7º PERÍODO · MEDICINA

Fisiopatologia + Farmacologia

Seu material de estudo interativo com explicações simples, flashcards e +360 questões

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🎯 FOCO DA PROVA DE FARMACOLOGIA

A professora confirmou: Farmacocinética, Farmacodinâmica, Simpático, Parassimpático e Antidepressivos. NÃO cai neoplasia.

📘 FARMACOCINÉTICA (ADME) — Resumo para Prova

A — ABSORÇÃO

Difusão passiva: segue gradiente, depende de lipossolubilidade e ionização

pH e ionização: ácidos fracos absorvem melhor em pH ácido (estômago), bases fracas em pH alcalino (intestino). Fármaco NÃO-IONIZADO atravessa melhor a membrana

Biodisponibilidade (F): fração do fármaco que chega à circulação sistêmica. IV = 100%. VO (Via Oral) = variável (primeira passagem)

1ª passagem hepática: metabolismo extenso antes de chegar à circulação. Reduz biodisponibilidade oral. Nitroglicerina sublingual evita isso

Fatores: área de absorção (intestino > estômago pelas vilosidades), fluxo sanguíneo, motilidade GI

D — DISTRIBUIÇÃO

Vd (Volume de Distribuição): Vd pequeno = fármaco fica no plasma (hidrofílico). Vd grande = vai pros tecidos (lipofílico)

Ligação proteica: albumina liga ácidos, α1-glicoproteína liga bases. SÓ FÁRMACO LIVRE age! Competição = interação (ex: varfarina + AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais))

Barreiras: BHE (só lipofílicos passam), placentária (cuidado teratogênicos no 1º tri), testicular

M — METABOLIZAÇÃO (Biotransformação)

Objetivo: tornar mais hidrossolúvel para excretar

Fase I (CYP450): oxidação, redução, hidrólise. CYP3A4 (~50% fármacos), CYP2D6 (~25%), CYP2C19, CYP2C9

Fase II: conjugação (glicuronidação, sulfatação, glutationa)

Indutores CYP (↑metabolismo = ↓efeito): rifampicina, fenobarbital, carbamazepina

Inibidores CYP (↓metabolismo = ↑toxicidade): cetoconazol, cimetidina, fluoxetina (CYP2D6!)

Pró-fármacos: codeína → morfina (CYP2D6). Clopidogrel → ativo (CYP2C19)

⚠️ DICA DE PROVA — Paracetamol: CYP2E1 → NAPQI (tóxico) → depleta glutationa → necrose hepática. Antídoto: N-acetilcisteína (NAC) repõe glutationa. Eficaz até 8-10h

E — EXCREÇÃO

Renal (principal): filtração glomerular, reabsorção tubular, secreção tubular ativa

pH urinário: alcalinizar urina (NaHCO3) para eliminar ÁCIDOS fracos (ex: salicilato em intoxicação por aspirina)

Meia-vida (t½): tempo para concentração cair 50%. Estado estacionário = 5 meias-vidas

Clearance: Cl = Vd × Ke. Volume depurado por unidade de tempo

Janela terapêutica: entre CME (concentração mínima eficaz) e CMT (concentração mínima tóxica). Estreita = monitorar (varfarina, digoxina, lítio)

💜 FARMACODINÂMICA — Resumo para Prova

Alvos Moleculares

Receptores: GPCR (7 domínios transmembrana, proteínas G: Gs↑cAMP, Gi↓cAMP, Gq↑IP3/Ca²⁺), Tirosina quinase, Canais iônicos, Nucleares (esteroides)

Enzimas: COX (AINEs), ECA (IECA), MAO (IMAO), AChE (neostigmina)

Transportadores: SERT (ISRS), NET (IRSN), DAT (bupropiona)

Conceitos-Chave

Afinidade (Kd): capacidade de LIGAR ao receptor. Menor Kd = MAIOR afinidade

Eficácia (α): capacidade de ATIVAR. Pleno α=1, Parcial 0<α<1, Antagonista α=0

Potência (EC50): dose para 50% do efeito máximo. Menor EC50 = MAIS potente

⚠️ DICA DE PROVA: Potência ≠ Eficácia! Fármaco pode ser POTENTE (age em dose baixa) mas POUCO EFICAZ (efeito máximo baixo)

Tipos de Ligantes

Agonista pleno: afinidade + eficácia máxima (100%). Ex: morfina no receptor opioide μ

Agonista parcial: eficácia submáxima (25-75%). Ex: buprenorfina. Pode agir como antagonista na presença de agonista pleno!

Antagonista competitivo: compete pelo MESMO sítio, REVERSÍVEL, superável por ↑agonista. Curva desloca para DIREITA, Emax NÃO muda

Antagonista não-competitivo: liga em sítio DIFERENTE (alostérico), IRREVERSÍVEL. NÃO superável. REDUZ Emax

Antagonista inverso: reduz atividade ABAIXO do basal

Modulador alostérico positivo: ex: benzodiazepínicos no GABA-A (potencializa GABA sem ativar sozinho)

Tolerância e Interações

Tolerância: down-regulation de receptores (uso crônico de β2-agonistas). Solução: associar corticoide

Up-regulation: ↑receptores após antagonismo crônico. Ex: retirada de β-bloqueador → rebote (taquicardia!)

Sinergia: efeito combinado > soma. Antagonismo: efeito < soma. Adição: efeito = soma

❤️ SNA (Sistema Nervoso Autônomo) SIMPÁTICO — Resumo para Prova

Receptores Adrenérgicos (DECORE ESTA TABELA!)

ReceptorProteína GLocalizaçãoEfeito
α1Gq ↑IP3/Ca²⁺Vasos, olho, esfíncterVasoconstrição, midríase, contração esfíncter
α2Gi ↓cAMPPré-sináptico, plaquetas↓liberação NA (feedback), agregação plaquetária
β1Gs ↑cAMPCoração, rim↑FC (Frequência Cardíaca), ↑contratilidade, ↑condução, ↑renina
β2Gs ↑cAMPBrônquios, vasos, útero, fígadoBroncodilatação, vasodilatação, glicogenólise
β3Gs ↑cAMPAdiposoLipólise, termogênese

Simpaticomiméticos (Agonistas)

Adrenalina (α+β): anafilaxia (IM!), PCR, broncoespasmo grave

Noradrenalina (α>β1): 1ª linha choque séptico

Dopamina: dose baixa=D1 renal, média=β1 cardíaco, alta=α1 vasoconstrição

Dobutamina (β1>>β2): ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva) aguda, choque cardiogênico

Salbutamol (β2, SABA): resgate asma. Salmeterol/Formoterol (LABA): manutenção (NUNCA monoterapia!)

Fenilefrina (α1): descongestionante nasal

Clonidina (α2): hipertensão central

Indiretos: anfetamina (libera NA/DA), cocaína (bloqueia recaptação), efedrina (misto)

Simpatolíticos (Antagonistas)

α-bloqueadores: prazosina/doxazosina (α1, hipertensão/HPB), tamsulosina (α1A, HPB sem hipotensão), fentolamina (α1+α2, feocromocitoma)

β-bloqueadores cardioseletivos (β1): metoprolol, bisoprolol, atenolol — hipertensão, pós-IAM (Infarto Agudo do Miocárdio), ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva)

β-bloqueadores não-seletivos (β1+β2): propranolol — ⚠️ CONTRAINDICADO em asma! (broncoconstrição)

β+α bloqueadores: carvedilol, labetalol — ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva), crise hipertensiva

⚠️ DICA DE PROVA — Rebote: retirada ABRUPTA de β-bloqueador → up-regulation → taquicardia, hipertensão, angina. SEMPRE desmame gradual!

💚 SNA (Sistema Nervoso Autônomo) PARASSIMPÁTICO — Resumo para Prova

Receptores Colinérgicos (DECORE!)

ReceptorTipoLocalizaçãoEfeito
M1Gq ↑IP3/Ca²⁺SNC (Sistema Nervoso Central), glândulasCognição, secreção gástrica
M2Gi ↓cAMPCoração↓FC (Frequência Cardíaca), ↓contratilidade, ↓condução AV
M3Gq ↑IP3/Ca²⁺Musc. liso, glândulas, olhoMiose, broncoconstrição, ↑peristaltismo, ↑secreção
NNCanal Na⁺/K⁺GângliosDespolarização ganglionar
NMCanal Na⁺/K⁺Junção neuromuscularContração muscular

Parassimpaticomiméticos

Diretos: betanecol (M3, retenção urinária), pilocarpina (M1/M3, glaucoma/xerostomia), carbacol (M+N, glaucoma)

Indiretos (anticolinesterásicos reversíveis): neostigmina (miastenia gravis), piridostigmina (miastenia), fisostigmina (atravessa BHE (Barreira Hematoencefálica), intoxicação anticolinérgica)

Irreversíveis: organofosforados (sarin, malation) → intoxicação → SLUDGE

⚠️ DICA DE PROVA — SLUDGE: Salivação, Lacrimejamento, Urina (micção), Defecação, GI secretion, Êmese. Tratamento: atropina + pralidoxima

Anticolinérgicos (Parasimpatoliticos)

Atropina (não-seletivo): bradicardia, intoxicação colinérgica, pré-anestesia. Síndrome: "vermelho como beterraba, seco como deserto, quente como forno, maluco como abelha"

Ipratrópio (M3 inalado): DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica)/asma (broncodilatação sem efeitos sistêmicos)

Oxibutinina (M3): bexiga hiperativa

Escopolamina: cinetose (enjoo de movimento)

Bloqueadores NM: succinilcolina (despolarizante, fasciculações→paralisia), rocurônio (não-despolarizante). Reversão: neostigmina + atropina

💛 ANTIDEPRESSIVOS — Resumo para Prova (Aula de amanhã!)

Hipótese Monoaminérgica

Depressão = deficiência de serotonina (5-HT), noradrenalina (NA) e/ou dopamina (DA) na fenda sináptica. Antidepressivos aumentam a disponibilidade desses neurotransmissores. Latência de 2-4 semanas (neuroplasticidade, não só recaptação).

1. ISRS — Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (1ª LINHA!)

Mecanismo: bloqueiam transportador SERT → ↑5-HT na fenda sináptica

Fármacos: fluoxetina (t½ longa ~6 dias, inibe CYP2D6), sertralina (mais usada), paroxetina (mais anticolinérgico, mais descontinuação), citalopram, escitalopram (mais seletivo)

Efeitos adversos: náusea/diarreia (5-HT3 no TGI), insônia OU sonolência, disfunção sexual (↓libido, anorgasmia), ganho de peso (crônico), síndrome de descontinuação (tontura, parestesias, "brain zaps")

Latência: 2-4 semanas para efeito antidepressivo pleno

⚠️ CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA: ISRS + IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) = SÍNDROME SEROTONINÉRGICA! (hipertermia, agitação, mioclonia, diarreia, coma). Washout: 2 semanas (5 semanas se fluoxetina)

2. IRSN — Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina

Mecanismo: bloqueiam SERT + NET → ↑5-HT + ↑NA (dupla ação)

Fármacos: venlafaxina (dose baixa=ISRS, dose alta=IRSN), duloxetina (também dor neuropática e fibromialgia), desvenlafaxina

Vantagem: útil em depressão + dor, depressão + fadiga/anedonia

Efeitos adversos: similar ISRS + hipertensão (NA!), sudorese, boca seca

3. Tricíclicos (ADT) — 2ª/3ª linha

Mecanismo: bloqueiam recaptação 5-HT + NA (NÃO seletivos!) + bloqueio M (anticolinérgico) + bloqueio H1 (sedação) + bloqueio α1 (hipotensão) + bloqueio canal Na⁺ (cardiotoxicidade)

Fármacos: amitriptilina (mais sedativo, dor neuropática), nortriptilina (menos efeitos), imipramina (enurese noturna), clomipramina (mais serotoninérgico, TOC)

Efeitos adversos: "SUJO" — anticolinérgicos (boca seca, constipação, retenção urinária, visão turva), sedação, hipotensão ortostática, ganho de peso, CARDIOTOXICIDADE (alargamento QRS, arritmia)

⚠️ DICA DE PROVA: Janela terapêutica ESTREITA. Risco em overdose (suicídio!) → arritmia cardíaca fatal. Por isso ISRS é 1ª linha (mais seguro)

4. IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) — Inibidores da Monoamina Oxidase

Mecanismo: inibem MAO-A (degrada 5-HT e NA) e/ou MAO-B (degrada DA) → ↑todas monoaminas

Fármacos: tranilcipromina (único no Brasil, irreversível), fenelzina, selegilina (MAO-B seletivo, usado em Parkinson)

⚠️ CRISE TIRAMÍNICA ("Reação do Queijo"): tiramina em alimentos (queijo curado, vinho tinto, embutidos, cerveja) + IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) → tiramina NÃO é degradada → ↑↑NA → CRISE HIPERTENSIVA GRAVE → risco AVC (Acidente Vascular Cerebral)

Contraindicações: ISRS/IRSN (síndrome serotoninérgica), simpaticomiméticos, alimentos com tiramina, meperidina

5. Atípicos/Outros

Bupropiona: inibe recaptação NA+DA (IRND). SEM disfunção sexual! Auxilia cessação do tabagismo. ⚠️ Risco: convulsão (não usar em epilépticos)

Mirtazapina: antagonista α2 pré-sináptico (↑NA+5-HT) + anti-H1 → sedação + ↑apetite/peso. Boa para depressão com insônia e inapetência

Trazodona: antagonista 5-HT2 + fraco inibidor recaptação 5-HT. Sedação forte (usado como hipnótico). ⚠️ Priapismo (raro)

Vortioxetina: multimodal (ISRS + agonista 5-HT1A + antagonista 5-HT3). Melhora cognição

📋 TABELA COMPARATIVA — Quando usar cada classe?

