Líquido acumula → Perna INCHAÇO!
Esse inchaço é mole e deixa marca quando aperta (edema pitting = TÍPICO de TVP).
Trombose Venosa Profunda (TVP)
O QUÊ é TVP (Trombose Venosa Profunda)? Trombo em veia profunda da perna. Geralmente na panturrilha ou coxa.
QUEM TEM RISCO? Gente que fica imóvel (cirurgia, cama), com câncer, ou gestante. Risco = 1-2% população geral, MAS 10% em hospitalizados sem prevenção!
SINAIS QUE APARECEM (procure esses!):
INCHAÇO: Perna incha (mede com fita = diferença >2cm é suspeito!)
DOR: Panturrilha dói, especialmente ao esticar pé (sinal de Homans)
VERMELHIDÃO: Pele fica vermelha por inflamação
QUENTE: Local fica mais quente que outro lado do corpo
PROBLEMA: 20-30% das TVP proximal são SILENCIOSAS = sem sintomas!
COMO CONFIRMA TVP (Trombose Venosa Profunda)?
→ ULTRASSOM DOPPLER (melhor teste!): Vê se veia COMPRIME (normal) ou NÃO COMPRIME (trombo).
→ D-DÍMERO (teste sangue): Se NEGATIVO = provavelmente NÃO tem TVP (Trombose Venosa Profunda)! Se POSITIVO = precisa de ultrassom.
COMO TRATA TVP (Trombose Venosa Profunda)?
EMERGÊNCIA (primeiras horas):
Heparina IV URGENTE (afina sangue rápido) ou Enoxaparina SC (heparina injetável em casa)
CRÔNICO (meses/anos):
Warfarina PO (pílula que afina sangue, precisa monitorar) por 3-6 meses MAS se TVP recorrente ou sem causa aparente = PARA SEMPRE!
OU NOACs (novos anticoagulantes que não precisa tanto monitoramento)
INCÔMODO LEVE: Elevar perna, meias compressivas (ajuda a tirar inchaço e previne síndrome pós-trombótica)
EMERGÊNCIA MÁXIMA (TVP GIGANTE): Pode precisar de cirurgia mecânica (trombectomia) ou remédio DISSOLVE coágulo (trombolítico)
LEMBRA: A SÍNDROME PÓS-TROMBÓTICA é um problema que vem DEPOIS, anos depois: perna incha sempre, fica ferida que não cicatriza, pele fica feia. Por isso é importante tratar rápido!
Slides da Aula — Trombose
Flashcards - Trombose
Quiz - Trombose
Q1: Uma mulher de 32 anos, em uso de anticoncepcional oral, viaja 12h em avião. Ao desembarcar, apresenta edema e dor na panturrilha direita. Qual fator da Tríade de Virchow é MAIS relevante aqui?
Q2: Um homem 58 anos com suspeita baixa de TVP (Wells score 1 ponto). D-dímero retorna NEGATIVO. Qual é a próxima conduta?
Q3: TVP confirmada em homem 45 anos. Qual é o anticoagulante de PRIMEIRA ESCOLHA nas primeiras 24h?
Q4: Qual é a diferença entre trombo BRANCO e VERMELHO?
Q5: Qual é o MELHOR destino possível de um trombo venoso profundo?
Q6: Uma mulher 62 anos com TVP de perna iniciou anticoagulação, MAS no terceiro dia apresenta dispneia aguda + dor torácica pleurítica + taquicardia. O que aconteceu?
Q7: Uma mulher 55 anos com TVP extensa MAS tem alergia a heparina (HIT - trombocitopenia induzida por heparina). Anticoagulação está contraindicada. Qual é a salvação?
Q8: Um jovem 28 anos, sem cirurgia recente, apresenta TVP idiopática. Qual trombofilia hereditária é MÁS COMUM neste caso?
Q9: Uma mulher, 3 anos após TVP tratada, apresenta cronicamente: edema progressivo na perna + úlcera em gaiter zone (tornozelo). Qual é o diagnóstico?
Q10: Compare velocidade de formação: trombo arterial vs trombo venoso. Qual é MAIS rápido?
Q11: Qual achado NO EXAME CLÍNICO é MAIS específico para TVP de membro inferior?
Q12: Um homem 65 anos apresenta PRIMEIRA TVP idiopática (sem causa provocadora). Por quanto tempo precisa anticoagular?
Q13: Um homem 70 anos com câncer de pâncreas recentemente diagnosticado apresenta TVP de perna. Como é a anticoagulação diferente?
Q14: Uma mulher 50 anos com TVP idiopática precisa anticoagulação crônica. Qual é a DESVANTAGEM de warfarina comparado a NOAC?
Q15: Um homem passa por cirurgia ortopédica grande (prótese de joelho). Qual é a profilaxia PADRÃO para TVP pós-operatória?
Questões Dissertativas - Trombose
E1: Descreva a Tríade de Virchow com exemplos clínicos de cada componente e como cada um contribui ao risco trombose.
E2: TVP (Trombose Venosa Profunda) vs arterial: comparar composição, velocidade formação, manifestações clínicas, tratamento e prognóstico.
Resposta: TVP (Trombose Venosa Profunda) = fibrina + RBC + plaquetas, lento (horas-dias), edema/oclusão venosa, anticoagulação crônica, bom prognóstico se tratada. Trombose Arterial = plaquetas + TXA2, rápido (minutos), isquemia/infarto agudo, antiagregantes + trombolíticos/PCI, pior prognóstico se não reperfusão rápida.
E3: Síndrome Pós-Trombótica: mecanismo, manifestações clínicas, prevenção.
Resposta: SPT = recanalization incompleta + dano valvular venoso → insuficiência venosa crônica. Manifestações = edema persistente, úlcera trófica, dermatite, lipodermatosclerose (anos após TVP (Trombose Venosa Profunda)). Prevenção = anticoagulação rápida (heparina) + meias compressão + mobilização cedo + reabsorção.
E4: Protocolo diagnóstico e tratamento de paciente com suspeita TVP (Trombose Venosa Profunda) usando Escala Wells e D-dímero.
Resposta: Escala Wells: Score > 2 = TVP (Trombose Venosa Profunda) provável, < 2 = improvável. Se score baixo + D-dímero negativo = TVP (Trombose Venosa Profunda) excluída (VPN 99%). Se score alto OU D-dímero elevado = US duplex (goldstandard). Se US confirma TVP (Trombose Venosa Profunda) = Heparina IV (bolus + infusão) + Warfarina PO (loading) → INR (Razão Normalizada Internacional) 2-3 em 3-5 dias → alta com warfarina 3-6 meses (provável) a vitalício (idiopática).
💜 AULA 10 — 10/03 — Farmacodinâmica + SNA Parassimpático
FARMACODINÂMICA: Mecanismos de Ação de Fármacos
Farmacodinâmica = estudo do efeito do fármaco no corpo (mecanismo de ação molecular).
Alvos Moleculares: Receptores, enzimas, canais iônicos, transportadores.
Conceitos Fundamentais
RECEPTOR: Proteína especial no corpo que "pega" no remédio. Quando pega = manda sinal = efeito acontece.
AFINIDADE: Como o remédio "gosta" de prender no receptor. Quanto mais gosta = pega melhor.
EFICÁCIA: Quanto de EFEITO o remédio consegue fazer. Máxima = efeito TOTAL. Parcial = só metade.
4 TIPOS DE REMÉDIOS (MUITO IMPORTANTE!):
1. AGONISTA COMPLETO (melhor amigo!)
Abre a porta COMPLETAMENTE. Exemplo: Adrenalina faz coração BATER FORTE.
Efeito máximo = 100%!
2. AGONISTA PARCIAL (amigo meia boca)
Abre a porta SÓ METADE. Mesmo que você force, não abre mais.
Efeito máximo = só 50% (melhor do que nada mas não é ideal).
3. ANTAGONISTA COMPETITIVO (bloqueia temporário)
Chave que BLOQUEIA a porta (mas outro remédio consegue empurrar ela).
Tipo: Beta-bloqueador quer bloquear coração, MAS se vem adrenalina = consegue passar.
4. ANTAGONISTA NÃO-COMPETITIVO (bloqueia PERMANENTE)
Chave que TRAVA a porta para SEMPRE. Nada consegue abrir.
Tipo: Fenoxibenzamina cola na porta = bloqueio que dura dias!
LEMBRA ASSIM: Agonista = abre porta. Antagonista = fecha porta. Se é COMPETITIVO = consegue desbloquear. Se é NÃO-COMPETITIVO = travou PARA SEMPRE!
PROBLEMA COM REMÉDIO CRÔNICO (Tolerância):
Se toma o mesmo remédio TODO DIA = corpo se adapta = remédio funciona menos = precisa aumentar dose!
Por quê? Receptor desaparece (down-regulation), receptor ativa mas desliga rápido (desensibilização), ou corpo metaboliza remédio mais rápido (indução enzimas).
Sistema Nervoso Autônomo (SNA) - Visão Geral
PARASSIMPÁTICO = REPOUSO ("Rest & Digest")
Neurotransmissor: Acetilcolina (ACh = molécula especial)
Receptores: Muscarínicos (5 tipos) ou Nicotínicos (2 tipos)
Efeito: Relaxa, digere, coração LENTO, brônquios FIT, pupila pequena
SIMPÁTICO = PERIGO ("Fight or Flight")
Neurotransmissor: Norepinefrina (NE = adrenalina)
Receptores: Adrenérgicos (α1, α2, β1, β2, β3)
Efeito: Acelera, para digestão, coração RÁPIDO, brônquios ABREM, pupila GRANDE
LEMBRA ASSIM: Parassimpático = repouso relaxado. Simpático = correndo do leão!
SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Parassimpático - Receptores Colinérgicos
Receptores Muscarínicos (G-Protein Coupled Receptors):
M1 (Neuronal, Cérebro): Gq coupling → ↑ IP3/DAG → ↑ Ca²⁺ → depolarização → memória, cognição. Bloqueadores: atropina, pirenzepina.
M2 (Coração, Autorreceptor): Gi coupling → ↓ cAMP → hiperpolarização → ↓ FC (bradicardia), ↓ AV condução. Bloqueadores: atropina (cardioaceleração paradoxal em dose alta = M2 bloqueio > M3).
M3 (Músculo liso, Glândulas): Gq coupling → ↑ Ca²⁺ → contração/secreção. Efeitos: Broncoconstricção, miose (constrição pupila), salivação, lacrimejamento, micção. Bloqueadores: atropina (midríase, boca seca, retenção urinária), ipratropium (inalado = broncodilatação seletiva).
M4, M5: Menos caracterizados clinicamente. M4 = Gi (neuronal), M5 = Gq (cérebro, glândulas lacrimais).
Receptores Nicotínicos (Ligand-Gated Ion Channels = Canais Iônicos):
NN (Nicotina/Neuronal): Sinápses autonômicas (pré-ganglionares + pós-ganglionares). Liga ACh → canal Na⁺ abre → despolarização → transmissão ganglionar.
NM (Neuromuscular): Junção neuromuscular esquelética. Liga ACh → despolarização → potencial de ação múscul → contração. Bloqueadores: succinilcolina (despolarizante = paralisia depolarizante), rocúrio (não-despolarizante = bloqueio competitivo).
Parasimpatomiméticos (Agonistas Colinérgicos)
Objetivo: Mimetizar efeitos parassimpáticos (repouso/digestão).
Betanecol: Muscarínico M3 seletivo (não nicotínico) → contração músculo liso GI. Indicação: atonia intestinal pós-cirúrgica, retenção urinária (ativa bexiga). Contraindicação: asma (broncoconstricção), úlcera (secreção ácida ↑).
Pilocarpina: Muscarínico M3 (principalmente), pouco nicotínico → salivação, lacrimejamento, miose. Indicação: síndrome de Sjögren (boca seca), xerostomia pós-radioterapia, glaucoma (miose reduz pressão intraocular). Administração: tópica (oftálmica), PO. Efeito colateral: broncoconstricção (asma).
Neostigmina (Colinesterase Inhibitor): NÃO agonista direto. Inibe enzima acetilcolinesterase → ↓ degradação ACh → ↑ ACh sinapses → efeitos colinérgicos amplificados. Indicação: (1) Miastenia Gravis (doença autoimune, abs anti-NMJ receptor → déficit ACh) = neostigmina restaura ACh, (2) Reversão de bloqueadores neuromusculares não-despolarizantes (uso perioperatório). Mecanismo: carbamoilação covalente acetilcolinesterase (reversível a curto prazo). Efeito colateral: crise colinérgica (excesso = paralisia por despolarização muscular).
Organofosforado (Envenenamento por Inseticida): Inibe acetilcolinesterase IRREVERSIVELMENTE (fosforilação) → acúmulo ACh maciço → crise colinérgica grave. Manifestações = SLUDGE (Salivação, Lacrimejamento, Urinação, Defecação, GI motilidade ↑, Emese) + miose, bradicardia, broncoconstricção, paralisia. Tratamento: Atropina IV (bloqueio M2/M3 = broncodilatação, cardioaceleração), Pralidoxima (reaktiva colinesterase se tempo < 24h).
Parasimpatiolocos (Antagonistas Colinérgicos)
Objetivo: Bloquear efeitos parassimpáticos.