Classe1ª Linha?VantagemDesvantagem principal
ISRSSIM ✅Seguro, bem toleradoDisfunção sexual
IRSNSim (2ª opção)Dor neuropática + depressãoHipertensão
TricíclicoNãoDor neuropática, enxaquecaCardiotoxicidade, overdose fatal
IMAONão (última linha)Depressão atípica refratáriaCrise tiramínica, interações
BupropionaAlternativaSem disfunção sexual, tabagismoConvulsão
MirtazapinaAlternativaInsônia + inapetênciaGanho de peso, sedação

AULA 1 — 06/02 — FISIOPATOLOGIA: Lesão Celular Reversível

Conceitos Fundamentais

A célula é como uma casa. Se você derramar água (lesão), a casa MOLHA mas não cai. Se você para de derramar e secar tudo, a casa volta ao normal. Mas se você continua derramando e a água sobe até a janela (ponto de não retorno), aí a casa desaba — sem volta!
Fases da Lesão:
1️⃣ Lesão pequena → célula trabalha mal mas VIVE
2️⃣ Se a causa sai → célula se recupera (reversível!)
3️⃣ Lesão fica muito tempo → passa do ponto de não retorno
4️⃣ Morte celular → necrose (explode) ou apoptose (suicídio organizado)

Mecanismos de Lesão Reversível

1. Depleção de ATP (Adenosina Trifosfato)

ATP = a "bateria" da célula. Se a mitocôndria (fábrica de energia) quebra por falta de oxigênio (hipóxia) ou veneno, a bateria descarrega. Sem bateria: a bomba de sódio-potássio (Na+/K+) que mantém equilíbrio iônico PARA.
Sem oxigênio/veneno → mitocôndria parasem ATP (sem bateria) → bomba Na+/K+ para → sódio entraágua segue sódiocélula INCHA (tumefação = inchaço)

2. Aumento de Cálcio Intracelular

Cálcio é como uma tesoura. Um pouco? Tudo bem, corta papel normalmente. MUITO cálcio? As tesouras ficam loucas, cortam tudo — membrana, proteína, tudo!
Membrana danificada → Ca²⁺ entra → ativa enzimas (calpaínas = tesouras) → destroem citosqueleto, membranas, organelas → se for MUITO cálcio = lesão irreversível

3. Dano ao Retículo Endoplasmático

Retículo Endoplasmático = fábrica de proteínas da célula. Se danificar (incha ou dilata):
  • ❌ Para de fazer proteínas
  • ⚠️ Proteínas malformadas se acumulam (STRESS!)
  • 💀 Se ficar ruim demais, célula ativa suicídio programado (apoptose)

4. Dano Mitocondrial

Mitocôndria é como uma usina de energia. Se levar pancada leve, descansa um pouco e volta. Mas se levar pancada MUITO forte, a usina explode por dentro (libera citocromo c) — aí não tem volta, célula morre (apoptose).

Degenerações Celulares

Degeneração Hidrópica (Edema Intracelular)

É como uma esponja que absorve água demais. Fica INCHADA, clara e mole. Se você tirar da água, ela seca e volta ao normal.
Água + eletrólitos entram → célula INCHA (edema) → fica pálida/clara → núcleo empurrado para um lado
Reversível? ✅ SIM! Se tirar a causa (hipóxia, toxina, calor)

Degeneração Gordurosa (Esteatose)

Definição: Acúmulo de triglicerídeos dentro das células lipídicas

  • Órgãos afetados: Fígado (mais comum), coração, rins
  • Causas: Desnutrição, diabetes mellitus, álcool, hipóxia, síndrome metabólica
  • Mecanismo: Aumento de ácidos graxos livres OU diminuição de oxidação/exportação
  • Microscopia: Gotículas lipídicas no citoplasma (PAS negativo, Sudan Black positivo)
  • Reversibilidade: Sim, com remoção da causa (exceto cirrose avançada)

Degeneração Proteica

Definição: Acúmulo anormal de proteínas estruturais ou funcionais

  • Exemplos: Amiloide (amiloidose), proteína tau (Alzheimer), prion (CJD)
  • Causa: Síntese aumentada ou degradação prejudicada
  • Reversibilidade: Geralmente irreversível (proteína mal dobrada)

Degeneração Hialina

Definição: Acúmulo de material hialino (proteína coagulada/roseta)

  • Observado em: Inflamação crônica, vasos renais (hialina vascular)
  • Microscopia: Material eosinófilo (rosa) ao microscópio óptico

Fatores que Determinam Reversibilidade

⏱️ TEMPO CONTA!
Lesão por alguns minutos? Volta! Por horas? Difícil, pode não voltar.

💪 INTENSIDADE:
Pancada leve? Volta. Pancada forte? Não volta.

🧠 CADA CÉLULA É DIFERENTE:
Neurônios 🧠 vs Hepatócitos 🍗
Cérebro é chato: não gera células novas fácil, sofre muito. Fígado é demais: regenera rápido, aguenta porrada!

📊 QUANTO DA CÉLULA MORREU?
Morreu < 20%? Órgão ainda funciona (reversível).
Morreu > 80%? Falha de órgão (pode ser irreversível).

Flashcards - Lesão Reversível

Qual é o principal mecanismo de lesão em hipóxia?
Depleção de ATP (Adenosina Trifosfato) mitocondrial → falha da Na⁺/K⁺ ATPase → edema celular
O que causa lesão irreversível quando aumenta muito?
Cálcio intracelular (Ca²⁺) → ativa proteases → degradação celular
Diferença entre degeneração hidrópica e gordurosa?
Hidrópica = água + eletrólitos; Gordurosa = triglicerídeos acumulados
Qual órgão é mais reversível para lesão celular?
Fígado - alta capacidade regenerativa e metabolicamente ativo
O que é o "ponto de não retorno"?
Quando o dano mitocondrial libera citocromo c → apoptose programada → morte irreversível
Qual é a microscopia característica da degeneração gordurosa?
Gotículas lipídicas no citoplasma (Sudan Black positivo, PAS negativo)

Quiz - Lesão Celular Reversível

Q1: Paciente masculino, 62 anos, hipertenso e diabético, chega ao pronto-socorro com dor forte no peito há 4 horas. Exames mostram aumento de troponina no sangue e alterações no eletrocardiograma.

O que está acontecendo com as células do coração desse paciente?

Q2: Paciente com cirrose hepática avançada sofre uma infecção urinária. Por que a lesão das células do fígado nesse caso tende a ser IRREVERSÍVEL, ao contrário de um fígado saudável?

Qual fator torna o fígado cirrótico tão vulnerável?

Q3: Menina de 8 anos com desnutrição severa apresenta aumento do fígado (hepatomegalia) ao exame. A mãe relata que ela está muito "inchada". Qual tipo de degeneração celular está acontecendo?

O que o fígado dela está acumulando?

Q4: Paciente sofre infarto do miocárdio. Durante a falta de sangue no coração, qual é o PRIMEIRO mecanismo de lesão celular que ocorre?

O que falta de oxigênio faz PRIMEIRO com a célula?

Q5: Qual dessas enzimas antioxidantes é responsável por transformar o perigoso peróxido de hidrogênio (H₂O₂) em água e oxigênio?

Como a célula se protege de H₂O₂?

Q6: Durante um acidente, um mergulhador fica sem oxigênio por 10 minutos. Qual célula terá lesão MAIS rápida: neurônio cerebral ou hepatócito?

Qual órgão é mais sensível à falta de oxigênio?

Q7: Qual íon entra DESCONTROLADAMENTE na célula durante hipóxia severa e ativa "proteases assassinas" que destroem a estrutura celular?

Qual é o "botão de morte" da célula?

Q8: Um paciente alcoólatra apresenta esteatose hepática. Qual é o PRINCIPAL mecanismo de acúmulo de gordura?

Por que bebida causa fígado gorduroso?

Q9: Qual achado ao microscópio é CARACTERÍSTICO de esteatose hepática?

Como o patologista PROVA que é gordura e não outra coisa?

Q10: Paciente com infarto do miocárdio é tratado 8 horas após o início dos sintomas. Qual tipo de morte celular predomina no miocárdio?

Como o tecido cardíaco morre nesse tempo?

Q11: Qual é a diferença fundamental entre lesão REVERSÍVEL e IRREVERSÍVEL?

Qual o "ponto de não retorno" para a célula?

Q12: Uma mulher com hipertensão arterial crônica apresenta vasos sanguíneos com "hialina" (depósitos de proteína coagulada). Qual tipo de necrose é associada a isso?

O que tipo de necrose forma esses depósitos hialinos?

Q13: Qual tipo de necrose é típico de tuberculose pulmonar?

Como TB mata as células do pulmão?

Q14: Um paciente sofre traumatismo craniano severo. O cérebro lesado sofre necrose liquefativa. Por que o cérebro tem esse padrão de necrose diferente do coração?

Por que o cérebro vira "sopa" quando lesionado?

Q15: Qual tipo de necrose afeta principalmente o tecido adiposo (gordo)?

Como gordura morre?

Q16: Qual é o papel da apoptose (morte programada) nas lesões celulares?

Quando a célula escolhe morrer?

Q17: Durante isquemia reperfusão (falta de sangue seguida de volta do sangue), por que muitas células morrem DURANTE a reperfusão e não durante a isquemia?

Por que trazer oxigênio de volta mata mais células?

Q18: Um paciente com hemocromatose (excesso de ferro) tem cirrose. Qual mecanismo de lesão é ativado pelo ferro em excesso?

Como ferro causa dano celular?

Q19: Qual mecanismo de lesão reversível é responsável pela maioria dos primeiros sinais de hipóxia?

O que a falta de oxigênio faz PRIMEIRO?

Q20: Qual fator determina se uma lesão celular será reversível ou irreversível?

O que separa a célula que vive da que morre?

Questões Dissertativas - Lesão Reversível

E1: Explique os mecanismos pelos quais a depleção de ATP (Adenosina Trifosfato) mitocondrial causa edema celular.

Em condições de hipóxia ou intoxicação mitocondrial, a produção de ATP diminui drasticamente. Sem ATP, a bomba Na⁺/K⁺ ATPase (que requer energia) falha. Esta bomba normalmente extrai 3 Na⁺ da célula em troca de 2 K⁺, mantendo baixa concentração de Na⁺ intracelular. Com sua falha:

1. Na⁺ acumula intracelularmente
2. Água segue osmoticamente o Na⁺
3. A célula incha (edema/tumefação)
4. Este processo é reversível SE a hipóxia for corrigida antes do dano mitocondrial irreversível (liberação de citocromo c)
5. Se continuar, Ca²⁺ entra → ativa proteases → lesão irreversível

E2: Por que o fígado é mais reversível para lesões celulares que o cérebro?

1. Capacidade regenerativa: O fígado tem hepatócitos que se dividem facilmente (repleniação de 70% em 1-2 semanas). O cérebro não regenera neurônios eficientemente.
2. Metabolismo: Hepatócitos têm metabolismo robusto e grande número de mitocôndrias. Neurônios dependem criticamente de ATP e oxigênio.
3. Plasticidade: O fígado tolera lesão de até ~80% e ainda mantém função. O cérebro perde função rapidamente com lesão (tempo é cérebro).
4. Estoque energético: Hepatócitos têm estoques maiores de glicogênio. Neurônios dependem de glicose contínua da circulação.

E3: Descreva os tipos de degenerações celulares reversíveis e suas características histológicas.

1. Degeneração Hidrópica (Edema Intracelular):
- Acúmulo de água e eletrólitos
- Microscopia: Citoplasma claro, pálido, inchado; núcleo deslocado
- Causa: Hipóxia, toxinas, IC
- Reversível com tratamento da causa

2. Degeneração Gordurosa (Esteatose):
- Acúmulo de triglicerídeos
- Órgão: Fígado > coração > rins
- Microscopia: Gotículas lipídicas PAS-negativas; Sudan Black+ (lipídios)
- Causa: Álcool, desnutrição, diabetes, hipóxia
- Reversível (até certo ponto)

3. Degeneração Proteica:
- Acúmulo de proteínas estruturais anormais (amiloide, tau, prion)
- Microscopia: Agregados protéicos, muitas vezes eosinófilos
- Causa: Síntese aumentada ou degradação reduzida
- Geralmente irreversível

4. Degeneração Hialina:
- Acúmulo de material hialino (proteína coagulada)
- Microscopia: Material eosinófilo (rosa); pode formar rosetas
- Observado em: Inflamação crônica, vascular hialino
- Relacionada à hipertensão crônica

AULA 2 — 10/02 — FARMACOLOGIA: Conceitos Gerais + Formas Farmacêuticas

Definições Fundamentais

Diferenças importantes que muitos estudantes confundem:

  • Fármaco: Substância química pura com ação biológica conhecida (ex: metoprolol, paracetamol)
  • Droga: Qualquer substância que afeta processos biológicos (mais genérico, pode incluir drogas ilícitas)
  • Medicamento: Fármaco + excipientes + forma farmacêutica = produto pronto para uso (ex: comprimido de paracetamol 500mg)
  • Remédio: Medicamento indicado para tratar doença específica (ex: paracetamol para febre)

Farmacologia vs Farmacoterapia

  • Farmacologia: Ciência que estuda efeitos de fármacos no corpo (farmacocinética + farmacodinâmica)
  • Farmacoterapia: Arte de usar fármacos para tratar doenças (aplicação clínica da farmacologia)

Formas Farmacêuticas

Formas Sólidas

  • Comprimido: Pó comprimido + aglutinante; absorção via VO (Via Oral); fácil transporte; liberação imediata ou modificada
  • Cápsula: Pó/grânulos em cápsula gelatina; absorção via VO (Via Oral); mascara sabor; liberação prolongada possível
  • Pó: Não comprimido; dissolve em água; absorção variável
  • Drágea: Comprimido revestido com açúcar/polímero; melhora sabor; proteção gástrica
  • Granulado: Partículas pequenas; absorção rápida; pode ser de liberação prolongada

Formas Líquidas

  • Solução: Fármaco dissolvido em veículo; absorção rápida; facilita ajuste dose
  • Suspensão: Partículas sólidas em líquido; agitar antes de usar; absorção variável
  • Xarope: Solução com açúcar; sabor agradável; via oral; típico para crianças
  • Elixir: Solução alcoólica; sabor melhorado; absorção rápida
  • Injeção (IV/IM (Intramuscular)/SC (Subcutâneo)): Solução estéril; absorção imediata (IV) ou gradual (IM (Intramuscular)/SC (Subcutâneo))

Formas Semissólidas

  • Pomada/Creme: Via tópica cutânea; absorção local/sistêmica variável
  • Gel: Consistência gelatinosa; penetração melhorada; via tópica
  • Supositório: Via retal; primeira passagem parcialmente evitada (~50% sistêmica direta)
  • Óvulo: Via vaginal; absorção local/sistêmica

Formas Especiais

  • Adesivo (Patch) transdérmico: Via percutânea; liberação prolongada; níveis plasmáticos estáveis (ex: nitroglicerina, estradiol)
  • Inalação/Aerossol: Via pulmonar; absorção rápida; grande superfície; uso local (asma) e sistêmico
  • Gotas oftalmológicas: Via ocular; absorção limitada; efeito local + sistêmico
  • Nanofármaco: Nanopartículas; penetração celular melhorada; liberação controlada (futuro)
  • Lipossomos: Vesículas lipídicas; proteção de fármaco; direcionamento a células alvo

Vias de Administração

Via Oral (VO)

  • Vantagem: Segura, conveniente, não invasiva, paciente autonomia
  • Desvantagem: Metabolismo de primeira passagem hepática, absorção variável com alimento, vômito/refluxo
  • Biodisponibilidade: 5-90% (depende do fármaco e primeira passagem)
  • Tempo de ação: 30-120 minutos (depende de absorção e distribuição)
  • Exemplos: Paracetamol, metoprolol, antibióticos

Vias Parenterais

Intravenosa (IV):

  • Absorção: 100% instantânea
  • Biodisponibilidade: 100%
  • Tempo de ação: Segundos a minutos
  • Vantagem: Efeito rápido, dose precisa, ideal para emergência
  • Desvantagem: Risco de infecção, tromboflebite, reação anafilática rápida

Intramuscular (IM):

  • Absorção: Variável (depende lipossolubilidade)
  • Biodisponibilidade: 70-100% (evita primeira passagem)
  • Tempo de ação: 10-30 minutos
  • Vantagem: Absorção previsível, evita primeira passagem, pode ser depot (liberação longa)
  • Desvantagem: Dor no local, hematoma, necrose se mal aplicada

Subcutânea (SC):

  • Absorção: Lenta e gradual
  • Biodisponibilidade: 70-90%
  • Tempo de ação: 30-60 minutos
  • Vantagem: Segura, ambulatorial, menos dor que IM
  • Desvantagem: Absorção lenta, volume limitado, irritação local

Outras Vias

  • Tópica: Pele ou mucosa; efeito local e sistêmico variável; absorção lenta
  • Inalatória: Pulmões; absorção rápida, grande superfície; ideal para broncodilatadores
  • Oftalmológica: Olho; efeito local; absorção sistêmica rápida via nasofaringe
  • Otológica: Ouvido; efeito local
  • Retal: Evita ~50% de primeira passagem; absorção variável
  • Sublingual: Mucosa bucal; evita completa primeira passagem (ex: nitroglicerina)

Biodisponibilidade

Definição: Fração do fármaco administrado que atinge circulação sistêmica em forma ativa

Cálculo: F = (AUC oral × Dose IV) / (AUC IV × Dose oral)

  • Via IV: F = 100% (definição padrão)
  • Via VO (Via Oral): F = 5-90% (afetado por absorção e primeira passagem)
  • Via IM (Intramuscular)/SC (Subcutâneo): F = 70-100% (melhor que VO (Via Oral), evita primeira passagem)
  • Fármacos com baixa F oral: Nitroglicerina, propranolol (primeira passagem extensa) → preferir IV/SL
  • Fármacos com alta F oral: Paracetamol, antibióticos → seguro via VO (Via Oral)

Flashcards - Conceitos Farmacologia

Qual a diferença entre fármaco e medicamento?
Fármaco = substância química pura; Medicamento = fármaco + excipientes em forma farmacêutica pronta
O que é metabolismo de primeira passagem?
Metabolização do fármaco oral no fígado ANTES de atingir circulação sistêmica, reduzindo biodisponibilidade
Por que nitroglicerina sublingual é melhor que oral?
Via sublingual evita primeira passagem hepática → mantém biodisponibilidade (VO teria F muito baixa)
Qual via tem biodisponibilidade sempre 100%?
Intravenosa (IV) - é o padrão de referência para cálculo de biodisponibilidade
O que diferencia forma de liberação imediata de prolongada?
Imediata = absorção rápida (30-60min); Prolongada = liberação controlada ao longo de horas/dias
Qual forma farmacêutica é melhor para evitar sabor desagradável?
Cápsula gelatinosa (mascara sabor) ou drágea (revestida com açúcar)

Quiz - Conceitos Farmacologia

Q1: Uma criança de 4 anos com febre alta (39.5°C) não consegue engolir comprimido. A mãe quer saber qual forma farmacêutica seria ideal.

Qual forma farmacêutica é MAIS apropriada para esta criança?

Q2: Um idoso com dificuldade de deglutição recebeu prescrição de enalapril 10 mg comprimido. Ele não consegue engolir sem risco de engasgo.

O que pode ser feito para garantir que o medicamento seja absorvido completamente?

Q3: Uma paciente com enxaqueca severa está vomitando. Seu marido quer dar um comprimido de analgésico via oral.

Por que via oral é CONTRAINDICADA neste momento?

Q4: Um paciente diabético toma metformina 500 mg comprimido 2x/dia. Seu médico disse que meia-vida dela é ~6 horas e biodisponibilidade oral é ~50%.

O que NÃO é afetado pela biodisponibilidade de 50%?

Q5: Um paciente com angina pectoris aguda está com dor no peito. Seu prescritor forneceu nitroglicerina em duas formas: tablets sublinguais e cápsulas orais idênticas.

Por que sublingual é SUPERIOR a oral nesta emergência?

Q6: Um farmacêutico vê um cliente comprando uma suspensão de amoxicilina infantil. O cliente pergunta se precisa agitar.

Qual é a razão científica para SEMPRE agitar suspensões?

Q7: Um paciente precisa tomar insulina. Seu médico ofereceu duas opções: injeção subcutânea (SC) 2x/dia ou tablet oral.

Por que insulina NUNCA pode ser oral?

Q8: Um paciente com insônia recebe prescrição de um benzodiazepínico de meia-vida longa. Seu médico o avisou: 'Nunca quebrar ou pulverizar este comprimido de liberação prolongada!'

Por que quebrar/pulverizar uma forma de liberação prolongada é PERIGOSO?

Q9: Um paciente toma dipirona 500 mg oral para dor. A biodisponibilidade é ~85%. Qual interpretação está CORRETA?

O que significa F = 85%?

Q10: Uma mulher menopáusica recebe prescrição de reposição hormonal com estradiol. Seu médico ofereceu: oral (100 mcg/dia) ou adesivo transdérmico (1 patch = 50 mcg/dia).

Por que a dose do adesivo é MENOR que oral, mas funciona igual?

Q11: Uma criança recebeu prescrição de um comprimido revestido com açúcar (drágea) para bronquite.

Qual é a vantagem principal dessa forma farmacêutica para CRIANÇAS?

Q12: Um paciente recebe metoprolol via intravenosa (IV) em emergência cardíaca. Seu médico disse: 'Biodisponibilidade é 100%, por isso funciona agora.'

Por que IV tem biodisponibilidade de 100% por DEFINIÇÃO?

Q13: Um paciente com gastrite severa precisa de alívio rápido de dor. Seu médico ofereceu: comprimido de paracetamol oral, injeção IM, ou supositório.

Por que o supositório é uma boa alternativa neste caso?

Q14: Uma paciente asthmatic usa salbutamol. Seu médico explicou: 'Via inalada é 10x melhor que oral. Mesma dose inalada = melhor efeito que dose 10x maior por oral.'

Por que inalação é superior em asma?

Q15: Um paciente toma cápsula de amoxicilina. O farmacêutico avisa: 'Não esfregue na água ou ácido. Engula inteira.'

Por que cápsulas de antibiótico não devem ser abertas?

Q16: Um paciente tem que tomar warfarina (anticoagulante) com 'janela terapêutica estreita'. Seu INR (nível de anticoagulação) precisa ser monitorado regularmente.

O que significa 'janela terapêutica estreita'?

Q17: Um diabético recebe prescrição de metformina XR (extended-release) uma vez ao anoite antes de dormir. Seu médico explicou: 'À noite porque libera lentamente, controlando glicose while you sleep.'

Qual conceito farmacológico EXPLICA por que ER è melhor que imediata para diabetes?

Q18: Uma idosa recebe prescrição de vitamina B12. Seu médico ofereceu: tablet oral, injeção IM, ou tablet sublingual.

Por que B12 sublingual pode funcionar melhor que oral em alguns pacientes?

Q19: Um paciente recebe prescrição de um comprimido solúvel/efervescente de vitamina C. Instruções dizem: 'Dissolver em água antes de beber.'

Qual é o PRINCIPAL benefício farmacológico de dissolver antes de tomar?

Q20: Um paciente recebe 'dose de ataque' (loading dose) de digoxina 1.5 mg IV seguida de 'dose de manutenção' (maintenance dose) de 0.25 mg/dia via oral. Seu médico explicou: 'Ataque para emergência, depois manutenção.'

Qual é a RAZÃO científica para essa estratégia em 2 fases?

AULA 3 — 11/02 — FARMACOLOGIA: Farmacocinética (ADME) + Absorção

O que é Farmacocinética (ADME)?

ADME = Absorção → Distribuição → Metabolização → Excreção

Estuda o que o corpo FAZ ao fármaco (caminho do fármaco desde administração até eliminação)

Diferente de Farmacodinâmica, que estuda o que o fármaco FAZ ao corpo (efeitos biológicos)

ABSORÇÃO - Primeira Etapa (A)

Mecanismos de Absorção

1. Difusão Passiva

  • Definição: Movimento de moléculas segundo gradiente de concentração
  • Dependência: NÃO requer energia ATP (Adenosina Trifosfato)
  • Requisitos: Alto gradiente de concentração (TGI > sangue) + lipossolubilidade alta
  • Velocidade: Proporcional à diferença de concentração
  • Exemplos: Álcool, lidocaína, anesté locals

2. Difusão Facilitada

  • Definição: Passagem através de canais/proteínas transportadoras
  • Dependência: NÃO requer ATP (Adenosina Trifosfato)
  • Seletividade: Proteína de transporte é seletiva (específica para certos compostos)
  • Característica: Saturável (quando todos os transportadores estão ocupados, velocidade máxima)
  • Exemplos: Glicose (SGLT1), vitaminas B12

3. Transporte Ativo

  • Definição: Transporte CONTRA gradiente de concentração
  • Dependência: REQUER energia ATP (Adenosina Trifosfato)
  • Importância: Permite absorção mesmo com concentração baixa
  • Exemplos: Alguns aminoácidos, íons

4. Endocitose

  • Definição: Internalização de partículas maiores/complexas por invaginação de membrana
  • Uso clínico: Nanopartículas, lipídios complexos
  • Exemplos: Lipossomos, nanofármacos

Fatores que Afetam Absorção

1. Lipossolubilidade (Lipophilicity)

  • Importância: MAIOR fator que determina absorção (especialmente difusão passiva)
  • Muito lipofílico: Absorção excelente; distribuição ampla em tecidos gordurosos; eliminação lenta
  • Muito hidrofílico: Absorção reduzida; distribuição limitada ao plasma; eliminação renal rápida
  • Ótimo: Balanço entre lipossolubilidade (para absorção) e hidrossolubilidade (para excreção)
  • Medida: Coeficiente de partição óleo-água (Kow)

2. Ionização (pH-Dependência)

  • Princípio: Moléculas ionizadas (carregadas) = baixa permeabilidade de membrana
  • Moléculas não-ionizadas: Alta permeabilidade (lipossolúveis)
  • Regra de pH: Ácidos fracos absorvem melhor em pH BAIXO (protonados); bases fracas em pH ALTO
  • Equação Henderson-Hasselbalch: pH = pKa + log([A-]/[HA]) → prediz ionização em dado pH
  • Exemplo prático: Aspirina (ácido fraco, pKa=3.5) absorve melhor em ESTÔMAGO (pH 1-2)

3. pH do Trato Gastrointestinal

  • Estômago: pH 1-2 (muito ácido) - favorece ácidos fracos
  • Intestino delgado (duodeno): pH 6-7 (neutro) - favorece bases fracas
  • Decisão de absorção: Intestino > estômago (maior área de absorção = vilosidades)
  • Vômito/refluxo: Reduz tempo no estômago → absorção reduzida para ácidos fracos

4. Superfície de Absorção

  • Estômago: Pequena área, absorção mínima
  • Intestino delgado: MAIOR ÁREA (vilosidades + microvilosidades) = ~200-400 m² → local principal de absorção
  • Colon: Menor área, absorção reduzida mas possível
  • Consequência: Fármacos que passam rápido pelo estômago (< pH crítico) podem ter absorção reduzida

5. Fluxo Sanguíneo

  • Mecanismo: Maior fluxo sanguíneo → maior gradiente de concentração (sangue remove fármaco absorvido)
  • Resultado: Taxa de absorção aumenta proporcionalmente ao fluxo
  • Órgãos bem vascularizados: Intestino (absorção rápida), pulmão (absorção rápida se inalado)

6. Motilidade Gastrointestinal

  • Aumentada por: Refeição gordurosa, movimento, estimulantes
  • Diminuída por: Stress, alguns fármacos (anticolinérgicos, opioides)
  • Efeito: Motilidade ↑ = tempo de contato reduzido = absorção pode reduzir
  • Prática clínica: Tomar fármaco com/sem comida afeta absorção (ex: certos antibióticos)

7. Alimento no Estômago

  • Efeito: VARIÁVEL dependendo do fármaco
  • Aumenta absorção de: Fármacos lipofílicos (gordura aumenta absorção), ciclosporina
  • Diminui absorção de: Alguns antibióticos (tetraciclina, fluoroquinolonas se Ca²⁺, Mg²⁺, Fe³⁺ presentes)
  • Prática: Ler bula: "tomar com alimento" vs. "tomar em estômago vazio"

8. Barreira Epitelial e Transportadores de Efluxo

  • P-glicoproteína (MDR1): Transportador que EXPULSA fármacos (bomba de efluxo)
  • Efeito: Reduz absorção de certos fármacos (ex: loperamida, alguns estatinas)
  • Inibição: Certos fármacos inibem P-gp → aumentam absorção de outros (interação!)