Atropina: Antagonista muscarínico não-seletivo (M1-M5 igual) → efeitos antimuscarínicos puros. Farmacocinética: bem absorvida PO, metabolizada fígado, T½ 3-4h. Efeitos:
- M2 bloqueio → ↑ FC (taquicardia), ↑ AV condução (paradoxo em dose baixa = bradicardia M2 autofeedback bloqueado; alta dose = taquicardia franca)
- M3 bloqueio → Midríase (dilatação pupila), cicloplegia (paralisia acomodação), boca seca, retenção urinária, obstipação
- Termogênese ↑ (efeito paradoxal em overdose = "dry as a bone, red as a beet, mad as a hatter")
Indicações: Antídoto organofosforado (crise colinérgica), bradicardia sintomática (M2 bloqueio), antiespasmódico GI, midríase cirúrgica.
Ipratropio (Brometo): Antagonista muscarínico M3 SELETIVO (tópico inalado) → broncodilatação SEM taquicardia sistêmica (ação local). Indicação: DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), asma (combinado com β2-agonista = sinergia). Mecanismo: M3 bloqueio em músculo liso brônquico reduz contração. Vantagem vs β2-agonista = sem tolerância, sem tremor, seguro cardiovascular.
Oxibutinina: Antagonista muscarínico M3 seletivo → relaxamento bexiga → anticholinergic. Indicação: incontinência urinária, bexiga hiperativa, espasticidade em lesão medular. Efeitos colaterais: boca seca, constipação, midríase.
Síndrome Anticolinérgica (Intoxicação por Bloqueadores Muscarínicos): "Dry as a bone, red as a beet, mad as a hatter, heart runs like a batter" = boca seca + rubor facial + alucinações/agitação + taquicardia + febre. Causas: atropina overdose, antihistamínicos, antidepressivos tricíclicos, difenhidramina (H1), proclorperazina. Tratamento: Fisostigmina (colinesterase agonista que cruza BBB) IV = anticrime colinérgica.
Integração Farmacológica Parassimpática
Miastenia Gravis (MG): Autoimunidade contra nAChR (Nicotinic Acetylcholine Receptors) na junção neuromuscular → bloqueio anticorpo IgG → abs (anticorpos) bloqueiam ACh ligação → deficiência juncional. Manifestações = ptose, diplopia, fraqueza muscular (piora com exercício). Tratamento: (1) Neostigmina (↑ ACh sinapses), (2) Corticoides (suprimir autoimunidade), (3) Plasmaférese (remover anticorpos), (4) Timectomia (remover timo = origem autoimunidade), (5) Bloqueadores β (propranolol = efeito sinergético com neostigmina).
Glaucoma: Aumento pressão intraocular (PIO) → dano óptico → cegueira. Tratamento: (1) Parasimpatomiméticos = Pilocarpina (miose abre ângulo iridocorneal → drena fluido aquoso → reduz PIO), (2) Prostaglandinas (latanoprosta = ↑ drenagem uveal), (3) β-bloqueadores (timolol = ↓ produção fluido aquoso), (4) Inibidores anidrase carbônica (acetazolamida = ↓ aqueous humor).
DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica)/Asma: Broncoconstricção (músculo liso brônquico ↑ contração) → obstrução via aérea → hipoxia. Tratamento: (1) β2-agonista (salbutamol = broncodilatação rápida, albuterol curta duração), (2) Antagonista muscarínico inalado (ipratropio = broncodilatação sem taquicardia), (3) Combinação = sinergia máxima (β2 via cAMP, M3 bloqueio via Ca²⁺).
Slides e Flashcards - Farmacodinâmica SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Parassimpático
Flashcards - Farmacodinâmica SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Parassimpático
Quiz - Farmacodinâmica SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Parassimpático
Questões Dissertativas - Farmacodinâmica SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Parassimpático
E1: Descreva farmacodinâmica: afinidade, eficácia, agonista completo, agonista parcial, antagonista. Dê exemplos clínicos.
Resposta: Farmacodinâmica = mecanismo de ação molecular. Afinidade (Kd = probabilidade ligar receptor, ↓ Kd = ↑ afinidade) vs Eficácia (capacidade ativar receptor, 0-100%). Agonista completo = afinidade boa + eficácia 100% (epinefrina β1 = inotrópico máximo). Agonista parcial = afinidade boa + eficácia 30-80% (aripiprazol D2 = terapêutico esquizofrenia, evita supressão dopamina extrema). Antagonista = afinidade boa + eficácia 0% (atropina M2/M3 = bloqueia sem ativar). Modulador alostérico = liga sítio DIFERENTE, muda afinidade/eficácia agonista (benzodiazepina amplifica GABA).
E2: Envenenamento por organofosforado: patofisiologia, manifestações SLUDGE, tratamento (Atropina, Pralidoxima).
Resposta: Organofosforado (inseticida agrícola) = fosforilação irreversível de serina ativa de acetilcolinesterase → enzima inativa → ACh não é degradado → acúmulo maciço nas sinapses (muscarínico + nicotínico). Manifestações SLUDGE = Salivação (M3 glândulas), Lacrimejamento (M3 glândulas lacrimais), Urinação (M3 bexiga), Defecação (M3 GI), GI motilidade ↑ (M3 músculo liso), Emese (CTZ, vagal). MAIS = miose (M3 pupila), bradicardia (M2 coração), broncoconstricção (M3 brônquios), paralisia muscular (nicotínico NM = despolarização contínua). Letal se ↑ CA massivo → parada respiratória. Tratamento: (1) Atropina IV 2-5 mg/10 min (antagonista M2/M3 = cardioaceleração, broncodilatação, dessecagem secretões), (2) Pralidoxima (2-PAM) IV (reaktiva colinesterase se tempo < 24h de exposição), (3) Benzodiazepinas (convulsões), (4) Suporte respiratório (intubação se necessário), (5) Atendimento toxicologia.
E3: Miastenia Gravis vs Síndrome de Lambert-Eaton: diferenças fisiopatológicas e tratamento farmacológico.
Resposta: MG = autoimunidade contra nAChR (nicotinic acetylcholine receptors) pós-sinápticos → bloqueio anticorpo anti-NMJ → deficiência ACh juncional. SLE = autoimunidade contra canais Ca²⁺ pré-sinápticos → bloqueio liberação vesículas ACh. MG = ptose, diplopia, fraqueza PIORA com exercício repetitivo (receptores já bloqueados). LEMS = fraqueza MELHORA com exercício repetitivo (Ca²⁺ acumula → mais liberação ACh). Tratamento MG: Neostigmina (↑ ACh sinapses), corticoides/plasmaférese (supressor autoimunidade), timectomia. Tratamento LEMS: 3,4-diaminopyridine (bloqueia K⁺ pré-sináptico → mais despolarização → mais Ca²⁺ → mais ACh liberado), corticoides/plasmaférese.
E4: DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica)/Asma: mecanismo broncoconstricção, tratamento com β2-agonista + antagonista muscarínico (sinergia farmacológica).
Resposta: Broncoconstricção em DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) = (1) Perda β2-adrenérgico endógeno (autorreceptor bloqueado em doença crônica), (2) Aumento tônus colinérgico (M3 ativado). Músculo liso brônquico contração via: Ca²⁺ (M3 → IP3 → Ca²⁺ liberação SR) + Rho-kinase (hipersensibilidade). Tratamento duplo = sinergia: (1) β2-agonista (salbutamol/formoterol) liga β2 → Gs → ↑ cAMP → PKA ativa → MLCK fosforilação inativa → relaxamento (via cAMP). (2) Antagonista muscarínico inalado (ipratropio) bloqueia M3 → ↓ IP3 → ↓ Ca²⁺ liberação → relaxamento (via Ca²⁺). Dois mecanismos DIFERENTES = máxima broncodilatação. Corticosteroide inalado (beclometasone) reduz inflamação + resgata β2-receptores dessensibilizados. NUNCA β2-agonista monoterapia crônica (dessensibilização por down-regulation + risco morte asmática paradoxo). Formulação: Qvar (ICS) + Formoterol (LABA) + Ipratropio combo = terapia tripla.
E5: Glaucoma: mecanismo aumento PIO, tratamento com pilocarpina e outros agentes.
Resposta: Glaucoma = aumento pressão intraocular (PIO) → dano óptico progressivo → visão periférica perda → cegueira se não tratado. Anatomia: Fluido aquoso produzido pelo corpo ciliar → anterior câmara → drena ângulo iridocorneal (Schlemm canal) e via uveal (10%). Aumento PIO = (1) ↑ produção fluido aquoso, (2) ↓ drenagem ângulo. Tratamento pilocarpina = agonista muscarínico M3 seletivo → contração ciliar + miose → abre ângulo iridocorneal → ↑ drenagem fluido aquoso → ↓ PIO. Mecanismo = M3 Gq → Ca²⁺ → contração músculo ciliar (tração na trabécula). Outros agentes: (1) Prostaglandinas (latanoprosta tópica) = ↑ drenagem uveal, (2) β-bloqueadores (timolol) = ↓ produção aquoso (diminui cAMP em ciliar), (3) Inibidores anidrase carbônica (acetazolamida) = ↓ produtor aquoso (diminui HCO3 secreção), (4) Agonista α2 (brimonidina) = ↓ produção + ↑ drenagem. Tratamento moderno = prostaglandinas 1ª linha (eficácia > pilocarpina antiga), β-bloqueador 2ª, combinação se inadequado. Pilocarpina raramente usada agora (incômodo local, fotofobia, miopia induzida, tolerância).
Questões de Múltipla Escolha - Farmacodinâmica + SNA Parassimpático
Q1. O receptor é como uma:
💡 Receptor = proteína especial no corpo que "pega" no remédio. Quando encaixa = envia sinal = efeito acontece. Cada receptor é uma fechadura específica para uma chave específica.
Q2. Agonista é uma droga que:
💡 Agonista = chave que abre a porta completamente = eficácia máxima (100%). Exemplo: adrenalina no coração = faz bater FORTE = efeito 100%.
Q3. Antagonista é uma droga que:
💡 Antagonista = chave que trava a porta = 0% efeito próprio, bloqueia a chave real. Exemplo: atropina = bloqueia acetilcolina (parassimpático) = sem efeito parassimpático.
Q4. Agonista parcial abre a fechadura:
💡 Agonista parcial = chave que abre SÓ METADE, mesmo forçando. Eficácia máxima = 50-80% apenas. Melhor que antagonista (algo) mas pior que agonista pleno (limitado).
Q5. Potência é diferente de eficácia porque:
💡 Potência = quanto remédio precisa (1mg vs 10mg vs 100mg?). Eficácia = quanto EFEITO consegue NO MÁXIMO (100% ou só 50%?). Droga pode ser potente (pouquíssima dose) mas baixa eficácia (máximo 50%).
Q6. Curva dose-resposta mostra que:
💡 Curva dose-resposta = sigmoide. Começa zero, sobe (dose aumenta efeito), depois PLANALTO (teto, não sobe mais). Teto = eficácia máxima daquela droga.
Q7. Acetilcolina (ACh) é o neurotransmissor:
💡 ACh = molécula especial parassimpático. Quando liberada = "rest & digest" = coração LENTO (bradicardia), pupilas PEQUENAS (miose), saliva MUITA, brônquios FECHAM (broncoconstricção).
Q8. Receptores muscarínicos (M1-M5) respondem a:
💡 Muscarínico = tipo de receptor parassimpático que ACh ativa. Tem 5 tipos (M1, M2 no coração, M3 em boca/pulmão, M4, M5) com efeitos diferentes. M2 no coração = bradicardia.
Q9. Receptores nicotínicos ativam:
💡 Nicotínico = outro tipo receptor parassimpático. Tem 2 tipos: NN (neuronal) nas sinápses e NM (neuromuscular) músculos. Quando ACh ativa = despolarização rápida = transmissão urgente.
Q10. Atropina bloqueia receptores muscarínicos causando:
💡 Atropina = antagonista muscarínico. Bloqueia parassimpático = coração RÁPIDO (perde freio), pupilas GRANDES (perde constrição), boca SECA (perde saliva), não consegue urinar (perde bexiga). Mnemônico: "seco como osso, vermelho como beterraba, louco como chapeleiro".
Q11. Pilocarpina em glaucoma funciona porque:
💡 Pilocarpina = agonista muscarínico M3 em colírio. Ativa = abre câmara anterior = drena líquido = glaucoma melhora. Efeito colateral: pupilas muito pequenas (miose) = visão embaçada. Hoje raramente usada (prostaglandinas são melhores).
Q12. Neostigmina é diferente de agonistas diretos porque:
💡 Neostigmina = anticolinesterásico (indireto). Não ativa receptor, mas PREVINE degradação = ACh fica na sinapse mais tempo = efeito amplificado. Uso: miastenia gravis (restaura ACh depleto). Útil quando próprio ACh endógeno é o problema.
Q13. Intoxicação por organofosforado causa morte por:
💡 Organofosforado (inseticida) TRANCA colinesterase = não destrói ACh = CRISE COLINÉRGICA = SLUDGE (Salivação, Lacrimejamento, Urinação, Defecação, GI motilidade ↑, Emese) + miose, bradicardia, paralisia = MORTE. Tratamento emergencial: Atropina IV + Pralidoxima (reativa enzima).
Q14. O parassimpático no coração causa:
💡 Parassimpático = "repouso". No coração = BRADICARDIA (coração LENTO). Via receptores M2 = bloqueado por atropina = taquicardia surge. Oposição ao simpático: Simpático = bate RÁPIDO (perigo), Parassimpático = bate LENTO (repouso).
Q15. O parassimpático nas pupilas causa:
💡 Parassimpático = pupilas PEQUENAS (miose) = conserva luz no olho = repouso. Simpático = pupilas GRANDES (midríase) = deixa passar mais luz = preparação para ação. Atropina bloqueia M3 = midríase = pupilas dilatadas (anti-parassimpático).
💗 AULA 11 — 13/03 — Embolia, Choque e Reparo Tecidual
EMBOLIA
- Êmbolo = uma "rolha" que viaja pelo cano (coágulo, gordura, ar, bactéria)
- Quando chega num lugar estreito → fica PRESO → entope tudo
- Resultado: sem sangue passando (isquemia) → células morrem (infarto)
Trombótico (90%) = coágulo (sangue congelado)
Gorduroso = gordura da medula (depois de fratura óssea)
Gasoso = bolha de ar (mergulho, cirurgia)
Tumoral = pedaço de tumor
Bactéria / Amniótico = menos comum
Embolia Pulmonar (TEP)
O QUÊ é TEP (Tromboembolismo Pulmonar)? Um coágulo (ou gordura, ou ar) VIAJA até o pulmão → entope artéria do pulmão → coração não consegue bombear → EMERGÊNCIA!
ONDE VINHA ESSE COÁGULO? 90% das vezes: perna (TVP) → viaja pela veia → chega no pulmão e TRAVA!
O QUE ACONTECE NO PULMÃO?
Coágulo bloqueia artéria pulmonar → Pulmão não consegue CAPTURAR oxigênio → Sangue fica AZUL (hipóxia) → Coração bomba mais forte → Pulmão fica com PRESSÃO ALTA → Coração cansa
SINTOMAS QUE APARECEM RÁPIDO:
→ FALTA DE AR (dispneia)
→ DOR NO PEITO
→ DESMAIO (se TEP (Tromboembolismo Pulmonar) gigante)
→ Coração BATE RÁPIDO (taquicardia)
→ Respira RÁPIDO (taquipneia)
→ Oxigênio BAIXO no sangue (hipóxia)
EKG (no monitor do coração): Normalmente é CHATO (sem padrão típico), MAS se maciço = pode mostrar "S1Q3T3" ou onda T de cabeça para baixo no pulmão
RX peito: Geralmente NORMAL ou mostra atelectasia (pulmão desabado) ou derrame (líquido no pulmão)
Diagnóstico: D-dímero (VPN alta em Wells baixo), TC angiografia pulmonar (goldstandard = trombo em vaso), ecocardiografia (disfunção RV prediz risco morte).
Tratamento: Heparina IV (anticoagulação aguda), Warfarina/NOAC (crônico 3 meses a vitalício), trombolíticos (alteplase IV) se TEP (Tromboembolismo Pulmonar) maciço/choque, trombectomia mecânica se contraindicação trombolítico, filtro IVC (se contraindicação anticoagulação).
Prognóstico: Pequeno < 5%, Maciço > 30%, Submassive 10-15%.
CHOQUE
Imagina um carro que deixa de funcionar porque:
- Tanque de gasolina VAZIO (não tem combustível)
- Ou o MOTOR quebrou (não consegue bombear)
- Ou as VIAS estão ENTUPIDAS (não chega gasolina)
→ 1) HIPOVOLÊMICO = Tanque VAZIO (sangramento, desidratação)
→ 2) CARDIOGÊNICO = MOTOR quebrado (infarto, insuf. cardíaca)
→ 3) DISTRIBUTIVO = Vasos ABREM demais (sepse/infecção)
→ 4) OBSTRUTIVO = Bloqueio mecânico (coágulo, água no saco do coração)
1. Não chega sangue → célula sem O2
2. Célula passa pro "modo economia" (anaeróbico) → ácido láctico acumula
3. Sem energia → bomba de sódio falha → água e cálcio entram na célula
4. Célula INCHA e MORRE
5. Morte celular → inflamação massiva → mais células morrem
6. SÍNDROME INFLAMATÓRIA SISTÊMICA → Sepse → MÚLTIPLA disfunção de órgãos → MORTE
✓ Urina = se for pouca = alerta!
✓ Lactato sangue = se estiver alto = célula sofrendo
✓ Sonda no coração = vê o O2 que chega
✓ Ultrassom coração = vê se coração funciona bem
Quiz - Embolia, Choque, Reparo
Q1: Um paciente sofreu fratura exposta de fêmur. Após 6 horas, apresenta dispneia súbita, taquicardia e baixa saturação. Exame revela crepitações pulmonares e insuficiência respiratória.
Qual diagnóstico melhor explica os achados?
Q2: Mergulhador profissional ressurge muito rápido de uma imersão de 20m. Minutos depois apresenta confusão mental, tremores, dores articulares difusas e dificuldade respiratória.
Qual é o mecanismo fisiopatológico?
Q3: Gestante de 36 semanas em trabalho de parto complicado por descolamento de placenta. Durante procedimento, apresenta colapso súbito, CID com sangramento massivo, insuficiência respiratória e choque refratário.
Qual complicação embólica está ocorrendo?
Q4: Paciente com varizes e imobilidade por fratura de tíbia há 2 semanas. Apresenta edema doloroso unilateral de membro e D-dímero elevado.
Qual é o risco imediato mais importante?
Q5: Homem de 65 anos com enfarte anterior há 5 dias. Apresenta hipotensão, taquicardia, extremidades frias e úmidas, oligúria e confusão mental.
Qual tipo de choque está ocorrendo?
Q6: Paciente em pós-operatório de cirurgia abdominal. Horas depois apresenta febre, confusão, PA caindo, frequência cardíaca 120, extremidades quentes e avermelhadas.
Qual é o mecanismo fisiopatológico deste choque?
Q7: Mulher com anafilaxia por picada de vespa. Apresenta urticária, edema angioneurótico, broncospasmo, hipotensão, confusão mental e parada cardiorrespiratória iminente.
Qual mecanismo causa este choque?
Q8: Paciente vítima de acidente automóvel com sangramento profuso por trauma abdominal. PA 70/40, frequência cardíaca 140, extremidades muito frias, respiração rápida, confusão.
Qual tipo de choque e qual é o mecanismo?
Q9: Após TEP maciço, paciente evolui com falha ventricular direita aguda, pressão venosa central elevada, extremidades azuladas, hepatomegalia e oligúria.
Qual complicação está ocorrendo?
Q10: Paciente em fase de inflamação (primeiras 24h) após grande queimadura. Apresenta edema tecidual massivo apesar de reposição agressiva de fluidos.
Qual é o fenômeno fisiopatológico responsável?
Q11: Ferida cirúrgica em pele fechada por primeira intenção há 7 dias. Sutura removida e ferida está cicatrizada. Histologia mostra colágeno tipo III sendo depositado.
Em qual fase do reparo tecidual estamos?
Q12: Paciente com laceração traumática da pele que cicatrizou espontaneamente sem sutura. Exame mostra contração das margens, tecido de granulação e epitelização lateral.
Qual mecanismo de cicatrização ocorreu?
Q13: Mulher de 25 anos desenvolveu cicatriz queloide após piercing. Cicatriz cresce ALÉM das margens da ferida original, é vermelha, enrugada e causa prurido e dor.
Qual é a diferença entre queloide e cicatriz hipertrófica?
Q14: Homem com infarte miocárdico extenso. Semanas depois, cicatriz miocárdica se forma. Exame mostra dilatação ventricular progressiva com adelgaçamento da parede.
Qual é o mecanismo de remodelamento adverso após infarte?
Q15: Cirrose hepática avançada com necrose hepatocelular massiva. Espera-se regeneração, mas há fibrose excessiva com depósito anormal de colágeno, levando a hipertensão portal progressiva.
Por que regeneração não ocorre e fibrose avança em cirrose?
🔵 AULA 12 — 17/03 — SNA Simpático
Receptores Adrenérgicos
α1 = vasos sanguíneos APERTAM (vasoconstrição) → PA (Pressão Arterial) sobe. Pupila GRANDE (midríase)
α2 = "freio" do sistema → menos adrenalina liberada → RELAXA
β1 = coração ACELERA e BOMBEIA mais forte
β2 = brônquios ABREM (broncodilatação) + vasos RELAXAM
β3 = gordura QUEIMA (lipólise)
LEMBRA DE NOVO: α = vasos, β1 = coração, β2 = pulmão. Se lembra de ABC: Alfa = Aperta vasos, Beta1 = Bate coração, Beta2 = 2 pulmões abrem!
BLOQUEADORES (remédios que FECHAM as fechaduras):
Prazosina, Doxazosina: Bloqueia α1 = vasos ABREM (hipertensão baixa)
Clonidina: Ativa α2 = RELAXA sistema (hipertensão, sedação)
Metoprolol, Bisoprolol, Atenolol: Bloqueia β1 = coração LENTO (pressão alta, proteção pós-infarto)
Propranolol: Bloqueia TUDO (α + β) = coração lento + vasos abrem
Salbutamol: ATIVA β2 = pulmão ABRE (asma, DPOC)
Simpatomiméticos (Agonistas Adrenérgicos)
O QUÊ é Simpatomiméticos? Remédios que ATIVAM o sistema simpático = ACELERADOR do corpo!
ADRENALINA (Epinefrina): A MÃEZINHA do corpo
Ativa: α + β1 + β2 (TUDO JUNTO!) = vasos apertam + coração BATE + pulmão abre + açúcar SOBE
Quando usa: ANAFILAXIA (alergia grave), choque, asma
Rapidão: Funciona em segundos! Duração curta (minutos)
NORADRENALINA (Norepinefrina): A chefe da pressão arterial
Ativa: α > β1 = vasos MUITO aperta + coração bate pouco
Quando usa: CHOQUE SÉPTICO (1ª linha!), pressão muito baixa
Infusão IV central: Precisa de cateter no peito, muito potente
DOPAMINA: A versátil
Ativa: POUCA dose (< 5) = rim funciona melhor, MÉDIA dose (5-10) = coração bate, MUITA dose (> 10) = vasos apertam
Quando usa: Choque leve (tipo sangramento pequeno)
Lembra assim: Aumenta a dose = vai mudando de efeito!
DOBUTAMINA: O inotropa
Ativa: β1 muito + β2 pouco = coração BOMBEIA FORTE + vasos ABREM
Quando usa: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA, coração fraco
Cuidado: Coração fica rápido (taquicardia), não dá pressão sozinha (tem que usar com vasopressor)
FENILEFRINA: O puro vasoconstritor
Ativa: α1 PURO = vasos APERTAM MAS coração não bate
Quando usa: Pressão muito baixa, quer aumentar pressão sem acelerar coração
Problema: Vasos apertam demais, dedos ficam azuis!
SALBUTAMOL (Albuterol): O broncodilatador
Ativa: β2 puro = pulmão ABRE
Quando usa: ASMA, DPOC, falta de ar
Inalado: Funciona em 5 minutos, bem-vindo em asma aguda!
Simpaticolíticos (Antagonistas Adrenérgicos)
β-Bloqueadores:
β1-SELECTIVOS (Metoprolol, Bisoprolol, Atenolol, Acebutolol):
BLOQUEIAM coração SÓ = coração LENTO, FRACO MAS pulmão OK!
Quando usa: Hipertensão, Protege coração pós-infarto (reduz morte 20%!), Angina, Arritmias
Vantagem: Asma OK (porque β2 pulmão ainda funciona)
Contra-indicação: Coração MUY lento, Bloqueio AV (elétrica ruim)
NÃO-SELETIVOS (Propranolol, Nadolol, Timolol):
BLOQUEIAM TUDO (α + β1 + β2) = coração LENTO + pulmão FECHA (broncoconstricção!) + Vasos APERTAM
PROBLEMA: CONTRAINDICADO ASMA! (pode ser FATAL)
Quando usa: Coração, hipertensão (rare agora pois tem melhores opções)
EFEITOS COLATERAIS de β-bloqueadores:
→ Coração LENTO (bradicardia)
→ CANSAÇO (fadiga, sonolência)
→ NÃO CONSEGUE DORMIR (insônia) = propranolol entra cérebro
→ PRESSÃO CAI (hipotensão)
→ SÍNDROME REBOTE: Se parar remédio de repente = coração DISPARA (taquicardia), arritmias, infarto! NUNCA PARAR DE REPENTE! Tem que ir diminuindo lentamente
α-Bloqueadores:
Prazosina (Antagonista α1 seletivo): Usa: hipertensão, BPH (inibe contração próstata/bexiga = relaxamento → melhora fluxo urinário). Efeito: vasodilatação, hipotensão ortostática (síncope ao levantar), reflexo taquicardia (barorreflexo). Início de ação: síncope de primeiro-dose (evita = dose noturna baixa progressiva).
Doxazosina, terazosina: Similar prazosina, T½ mais longa (dose QD vs BD).
Tamsulosina: α1A seletivo (próstata) vs α1B (vaso). Efeito: BPH sem hipotensão sistêmica (seletividade tecidual).
Fenoxibenzamina: Antagonista α não-seletivo e não-competitivo (ligação covalente = irreversível). Uso: feocromocitoma (catecol liberação massiça antes cirurgia, causa hipertensão + arritmia → bloqueia com fenoxibenzamina ANTES β-bloqueador para evitar hipertensão paradoxal). Efeito: vasodilatação, taquicardia reflexa.
Fentilamina: Antagonista α competitivo (mais seguro que fenoxibenzamina, reversível).
Integração Clínica - Hipertensão, Asma, Choque
Hipertensão Essencial: β-bloqueador (↓ FC (Frequência Cardíaca)/contractility) + ACE-I (vasodilatação) + diurético (volume ↓) + α-bloqueador (vasodilatação) = terapia escalonada.