Curva Concentração-Tempo (Farmacocinética Gráfica)

Três Fases Típicas:

  • Fase de Absorção: Concentração plasmática ↑ (absorção > eliminação); curva sobe
  • Fase de Distribuição: Concentração ↓ lentamente (absorção = eliminação); fármaco sai do plasma para tecidos
  • Fase de Eliminação: Concentração ↓ linearmente em escala semilog (absorção negligenciável); depuração renal/metabólica

Cmax (Concentração Máxima):

  • Definição: Pico de concentração plasmática atingido
  • Relação com efeito: Maior Cmax = maior efeito farmacológico (até certo ponto)
  • Relação com toxicidade: Muito alto = toxicidade (concentração tóxica mínima CTM)
  • Importância clínica: Ajuste de dose visa manter Cmax no range terapêutico

Tmax (Tempo para Cmax):

  • Definição: Tempo necessário para atingir concentração máxima após administração
  • Dependência: Via de administração
  • Valores típicos:
    - IV: Tmax = 0 (instantâneo)
    - VO: Tmax = 1-3 horas (depende absorção, motilidade GI)
    - IM: Tmax = 10-60 minutos
    - Transdérmico: Tmax = 12-24 horas

AUC (Area Under Curve):

  • Definição: Área sob a curva concentração-tempo
  • Significado: Representa EXPOSIÇÃO TOTAL do fármaco (integral de concentração × tempo)
  • Unidade: mg·h/L ou equivalente
  • Uso: Cálculo de biodisponibilidade: F = (AUC_oral × Dose_IV) / (AUC_IV × Dose_oral)

Janela Terapêutica e Biodisponibilidade

Questões de Prática

Q1: Um paciente toma aspirina (ácido fraco, pKa=3,5) com água no estômago (pH 1-2).

Em qual situação o remédio será melhor absorvido?

Q2: Uma mulher toma um medicamento por via sublingual (debaixo da língua).

Por que essa via evita o efeito de primeira passagem?

Q3: Um homem toma um remédio por via oral. 100 mg chega ao intestino, mas só 30 mg consegue chegar à circulação sistêmica.

Qual é a biodisponibilidade desse remédio?

Q4: Uma criança toma um medicamento. O fígado destrói 60% do remédio antes dele chegar ao sangue.

Esse efeito é chamado de quê?

Q5: Um paciente com refluxo ácido toma omeprazol (que reduz o ácido do estômago).

Como isso afeta a absorção de medicamentos ácidos fracos?

Q6: Uma pessoa tem uma lesão no intestino delgado que reduz a área de absorção.

O que acontece com a absorção de remédios?

Q7: Uma mulher toma um remédio com alimento gorduroso (feijão com óleo).

Como o alimento gorduroso afeta um remédio lipofílico?

Q8: Um homem toma um medicamento que precisa de transportadores de membrana para entrar nas células.

Qual mecanismo de transporte está acontecendo?

Q9: Um medicamento é muito hidrofílico (carregado de água, não dissolve em gordura).

Como isso afeta a absorção?

Q10: Um paciente toma um remédio de liberação prolongada (que solta o medicamento devagar).

Qual é a vantagem dessa formulação?

Q11: Uma pessoa toma um remédio e a motilidade intestinal aumenta muito (diarreia).

O que acontece com a absorção?

Q12: Um paciente recebe uma injeção sublingual de um medicamento.

Por que a absorção é rápida nessa via?

Q13: Um medicamento tem coeficiente de partição óleo-água (Kow) muito alto.

O que isso significa?

Q14: Um paciente tem achlorhydria (não produz ácido no estômago).

Como isso afeta a absorção de um ácido fraco?

Q15: Um remédio precisa usar uma proteína transportadora específica para entrar na célula.

Se o número dessas proteínas é limitado, qual problema pode ocorrer?

Q16: Um medicamento é muito lipofílico e depois de absorvido vai todo para o tecido gorduroso.

Como isso afeta a quantidade que chega ao sangue?

Q17: Um paciente com baixo fluxo sanguíneo intestinal (choque) toma um remédio.

Como o fluxo afeta a absorção?

Q18: Um medicamento pode ser absorvido por endocitose (célula engole a partícula).

Qual tipo de molécula geralmente usa esse mecanismo?

Q19: Um paciente toma um remédio de forma sublingual para uma doença cardíaca (por exemplo, nitroglicerina).

Qual é a grande vantagem dessa via?

Q20: Um medicamento tem pH crítico: absorve bem em pH < 3, mas ioniza e não absorve em pH > 6.

Qual é a melhor hora de tomar esse remédio?

Janela Terapêutica (Therapeutic Window):

  • Definição: Range de concentração plasmática entre CME (concentração mínima eficaz) e CTM (concentração tóxica mínima)
  • Fármacos com janela ESTREITA: Requerem monitoramento plasma (digoxina, varfarina, teofilina, lítio, fenitoína)
  • Fármacos com janela AMPLA: Margem de segurança maior (paracetamol, penicilinas)
  • Prática clínica: Fármacos com janela estreita = risco de sub/superdosagem

Biodisponibilidade Relativa (F relativa):

  • Definição: Comparação de biodisponibilidade entre duas formulações VO (Via Oral) de mesmo fármaco
  • Importância: Diferentes formas farmacêuticas podem ter F diferentes (ex: comprimido vs. cápsula)
  • Bioequivalência: Dois produtos são bioequivalentes se 80-125% de F relativa

Flashcards - ADME Absorção

O que é difusão passiva?
Movimento de moléculas segundo gradiente, sem energia ATP; depende de lipossolubilidade
Por que ácidos fracos absorvem melhor em estômago?
pH baixo (1-2) do estômago protona ácidos fracos → forma não-ionizada → lipofílica → absorve bem
Qual é o principal local de absorção de fármacos?
Intestino delgado - tem maior área (vilosidades + microvilosidades ~200-400m²)
O que é Cmax?
Concentração plasmática máxima atingida; pico de efeito/toxicidade
O que é Tmax?
Tempo necessário para atingir Cmax; IV=0, VO=1-3h, IM=10-60min
Qual fator mais afeta absorção?
Lipossolubilidade (lipophilicity) - determina permeabilidade de membrana

Quiz - Absorção ADME

Questões Dissertativas

E1: Explique a equação Henderson-Hasselbalch e como ela prediz absorção de ácidos fracos vs. bases fracas.

Equação Henderson-Hasselbalch: pH = pKa + log([A-]/[HA])

Interpretação:
- Quando pH = pKa: 50% ionizado, 50% não-ionizado
- Quando pH < pKa: Prevalece forma não-ionizada (HA) → lipofílica → absorve bem
- Quando pH > pKa: Prevalece forma ionizada (A-) → hidrofílica → não absorve bem

Para ÁCIDOS FRACOS (pKa 2-8):
- Melhor absorção em pH BAIXO (estômago pH 1-2)
- Em pH alto (intestino 6-7) → ionizados → não absorvem
- Exemplo: Aspirina (pKa=3.5) absorve excelente em estômago (pH<
Para BASES FRACAS (pKa 8-10):
- Melhor absorção em pH ALTO (intestino pH 6-7)
- Em pH baixo (estômago) → ionizadas → não absorvem
- Exemplo: Metanfetamina (pKa=9.7) absorve melhor em intestino alcalino

Consequência clínica: Modificar pH gastrointestinal afeta absorção!

E2: Diferencie as fases de uma curva concentração-tempo e seu significado clínico.

Fase 1 - ABSORÇÃO:
- Curva sobe (concentração ↑)
- Absorção > Eliminação
- Fármaco sai do TGI → sangue
- Dura ~30-120 min (VO)
- Significado: Início do efeito farmacológico

Fase 2 - DISTRIBUIÇÃO:
- Curva continua subindo mas mais lentamente
- Absorção = Eliminação (aproximadamente)
- Fármaco sai do plasma → tecidos
- Significado: Pico de concentração plasmática (Cmax) no final desta fase

Fase 3 - ELIMINAÇÃO (Pseudo-primeira ordem):
- Curva desce linearmente em escala semilog
- Absorção negligenciável
- Eliminação por metabolismo e excreção renal
- Segue cinética de primeira ordem: Concentração reduz ~50% a cada meia-vida
- Significado clínico: Determina intervalo de dosagem (a cada meia-vida toma nova dose)

Importância clínica: Saber em qual fase está ajuda a entender se fármaco foi absorvido, distribuído, ou está sendo eliminado.

AULA 4 — 24/02 — FARMACOLOGIA: Distribuição + Metabolização (CYP450)

DISTRIBUIÇÃO (D) - Segunda Etapa ADME

Processo de disseminação do fármaco absorvido para diversos compartimentos corporais

Volume de Distribuição (Vd)

Definição: Volume teórico em que o fármaco se distribui para manter concentração plasmática observada

Fórmula: Vd = Dose / Concentração plasmática inicial

  • Vd PEQUENO (< 0.5 L/kg): Fármaco fica principalmente no intravascular (plasma). Moléculas hidrofílicas ou muito polares (ex: heparina). Distribuição limitada.
  • Vd MÉDIO (0.5-1 L/kg): Distribuição em fluido intersticial + plasma
  • Vd GRANDE (1-3+ L/kg): Fármaco distribui-se amplamente em tecidos, especialmente adiposo e intracelular. Moléculas lipofílicas (ex: cloroquina, amiodarona). Podem acumular em tecidos!
  • Vd MUITO GRANDE (> 5 L/kg): Distribuição extensa; pode exceder peso corporal (redistribuição de plasma para tecidos)

Significado Clínico:

  • Vd pequeno: Fármaco concentrado no plasma → efeito potente, T1/2 curta
  • Vd grande: Fármaco diluído em tecidos → efeito menos potente por mg, T1/2 longa, acúmulo possível
  • Exemplo: Digoxina tem Vd = 7 L/kg (muito grande); acumula em tecidos cardíacos → risco de toxicidade

Ligação a Proteínas Plasmáticas

Proteínas que ligam remédios:
Albumina = adora ácidos fracos (Aspirina, Varfarina)
Alfa-1-glicoproteína = adora bases fracas (Propranolol)
• Outras = globulinas, lipoproteínas

🔑 CONCEITO CRÍTICO:
Remédio LIGADO à proteína = INATIVO (pendurado não funciona!)
Remédio LIVRE = ATIVO (trabalha!)

⚠️ PROBLEMA REAL:
Se você mede concentração TOTAL (ligado + livre), tá mentindo! O remédio ativo é só a fração livre!
Exemplo: Varfarina = 99% ligada = só 1% é o remédio de verdade!
Consequências de Alta Ligação Proteica:

🚫 Distribuição reduzida → Remédio pendurado não sai da veia → não chega nos tecidos

⏳ Meia-vida prolongada → Remédio ligado não é eliminado rápido → fica no corpo MUITO tempo

⚠️ INTERAÇÕES PERIGOSAS! → Dois remédios competem pelo mesmo sítio de ligação!
Exemplo real: Varfarina (anticoagulante 99% ligada) + AINE (tipo Ibuprofeno)
O AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal) desloca a Varfarina → de repente MUITO anticoagulante livre → SANGRAMENTO (nariz, gengiva, etc)!

Barreiras Anatômicas

Barreira Hematoencefálica (BHE)

  • Estrutura: Tight junctions entre células endoteliais cerebrais; membrana basal
  • Função: Protege SNC (Sistema Nervoso Central) de toxinas/patógenos
  • Requisitos para atravessar: Alta lipossolubilidade OU transportador específico
  • Consequência: Fármacos hidrofílicos NÃO agem no SNC (ex: mannitol - hiperosmótico periférico)
  • Exemplos de "bons penetradores BHE (Barreira Hematoencefálica)": Anestésicos (lipofílicos), certos antibióticos (fluoroquinolonas)
  • Patológico: Em meningite/inflamação, BHE (Barreira Hematoencefálica) fica "leaky" (permeável) → melhor penetração de antibióticos
Barreira Hematoplacentária = protetor do bebê. Similar ao BHE mas IMPORTANTE: alguns remédios passam e podem DANIFICAR o feto (teratogênicos).
🚫 TERATOGÊNICOS (causam deformidade no feto):
Talidomida (antibiótico antigo) = sem braços/pernas!
ACE-inibidores no 2º/3º trimestre = problema renal fetal
Isotretinoína (acne) = múltiplas malformações

REGRA: Gravidez 1º trimestre = máxima cautela! Apenas remédios realmente necessários!

Barreira Hematotesticular

  • Função: Protege espermatogênese
  • Relevância: Infecções testiculares podem ser refratárias a antibióticos mal distribuidos

METABOLIZAÇÃO (M) - Terceira Etapa ADME

Propósito da Metabolização

Metabolização = fábrica do fígado que transforma remédio em algo "melhor de sair": de gordo → aquoso. Remédio aquoso sai pela urina!
Remédio ORIGINAL (lipófilo = gordo) → entra nos tecidos, mas NÃO sai na urina
⬇️ FÍGADO TRABALHA
Remédio TRANSFORMADO (hidrofílico = aquoso) → sai na urina fácil!

Mas ⚠️: Às vezes o fígado FAZ UM METABOLITO TÓXICO! (tipo produz veneno!)

Fases de Metabolização

⚗️ FASE I = CYP450 (Citocromos do fígado)

O que faz: "Abre" ou "modifica" o remédio = adiciona uns grupos polares para deixar pronto pra próxima fase.

Mecanismos:
• Oxidação (tira elétron)
• Redução (adiciona elétron)
• Hidrólise (quebra química)

⚠️ PROBLEMA: Às vezes CRIA metabolito TÓXICO (pior que o remédio original!).
Exemplo: Paracetamol → CYP450 → metabolito tóxico (por isso não pode tomar demais!)

🧬 POLIMORFISMO GENÉTICO: Você herda genes diferentes do CYP450 → algumas pessoas processam remédio RÁPIDO (metabolizadores rápidos), outras LENTO (lentos) → efeito diferente com mesma dose!
🏭 FASE II = CONJUGAÇÃO (Deixa SUPER aquoso)

Pega o remédio da Fase I e cola "arandelas" que deixam MUITO aquoso = sai na urina 100%!