Asma Aguda (Status Asmaticus): β2-agonista (salbutamol inalado) + antimuscarínico (ipratropio) + corticosteroide (metilprednisolona IV) + teofilina (broncodilatação). NÃO usar β-bloqueadores não-seletivos (broncoconstricção fatal).
Anafilaxy: Epinefrina IM 0.3-0.5 mg (1:1000) imediato = prioridade 1. Mecanismo = α (vasoconstrição, edema ↓) + β2 (broncodilatação, mediador liberação ↓). Depois = H1 bloqueador (difenhidramina), corticoides, vasopressor se necessário.
Feocromocitoma (Tumor Produtor Catecol): Libera norepinefrina/epinefrina massivamente → crises hipertensivas (PA 200/120), taquicardia, sudorese, ansiedade. Diagnóstico = plasma metanefrina ↑, urina metanefrina 24h ↑. Tratamento pré-cirurgia = (1) Fenoxibenzamina 10-80 mg PO QD-BID (bloqueia α antes cirurgia), (2) DEPOIS de α bloqueio controlado, β-bloqueador (propranolol 10-40 mg QID) para evitar taquicardia reflexa. Ordem = SEMPRE α bloqueio 1ª (se β-bloqueador sozinho = vasoconstrição extrema paradoxal = crise hipertensiva). Cirurgia com cuidado (catecol liberação massiva durante manipulação tumor).p>
Flashcards - SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Simpático
Quiz - SNA Simpático (Sistema de Luta ou Fuga) — 15 questões super simples
Q1: João estava dormindo tranquilamente quando ouve um barulho estranho. Seu coração dispara, as mãos tremem, a boca fica seca. Qual sistema nervoso foi ativado?
Qual sistema nervoso fez o coração disparar?
Q2: Maria está correndo para pegar o ônibus. Seu coração bate rápido, a respiração acelera, o intestino para. O que está causando isso?
O que faz tudo acelerar quando você corre?
Q3: Os receptores são como "fechaduras" no corpo. A adrenalina é como uma "chave mestra". Existem dois tipos principais de receptores: alfa e beta. Onde está o receptor beta que faz o coração bater mais rápido?
Qual receptor faz o coração disparar?
Q4: Pedro tem pressão alta. O médico deu a ele um remédio que bloqueia os receptores alfa. O que vai acontecer com os vasos sanguíneos dele?
O que faz os vasos relaxarem?
Q5: Ana está com asma. Seu médico deu a ela um remédio chamado salbutamol que dilata os pulmões. Qual receptor este remédio está ativando?
Qual receptor abre os pulmões?
Q6: Carlos tem pressão alta e toma um beta-bloqueador (metoprolol). Como este remédio faz a pressão cair?
Como o beta-bloqueador lowdown a pressão?
Q7: Uma pessoa com asma grave nunca deve tomar propranolol (um tipo de beta-bloqueador). Por quê?
Por que propranolol é perigoso na asma?
Q8: Gabriel leva um susto terrível e seu corpo libera muita adrenalina. Suas pupilas dilatam (ficam grandes), suas mãos ficam frias, o intestino para. Qual receptor está sendo ativado para fazer as pupilas dilatar?
Qual receptor dilata a pupila?
Q9: Um paciente vai passar por uma cirurgia de um tumor raro (feocromocitoma) que produz muita adrenalina. Antes da cirurgia, o médico dá fenoxibenzamina (um alfa-bloqueador) PRIMEIRO. Semanas depois, dá propranolol (um beta-bloqueador). Por quê essa ordem?
Por que bloqueio alfa ANTES do bloqueio beta?
Q10: Uma criança de 8 anos come uma comida com amendoim e sofre uma reação alérgica grave (anafilaxy): inchaço na garganta, dificuldade respirar, pressão cai. O pai dela precisa fazer algo RÁPIDO. O que fazer?
O que fazer na anafilaxy grave?
Q11: Um paciente toma beta-bloqueador por 5 anos para pressão alta. De repente, ele para o remédio "porque se sentia melhor". Uma semana depois, taquicardia severa, palpitações e até dor no peito. O que aconteceu?
Por que parar beta-bloqueador de repente é perigoso?
Q12: Dona Maria toma prazosina (um alfa-bloqueador) para pressão alta. Na primeira noite, ela levanta rápido da cama pra ir ao banheiro e quase desmaiar. Seu neto bate na porta e ela cai no chão. O que é isto?
Por que quase desmaiou ao levantar?
Q13: Qual é o efeito mais importante do simpático no intestino durante uma situação de susto ou luta?
O que faz o intestino parar?
Q14: Um paciente em choque séptico precisa de ajuda pra aumentar a pressão arterial e melhorar o coração. Qual é o vasopressor de PRIMEIRA linha recomendado?
Qual droga é a primeira escolha em choque séptico?
Q15: Resumo final: o que o sistema simpático faz em uma situação de "luta ou fuga"?
O que muda no corpo durante "luta ou fuga"?
⚡ BÔNUS — Anti-inflamatórios: AINEs, Corticoides, Antihistamínicos
Integração: Inflamação em Todas as Aulas
Inflamação = Resposta a Lesão Celular (Aula 1), Hemostasia (Aula 8), Trombose (Aula 9), Choque (Aula 11), Reparo (Aula 11)
Mediadores: Bradicinina, histamina, prostaglandinas, leucotrienos, TNF, IL-6, óxido nítrico.
Fármacos Anti-inflamatórios integram tratamento de múltiplas condições.
Cascata do Ácido Araquidônico
Fosfolipídios membrana → (fosfolipase C) → Ácido Araquidônico → (ciclooxigenase/lipoxigenase) → Mediadores
Via COX (Ciclooxigenase):
- COX (Ciclo-oxigenase)-1: Constitutiva (sempre presente) em plaquetas, estômago, rim. Produz TXA2 (plaquetas = agregação, vasoconstrição), PGI2 (endotélio = vasodilatação, antiagregação), PGE2 (estômago = muco protetor, rim = fluxo renal).
- COX (Ciclo-oxigenase)-2: Induzida (por inflamação). Produz prostaglandinas pró-inflamatórias (febre, dor, edema).
- AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais): Bloqueam COX (Ciclo-oxigenase)-1 + COX (Ciclo-oxigenase)-2 não-seletivo. Aspirina = bloqueio irreversível COX (Ciclo-oxigenase)-1 (acetilação covalente). Ibuprofeno/naproxeno = reversível.
- Coxibs (COX-2 seletivos): Celecoxib = bloqueia COX (Ciclo-oxigenase)-2 >> COX (Ciclo-oxigenase)-1. Reduz GI sangramento (COX-1 estômago preservado) MAS aumenta trombose/MI (perde PGI2 vascular = trombo ↑). Retirados mercado (rofecoxib/vioxx 2004).
Via LOX (Lipoxigenase): Ácido araquidônico → (5-LOX) → Leucotrienos (LT4, LT5, CysLT). Efeito = broncoconstricção, infiltração leucócito, edema, vasodilatação. Bloqueadores = montelucaste, zafirlucaste (asma, rinite alérgica).
AINEs (Anti-inflamatórios Não-Esteroides)
Mecanismo: COX (Ciclo-oxigenase) bloqueio → ↓ TXA2, PGE2, PGI2 → ↓ agregação plaquetária, ↓ dor (PGE2 = nociceptor sensitização), ↓ febre (hipotálamo), ↓ edema.
Não-Seletivos (Clássicos): Aspirina, ibuprofeno, naproxeno, indomethacina, meloxicam. Bloqueiam COX (Ciclo-oxigenase)-1 + COX (Ciclo-oxigenase)-2.
Aspirina (Ácido Acetilsalicílico): Bloqueio IRREVERSÍVEL COX (Ciclo-oxigenase)-1 → ↓ TXA2 plaqueta vida todo (7-10 dias) = antiagregante potente. Dose = 81-325mg QD prevenção primária/secundária. Efeitos colaterais = sangramento GI, alergia, asma (bloqueio COX (Ciclo-oxigenase)-1 desvia arachidônico → LOX → leucotrienos). Contraindicação = úlcera péptica ativa, alergia AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais)/aspirina, deficiência K-vitamina (Warfarina interação).
Ibuprofeno/Naproxeno: COX (Ciclo-oxigenase) reversível. Menos sangramento GI que aspirina (porque reversível = PGE2 pode regenerar-se). Naproxeno = T½ longa (permite BD dosing). Toxicidade = GI (ulceração, sangramento), renal (reduz fluxo → IRA (Insuficiência Renal Aguda) em depletados), cardiovascular (aumento MI/AVC com uso crônico = perda PGI2).
Indomethacina: COX (Ciclo-oxigenase) reversível potente. Uso específico = PCA (patente ductus arteriosus em RN), cefaleias, enxaqueca. Efeito colateral = GI grave, cefaleia "rebound" (paradoxal), vertigem.
Efeitos Adversos AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais):
- GI = ulceração, sangramento (bloqueio PGE2 muco protetor), perfuração. Risco = idade > 65, história úlcera, anticoagulante concomitante.
- Renal = redução fluxo renal (prostaglandinas vasodilatador renal), IRA (Insuficiência Renal Aguda) em depletados, hiperkalemia. Contraindicação = IRC (Insuficiência Renal Crônica) avançada.
- Cardiovascular = aumento MI/AVC (perda PGI2 vascular = trombose ↑). Maior risco = coxibs > não-seletivos.
- Alergia = anafilaxy rara, asma (bloqueio COX (Ciclo-oxigenase)-1 → LOX → leucotrienos).
- Interação Warfarina = deslocamento proteico (↑ INR (Razão Normalizada Internacional)) + antiagregante (sangramento ↑).
Proteção GI AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais): Omeprazol (PPI = ↓ HCl gástrico → ulceração ↓), misoprostol (PGE1 análogo = restora muco), coxibs (perda COX (Ciclo-oxigenase)-1 relativa).
Corticosteroides
Mecanismo: Ligam receptor glucocorticoide (citoplásma) → translocação núcleo → inibe NF-κB (fator transcrição inflamação) → ↓ transcrição TNF, IL-6, IL-8, adesinas → ↓ citocinas, ↓ infiltração leucócito, ↓ edema, imunosupressão.
Ação Rápida: Não-genômica (meia-vida minutos, citoplásma = membrane receptores rápidos).
Classificação por Duração: Ultra-curta (hidrocortisona 8-12h), curta (prednisona 18-36h), intermediária (metilprednisolona 24-36h), longa (dexametasona 36-72h).
Efeitos Adversos Crônicos:
- Síndrome Cushing = face lua-cheia, giba dorsocervical, estriações purpúreas, hipertensão, diabetes (hiperglicemia = bloqueio insulina + gliconeogênese ↑).
- Osteoporose = bloqueio osteoblasto + ↑ osteoclasto + ↓ absorção Ca intestinal = fatura óssea risco ↑.
- Imunossupressão = ↓ resposta imune → infecções oportunistas (PCP, CMV), TB reativação.
- Psiquiátricos = mania, depressão, psicose.
- Oftalmológicos = catarata, glaucoma (PIO ↑).
- Musculares = miopatia proximal.
Síndrome de Retirada: Bloqueio HPA (eixo hipotálamo-pituitária-adrenal) com uso crônico (> 3 semanas) → supressão ACTH/cortisol endógeno → descontinuação abrupta = deficiência cortisol aguda → choque adrenal (hipotensão, hiponatremia, hipoglicemia). Prevenção = taper gradual (redução 10% dose Q5-10 dias) até 7.5mg prednisona (dose fisiológica), depois pausar com cuidado.
Uso Clínico Integrado:
- Edema cerebral pós-trauma = dexametasona (penetra BBB melhor).
- Anafilaxy = metilprednisolona IV (prevenção recorrência bifásica).
- DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) exacerbação = metilprednisolona 125mg IV Q6h x 3-5 dias = ↓ inflamação via aérea.
- Choque séptico refratário = hidrocortisona 50mg IV Q6h (Surviving Sepsis 2021) = imunomodulação em DIC.
- DIC = causa subjacente + suporte (transfusões) + corticoides controversos (imunoregulação).
Antihistamínicos
Receptor H1 (mastócito, histamina): Causa prurido, eritema, edema, vasodilatação.
H1 Bloqueadores Geração 1 (Lipofílicos = penetram BBB): Difenhidramina, prometazina. Efeito = sedação (antagonismo H1 central), anticholinérgico (boca seca, retenção urinária, taquicardia). Uso = anafilaxy, reação alérgica aguda. Risco = overdose = coma, convulsão, síndrome anticolinérgica.
H1 Bloqueadores Geração 2 (Seletivos, não-lipofílicos = NOT BBB): Loratadina, cetirizina, fexofenadina. Efeito = pouca/nenhuma sedação (não cruza BBB), sem anticholinérgico. Uso = rinite alérgica crônica, urticária. Segurança melhor gen1.
Receptor H2 (estômago = HCl, coração = FC (Frequência Cardíaca)): Cimetidina, ranitidina (retirada), famotidina. Efeito = ↓ secreção HCl gástrica (prevenção úlcera) + leve cardioaceleração (H2 bloqueio no coração = ↓ inibição de catecolamina = não efeito clínico significante). Uso = úlcera péptica, GERD, profilaxia aspiração perioperatória (reduz volume/pH gástrico). Uso anafilaxy = H1 + H2 (combo = cobertura histamina melhor, embora H1 prioridade).
Flashcards - Anti-inflamatórios (10)
Quiz Anti-inflamatórios (10 questões)
💡 Explicação simples: As AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) bloqueiam DUAS enzimas — COX-1 e COX-2. Mas elas fazem coisas DIFERENTES!
🔑 COX-1 (Ciclo-oxigenase-1) = "protetor constitutivo":
• Sempre ligado (SEMPRE funciona) no estômago, rins, plaquetas
• Faz PGE2 (protetor muco gástrico), TXA2 (agregação plaqueta)
• Bloqueio COX-1 = ↓ proteção muco → ↑ risco úlcera (MAS ↓ coagulação = bom pós-MI)
🔑 COX-2 (Ciclo-oxigenase-2) = "inflamação induzível":
• Ligado QUANDO há inflamação/febre (não em repouso)
• Faz PGE2 e PGI2 (aumentam inflamação)
• Bloqueio COX-2 = ↓ inflamação/febre (BOM!) + menos efeito GI (porque não bloqueia protetor basal)
🔑 DIFERENÇA PRÁTICA:
• AINEs não-seletivos (ibuprofeno, naproxeno): bloqueiam AMBAS → bom para dor/inflamação MAS risco úlcera GI (porque bloqueia COX-1)
• Coxibs (celecoxibe): seletivos para COX-2 → menos úlcera GI (preserva protetor COX-1) MAS ainda tem risco cardiovascular (perdem efeito antitrombose de COX-1)
💡 Pense assim: COX-1 = guarida permanente. COX-2 = reforço chamado em caso de briga. AINEs atiram nos dois. Coxibs atira só no reforço (mais seguro para estômago).
💡 Explicação simples: Aspirina e ibuprofeno parecem iguais, mas o tipo de LIGAÇÃO que fazem é COMPLETAMENTE diferente — e isso muda TUDO!
🔑 ASPIRINA = Ligação COVALENTE IRREVERSÍVEL:
• Acetila (adiciona um grupo acetil) PERMANENTEMENTE os receptores
• Bloqueio persiste enquanto célula vive (plaqueta = 7-10 dias de vida)
• Efeito antitrombose = DURÁVEL (proteção semanas) mesmo após parar
• ✅ Por isso é 1ª linha pós-MI: toma aspirina uma vez → 7-10 dias de proteção contra coágulos!
🔑 IBUPROFENO = Ligação REVERSÍVEL:
• Se liga, mas depois sai (como magneto vs cola)
• Bloqueio desaparece horas após parar o medicamento
• Efeito antitrombose = CURTO (só enquanto toma)
• ⚠️ Não é proteção duradoura para coração!
📊 Implicação clínica — Por quê isso importa pós-MI?
• Pós-MI = risco coágulo nos primeiros dias/semanas = MORTAL
• Aspirina = toma uma vez → protegido por SEMANAS
• Ibuprofeno = pára de tomar → proteção DESAPARECE em horas → risco coágulo volta
💡 Pense assim: Aspirina = tatuagem permanente (enquanto vive). Ibuprofeno = caneta (apaga quando para de desenhar).
💡 Explicação simples: PGE2 (prostaglandina E2) é como o "guarda-costas" do estômago — protege contra o ácido!
🔑 O que PGE2 faz normalmente:
✅ (1) Aumenta espessura muco: cria barreira grossa contra ácido
✅ (2) Aumenta fluxo sanguíneo mucosa: traz nutrientes para reparar danos
✅ (3) Inibe células parietais: reduz produção ácido em repouso
⚠️ O PROBLEMA com AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais):
• AINEs bloqueiam prostaglandinas (para reduzir inflamação)
• MAS também bloqueiam PGE2 → muco ENFRAQUECE
• Ácido penetra epitélio desprotegido → ulceração (ferida gástrica) → sangramento → transfusão, até morte
🔑 QUEM ESTÁ EM RISCO ALTO de úlcera com AINE:
⚠️ (1) Idade > 65 (estômago mais frágil)
⚠️ (2) História prévia úlcera gástrica/duodenal
⚠️ (3) Infecção Helicobacter pylori (já compromete muco)
⚠️ (4) Usando Warfarina (anticoagulante = risco sangramento extra)
✅ PROTEÇÃO (para pacientes em risco):
✅ Opção 1: PPI (omeprazol, pantoprazol) = bloqueia ácido gástrico = ambiente alcalino permite cicatrização
✅ Opção 2: Misoprostol = RESTITUI PGE1 (análogo) = repõe proteção muco
✅ Opção 3: Simplesmente EVITAR AINE em risco alto
💡 Pense assim: PGE2 = colete à prova de bala do estômago. AINEs tiram o colete. Se tira, precisa de algo (PPI, misoprostol) para proteger!
⚠️ CONTRAINDICAÇÃO CRÍTICA: AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) em IC (Insuficiência Cardíaca) descompensada = PERIGOSO!
💡 Mecanismo: Nos rins, PGE2 normalmente faz um trabalho importante = INIBE reabsorção de sódio (Na⁺). AINEs bloqueiam PGE2 → perdem esse "inibidor" → rins reabsorvem MAIS Na⁺ → água segue atrás (osmose) → RETENÇÃO VOLUME! 🔑 O resultado em IC (Insuficiência Cardíaca):
• Coração já está fraco (não bombeia bem)
• Você ADICIONA mais volume → coração fica MAIS congestionado
• Pulmão enche de líquido (edema pulmonar) → falta de ar PIOR
• Periferias incham (edema periférico) → peso aumenta
• Pode precipitar IC descompensada AGUDA!
🔑 Por quê é pior em IC DESCOMPENSADA vs IC compensada?
• IC compensada = coração está conseguindo "lidar" com pressão
• IC descompensada = coração FALHOU = não tolera líquido extra
• Adicionar volume = pode ser a gota que faz o copo transbordar!
✅ ALTERNATIVA SEGURA para dor:
✅ Paracetamol (acetaminofeno): NÃO é AINE → não afeta prostaglandinas renais → não retém volume → SEGURO em IC
✅ Dose: 500-1000 mg 6/6h ou 8/8h (máximo 3-4g/dia)
💡 Pense assim: AINEs = fechar a comporta de drenagem dos rins. Em IC = coração já está afogando em líquido. Fechar mais comporta = afogar mais ainda!
💡 Explicação simples: Corticoides parecem bom (reduzem inflamação), mas em IM (Infarto do Miocárdio) crônico = PARADOXAL e perigoso!
🔑 FASE AGUDA (dias 1-3 pós-MI):
✅ Corticoides = reduz inflamação excessiva do miocárdio lesado = bom temporariamente
⚠️ PROBLEMA — Fase crônica (semanas/meses):
• Corticoides BLOQUEIAM TGF-β (Fator de Crescimento Transformador Beta)
• TGF-β é ESSENCIAL para cicatrização apropriada do coração
• Sem cicatrização boa → cicatriz fica FRACA → parede VE (Ventrículo Esquerdo) dilata
• VE dilatado = piora função cardíaca → IC (Insuficiência Cardíaca) piora!
• PARADOXAL: tentou proteger o coração, mas prejudicou a cicatrização!
🔑 ALTERNATIVA MELHOR = ACEI (Inibidor ECA = Enzima Conversora de Angiotensinogênio):
✅ ACEI bloqueia Angiotensina II (AngII)
✅ AngII ATIVA TGF-β (o problema!)
✅ Bloqueia AngII = menos TGF-β ativação = remodelação CONTROLADA do coração
✅ Resultado = cicatrização APROPRIADA sem dilatação excessiva
📊 Conclusão prática:
• Corticoides pós-MI agudo = talvez (ainda discutido), MAS
• Corticoides CRÔNICO pós-MI = EVITAR! Prejudica remodelação
• ACEI = 1ª escolha para proteger coração pós-MI (melhora cicatrização + reduz AngII)
💡 Pense assim: Corticoides = apagar inflamação muito rápido. Mas coração precisa de inflamação controlada para cicatrizar bem. ACEI = controla AngII que desencadeia cicatrização descontrolada.
💡 Explicação simples: Histamina é famosa em anafilaxia, MAS não é o único vilão! Há todo um elenco de mediadores!
🔑 HISTAMINA:
• Causa: edema (inchaço), prurido (coceira), flushing (rubor facial)
• Bloqueador H1 (difenidramina) reduz esses efeitos
• PORÉM = histórico thinking foi que H1 bloqueador era suficiente para anafilaxia = ERRADO!
⚠️ O PROBLEMA: Anafilaxia TAMBÉM libera OUTROS mediadores:
⚠️ (1) Triptase: de mastócitos → causa edema (ainda pior que histamina)
⚠️ (2) Leucotrienos: LTC4, LTD4 → causa broncoespasmo SEVERO (mais potente que histamina!)
⚠️ (3) Bradicinina: → colapso vascular → choque profundo
⚠️ (4) Outros: IL-6, TNF-α, óxido nítrico → amplificam tudo
🔑 POR QUÊ H1 bloqueador SÓ = INSUFICIENTE:
• Bloqueia histamina → reduz coceira/edema superficial
• MAS não bloqueia leucotrienos → pulmão ainda fecha
• MAS não bloqueia bradicinina → choque continua
• Paciente ainda MORRE apesar de H1 bloqueador!
✅ SOLUÇÃO = EPINEFRINA (Adrenalina):
✅ (1) α = vasoconstrição → reverte choque
✅ (2) β1 = inotropia → bomba cardíaca
✅ (3) β2 = broncodilatação → abre pulmão
✅ ALÉM DISSO = inibe DEGRANULAÇÃO de mastócitos → PARA a liberação de TODOS mediadores (histamina, triptase, leucotrienos, bradicinina)!
📊 ORDEM CORRETA em anafilaxia:
✅ (1) PRIMEIRO: Epinefrina IM 0.3-0.5 mg (1:1000) = salvavida
✅ (2) DEPOIS: H1 bloqueador (difenidramina) = coadjuvante para sintomas
✅ (3) DEPOIS: H2 bloqueador (cimetidina) = proteção extra
✅ (4) DEPOIS: Corticoides = previne recorrência tardia
💡 Pense assim: H1 bloqueador = apagar apenas o fogo da sala de estar. Epinefrina = apagar o fogo da sala de estar + fechar torneira de gás (para de liberar mais fogo) + abrir janelas (respira) + pumpar sangue (sobrevive)!
💡 Explicação simples: Histamina tem DOIS tipos de receptores completamente diferentes — causam efeitos opostos!
🔑 RECEPTOR H1 (alérgico/anafilaxy):
✅ Localização: pulmão, vasos, pele, cérebro
✅ Bloqueador: difenidramina (Benedryl), cetirizina (Zirtec)
✅ Efeitos quando ativado: edema, prurido (coceira), broncospasmo (aperto pulmão), rubor
✅ Uso: alergia, urticária, anafilaxia (COADJUVANTE)
🔑 RECEPTOR H2 (ácido gástrico):
✅ Localização: células parietais estômago
✅ Bloqueador: cimetidina, ranitidina
✅ Efeitos quando ativado: estimula produção ácido HCl (normal em repouso)
✅ Uso: DRGE, úlcera, proteção durante anestesia
🔑 EM ANAFILAXIA — por quê usar AMBOS H1 + H2?
✅ (1) H1 bloqueador: bloqueia sintomas alérgicos (edema, prurido, broncospasmo)
✅ (2) H2 bloqueador: proteção EXTRA — se paciente vomita/aspira durante crise → ácido gástrico poderia piorar (H2 bloqueia produção ácido extra)
✅ Sinergia = protege de mais ângulos
💡 Pense assim: H1 = freia a alergia (pele, pulmão, vasos). H2 = freia o ácido (estômago). Anafilaxia = tempestade de tudo — usa H1 para frear a tempestade, H2 para proteção extra se tiver regurgitação.
💡 Explicação simples: Aspirina é um medicamento REVOLUCIONÁRIO pós-IM (Infarto do Miocárdio) — reduz morte de forma DRAMÁTICA!
🔑 NÚMEROS (muito importante!):
✅ Aspirina reduz mortalidade pós-MI em 25-50%
✅ Significa: a cada 100 pacientes infartados, aspirina salva 25-50 vidas!
✅ Efeito comprovado, recomendação CLASSE I (máximo nível)
⚠️ E OS RISCOS (alergia)?
✅ Alergia LEVE (urticária, coceira) = rare (< 2%) = controlável = NÃO pára aspirina
✅ Alergia SEVERA (anafilaxy = choque, asma agudo broncoespasmo) = RARA = stop aspirina, usar alternativa
🔑 ALTERNATIVAS se alergia severa:
✅ Ticlopidina (raro, efeito colateral potencial)
✅ Clopidogrel (Plavix) = bloqueador plaqueta similar
✅ MAS nenhuma tem benefício tão alto quanto aspirina!
📊 ANÁLISE BENEFÍCIO-RISCO:
• Benefício: salva 25-50 vidas a cada 100 infartados
• Risco: alergia leve em poucos % (e severa é rara)
• Conclusão: benefício >> risco = use aspirina SEMPRE pós-MI (exceto alergia severa documentada)
💡 Pense assim: É como escolher andar de carro (risco pequeno de acidente) vs nunca sair de casa (muito seguro mas vida ruim). Benefício de aspirina >> risco de alergia — a escolha é clara!
💡 Explicação simples: Lúpus (LES) e AR (Artrite Reumatoide) são autoimunidade — seu próprio sistema imune ataca você! Medicamentos diferentes têm papéis diferentes!