Principais reações:
Glicuronidação (70% dos remédios!) = cola açúcar (glicurônico)
Sulfatação = cola enxofre
Acetilação = cola acetila

Resultado: Remédio SUPER hidrofílico = sai na urina MUITO rápido!
  • Enzimas: UDP-glicuronosiltransferases (UGTs), sulfotransferases, N-acetiltransferases
  • Resultado: Adiciona grupo hidrofílico (glicuronato, sulfato, acetil) → polaridade ↑↑
  • Vantagem: Metabólitos geralmente INATIVOS e facilmente excretáveis na urina
  • Exemplo: Paracetamol → glicuronidação → paracetamol-glicuronato (hidrofílico) → excreção renal
  • FASE III - Transportadores de Efluxo

    • Proteína principal: P-glicoproteína (MDR1, ABCB1)
    • Função: Transporta fármaco/metabólito para FORA da célula
    • Localização: Intestino (reduz absorção), fígado (facilita excreção), rins (aumenta secreção)
    • Efeito: Reduz biodisponibilidade, aumenta clearance

    Citocromo P450 (CYP450) - CRÍTICO PARA PROVA!

    CYP450 (Citocromo P450) = a fábrica de transformação do fígado. > 50 operárias (isoenzimas) diferentes, cada uma especialista em transformar TIPO diferente de remédio.
    Onde está: Fígado (85%), intestino, rins
    O que precisa: NADPH + Oxigênio (tipo combustível)
    O que faz: Oxida, reduz, ou quebra remédios = Fase I da metabolização!
    IMPORTANTE: Tem + 50 tipos! Cada um metaboliza remédios DIFERENTES!

    Principais isoenzimas e seus fármacos:

    Isoenzima % Fármacos Metabolizados Exemplos de Fármacos Potencial de Interação
    CYP3A4 ~50% Estatinas (sinvastatina), CCB (diltiazem, verapamil), ciclosporina, tacrolimo, antiretrovirais MUITO ALTO - maior enzima
    CYP2D6 ~25% Antidepressivos (fluoxetina, paroxetina), antipsicóticos, antiarrítmicos (metoprolol, propranolol), tramadol MUITO ALTO - polimorfismo genético
    CYP2C19 ~10% Omeprazol, clopidogrel (prodrug!), fluoxetina, escitalopram, imipramina ALTO
    CYP2C9 ~10% Varfarina (anticoagulante!), AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais), sulfoniluréias, fenitoína ALTO
    CYP2B6 ~5% Bupropiona, efavirenz, isoflurano Moderado
    CYP2E1 ~5% Etanol, acetaminofeno (paracetamol), isoniazida Moderado

    INIBIDORES CYP450 (↓ metabolismo = ↑ toxicidade):

    • CYP3A4 INIBIDORES:
      - Fortes: Cetoconazol, itraconazol, ritonavir, claritromicina
      - Moderados: Diltiazem, verapamil, fluconazol, eritromicina
      - Efeito: ↑ sinvastatina (↑ rabdomiolise), ↑ ciclosporina (↑ nefrotoxicidade)
    • CYP2D6 INIBIDORES:
      - Fluoxetina, paroxetina, bupropiona
      - Efeito: ↑ metoprolol (↑ bradicardia), ↑ tramadol (↑ efeitos)
    • CYP2C19 INIBIDORES:
      - Fluoxetina, fluvoxamina, omeprazol
      - Efeito: ↑ clopidogrel - PROBLEMA! Omeprazol reduz eficácia de clopidogrel (pró-fármaco inativo sem metabolização)
    • CYP2C9 INIBIDORES:
      - Fluconazol, metronidazol, amiodarona, AINEs
      - Efeito: ↑ varfarina (↑ INR (Razão Normalizada Internacional) = sangramento!)
    • ÁLCOOL (agudo): Inibe CYP450 (não crônico)

    INDUTORES CYP450 (↑ metabolismo = ↓ eficácia):

    • INDUTORES POTENTES:
      - Rifampicina (TBC): indutor de CYP3A4, CYP2C19, CYP2D6, etc
      - Carbamazepina (anticonvulsivo)
      - Fenitoína (anticonvulsivo)
      - Fenobarbitais (barbiturato)
      - Efeito: ↓ varfarina (↓ INR (Razão Normalizada Internacional) = trombose!), ↓ contraceptivos orais (gravidez!), ↓ ciclosporina (rejeição!)
    • INDUTORES MODERADOS:
      - Rifabutina
      - Bosceprevir
      - Nafcilina
    • INDUTORES LEVES:
      - St. John's Wort (hipericão) - fitoenergético
      - Alguns antiretrovirais
    • ÁLCOOL (crônico): Indutor de CYP2E1 → ↑ metabolismo etanol, ↑ toxicidade de acetaminofeno

    Profármacos e Metabólitos Tóxicos

    Profármacos (Prodrugs):

    • Definição: Fármaco INATIVO que requer metabolização hepática para se tornar ATIVO
    • Vantagem: Melhor biodisponibilidade, menos efeitos colaterais pré-sistêmicos
    • Desvantagem: Falha se metabolismo prejudicado (CYP insuficiente, idosos)
    • Exemplos importantes:
      - Clopidogrel (Plavix) → CYP2C19 → metabolito ativo (bloqueador P2Y12, antiagregante)
      - Codeia → CYP2D6 → MORFINA (opioide potente) - metabolizadores lentos têm analgesia reduzida
      - Enalapril (IECA) → éster → enalaprilato (IECA ativo)
      - Levodopa → DOPA descarboxilase → DOPAMINA (Parkinson)

    Metabólitos TÓXICOS (Ativação de Toxina):

    • PARACETAMOL (Acetaminofeno):
      - Metabolismo normal: Paracetamol → glicuronidação/sulfatação → excreção segura
      - SUPERDOSE (> 4g/dia): Via CYP2E1 → N-acetil-p-benzoquinona imina (NAPQI) - tóxico!
      - NAPQI = espécie reativa que se liga a proteínas → necrose hepática, insuficiência hepática, morte
      - Tratamento: N-acetilcisteína (NAC) - doador de glutationa → neutraliza NAPQI
    • BENZENO:
      - Metabolismo: CYP2E1 → benzeno epóxido → tóxico
      - Causa: Aplasia de medula óssea, leucemia
    • NITROSAMINAS (food/tabaco):
      - CYP450 → derivados tóxicos → mutação, cancerígeno
    • HALOTANO (anestésico inalado):
      - CYP450 → ácido trifluoroacético → hepatotoxicidade (necrote hepática fulminante em re-exposição)

    Polimorfismo Genético em CYP450

    CYP2D6 - Exemplo clássico:

    • Fenotipos:
      - Metabolizadores ULTRA-rápidos (múltiplas cópias gênicas - raro): metabolizam muito rápido → subestimulado
      - Metabolizadores RÁPIDOS (heterozigoto normal): velocidade normal
      - Metabolizadores NORMAIS (homozigoto wild-type): velocidade normal
      - Metabolizadores LENTOS (deficiência/mutação): ↓ metabolismo → ↑ toxicidade de profármacos
      - Metabolizadores ULTRA-LENTOS (deleção completa): sem atividade
    • Consequência clínica: Metabolizadores lentos de CYP2D6 recebem MENOS analgesia de CODEÍNA (precisa metabolizar para ativar)
    • Farmacogenômica: Testes genéticos disponíveis para prever resposta a certas drogas (ex: varfarina CYP2C9, CYP4F2)

    Flashcards - Distribuição + Metabolização

    O que significa Vd (Volume de Distribuição)?
    Volume teórico em que fármaco se distribui; Vd pequeno = plasma; Vd grande = tecidos adiposos
    Qual é o principal sistema de metabolização Fase I?
    Citocromo P450 (CYP450) - localizado em RE microssomal; enzima oxidativa
    Qual isoenzima CYP450 metaboliza 50% dos fármacos?
    CYP3A4 - principal enzima; maior potencial de interação medicamentosa
    O que é um profármaco?
    Fármaco INATIVO que requer metabolização para se tornar ATIVO (ex: clopidogrel, codeia)
    Qual metabólito é tóxico de paracetamol em superdose?
    NAPQI (N-acetil-p-benzoquinona imina) - causa necrose hepática; tratado com N-acetilcisteína
    O que faz um indutor CYP450?
    ↑ produção de enzima → ↑ metabolismo → ↓ concentração plasmática de fármaco → ↓ eficácia

    Quiz - Distribuição + Metabolização

    Q1: Um paciente com câncer recebe cloroquina intravenosa. Após 3 dias, o nível no sangue é muito baixo, mas a droga acumula nos pulmões e fígado. Qual conceito farmacológico explica isso?

    O que melhor descreve o volume de distribuição (Vd) da cloroquina?

    a) Cloroquina tem Vd pequeno — fica presa no sangue, não entra em tecidos
    b) Cloroquina tem Vd GIGANTE — é lipofílica, sai do sangue e acumula em tecidos adiposo e intracelular
    c) Cloroquina não distribui, fica só na veia
    d) O fígado destrói toda cloroquina imediatamente

    Q2: Uma mulher toma varfarina (anticoagulante) há 6 meses. Seu INR está bem controlado. De repente, ela começa a tomar Ibuprofeno para dor nas costas. Duas semanas depois, sangramento nasal e roxos fáceis. Qual a causa?

    Como o Ibuprofeno afeta a varfarina?

    a) Ibuprofeno aumenta a metabolização de varfarina — efeito cai
    b) Ibuprofeno desloca varfarina da ligação proteica — libera varfarina ativa → anticoagulante fica forte demais
    c) Ibuprofeno destrói varfarina no intestino
    d) Não tem interação entre eles

    Q3: Um paciente com meningite recebe Penicilina IV. O antibiótico está com boa concentração no sangue, mas a meningite piora. Exame de líquor: concentração penicilina é praticamente ZERO. Por que o antibiótico não chega no cérebro?

    Qual barreira explica a baixa concentração de penicilina no cérebro?

    a) Barreira hematoencefálica (BHE) — penicilina é hidrofílica, não atravessa tight junctions
    b) Penicilina é metabolizada por bactérias antes de chegar cérebro
    c) O fígado tira penicilina do sangue
    d) Cérebro não recebe sangue

    Q4: Uma gestante no 2º trimestre de gravidez toma Enalapril (IECA) para hipertensão. Após 2 meses, ultrassom mostra problema renal no feto. Qual conceito aplicável?

    Por que Enalapril é teratogênico no 2º/3º trimestre?

    a) Enalapril destrói albumina materna
    b) Enalapril atravessa barreira placentária → reduz perfusão renal fetal → displasia renal
    c) Placenta metaboliza Enalapril em toxina
    d) Enalapril não atravessa placenta

    Q5: Um paciente com hepatite viral tem função hepática muito reduzida. Recebe Morfina para dor. Após 2 horas, fica com respiração muito lenta (6 respirações/min), confuso, quase em coma. Por que morfina ficou tão forte?

    Como a insuficiência hepática afeta metabolismo de morfina?

    a) Fígado destrói rapidamente morfina — concentração cai
    b) Fígado doente metaboliza LENTAMENTE morfina → concentração sobe → overdose → sedação, depressão respiratória
    c) Morfina sai na urina rapidamente
    d) Fígado produz antídoto para morfina

    Q6: Um paciente toma Rifampicina (para tuberculose) e Warfarina (anticoagulante). Seu INR era 3.5 (bem coagulado). Após 2 semanas de rifampicina, INR caiu para 1.2 (sangue grosso demais). Por que?

    Qual mecanismo de Rifampicina causa falha de Warfarina?

    a) Rifampicina bloqueia metabolismo de warfarina
    b) Rifampicina INDUZ CYP2C9 → warfarina é metabolizada MUITO RÁPIDO → concentração cai → anticoagulante fraco
    c) Rifampicina destrói warfarina no sangue
    d) Warfarina não funciona com antibióticos

    Q7: Um paciente toma Cetoconazol (antifúngico IV) e Atorvastatina (para colesterol). Após 5 dias, miosites (dor muscular), fraqueza. CK sobe para 3000. Por que?

    Como Cetoconazol causa toxicidade de Atorvastatina?

    a) Cetoconazol bloqueia a síntese de colesterol
    b) Cetoconazol INIBE CYP3A4 → atorvastatina não é metabolizada → concentração SOBE → miosite/rabdomiolise
    c) Atorvastatina causa alergia ao cetoconazol
    d) Cetoconazol destrói músculos diretamente

    Q8: Um paciente com tuberculose toma Rifampicina. Toma também Paroxetina (antidepressivo = inibidor CYP2D6). Seu humor PIORA ao invés de melhorar. Por que a paroxetina deixou de funcionar?

    Por que Rifampicina afeta eficácia de Paroxetina?

    a) Paroxetina causa depressão maior
    b) Rifampicina INDUZ CYP2D6 → paroxetina é metabolizada RÁPIDO → concentração cai → antidepressivo fica fraco
    c) Paroxetina é incompatível com rifampicina
    d) Rifampicina destrói neurotransmissores

    Q9: Um paciente com câncer recebe Clopidogrel (Plavix) após stent cardíaco. Toma também Omeprazol para gastroprotecção (úlcera). Semanas depois, infarto. Por que?

    Como Omeprazol prejudica Clopidogrel?

    a) Omeprazol causa infarto diretamente
    b) Clopidogrel é PROFÁRMACO → precisa CYP2C19 para ativar → omeprazol INIBE CYP2C19 → clopidogrel fica INATIVO → antiagregante não funciona → trombose stent
    c) Omeprazol destrói clopidogrel no estômago
    d) Clopidogrel causa úlceras

    Q10: Uma criança recebe Paracetamol para febre. Mãe pensa "se 500mg é bom, 5000mg em uma dose é 10x melhor" e dá superdose. 48h depois: icterícia, ascites, insuficiência hepática fulminante. Por que?

    Qual metabólito tóxico do Paracetamol causa necrose hepática?

    a) Paracetamol-glicuronato (está bem, é hidrofílico e sai na urina)
    b) N-acetil-p-benzoquinona imina (NAPQI) — espécie reativa que se liga proteínas hepáticas → necrose
    c) Ácido acético comum
    d) Paracetamol não forma metabólitos tóxicos

    Q11: Um paciente com inflamação crônica recebe Fluoxetina (antidepressivo) + Metoprolol (beta-bloqueador). Após 2 semanas: bradicardia severa (40 bpm), fraqueza, tontura. Por que o metoprolol ficou tão forte?

    Como Fluoxetina aumenta efeito de Metoprolol?

    a) Fluoxetina aumenta receptores beta no coração
    b) Fluoxetina INIBE CYP2D6 → metoprolol não é metabolizado → concentração SOBE → bradicardia severa
    c) Metoprolol causa depressão com fluoxetina
    d) Fluoxetina destrói metoprolol

    Q12: Um paciente com leishmaniose recebe Anfotericina B (antifúngico). Efeito colateral: nefrotoxicidade (creatinina sobe). Para proteger rim, médico prescreve Ciclosporina (imunossupressor). Semana depois: ciclosporina sobe absurdamente (concentração tóxica). Por que não diminuiu com excreção?

    Como Anfotericina B afeta metabolismo de Ciclosporina?

    a) Anfotericina B aumenta excreção renal de ciclosporina
    b) Anfotericina B causa dano renal → reduz função → ciclosporina não é excretada → acumula em nível tóxico
    c) Ciclosporina causa toxicidade fungal
    d) Não há interação entre eles

    Q13: Um paciente com epilepsia toma Fenitoína (anticonvulsivante). Seu nível sérico é terapêutico (18 μg/mL). Começa Fenobarbital (novo anticonvulsivante para melhorar). 2 semanas depois: convulsões voltam APESAR fenitoína em dose terapêutica. Por que?

    Como Fenobarbital reduz efeito de Fenitoína?

    a) Fenitoína causa resistência com fenobarbital
    b) Fenobarbital INDUZ CYP2C9 + CYP2C19 → fenitoína é metabolizada MUITO RÁPIDO → concentração cai → efeito anticonvulsivante falha
    c) Fenobarbital bloqueia fenitoína no intestino
    d) Ambos anticonvulsivantes competem no cérebro

    Q14: Uma mulher com VIH toma Ritonavir (inibidor protease) + Etinilestradiol (pílula anticoncepcional). Apesar usar pílula "corretamente", engravida. Por que falhou o anticoncepcional?

    Como Ritonavir reduz eficácia de Etinilestradiol?

    a) Ritonavir destrói etinilestradiol no intestino
    b) Ritonavir INDUZ CYP3A4 → etinilestradiol é metabolizado RÁPIDO → concentração cai → anticoncepção falha → gravidez
    c) Etinilestradiol interfere com protease do VIH
    d) Ritonavir causa resistência contraceptiva

    Q15: Um paciente toma Codeia (opioide fraco) para tosse crônica. Apesar dose terapêutica, analgesia é péssima — tosse continua. Teste genético revela: metabolizador LENTO de CYP2D6 (mutação). Por que codeia não funciona?

    Por que paciente com CYP2D6 lento não responde a Codeia?

    a) Codeia é inócua para tosse
    b) Codeia é PROFÁRMACO → precisa CYP2D6 para virar MORFINA (opioide potente) → metabolizador lento NÃO converte → codeia fica INATIVA → sem analgesia
    c) CYP2D6 lento causa depressão
    d) Codeia é metabolizada por outro caminho mais rápido

    AULA 5 — 25/02 — FARMACOLOGIA: Excreção

    O que é EXCREÇÃO?

    Imagina que você TOMA um remédio. Ele faz seu trabalho no corpo... mas depois precisa sair. A excreção é o corpo eliminando ("chutando para fora") o remédio e seus resíduos. Tipo ir ao banheiro, mas em vez disso pelo pulmão, fígado, rim.

    Repetindo de outro jeito: Excreção = SAÍDA do remédio do corpo. Existem diferentes portas de saída: rim (cano principal), fígado (rota de trás), pulmão (pelo ar que respira).

    Excreção Renal (Principal Via - 60-80%)

    O RIM é a "SAÍDA PRINCIPAL" dos remédios!
    Pensa no rim como um cano que FILTRA lixo. A maioria dos remédios sai pelo rim (tipo 70% deles!). É como quando você coloca um papel toalha na pia do banheiro e deixa a água passar - o remédio "passa" pelo rim como "lixo" e é eliminado na urina.
    3 Maneiras do Rim Eliminar Remédios:
    1. FILTRAÇÃO → remédio passa como lixo → sai na urina

    O que importa: Se o remédio está JUNTO COM PROTEÍNA do sangue, ele não passa (fico dentro). Se está SOLTO, passa tranquilo!

    2. REABSORÇÃO → o rim PUXA o remédio de volta (tipo "espera aí, preciso disso!")

    SUPER IMPORTANTE - pH da URINA: Se urina é ÁCIDA (tipo suco de limão), remédios ácidos VOLTAM para o sangue. Se urina é ALCALINA (tipo água com bicarbonato), remédios ácidos SAEM mais. É como um jogo de pH!

    3. SECREÇÃO ATIVA → o rim USA ENERGIA para CHUTAR o remédio para fora (tipo ejetar do corpo)

    Alguns remédios competem por saída - 2 remédios no mesmo transportador = um interfere com outro!

    REGRA DE OURO: pH da Urina e Remédios
    Urina ÁCIDA = ácidos SAEM mais, bases VOLTAM ← → Urina ALCALINA = bases SAEM mais, ácidos VOLTAM
    Exemplo real: Alguém toma MUITO aspirina (intoxicação). Aspirina é ÁCIDA. Doctors dão BICARBONATO (deixa urina alcalina) → aspirina SAI mais na urina → pessoa fica melhor! É tipo "alcalinizar = chutar o remédio para fora".
    Rim Fraco = Remédio Acumula
    Se o rim funciona mal (tipo cano entupido), remédio fica no corpo MAIS TEMPO. Então quando a pessoa tem problemas renais, PRECISA TOMAR MENOS REMÉDIO (porque não consegue eliminar). É como colocar menos água se a pia tá entupida!

    RESUMÃO: Rim fraco → clearance baixo → dose menor. Alguns remédios (aminoglicosídeos, vancomicina) MUITO perigosos em rim fraco.

    Meia-Vida de Eliminação (t½):

    • Definição: Tempo necessário para reduzir concentração plasmática em 50%
    • Cálculo: t½ = 0.693 / Ke (constante de eliminação)
    • Significado: Prediz intervalo de dosagem (tipicamente a cada t½)
    • Exemplos:
      - Paracetamol: t½ = 2-3h → tomar a cada 4-6h
      - Digoxina: t½ = 36-40h → tomar 1x/dia
      - Amoxicilina: t½ = 1h → tomar 3-4x/dia
    • Estado Estável (Steady-State):
      - Atingido após ~5 meias-vidas
      - Nesse ponto, absorção = eliminação
      - Importância: Alguns fármacos levam dias/semanas para atingir estado estável (digoxina 7-10 dias)

    Clearance (Depuração):

    • Definição: Volume de sangue completamente depurado de fármaco por unidade de tempo
    • Cálculo: Clearance = Vd × Ke = (Dose/AUC)
    • Unidade: mL/min ou L/h
    • Componentes: Clearance renal + Clearance hepático + Clearance pulmonar (etc)
    • Aplicação clínica: Redução de TFG (Taxa de Filtração Glomerular) reduz clearance renal → precisa reduzir dose

    Excreção Biliar/Hepática

    • Importância: ~10-20% dos fármacos eliminados por essa rota
    • Requisito: Fármaco deve ser polar/conjugado (glicuronidado, sulfatado) com PM > 300-400
    • Mecanismo: Transportadores ativos (MDR proteins) secretam fármaco/metabólito para bílis
    • Rota: Fígado → bílis → vesícula biliar → intestino → fezes (ou reabsorção-recirculação êntero-hepática)
    • Significado clínico: Colestase → acúmulo de fármacos eliminados por bílis

    Excreção Pulmonar

    • Importância: Via principal para gases e voláteis (anestésicos inalados, CO2)
    • Fármacos eliminados: Álcool, certos anesté locais voláteis
    • Mecanismo: Difusão passiva no alvéolo

    Excreção em Outras Vias

    • Suor: Mínimo, exceto em febre intensas
    • Saliva: Mínimo; importância em concentração salivar para monitoramento (lítio)
    • Leite Materno: Importante para fármacos que passam (bases fracas lipofílicas) → risco fetal
    • Pele (transpiração): Mínimo exceto em febre

    Integração com Lesão Celular (Aula 1 Preview)

    Toxicidade Hepática e Renal por Fármacos:

    • Paracetamol → Necrose hepática (já discutido em Aula 4): NAPQI causa lesão irreversível ao hepatócito
    • AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) → Lesão Renal Aguda:
      - AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) bloqueiam COX (Ciclo-oxigenase)1/COX2 → reduz PGE2
      - PGE2 normalmente dilata artéria aferente glomerular
      - Sem PGE2 → vasoconstrição aferente → ↓ PAS glomerular → ↓ filtração
      - Resultado: Insuficiência renal aguda, especialmente em idosos/desidratados
      - Lesão: Necrose tubular aguda (NTA)
    • Aminoglicosídeos → Toxicidade Renal:
      - Acumulam em lúmen tubular (não reabsorvido eficientemente)
      - Toxina cumulativa: Risco aumenta com duração/dose
      - Lesão: Necrose tubular aguda → insuficiência renal aguda
      - Monitoramento: Creatinina sérica, TFG a cada 3-5 dias
    • Metabólitos Tóxicos (Aula 4 Preview):
      - Paracetamol → NAPQI (já discutido)
      - Ciclofosfamida → acroleína → cistite hemorrágica

    Flashcards - Excreção

    Qual é o principal mecanismo de excreção renal?
    Filtração glomerular (para fármacos não-ligados a proteína)
    Como pH urinário afeta excreção?
    Ácidos fracos excretam melhor em urina ALCALINA; bases fracas em urina ÁCIDA
    O que é meia-vida (t½)?
    Tempo para reduzir concentração plasmática em 50%; determina intervalo de dosagem
    Em quantas meias-vidas se atinge estado estável?
    Após ~5 meias-vidas; absorção = eliminação
    Qual via elimina ~10-20% dos fármacos?
    Excreção biliar/hepática - para fármacos polares com PM > 300-400
    Como insuficiência renal afeta eliminação?
    ↓ TFG (Taxa de Filtração Glomerular) → ↓ clearance renal → acúmulo de fármaco → precisa ↓ dose

    Quiz - Excreção

    EXCREÇÃO RENAL BÁSICA

    Um paciente toma Paracetamol (Acetaminofen) oralmente. O rim filtra a maioria dessa droga na urina. Qual é o nome do processo onde a droga passa do sangue para a urina dentro do glomérulo?

    Qual é o mecanismo renal responsável por essa eliminação?

    Resposta: A.
    💡 Explicação simples: Filtração glomerular é o PRIMEIRO mecanismo. A droga não-ligada a proteína passa pela barreira glomerular (glomérulo filtra como peneira) → entra na urina → é eliminada. Moléculas > 60 kDa (kilodaltons) e as ligadas a albumina NÃO filtram. Paracetamol? Fármaco pequeno → filtra bem! ~50-80% da eliminação renal é via filtração.

    LIGAÇÃO PROTEICA E FILTRAÇÃO

    Você prescreve Varfarina (anticoagulante) para trombose. Varfarina é 99% ligada a albumina plasmática. Qual é o efeito disso na filtração glomerular?

    Como a alta ligação proteica afeta a filtração renal?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: SÓ a fração LIVRE (não-ligada) consegue passar pelo glomérulo! Se 99% está ligado a albumina GIGANTE (66 kDa), apenas 1% está solto → só 1% filtra. Albumina é tão grande que não passa pela barreira. Implicação clínica? Varfarina depende principalmente de SECREÇÃO tubular ativa para ser eliminada, não filtração!

    REABSORÇÃO TUBULAR

    Uma droga lipofílica é filtrada para a urina (agora no lúmen tubular proximal). Qual é o destino mais provável dela no epitélio tubular?

    O que acontece com drogas lipofílicas no túbulo renal?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Drogas LIPOFÍLICAS E NÃO-IONIZADAS conseguem atravessar a membrana epithelial dos túbulos → são REABSORVIDAS → voltam para circulação → NÃO são eliminadas! Isso é problema! Se droga lipofílica filtra e depois reabsorve, clearance é baixo → acumula. Solução? Aumentar ionização (pH urinário) para impedir reabsorção.

    pH URINÁRIO - ÁCIDOS FRACOS

    Um paciente é intoxicado com ASPIRINA (ácido acetilsalicílico = ácido fraco, pKa ~3). Você quer aumentar excreção. Se a urina estiver ácida (pH 4), o que acontece?

    Em urina ÁCIDA, o ácido fraco (aspirina) fica ionizado ou não-ionizado?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Henderson-Hasselbalch: pH ácido + ácido fraco = fica NÃO-IONIZADO (protonado). Não-ionizado? LIPOFÍLICO! Atravessa epitélio → é REABSORVIDO → volta pro sangue → permanece tóxico! É o OPOSTO do que queremos em intoxicação. Por isso em aspirina, você NÃO acidifica - você ALCALINIZA!

    pH URINÁRIO - ALCALINIZAÇÃO

    Continuando o caso anterior de intoxicação por aspirina: você dá BICARBONATO (NaHCO3) para ALCALINIZAR a urina (pH 8). Agora qual é o destino da aspirina?

    Em urina ALCALINA (pH 8), o ácido fraco (aspirina) fica como?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Quando pH > pKa, ácido fraco fica IONIZADO (carregado). Moléculas carregadas NÃO conseguem atravessar epitélio lipídico → não conseguem ser reabsorvidas → permanecem na urina → são ELIMINADAS! Clearance renal pode AUMENTAR 10-20 VEZES! Em overdose aspirina: bicarbonato → urina básica → salicilato ioniza → eliminação massiva → paciente sobrevive! Esse é mecanismo clássico de salvação em toxicologia.

    BASES FRACAS E pH

    Um fármaco é uma BASE FRACA (exemplo: anfetamina, pKa ~10). Você quer REDUZIR excreção para aumentar efeito. Qual pH urinário você escolhe?

    Para bases fracas, qual pH urinário AUMENTA reabsorção?

    Resposta: A.
    💡 Explicação simples: Em BASES FRACAS: pH > pKa = ionizado (carregado). pH < pKa = não-ionizado (lipofílico). Se você quer REDUZIR eliminação de base fraca? Faça urina ALCALINA → fica não-ionizada → reabsorve → volta pro sangue. Implicação toxicológica: pacientes em coma por anfetamina → se ácido urina → elimina rápido. Se alcalina urina → elimina lentamente → pode precisar de diálise!

    SECREÇÃO TUBULAR ATIVA

    Penicilina é um antibiótico pequeno, mas POUCO ligado a proteína (20% ligada). Apesar disso, é eliminada MUITO rápido. Qual mecanismo explica isso?