🔑 AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal) = INSUFICIENTE:
✅ Reduz dor local + inflamação local (ex: articulação inchada dói menos)
⚠️ MAS não freia autoimunidade de fundo = continua atacando
⚠️ Resultado: alívio temporário, mas doença continua deteriorando
🔑 CORTICOIDES (Prednisona) = MELHOR para autoimunidade:
✅ Reduz inflamação MASSIVAMENTE (Th2 cells inibição)
✅ Freia resposta autoimune (inibe T-cells, B-cells)
✅ Efeito rápido (dias vs semanas)
⚠️ MAS efeito colateral crônico (osteoporose, infecção, hiperglicemia)
🔑 IMUNOSUPRESSORES = GOLD-STANDARD para remissão:
✅ Metotrexato = bloqueia síntese DNA de linfócitos B/T
✅ Outros: azatioprina, micofenolato, biológicos (anti-TNF, anti-B cell)
✅ Objetivo: remissão completa (parar inflamação na raiz)
✅ Efeito lento (semanas-meses) mas durável
📊 ESTRATÉGIA COMBINADA (padrão moderno):
✅ (1) AINE: para dor local (articulação)
✅ (2) Corticoides: para inflamação geral inicial
✅ (3) Imunosupressor: para frear autoimunidade (longo prazo)
✅ Resultado: menos corticoide (menor efeito colateral) + remissão
💡 Pense assim: AINE = apagar fogo local (dor). Corticoide = apagar fogo geral rápido. Imunosupressor = consertar a torneira (para de incendiar). Precisa dos três para controlar a doença!
💡 Explicação simples: PPI (Proton-Pump Inhibitor) é a arma MAIS POTENTE contra ácido gástrico!
🔑 O QUE FAZ:
✅ Bloqueia a "bomba" (ATPase H⁺) da célula parietal estômago
✅ Reduz ácido de pH 1-2 (muito ácido, corrosivo) para pH 3-4 (menos ácido, mucosa consegue regenerar)
✅ Ambiente menos ácido = mucosa consegue cicatrizar melhor
🔑 INDICAÇÃO PRINCIPAL = PROTEÇÃO em pacientes com risco úlcera:
⚠️ (1) Idade > 65: estômago é mais frágil na idade
⚠️ (2) História prévia úlcera: indica mucosa propensa = risco recorrência
⚠️ (3) Usando AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal): combinação = risco muito alto
⚠️ (4) Helicobacter pylori: infecção já danifica muco
⚠️ (5) Warfarina (anticoagulante): risco sangramento extra
📊 EVIDÊNCIA CLÍNICA:
✅ AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal) + PPI = reduz ulceração/sangramento GI em 80%+
✅ Significa: protege a maioria dos pacientes em risco
✅ Recomendação CLASSE I em guidelines
✅ EXEMPLOS de PPIs: omeprazol (Losec), pantoprazol (Protium), esomeprazol
✅ Dose típica: 20-40 mg 1x/dia
✅ Timing: tomar 30 min ANTES do café (ativa melhor)
💡 Pense assim: PPI = neutraliza a fábrica de ácido. Se você não tem fábrica funcionando = mucosa consegue se reparar. Igual cicatrizar ferida — precisa estar limpa e seca, não ácida!
💡 Explicação simples: Misoprostol e omeprazol AMBOS protegem úlcera, MAS por caminhos completamente diferentes!
🔑 MISOPROSTOL = Restitui proteção diretamente:
✅ É um ANÁLOGO de PGE1 (prostaglandina)
✅ Recoloca a proteção que AINE tirou
✅ Aumenta muco, aumenta fluxo sangue mucosa
✅ Mecanismo: restitui PROTETOR que faltava
⚠️ PROBLEMAS com misoprostol:
• Diarréia em 10% pacientes (efeito colateral comum)
• Hipotensão (reduz PA) = PROBLEMA em hipertenso já tratando
• Abortivo (contrai útero) = CONTRAINDICADO gravidez
• Necessita 3-4x/dia (inconveniente)
🔑 OMEPRAZOL = Remove o agressor (ácido):
✅ É um PPI (Inibidor Bomba Prótons)
✅ Bloqueia produção ácido na raiz
✅ Mecanismo: reduz AGRESSOR (ácido) para que mucosa se cure
✅ VANTAGENS:
• Melhor tolerância geral (menos efeitos colaterais)
• 1x/dia (conveniente)
• Seguro hipertenso (não causa hipotensão)
• Seguro gravidez
📊 COMPARAÇÃO CLÍNICA:
• Ambos: protegem úlcera AINE ~80%
• Misoprostol: para quem tolera (sem HTA, sem diarréia fácil)
• Omeprazol: para maioria (HTA, QualidadeVida melhor)
🔑 ESTRATÉGIA MODERNA: PPI (omeprazol) é 1ª escolha pela tolerância
💡 Pense assim: Misoprostol = colocar um escudo novo (restitui protetor). Omeprazol = remover a espada (ácido). Omeprazol é mais simples porque é 1x/dia e não causa diarréia!
⚠️ COMPLICAÇÃO SÉRIA: AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) podem DANIFICAR rins acutamente!
💡 Mecanismo — Por quê:
🔑 Nos rins, PGE2 tem trabalho especial = DILATA vasos glomerulares (afere) = mantém fluxo sanguíneo glomerular. AINEs bloqueiam PGE2 → vasoconstrição glomerular → fluxo REDUZ → TFG (Taxa Filtração Glomerular) cai rapidamente!
📊 APRESENTAÇÃO CLÍNICA:
⚠️ Azotemia aguda: uréia sobe rápido (BUN altos)
⚠️ Creatinina ↑: marcador TFG = sobe em dias
⚠️ Oliguria: urina < 400 mL/dia (rins fracassando)
⚠️ Potássio ↑: hipercalemia (rins não conseguem eliminar K⁺)
⚠️ pH ↓: acidose metabólica (rins não conseguem acidificar urina)
⚠️ ALTO RISCO COM:
• Depleção volume: diarréia, vômito, sudorese → corpo já está tentando conservar fluido → AINEs pioram
• IRC (Insuficiência Renal Crônica): rins já danificados = margem mínima
• IC (Insuficiência Cardíaca): coração fraco → menos fluxo renal = rins já estressados
• Diabetes: nefropatia diabética já presente = risco extra
• Idade avançada: rins menos resilientes
✅ BOAS NOTÍCIAS:
✅ Efeito é REVERSÍVEL = para AINE → rins se recuperam em dias (se não dano permanente!)
✅ Monitorar creatinina + K⁺ durante uso
🔑 CONCLUSÃO: EVITAR AINEs nessa população! Se necessário = monitore muito, considere PPI proteção + hidratação
💡 Pense assim: PGE2 = válvula que mantém entrada água no rim. AINEs fecham a válvula → água não entra → rio seca (rim falha)!
⚠️ EFEITO COLATERAL CARDIO-VASCULAR: AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) aumentam risco coágulo!
💡 Mecanismo DUPLO (muito importante!):
🔑 (1) EFEITO PRÓ-TROMBOSE:
• AINEs bloqueiam COX-1 → reduz PGI2 (prostacyclina) nos vasos
• PGI2 normalmente = antitrombose + vasodilatação (proteção contra coágulo)
• Perder PGI2 = pró-trombose (favorece coágulo) = aumenta risco MI/AVC
🔑 (2) RETENÇÃO VOLUME + PA ↑:
• AINEs bloqueiam PGE2 renal → reabsorção Na⁺ ↑ → volume circulante ↑
• Mais volume = PA (Pressão Arterial) ↑ (se já tem HTA, piora)
• Coração estressado por pressão alta + volume extra = falha
• IC (Insuficiência Cardíaca) pode descompensar
📊 NET RESULT = TRADE-OFF PERIGOSO:
✅ Lado bom: anti-inflamação (reduz dor/febre)
⚠️ Lado ruim: pró-trombose + retém volume + PA ↑ = stress cardíaco
⚠️ ESPECIALMENTE PERIGOSO em CARDIOPATA ou PÓS-MI:
• Pós-MI = risco reinfarto já ALTO (primeiras semanas)
• AINE = adiciona risco coágulo = reinfarto ainda mais provável
• Risco AVC/MI aumenta 25-50% com AINE (vs baseline)
✅ ALTERNATIVA SEGURA = PARACETAMOL:
✅ Não afeta prostaglandinas → sem efeito pró-trombose
✅ Não retém volume → sem stress cardíaco
✅ Seguro em pós-MI / IC / HTA
🔑 RECOMENDAÇÃO CLÍNICA:
❌ NÃO use AINE pós-MI (mesmo que "pequena dor")
✅ USE paracetamol (acetaminofeno) para analgesia
💡 Pense assim: AINEs = apagar fogo local mas criar tempestade de tornado (coágulo + pressão). Paracetamol = apagar fogo local SEM criar tempestade!
⚠️ COXIB PARADOXO: Celecoxibe parece seguro para estômago, MAS ainda tem risco CV!
💡 Explicação simples: Coxibs (como celecoxibe) foram desenvolvidos para serem "seletivos" — bloqueam COX-2 (inflamação) mas PRESERVAM COX-1 (proteção muco). Parecem melhor!
🔑 VANTAGEM:
✅ Menos úlcera GI (porque preserva PGE2 muco)
⚠️ DESVANTAGEM ESCONDIDA:
• COX-1 também faz TXA2 (agregação plaqueta = pró-coágulo)
• Preservar COX-1 significa = TXA2 continua normal
• MAS bloqueio COX-2 reduz PGI2 (vasos)
• Resultado = DESEQUILÍBRIO: TXA2 (pró-coágulo) >> PGI2 (anti-coágulo)
• Net = Pró-trombose AINDA PRESENTE! (talvez até PIOR!)
📊 ESTUDOS CLÍNICOS (muito importante!):
⚠️ Celecoxibe pós-MI = aumenta risco reinfarto/AVC
⚠️ Não é "melhor" que ibuprofeno — apenas diferentes riscos (menos GI, mesma CV)
🔑 CONCLUSÃO CRUCIAL:
❌ NENHUM AINE é seguro pós-MI (não importa se seletivo ou não)
✅ Paracetamol = única escolha segura
💡 Pense assim: Coxib = vendeu como "novo e melhorado" = menos úlcera. MAS escondeu que ainda causa coágulo. Como escolher entre úlcera e infarto? Escolha paracetamol (nenhum dos dois!)!
⚠️ TERATÓGENO ESPECIAL: AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) no 3º trimestre = CONTRAINDICADO absolutamente!
💡 Mecanismo — Por quê é tão perigoso:
🔑 (1) DUCTO ARTERIOSO (Arterial Ductus):
• Feto não respira (pulmões cheios de fluido) → sangue bypassa os pulmões via ducto arterioso
• Normalmente, prostaglandinas MANTÊM o ducto ABERTO (durante gravidez)
• Após parto = quando respira = prostaglandinas caem = ducto FECHA (normal)
• MAS se mãe tomar AINE no 3º trimestre → bloqueia prostaglandinas fetais → ducto FECHA ANTES DO PARTO (anormalmente)
• Resultado = persistência ducto arterioso pós-parto → IC (Insuficiência Cardíaca) neonatal + shunt direita-esquerda (sangue não oxigenado volta para corpo) = bebê azul, insuficiência cardíaca = FATAL possível!
🔑 (2) DISFUNÇÃO RENAL FETAL:
• Prostaglandinas mantêm fluxo renal fetal
• AINE bloqueia → queda fluxo renal → azotemia fetal
• Resultado = oligohidrâmnio (pouco líquido amniótico) → compressão pulmonar fetal → hipoplasia pulmonar → bebê não consegue respirar bem após nascer!
⚠️ TIMING: Especialmente perigoso 3º trimestre (feto desenvolvido, maior risco complicação). 1º e 2º trimestres = menor risco mas ainda evitar
✅ ALTERNATIVA SEGURA:
✅ Paracetamol = Categoria B (seguro!) Pode usar qualquer trimestre
✅ Dose: 500-1000 mg 6/6h ou 8/8h (máximo 3-4g/dia)
🔑 RECOMENDAÇÃO: Gravidez + dor = PARACETAMOL. NÃO AINE!
💡 Pense assim: AINE = bate a porta do coração fetal = fechamento prematuro = bebê nasce com coração quebrado. Paracetamol = abre a porta normalmente = bebê nasce normal!
Questões Dissertativas - Anti-inflamatórios (5)
E1: Cascata ácido araquidônico: vias COX (Ciclo-oxigenase) vs LOX, mediadores, bloqueio fármacos.
Resposta: Ácido araquidônico (fosfolípido membrana → fosfolipase C) → 2 vias: (1) COX (ciclooxigenase) → TXA2 (plaqueta agregação), PGE2 (nociceptor sensibilização, febre, muco estômago), PGI2 (vascular antiagregação). COX (Ciclo-oxigenase)-1 constitutiva (plaqueta, estômago, rim), COX (Ciclo-oxigenase)-2 induzida (inflamação). AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) bloqueiam COX (aspirina irreversível, outros reversível) → ↓ dor, ↓ febre, ↓ inflamação, ↓ agregação. (2) LOX (lipoxigenase) → leucotrienos (broncoconstricção, edema, infiltração) → bloqueio montelucaste (asma, rinite alérgica). Trade-off = AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) reduzem PGI2 vascular (trombose ↑) + PGE2 renal (retenção Na⁺, IC (Insuficiência Cardíaca) piora).
E2: AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal): benefícios vs efeitos adversos, proteção GI, contraindicações.
Resposta: Benefícios AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal) = analgesia (bloqueio PGE2 nociceptor), antipiresia (bloqueio hipotálamo), anti-inflamação (↓ edema), antiagregação (aspirina 1ª linha pós-MI). Efeitos adversos = (1) GI (ulceração, sangramento, perfuração via bloqueio PGE2 muco, risco > 65y, história úlcera, Warfarina), (2) Renal (redução fluxo renal → IRA (Insuficiência Renal Aguda) em depletados, hiperkalemia em IRC (Insuficiência Renal Crônica)), (3) Cardiovascular (↑ MI/AVC via perda PGI2), (4) Alergia (anafilaxy, asma), (5) Interação Warfarina (deslocamento proteico + antiagregação). Proteção GI = PPI (omeprazol), misoprostol (PGE1 análogo), coxibs seletivos (relativo). Contraindicação = úlcera ativa, IRC (Insuficiência Renal Crônica) severa, IC (Insuficiência Cardíaca) descompensada, asma (em alguns), alergia AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais), Warfarina concomitante (aumenta sangramento).
E3: Corticoides: mecanismo NF-κB, efeitos adversos crônicos, síndrome retirada, uso integrado.
Resposta: Corticoides mecanismo = GR ligação → núcleo → inibe NF-κB (fator transcrição inflamação) → ↓ transcrição TNF, IL-6, IL-8, adesinas → ↓ citocinas, ↓ infiltração leucócito, ↓ edema, imunosupressão. Efeitos adversos crônicos (semanas-meses) = síndrome Cushing (face lua-cheia, giba, estriações, hipertensão), osteoporose (↓ osteoblasto + ↓ Ca absorção), imunossupressão (infecções, TB reativação), psiquiátricos (mania, depressão), oftalmológicos (catarata, glaucoma). Síndrome retirada = HPA bloqueio crônico → descontinuação abrupta = deficiência cortisol → choque adrenal (hipotensão, hipoglicemia). Prevenção = TAPER GRADUAL (redução 10% dose Q5-10 dias). Uso integrado = edema cerebral (dexametasona), anafilaxy (metilprednisolona), DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) exacerbação (metilprednisolona IV), choque séptico refratário (hidrocortisona 50mg IV Q6h), DIC causa subjacente.
E4: Antihistamínicos: H1 gen1 vs gen2, H2 receptor, mecanismos, indicações.
Resposta: H1 receptor = mastócito/basófilo → libera histamina (via SIRT liberação mediador) → prurido, eritema, edema, vasodilatação local/sistêmica. H1 gen1 (difenhidramina, prometazina) = lipofílico → penetra BBB → H1 central antagonismo = sedação (antihistamina-related sleep). Anticholinérgico (boca seca, retenção urinária, taquicardia). Uso = anafilaxy, reação alérgica aguda (combo H1 + corticoides + epinefrina). H1 gen2 (loratadina, cetirizina, fexofenadina) = hidrofílico seletivo → não BBB → sem sedação, sem anticholinérgico. Seguro crônico rinite alérgica, urticária. H2 receptor = estômago (↓ HCl) + coração (pouco efeito). H2 bloqueador (cimetidina, ranitidina-retirada, famotidina) = ↓ HCl (prevenção úlcera péptica, GERD). Uso anafilaxy = H1 + H2 combo (cobertura histamina melhor, aunque H1 prioridade). Trade-off = gen1 efetivo anafilaxy (onset rápido) but sedação issue vs gen2 seguro crônico sem sedação.
E5: Integração anti-inflamatórios em todas aulas: lesão celular, edema, hemostasia, choque, reparo.
Resposta: Anti-inflamatórios integram todas aulas: (1) Lesão celular (Aula 1) = inflamação causa lesão secundária, AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) podem ser protetivos fase inicial (reduz edema). (2) Edema (Aula 7) = AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) contraindicated IC (bloqueio PGE2 renal = retenção Na⁺, edema piora). (3) Hemostasia (Aula 8) = aspirina irreversível COX (Ciclo-oxigenase)-1 bloqueio → antiagregante essencial pós-MI (cardioprevenção). (4) Trombose (Aula 9) = aspirina prevenção TVP (Trombose Venosa Profunda)/TEP (antiagregação). (5) Choque (Aula 11) = corticoides em choque séptico refratário (imunomodulação), vasopressores + corticoides protocol. (6) Reparo (Aula 11) = corticoides bloqueio TGF-β (piora remodelação pós-MI se usado crônico), ACEI superior (bloqueia AngII-TGF-β eixo completo). Síntese = inflamação necessária cicatrização MAS excesso prejudicial, farmacos anti-inflamatórios modulam (não eliminam) para equilibrar.
Quiz - SNA Simpático (20 questões, formato BMF4)
Quiz - SNA Simpático (20 questões, formato BMF4)
❓ Qual receptor é bloqueado pelo atenolol?
❓ Qual é a droga de primeira escolha em anafilaxy?
❓ Qual é o efeito predominante da dobutamina no coração?
❓ Por que propranolol é contraindicado em asma?
❓ Qual medicação deve ser iniciada PRIMEIRO antes de cirurgia de feocromocitoma?
❓ Qual vasopressor é primeira linha em choque séptico?
❓ Qual agonista β2 abre brônquios em asma aguda?
❓ Qual é o efeito colateral de PRIMEIRO-DOSE da prazosina?
❓ O que é síndrome rebote de β-bloqueador?
❓ Em dose BAIXA (<5 mcg/kg/min), qual é efeito de dopamina?
❓ Por que uso prolongado de descongestionante causa piora?
❓ Por que epinefrina IV é arriscada em anafilaxy?
❓ Como β-bloqueador mascara hipoglicemia?
❓ Por que fenilefrina causa vasoconstrição periférica?
❓ Por que β1-seletivo ainda causa broncoconstricção?
❓ Por que norepinefrina causa pouca taquicardia?
❓ Por que epinefrina PO tem pouco efeito sistêmico?
❓ Por que parar clonidina causa hipertensão rebound?
❓ Por que propranolol causa insônia?
❓ Por que vasopressina é usado com norepinefrina em sepse refratária?
AULA 13 — 21/03 — FARMACOLOGIA: Antidepressivos
Introdução — Depressão e Hipótese Monoaminérgica
O QUÊ é Depressão?
NÃO é só "estar triste". É uma DOENÇA do CÉREBRO onde 3 moléculas importantes estão FALTANDO:
→ Serotonina (5-HT) = felicidade, vontade, dormir bem
→ Noradrenalina (NA) = energia, atenção, acordado
→ Dopamina (DA) = prazer, motivação, mover corpo
RESULTADO: Sem essas moléculas = tristeza, preguiça, insônia (ou dormir MUITO), sem energia, sem vontade de fazer nada = DEPRESSÃO!
COMO ANTIDEPRESSIVOS AJUDAM? Remédios AUMENTAM essas moléculas no cérebro = pessoa fica melhor!
PROBLEMA: Demora 2-4 SEMANAS para efeito aparecer! NÃO é tipo aspirina (que tira dor em 1 hora). Paciente tem que ESPERAR e TER PACIÊNCIA!
Classe 1: ISRS — Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina
O QUÊ faz ISRS? Bloqueia um "tubo de volta" (SERT) que puxa serotonina pra fora. Resultado = MAIS SEROTONINA em volta das células = MAIS FELICIDADE!
ISRS = SELETIVO! Só mexe em serotonina, não mexe em outros fios (noradrenalina, dopamina) = menos efeitos colaterais!
REMÉDIOS MAIS USADOS:
FLUOXETINA (Prozac): Demora MUITO tempo pra sair do corpo (6 dias!) = só 1x por dia. PROBLEMA: Bloqueia enzima CYP2D6 = pode dar ruim com outros remédios.
SERTRALINA (Zoloft): A MAIS USADA no Brasil! Bom balanço entre efeito e efeitos colaterais.
PAROXETINA (Paxil): Causa MAS efeitos colaterais = difícil parar de tomar. EVITAR se possível!
CITALOPRAM (Celexa): Bom, mas cuidado com coração (QT prolongado em dose alta).
ESCITALOPRAM (Lexapro): Versão "melhorada" de citalopram, bem tolerado.
EFEITOS COLATERAIS QUE APARECEM:
→ Náusea/diarreia (barriguinha ruim) = passa em 1-2 semanas
→ Insônia OU cansaço (ou quer dormir demais, depende)
→ DOR DE CABEÇA (passageira)
→ PROBLEMA SEXUAL = 40-50% dos pacientes (difícil dizer!) = IMPORTANTE FALAR COM MÉDICO!
→ GANHO DE PESO (2-3kg ao longo do tempo)
→ TREMOR nos dedos (raro) ou apertação de dentes (bruxismo)
→ SÍNDROME DE PARADA: Se parar de repente = tontura, sensação elétrica no cérebro (!), dormência. NUNCA PARAR DE REPENTE! Tem que DIMINUIR LENTAMENTE.
DEMORA 2-4 SEMANAS! Paciente tem que esperar. Sono/ansiedade melhoram ANTES (1-2 semanas). Depressão melhora DEPOIS (2-4 semanas).
ATENÇÃO: NUNCA COMBINAR ISRS COM IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase)! Reação FATAL chamada "síndrome serotoninérgica" = cérebro EXPLODE de tanta serotonina = febre, rigidez, morte!
Efeitos Adversos Comuns
- GI: Náusea/diarreia (5-HT3 no TGI) — melhor se tomar com comida, costuma passar em 1-2 semanas
- SNC (Sistema Nervoso Central): Insônia OU sonolência (depende do ISRS e do paciente), dores de cabeça
- SEXUAL: ↓ libido, anorgasmia, disfunção erétil — afeta ~40-50% dos pacientes. Importante orientar!
- METABÓLICO: Ganho de peso (crônico, mecanismo unclear, pode ser 2-3kg)
- NEUROLÓGICO: Tremor fino (raro), bruxismo (apertamento dentário)
- Síndrome de descontinuação: Se parar abrupto → tontura, "brain zaps" (sensação elétrica cerebral), parestesias, insônia, ansiedade. Prevenção: TAPER GRADUAL (reduzir 10-25% a cada semana)
Latência e Eficácia
Latência: 2-4 semanas para efeito antidepressivo apreciável. Melhoria do sono/ansiedade pode aparecer em 1-2 semanas.
Resposta: ~60-70% dos pacientes respondem ao 1º ISRS. Se não responder, tenta outro.
Duração do tratamento: Mínimo 4-6 semanas para avaliar. Após remissão, manter por 6-12 meses (manutenção), depois considerar retirada gradual (risco recidiva ~50% se parar cedo).
Interações Importantes
⚠️ SÍNDROME SEROTONINÉRGICA (ISRS + IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) = CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA!):
- Mecanismo: Duplo bloqueio → ↑↑5-HT sistêmico → hipertermia, agitação, tremor, mioclonia, rigidez muscular, diarreia, confusão, coma, morte
- Latência: minutos a horas após combinação
- Washout obrigatório: ISRS regular 2 semanas antes de IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase). FLUOXETINA 5 semanas (t½ longa!)
Inibição CYP2D6 (Fluoxetina > Paroxetina > Sertralina):
- Fluoxetina é potente inibidor CYP2D6 → ↑ concentração fármacos metabolizados por CYP2D6 (antiarrítmicos, antipsicóticos, beta-bloqueadores)
- Risco de toxicidade se combinar com fármacos que têm janela terapêutica estreita
Indicações Além de Depressão
ISRS não são apenas para depressão unipolar:
- TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo): Especialmente eficaz — doses mais altas, latência mais longa (8-12 semanas)
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): ISRS 1ª linha
- Síndrome do Pânico: Prevenção ataques
- TEPT (Transtorno Estresse Pós-Traumático): Reduz hipervigilância, pesadelos
- Fobia Social: Melhora performance social
- Transtorno Dismórico Corporal: Obsessão com aparência física
Classe 2: IRSN — Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina
Mecanismo Detalhado
IRSN bloqueia 2 tipos de reciclagem!
Resultado: 2 "moedas de felicidade" circulando MAIS TEMPO
+ serotonina (humor, sono)
+ noradrenalina (energia, atenção, motivação)
→ SERT (serotonina) + NET (noradrenalina)
VANTAGEM:
→ Para depressão COM FADIGA/APATIA
→ Mais energia que ISRS sozinho
→ Melhor motivação, atenção
DESVANTAGEM:
→ Pode aumentar pressão (noradrenalina = vasoconstritor!)
→ Pode acelerar coração
Fármacos Principais
- Venlafaxina (Efexor): Dose-dependente! Dose baixa (75mg) = ISRS. Dose alta (>225mg) = ativa NET. ER (liberação estendida) = OD.
- Duloxetina (Cymbalta): Balanceado SERT/NET em doses terapêuticas. Indicado especificamente para dor neuropática + depressão. Também fibromialgia, dor crônica.
- Desvenlafaxina: Metabólito ativo venlafaxina, farmacocinética mais previsível.
Efeitos Adversos
Similar a ISRS + efeitos NA:
- Náusea/diarreia: Similar ISRS
- ⚠️ Hipertensão: NA é vasoconstritor — pode ↑ PA (Pressão Arterial), especialmente em doses altas. Monitorar, evitar em HAS (Hipertensão Arterial Sistêmica) descontrolada
- Sudorese: ↑ NA → termogênese
- Boca seca: Antimuscarínico leve
- Insônia, tremor: Estimulação NA
- Disfunção sexual: Menor que ISRS (NA menos envolvida)
- Síndrome descontinuação: Similar ISRS
Indicações Especiais
- Depressão + dor neuropática: Duloxetina excelente (aprovada FDA para dor diabética, neuropatia pós-quimio)
- Depressão + fadiga: Venlafaxina em doses altas ou duloxetina
- TEPT: Venlafaxina aprovada FDA
Classe 3: Antidepressivos Tricíclicos (ADT)
Mecanismo — Por que "SUJO"?