    Por que Penicilina tem clearance tão alto apesar de pouca filtração?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Penicilina é secretada ATIVAMENTE por transportador OAT (Organic Anion Transporter) no túbulo proximal. Requer ATP! Mesmo que ligação proteica reduza filtração, secreção ATIVA consegue "puxar" penicilina da circulação → joga direto na urina → eliminação rápida. Isso é por quê? Penicilina é ânion → OAT reconhece → transporta. Importante: secreção ativa é por isso que alguns fármacos eliminam muito rápido!

    INTERAÇÃO TRANSPORTADOR - PENICILINA + PROBENECIDA

    Historicamente, médicos usavam Probenecida com Penicilina para 'economizar' penicilina. Qual é o mecanismo?

    O que Probenecida faz à secreção de Penicilina?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Probenecida COMPETE com Penicilina pelo MESMO transportador OAT! Se Probenecida entra primeiro, Penicilina fica na fila do transportador ("competição"). Resultado? Penicilina não consegue ser secretada → acumula no sangue → níveis maiores. Historicamente (quando penicilina era cara), usavam Probenecida para aumentar níveis de Penicilina e usar dose menor. Hoje não fazemos mais, mas é AULA CLÁSSICA de interação por competição de transportador!

    MEIA-VIDA (T½) BÁSICA

    Você prescreve Amoxicilina (antibiótico com t½=1 hora) para infecção. Quanto tempo leva para reduzir concentração em 50%?

    Qual é o conceito de meia-vida (t½)?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: MEIA-VIDA = tempo para concentração plasmática reduzir em 50%. Amoxicilina t½=1h → após 1 hora de uma dose, metade foi eliminada. Após 2 horas (2 × t½) = 25% restante. Após 3 horas (3 × t½) = 12.5% restante. Padrão LOGARÍTMICO! Importância? Define intervalo de dosagem. Amoxicilina t½=1h é impraticável de dosar A CADA HORA → por isso dá a cada 6-8h (precisa de níveis constantes). Paracetamol t½=2-3h → a cada 4-6h!

    MEIAS-VIDAS MÚLTIPLAS

    Você prescreve um fármaco com t½=4 horas. Quanto tempo leva para 93.75% ser eliminado?

    Após quantas meias-vidas 93.75% é eliminado?

    Resposta: C.
    💡 Explicação simples: Cada meia-vida reduz 50% do anterior: 1ª = 50% restante. 2ª = 25% restante. 3ª = 12.5% restante. 4ª = 6.25% restante (= 93.75% ELIMINADO!). 5ª = 3.125% restante. Se t½=4h → 4 meias-vidas = 16 horas para 93.75% ser eliminado. Por que 5 meias-vidas? Porque 97% é "praticamente tudo" → médicos dizem "após 5 meia-vidas, droga saiu do corpo". Essa é regra de ouro em farmacocinética!

    STEADY-STATE (ESTADO ESTÁVEL)

    Você prescreve Digoxina (t½=36-40h) por via oral diária. Quando a concentração vai estabilizar e não mudar mais?

    Após quantas meias-vidas atinge estado estável (steady-state)?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: ESTADO ESTÁVEL = quando tomando medicamento repetidamente, concentração atinge platô (não muda mais). Isso acontece quando ENTRADA (dose) = SAÍDA (eliminação) = balanço perfeito! Quando? SEMPRE após ~5 meias-vidas! Digoxina t½=36-40h → 5 × 40h = 200h ≈ 8-9 DIAS para atingir steady-state! Implicação clínica: Novo paciente em Digoxina → não consegue avaliar eficácia nos primeiros 8 dias → pode parecer não funcionar! Por isso às vezes dão DOSE DE ATAQUE (loading dose) no início para chegar a steady-state rápido!

    CLEARANCE (DEPURAÇÃO)

    Um paciente tem Clearance renal de Gentamicina (aminoglicosídeo) = 80 mL/min em função renal normal. O que isso significa?

    Qual é a definição de Clearance (depuração)?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: CLEARANCE = volume de plasma do qual fármaco é COMPLETAMENTE REMOVIDO por unidade de tempo. Exemplo: Gentamicina Cl=80 mL/min → significa que 80 mL de plasma EM UM MINUTO fica 100% livre de gentamicina (droga sai pela urina). É como "máquina de lavar"! Ml alto = elimina rápido (talvez precise dose alta). Cl baixo = elimina lentamente (talvez acumule). FÓRMULA CHAVE: Cl = Vd × Ke = (0.693 × Vd) / t½. Implicação: IRC reduz Cl → precisa reduzir dose!

    INSUFICIÊNCIA RENAL - ACÚMULO DE DROGA

    Um paciente com insuficiência renal crônica severa (TFG=15 mL/min) recebe Gentamicina (aminoglicosídeo) em dose normal. Qual é o risco?

    Como insuficiência renal afeta eliminação de fármacos renais?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Insuficiência renal = PROBLEMA GRAVE para fármacos eliminados renalmente! Se TFG cai de 90 para 15 mL/min → Clearance renal cai ~80% → fármaco ACUMULA → TOXICIDADE! Gentamicina é NEFROTÓXICA e OTOTÓXICA → em IRC sem ajuste dose → necrose túbulo intersticial + surdez irreversível! Como evitar? 1) AJUSTAR DOSE por TFG/CrCl. 2) MONITORAR NÍVEIS plasmáticos ("valley"/trough). 3) Aumentar INTERVALO entre doses (em vez de 8h, fazer 24-48h). SEM AJUSTE = MORTE!

    RELAÇÃO MEIA-VIDA E CLEARANCE

    Um paciente com IRC severa tem TFG reduzida. Você sabe que Digoxina normalmente tem t½=36-40h. Em IRC, qual é a mudança esperada?

    Como IRC afeta a meia-vida de fármacos?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: FÓRMULA CHAVE: t½ = 0.693 × Vd / Clearance. Em IRC, Cl (clearance) CAIR → t½ AUMENTA! Digoxina normal t½=36-40h. Em IRC severo, pode chegar a 100-150h! Implicação MASSIVA: Em vez de tomar Digoxina a cada 24h (normal), em IRC pode ser a cada 5-7 DIAS! Sem ajuste dose/intervalo → acumula → arritmias cardíacas → morte. Essa fórmula é PILAR de toda dosagem em insuficiência renal! A maioria dos médicos que dosam errado NÃO conhecem essa fórmula!

    EXCREÇÃO BILIAR E CICLO ÊNTERO-HEPÁTICO

    Um fármaco é metabolizado pelo fígado, conjugado (glicuronidado) e secretado para BILE. Depois de deglutido pelo paciente (entrado novamente no intestino), é reabsorvido de volta ao sangue. Qual é o nome desse ciclo?

    Qual é o mecanismo de reciclagem via fígado-intestino-sangue?

    Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Alguns fármacos seguem ciclo ÊNTERO-HEPÁTICO: 1) Metabolizados no fígado → 2) Conjugados (glicuronidação) → 3) Secretados na BILE → 4) Armazenados vesícula → 5) Entram intestino com refeição → 6) Reabsorvidos intestino → 7) Voltam para sangue via veia porta → 8) Recirculam! Implicação? Alguns fármacos (estrógeno, contraceptivos, ácidos biliares) têm meia-vida LONGA por causa dessa reciclagem! Se bloqueia reabsorção intestinal (exemplo: certos antibióticos destroem bactérias → não consegue desconjugar droga), meia-vida cai drasticamente! Isso explica por quê ALGUNS antibióticos reduzem efeito de contraceptivos orais!

    Questões Dissertativas

    AULA 6 — 27/02 — FISIOPATOLOGIA: Lesões Irreversíveis (Necrose vs Apoptose)

    Diferenças Fundamentais: Necrose vs Apoptose

    CaracterísticaNECROSEAPOPTOSE
    CausaLesão severa; isquemia; toxinaProgramada; fisiológica
    ATP (Adenosina Trifosfato)Depletado; anaerbicoREQUER ATP (Adenosina Trifosfato)
    MembranaRompida (lise)Intacta; blebbing
    InflamaçãoSEVERA (liberação de DAMPs)Mínima (corpos apoptóticos internalizado)
    DNAFragmentação aleatóriaFragmentação internucleossômica (180-200 bp)
    MicroscopiaCélula inchada, citoplasma fragmentadoNúcleo condensado (picnose), corpo apoptótico
    PrognósticoMorte celular permanenteMorte celular limpa (sem dano tecido)

    NECROSE - Morte Celular Traumática

    Definição: Morte celular involuntária causada por lesão severa com perda de integridade de membrana

    Mecanismo de Necrose

    • Passo 1: Lesão severa (isquemia, toxina, trauma) → depleção ATP (Adenosina Trifosfato)
    • Passo 2: Falha de Na⁺/K⁺ ATPase → Na⁺ acumula intracelularmente
    • Passo 3: Água segue Na⁺ → tumefação → ruptura de membrana
    • Passo 4: Aumento Ca²⁺ → ativa proteases (calpaínas) → degradação celular
    • Passo 5: Lise de mitocôndria → liberação de citocromo c e outros fatores tóxicos
    • Passo 6: Ruptura de membrana plasmática → LIBERTA conteúdo celular → INFLAMAÇÃO intensa

    7 Tipos de Necrose

    1. NECROSE COAGULATIVA
    - Localização: Coração, rins, baço, cérebro (exceto SNC)
    - Causa: Isquemia (infarto do miocárdio, infarto renal)
    - Características: Células mant estrutura, citoplasma eosinófilo, núcleo desaparece
    - Microscopia: "Sombra de infarto" - células fantasmas
    - Curso: 7-10 dias após infarto agudo
    - Prognóstico: Cicatriz fibrosa (colágeno) se sobrevive

    2. NECROSE LIQUEFATIVA
    - Localização: Cérebro (SNC), abscessos bacterianos
    - Causa: Isquemia cerebral, infecção bacteriana
    - Características: Dissolução completa da célula → cavidade cheia de pus/líquido
    - Razão SNC: Cérebro tem poucos macrófagos basais; quando há inflamação, digere tudo
    - Microscopia: Vazio, debris celular
    - Prognóstico: Cicatriz com deficiência neurológica (AVC)

    3. NECROSE CASEOSA
    - Localização: Tuberculose (granuloma TB)
    - Causa: Infecção por Mycobacterium tuberculosis
    - Características: "Queijo" - aspecto macroscópico; fibrinoide no centro do granuloma
    - Microscopia: Células epitelioides envolvem necrose central
    - Patognomônico de TB (história clássica)

    4. NECROSE GANGRENOSA
    - Não é tipo próprio; sim, necrose coagulativa + infecção secundária
    - Localização: Membros, extremidades
    - Causa: Isquemia + infecção (gas gangrene por Clostridium perfringens)
    - Características: Tecido necrótico + pus + gás → destruição rápida
    - Prognóstico: Amputação necessária se não tratada

    5. NECROSE GORDUROSA
    - Localização: Pâncreas, tecido adiposo subcutâneo
    - Causa: Pancreatite aguda, trauma
    - Mecanismo: Enzimas pancreáticas (lipase) liberam-se → degradam lipídios
    - Características: Gordura livre reage com Ca²⁺ → sais de cálcio (saponificação)
    - Microscopia: Adipócito fantasma, cristais de cálcio, infiltrado inflamatório
    - Complicação: Hipocalcemia (Ca²⁺ sequestrado em sais)

    6. NECROSE FIBRINOIDE
    - Localização: Vasos sanguíneos (hipertensão maligna, vasculite)
    - Causa: Lesão vascular aguda, influxo massivo de fibrinogênio
    - Características: Deposição de fibrina/fibrinogênio na parede vascular → homogêneo, rosa
    - Microscopia: Material fibrinoso eosinófilo (rosa) preenchendo parede vascular
    - Consequência: Ruptura vascular, hemorragia

    7. NECROSE SUPURATIVA
    - Não é tipo histológico próprio; sim abscesso bacteriano
    - Localização: Qualquer órgão com infecção piogênica
    - Características: Pus (neutrófilos mortos + bactérias + detritos)
    - Causa: Streptococcus pyogenes, Staphylococcus aureus, E. coli, etc

    APOPTOSE - Morte Celular Programada

    Definição: Morte celular PROGRAMADA, energia-dependente, sem inflamação

    Vias de Apoptose

    VIA INTRÍNSECA (Mitocondrial):

    • Estímulo: Dano mitocondrial, hipóxia, estresse do RE, radiação, citotóxicos
    • Sensor: Moléculas senoras no citoplasma (ATM, p53) detectam lesão
    • p53 - "Guardian of Genome": Proteína supressora tumoral que ativa apoptose se dano irreparável
    • Reguladores: Proteínas BCL-2 family
      - BCL-2, BCL-XL, MCL-1 = anti-apoptóticos (bloqueiam)
      - BAX, BAK = pro-apoptóticos (promovem)
    • Evento-chave: Permeabilização da membrana mitocondrial externa (MOMP) → liberação de citocromo c
    • Citocromo c: Se + dATP + APAF-1 → forma APOPTOSSOMO
    • Apoptossomo: Ativa CASPASE-9 (caspase iniciadora)
    • Caspase-9: Ativa CASPASE-3 (caspase executora)
    • Caspase-3: Cliva DNA → fragmentação internucleossômica (180-200 bp)
    • Resultado: Corpo apoptótico; internalizado por macrófagos

    VIA EXTRÍNSECA (Receptores de Morte):

    • Estímulo: Ligação de FasL (Fas ligand), TNF-α, ou TRAIL a receptores de morte celular
    • Receptores: Fas, TNF-R1, TRAIL-R1/R2 (death receptors)
    • Complexo DISC: Death-Inducing Signaling Complex recrutado
      - Recruta FADD (Fas-Associated protein with DD)
      - Recruta Pro-caspase-8
    • Caspase-8: Ativada diretamente → ativa Caspase-3
    • Cross-talk: Caspase-8 pode ativar via mitocondrial (cliva BID → tBID → BAX ativação)

    VIA STRESS DO RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO (RE):

    • Estímulo: Proteínas malformadas, hipóxia, hipoglicemia
    • Sensor: Proteína kinase do RE (IRE1, PERK, ATF6)
    • Resposta: UPR (Unfolded Protein Response) - tenta consertar (chaperones)
    • Se falha: Ativa CHOP (pro-apoptótico)
    • Resultado: Apoptose (similar à mitocondrial)