IRSN = arma mais potente (2 alvos)
TRICÍCLICO = BOMBA (mata TUDO ao redor!)
Resultado: muito efeito colateral!
M (Muscarínico) = bloqueio anticolinérgico
→ Boca SECA (sem saliva)
→ Prisão de ventre (GRAVE às vezes)
→ Preso urina
→ Visão turva
→ Confusão mental
H1 (Histamina) = sedação
→ MUITO SONO
→ Ganho de peso
α1 (Adrenérgico) = vasodilatação
→ TONTURA ao levantar (hipotensão ortostática)
→ Risco de queda em idosos!
Canal Na⁺ do coração = CARDIOTOXICIDADE!
→ Alargamento QRS (ECG anormal)
→ Arritmias GRAVES
→ Risco MORTE em overdose (janela terapêutica ESTREITA!)
Tricíclicos são POTENTES (funcionam bem) MAS têm MUITOS efeitos ruins.
Por isso: ISRS é 1ª escolha agora (melhor tolerância)
Tricíclicos = 2ª/3ª linha ou usos ESPECÍFICOS (ver abaixo)
Fármacos Principais
- Amitriptilina: Mais sedativo, mais forte. Usado off-label para dor neuropática, migrânea, insônia.
- Nortriptilina: Menos efeitos que amitriptilina, metabolismo mais lento. Melhor em idosos.
- Imipramina: Usada classicamente para enurese noturna em crianças (mecanismo pouco claro, anticolinérgico?).
- Clomipramina: Mais serotoninérgica (> bloqueio SERT), especificamente 1ª linha TOC (FDA-aprovada). Efeitos 5-HT3 (náusea).
Efeitos Adversos
Anticolinérgicos (bloqueio M): Boca seca, constipação (às vezes grave → impactação!), retenção urinária, visão turva, confusão
Sedação: Bloqueio H1, depressão SNC (Sistema Nervoso Central). Evitar atividades que requerem atenção.
Hipotensão ortostática: Bloqueio α1 → risco queda, síncope (especialmente 1ª dose ou ajuste posológico). Usar em idosos com cuidado.
⚠️ CARDIOTOXICIDADE: Bloqueio canal Na⁺ → alargamento QRS, prolongamento PR, arritmias. Risco maior em doses altas, idade avançada, doença cardíaca pré-existente. ECG (Eletrocardiograma) baseline recomendado.
⚠️ OVERDOSE FATAL: Janela terapêutica ESTREITA! Risco de suicídio — paciente deprimido com acesso a ADT pode tomar dose letal. Por isso ISRS é 1ª linha (toxicidade menor em overdose).
Indicações Atuais
- Dor neuropática: Amitriptilina, nortriptilina — efeito analgésico desacoplado de antidepressão (doses mais baixas, efeito mais rápido)
- Enxaqueca: Profilaxia (amitriptilina, nortriptilina)
- TOC: Clomipramina (quando ISRS falha)
- Insônia: Amitriptilina (doses baixas) — sedação aproveitada
- Enurese noturna pediátrica: Imipramina
Classe 4: IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) — Inibidores da Monoamina Oxidase
ISRS/IRSN = BLOQUEIA o "ralo" da recaptação (mais tempo na fenda)
IMAO = DESTRÓI a "máquina destruidora" (MAO) de monoaminas
Resultado: monoaminas VIVEM MAIS TEMPO (não são destruídas)
POTENTE DEMAIS? Sim. SEGURO? NÃO!
→ MAO = enzyme que DESTRÓI serotonina, noradrenalina, dopamina
→ IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) BLOQUEIA essa enzyme
→ Resultado: monoaminas AUMENTAM 3x (todas as 3!)
→ MAS: EFEITOS COLATERAIS GRAVES!
FÁRMACOS:
→ Tranilcipromina, fenelzina (irreversível = bloqueio permanente)
→ Moclobemida (reversível = mais seguro)
Se combinar IMAO + ISRS/IRSN = MORTE!
Serotonina EXPLODE → hipertermia (febre 40°C+), tremor, rigidez muscular, convulsão, coma
Prevenção: NUNCA usar junto
Washout: aguardar 2-5 semanas entre mudanças
⚠️⚠️⚠️ PERIGO CRÍTICO 2: "CRISE DO QUEIJO" (TIRAMÍNICA)
1. Normalmente: MAO degrada tiramina no alimento
2. IMAO bloqueia MAO
3. Você come queijo envelhecido com MUITA tiramina
4. Tiramina NÃO é degradada → absorção COMPLETA
5. Tiramina solta ENXURRADA de noradrenalina
6. VASOS APERTAM DEMAIS → pressão 250/150 mmHg
7. RISCO: AVC hemorrágico, infarto, morte!
SINTOMAS de crise tiramínica:
→ Dor de cabeça SÚBITA na nuca
→ Visão embaçada
→ Palpitações
→ Sudoração extrema
→ Minutos a horas após comer alimento com tiramina
NUNCA COMA:
→ Queijos ENVELHECIDOS (cheddar, suíço, gorgonzola, azul)
→ Vinho TINTO, cerveja
→ Embutidos (presunto, pastrami, pepperoni)
→ Soja fermentada
→ Molho de soja
→ Alguns iogurtes antigos
OK (baixa tiramina):
→ Queijo fresco (mozzarela, ricota)
→ Vinho branco
→ Frutas/vegetais
→ ÚLTIMA LINHA depressão refratária (tudo falhou)
→ Depressão "atípica" (muito cansada, come demais)
→ Fobia social severa (funciona bem)
CONTRAINDICAÇÕES:
→ NUNCA com ISRS/IRSN
→ Paciente que não consegue seguir dieta restrita
→ Hipertensão descontrolada
→ História de AVC (Acidente Vascular Cerebral)
Classe 5: Antidepressivos Atípicos/Outros
Bupropiona (IRND — Inibidor Recaptação Noradrenalina+Dopamina)
Mecanismo: Bloqueia NET + DAT (transportador dopamina) → ↑ NA + DA (não afeta 5-HT!)
Características únicas:
- SEM disfunção sexual! Frequentemente é causa reversível. Bupropiona pode ser combinada com ISRS para reverter disfunção sexual.
- SEM ganho de peso — até perda! ↑ DA/NA → termogênese
- Melhora motivação/energia: ↑ DA — útil para apatia, TDAH
- Auxilia cessação tabagismo: FDA-aprovada (Zyban/Wellbutrin SR)
- ⚠️ Risco convulsão: Bloqueio GABA? Dose dependente. NÃO usar em epilépticos, histórico convulsão, anorexia nervosa (risco convulsão)
- Insônia: Dose noturna pode não ser recomendada
Dosagem: Formas SR (liberação estendida), XL (24h). XL = OD.
Indicações: Depressão com apatia, TDAH, cessação tabagismo, depressão sexual-adversa, depressão com ganho de peso.
Mirtazapina (Antagonista α2 pré-sináptico)
Mecanismo: Bloqueia autorreceptor α2 pré-sináptico em neurônios NA → ↑ liberação NA + ↑ liberação 5-HT (NA ativa receptores pós-sinápticos que facilitam 5-HT). Anti-H1 → sedação. Anti-M leve → boca seca.
Características únicas:
- Sedação forte: H1 bloqueio → excelente para depressão com insônia
- ↑ Apetite: Mecanismo desconhecido (talvez H1 no hipotálamo). Útil para perda peso depressiva
- Sem disfunção sexual! Menos afetado que ISRS
- ⚠️ Ganho de peso: Combinação apetite ↑ + sedação → aumento peso significativo
- ↑ Colesterol: Mecanismo desconhecido
- Dose inversa: Baixas doses (7.5-15mg) = mais sedação (H1 bloqueio predomina). Altas doses (30-45mg) = menos sedação (receptores diferentes saturados)
Indicações: Depressão com insônia+inapetência, depressão em idosos (sedação útil), depressão com anorexia nervosa/caquexia.
Trazodona (Antagonista 5-HT2 + débil inibidor SERT)
Mecanismo: Antagonista 5-HT2A/2C + fraco bloqueio SERT
Características únicas:
- Sedação MUITO forte: H1 bloqueio + antagonismo 5-HT2A
- Usado como hipnótico: Doses baixas (50-100mg) para insônia, não como antidepressivo monotherapy (pouca eficácia)
- ⚠️ PRIAPISMO: Bloqueio α1 → vasoconstrição reversão prejudicada → ereção prolongada dolorosa, raro mas grave (pode levar impotência permanente)
- Sem disfunção sexual: A priapismo é paradoxo — antagoniza 5-HT2 que facilita ereção, mas bloqueio α1 prejudica detumescência
- Hipotensão ortostática: α1 bloqueio
Indicações: Off-label para insônia (não é ansiolítico), depressão com insônia severa, aumento eficácia ISRS.
Vortioxetina (Multimodal)
Mecanismo: Triplo alvo: (1) Bloqueio SERT (como ISRS), (2) Agonista 5-HT1A (autorreceptor), (3) Antagonista 5-HT3
Características únicas:
- Melhora cognição: Único antidepressivo com dados robustos para melhoria atenção, velocidade processamento, memória
- Sem disfunção sexual: Efetivamente pior que ISRS para este efeito adverso
- Sem ganho de peso: Ou mínimo
- Custo: MUITO caro (patente recente)
- Efeitos adversos: Náusea (transitória), insônia/sonolência
Indicações: Depressão com disfunção cognitiva, executiva, memorial. Alternativa ISRS se depressão afeta cognição.
Tabela Comparativa de Todos os Antidepressivos
| Classe | Exemplo | 1ª Linha? | Disfunção Sexual | Ganho Peso | Indicação Especial |
|---|---|---|---|---|---|
| ISRS | Sertralina, fluoxetina | SIM ✅ | COMUM (40-50%) | Leve | Ansiedade, TOC, fobia social |
| IRSN | Venlafaxina, duloxetina | Sim (2ª) | Raro | Leve | Dor neuropática + depressão |
| Tricíclico | Amitriptilina, clomipramina | NÃO | Comum | Moderado-grave | Dor, migrânea, TOC (clomi) |
| IMAO | Tranilcipromina | ÚLTIMA LINHA | Raro | Moderado | Depressão refratária atípica |
| Bupropiona | Wellbutrin | Alternativa | NENHUM! ✅ | NENHUM/Perda | Cessação tabagismo, TDAH |
| Mirtazapina | Remeron | Alternativa | Nenhum | Grave | Insônia + inapetência |
| Trazodona | Desyrel | Não (hipnótico) | Nenhum | Leve | Insônia, priapismo raro |
| Vortioxetina | Brintellix | Alternativa | Nenhum | Nenhum | Disfunção cognitiva |
Flashcards — Antidepressivos
Quiz — Antidepressivos (12 questões)
Q1: Um paciente com depressão moderada queixa-se de tristeza constante, fadiga e insônia. O médico inicia fluoxetina 20mg/dia. Após 1 semana, o paciente retorna reclamando que "o remédio não funcionou".
Q2: Paciente em sertralina por 3 meses relata dificuldade de ereção, diminuição de libido. A depressão melhorou bem.
Q3: Psiquiatra prescreve fluoxetina. Semanas depois, paciente iniciou automedicação com "energético" contendo linezolida. Após poucas horas: febre 39°C, rigidez muscular, tremores, confusão mental.
Q4: Paciente em amitriptilina (tricíclico) por 2 semanas relata: boca seca, visão turva, constipação severa, dificuldade urinar.
Q5: Paciente com depressão resistente em fluoxetina 40mg/dia há 8 semanas sem resposta. Psiquiatra quer trocar para IMAO.
Q6: Paciente parou fluoxetina abruptamente após 4 meses. Uma semana depois: tontura, sensação "choque elétrico" na cabeça, dormência, insônia.
Q7: Paciente deprimido com baixa serotonina, baixa noradrenalina, fuma 1 maço/dia. Quer aumentar energia E parar de fumar.
Q8: Paciente deprimido com perda apetite (10kg em 2 meses), insônia, agitação noturna. Médico prescreve mirtazapina 15mg à noite.
Q9: Paciente em sertralina + analgésico contendo tramadol (ativa serotonina). Desenvolve: tremor, hipertermia 39°C, confusão, rigidez muscular.
Q10: Paciente em fluoxetina 40mg/dia relata taquicardia, tremores finos, ansiedade aumentada. Iniciou há 2 dias.
Q11: Paciente com depressão + hipertensão controlada. Prescreve-se IRSN (venlafaxina 75mg/dia). Pressão sobe para 160/100mmHg.
Q12: Psiquiatra prescreve fluoxetina para depressão. Paciente também toma enalapril, metoprolol, simvastatina. Fluoxetina inibe CYP2D6.
Q13: Paciente com depressão refratária em fluoxetina 12 semanas sem resposta. Quer trocar para IMAO. Qual ISRS tem MENOR washout?
Q14: Paciente em sertralina 50mg/dia por 1 ano. Depressão em remissão. Quer saber quando parar.
Q15: Paciente deprimido com diabetes tipo 2 (hipoglicemia frequente). Inicia sertralina. Glicemia melhorou. Por quê?







































