    Reguladores Chave: BCL-2 family

    Anti-apoptóticos (bloqueiam apoptose):
    BCL-2, BCL-XL, MCL-1 → mantêm MOMP fechada
    Expressão ↑ em câncer (evita apoptose) → alvo terapêutico (venetoclax bloqueia BCL-2)

    Pro-apoptóticos (promovem apoptose):
    BAX, BAK, BIM, BAD, NOXA → abrem MOMP
    Expressão ↑ em normalidade (controla proliferação)

    Caspases

    • Caspase-1: Citocina inflamatória (piroptose)
    • Caspase-3: Executora principal (cliva PARP, vimentina, laminina)
    • Caspase-8: Iniciadora da via extrínseca
    • Caspase-9: Iniciadora da via intrínseca

    Diagnóstico de Apoptose vs Necrose

    Histologia:

    • H&E (HematoxiLina/Eosina):
      - Apoptose: Núcleo condensado (picnose), citoplasma eosinófilo, corpo apoptótico
      - Necrose: Célula inchada, núcleo desaparece, citoplasma pálido, debris
    • Teste TUNEL (Terminal deoxynucleotidyl transferase dUTP nick end labeling):
      - Detecta "nicks" em DNA de apoptose
      - Marca as células apoptóticas (marrom/preto)
      - Padrão: Internucleosomal fragments (180-200 bp em multíplos)
    • Imunohistoquímica para Caspase-3 ativa:
      - Marca células em apoptose
      - Específico para apoptose (caspase-8/9 ativadas)
    • Anexina V (Flow Cytometry):
      - Anexina V se liga a Fosfatidilserina (PS)
      - PS exposta na membrana externa em apoptose precoce
      - Permite identificar estágio de apoptose
      - Pode combinar com PI (propidium iodide) para necrose
    • Teste de Comet (Single Cell Gel Electrophoresis):
      - DNA danificado ("comet tail") migra em eletroforese
      - Detecta ambos dano DNA e apoptose

    Significado Clínico: Necrose vs Apoptose

    NECROSE: Inflamação severa, lesão tecidual permanente (cicatriz), sequelas

    APOPTOSE: Morte "limpa", sem inflamação, reparação mais rápida

    Exemplos clínicos:

    • Infarto do Miocárdio (IAM): Primariamente necrose coagulativa (isquemia) → inflamação intensa → após dias, apoptose marginal → cicatriz fibrosa permanente
    • Quimioterapia em Câncer: Objetivo é ativar apoptose em células tumorais (caspase-3). Efeitos colaterais quando ativa apoptose também em células normais (TGI, medula óssea)
    • Morte de Neurônios em AVC (Acidente Vascular Cerebral): Isquemia → necrose de penumbra vascular (área ao redor) → apoptose periférica (dias depois) → perda neurológica permanente
    • Apoptose em Desenvolvimento: Sculpting de membros, regressão de estructuras (fisiológica); bloquear apoptose = malformação
    • Câncer: Células malignanas ESCAPAM de apoptose (mutações em p53, ↑BCL-2) → proliferação incontrolada

    Integração com Farmacologia (Aula 4)

    Indução de Metabólito Tóxico (Aula 4) → Necrose vs Apoptose?

    • PARACETAMOL → NAPQI: NAPQI em grande quantidade → lesão mitocondrial severa → necrose hepática fulminante (tipo coagulativa) + apoptose periférica
    • QUIMIOTERÁPICOS (cisplatina, doxorrubicina): Danificam DNA → ativam p53 → apoptose propositada em tumor
    • AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) → Lesão Renal: Vasoconstrição → isquemia renal → necrose tubular aguda (NTA)

    Flashcards - Necrose e Apoptose

    Qual é a principal diferença entre necrose e apoptose?
    Necrose = involuntária, ruptura de membrana, inflamação intensa; Apoptose = programada, ATP-dependente, sem inflamação
    Qual tipo de necrose é patognomônico de tuberculose?
    Necrose caseosa - aspecto de "queijo" em granuloma TB
    O que é MOMP?
    Mitochondrial Outer Membrane Permeabilization - liberação de citocromo c; ponto de não retorno em apoptose intrínseca
    Qual proteína é o "guardião do genoma"?
    p53 - supressor tumoral que ativa apoptose em dano DNA irreparável
    Qual caspase é a executora principal de apoptose?
    Caspase-3 - cliva DNA e proteínas estruturais
    Como a apoptose é detectada microscopicamente?
    TUNEL stain (marca nicks DNA), núcleo condensado (picnose), corpo apoptótico

    Quiz - Necrose e Apoptose

    Q1: Um paciente de 58 anos sofre infarto do miocárdio. Na biópsia 48 horas depois, observa-se células cardíacas mantendo sua estrutura original, com citoplasma eosinófilo intenso e núcleo desaparecido.

    ➔ Qual tipo de necrose o patologista está observando?

    a) Necrose liquefativa
    b) Necrose coagulativa
    c) Necrose caseosa
    d) Necrose fibrinoide

    Q2: Médico observa em preparado de apoptose que a célula está usando energia para ativar caspases enquanto mantém membrana íntegra. Há fragmentação ordenada de DNA em pedaços de 180-200 pb.

    ➔ Qual a característica que DIFERENCIA esta morte celular de necrose?

    a) Falta de ATP para realizar a morte
    b) Requer ATP (Adenosina Trifosfato) ativo
    c) Ruptura descontrolada de membrana
    d) Liberação massiva de DAMPs

    Q3: Paciente com tuberculose pulmonar. A radiografia mostra lesão cavitária no ápice pulmonar. Ao exame microscópico, vê-se granuloma com centro contendo material "queijo-like" e células epitelioides ao redor.

    ➔ Qual tipo de necrose caracteriza patologicamente esta tuberculose?

    a) Necrose fibrinoide
    b) Necrose gordurosa
    c) Necrose caseosa
    d) Necrose supurativa

    Q4: Paciente com pancreatite aguda. Enzimas pancreáticas liberadas no tecido adiposo circundante. Ao exame, vê-se decomposição de gordura com formação de sais de cálcio e hipocalcemia sérica.

    ➔ Que tipo de necrose ocorre no pâncreas nesta complicação?

    a) Necrose fibrinoide
    b) Necrose gordurosa (saponificação)
    c) Necrose liquefativa
    d) Necrose caseosa

    Q5: Cérebro de paciente falecido por AVC (acidente vascular cerebral) isquêmico. Ao invés de manter contorno celular, a área infartada apresenta dissolução completa do tecido, formando cavidade cheia de líquido.

    ➔ Qual tipo de necrose descreve esta dissolução completa?

    a) Necrose coagulativa
    b) Necrose caseosa
    c) Necrose liquefativa
    d) Necrose fibrinoide

    Q6: Vaso sanguíneo com hipertensão maligna. Endotélio injuriado massivamente com influxo de fibrinogênio. Microscopia mostra parede vascular preenchida com material homogêneo rosa-eosinófilo.

    ➔ Qual necrose vascular está ocorrendo?

    a) Necrose liquefativa
    b) Necrose fibrinoide
    c) Necrose coagulativa
    d) Necrose gordurosa

    Q7: Em um exame de biologia molecular de células em morte programada, detecta-se ativação de caspase-9 após permeabilização da membrana mitocondrial externa com liberação de citocromo c.

    ➔ Qual via de apoptose está sendo ativada?

    a) Via extrínseca (FasL/TNF)
    b) Via intrínseca (mitocondrial)
    c) Via do retículo endoplasmático
    d) Via de piroptose

    Q8: Célula tumoral apresenta mutação que bloqueia a ativação de p53. Apesar de dano massivo ao DNA, não consegue fazer apoptose. Continua se dividindo descontroladamente.

    ➔ Que processo crítico está falhando nesta célula cancerosa?

    a) Sensor de hipóxia (HIF-1)
    b) p53 = "Guardião do Genoma" (via intrínseca)
    c) Via extrínseca (FasL)
    d) Reparação de DNA

    Q9: Um vírus induz morte celular ligando-se a receptor de morte Fas. FADD e pró-caspase-8 são recrutados, formando complexo DISC. Caspase-8 é diretamente ativada.

    ➔ Qual via de apoptose este vírus está disparando?

    a) Via intrínseca (mitocondrial)
    b) Via extrínseca (receptores de morte)
    c) Via de stress do RE
    d) Piroptose inflamatória

    Q10: Paciente recebe quimioterapia (cisplatina). Droga causa dano ao DNA. p53 é ativado e desencadeia apoptose em células tumorais, mas também em células normais do TGI.

    ➔ Como a quimioterapia induz apoptose em células tumorais?

    a) Bloqueia BCL-2 para evitar apoptose
    b) Ativa p53 → apoptose via intrínseca
    c) Liga a FasL para ativar via extrínseca
    d) Causa hipóxia levando a necrose

    Q11: Exame microscópico de biopsia pulmonar mostra abscesso bacteriano com acúmulo de neutrófilos mortos, bactérias e detritos celulares em cavidade bem demarcada.

    ➔ Qual processo de morte celular contribui mais para formar este abscesso?

    a) Apoptose limpa sem inflamação
    b) Necrose coagulativa mantendo forma
    c) Necrose supurativa com pus
    d) Necrose liquefativa total

    Q12: Ratos knockout para BAX (proteína pro-apoptótica) mostram número reduzido de mortes celulares durante o desenvolvimento embrionário. Extremidades mantêm estruturas que normalmente desaparecem.

    ➔ Qual evento crítico de apoptose foi afetado nestes ratos?

    a) Ativação de caspase-8 na via extrínseca
    b) Permeabilização da membrana mitocondrial (MOMP)
    c) Fragmentação de DNA por caspase-3
    d) Formação do apoptossomo

    Q13: Célula de tumor B é tratada com venetoclax, droga que bloqueia BCL-2. BCL-2 era a razão para esta célula escapar da apoptose e proliferar.

    ➔ Como BCL-2 normalmente protege células de apoptose?

    a) Ativa caspase-3 para matar célula
    b) Bloqueia p53 e evita detecção de dano DNA
    c) Mantém MOMP fechada; previne liberação de citocromo c
    d) Ativa FasL para via extrínseca

    Q14: Neurônio está sob stress de proteínas malformadas no retículo endoplasmático. IRE1 detecta o problema e ativa resposta UPR. Se não conseguir consertar as proteínas, ativa CHOP.

    ➔ Qual é o objetivo final da ativação de CHOP nesta situação?

    a) Chaperona de calor para desdobrar proteínas
    b) Ativar apoptose se stress do RE não resolver
    c) Bloquear síntese de ATP no RE
    d) Fortalecer a membrana do RE

    Q15: Corpo apoptótico é encontrado no tecido. O macrófago fagocita este corpo inteiro sem liberar conteúdo tóxico. Não há inflamação associada.

    ➔ Por que apoptose não causa inflamação como necrose?

    a) Apoptose libera menos ATP
    b) Corpos apoptóticos são internalizados sem romper membrana; sem DAMP liberação
    c) Macrófagos não conseguem digerir corpos apoptóticos
    d) Apoptose não ativa caspase-3

    Q16: Teste TUNEL é aplicado a preparado de tecido contendo células em apoptose. Coloração positiva marca fragmentação de DNA intranucleossomal.

    ➔ O que exatamente o teste TUNEL detecta em apoptose?

    a) Rupturas aleatórias de DNA como em necrose
    b) Fragmentação internucleossômica ordenada (180-200 bp)
    c) Ativação de mitocôndria
    d) Ruptura de membrana celular

    Q17: Tecido cardíaco de infarto mostra zona central de necrose coagulativa cercada por zona de apoptose marginal que ocorre dias depois. Infiltrado de macrófagos crescente.

    ➔ Por que apoptose ocorre na PERIFERIA do infarto, dias depois?

    a) Hipóxia leve na penumbra permite ATP suficiente para apoptose
    b) Necrose coagulativa não mata vizinhos
    c) Macrófagos secretam TNF-α para induzir apoptose marginal
    d) A+B+C

    Q18: Gangrena seca de pé em paciente diabético com aterosclerose. Extremidade escura, seca e demarcada. Versus gangrena úmida com tecido macerado, pus e odor fétido.

    ➔ Qual diferença fisiopatológica entre gangrena seca vs úmida?

    a) Seca = necrose simples; úmida = necrose + infecção bacteriana
    b) Seca = apoptose; úmida = necrose
    c) Seca = com inflamação; úmida = sem inflamação
    d) Não há diferença, só apresentação clínica

    Q19: Paracetamol em sobredose é metabolizado a NAPQI (metabólito tóxico). Em doses altas, NAPQI danifica mitocôndria hepatocytes → causa necrose hepática fulminante + morte apoptótica periférica.

    ➔ Qual mecanismo a integração fisiopato-farmaco descreve?

    a) NAPQI causa apenas apoptose organizada
    b) NAPQI causa apenas necrose desorganizada
    c) NAPQI em dose alta = necrose central + apoptose periférica (similar infarto)
    d) NAPQI não causa morte celular

    Q20: Imunohistoquímica com anticorpo anti-caspase-3 ativa marca núcleos de células em condensação cromática (picnose). Nenhuma marca em células vizinhas estruturalmente íntegras.

    ➔ O que esta técnica detecta e diferencia?

    a) Necrose coagulativa vs liquefativa
    b) Apoptose (caspase-3 ativa) vs células vivas
    c) MOMP vs ativação de p53
    d) BCL-2 vs BAX expressão

    AULA 7 — 03/03 — FISIOPATOLOGIA: Hiperemia, Congestão e Edema

    Definições Fundamentais

    HIPEREMIA: Aumento de fluxo sanguíneo a um órgão

    • HIPEREMIA ATIVA: ↑ fluxo arterial (sangue vermelho, quente) - vasodilatação ativa
    • Causa: Exercício, inflamação, FVR (fluxo vascular reativo), calor
    • HIPEREMIA PASSIVA: ↓ drenagem venosa (sangue azulado, edema) - congestão
    • Causa: Trombose venosa, insuficiência cardíaca, compressão vascular

    CONGESTÃO: Acúmulo de sangue em órgão por ↓ drenagem venosa (=hiperemia passiva)

    Edema - 5 Mecanismos de Starling

    Equação de Starling: Fluxo = Kf × [(Pc - Pi) - (πc - πi)]

    Onde:
    - Pc = pressão hidrostática capilar
    - Pi = pressão hidrostática intersticial
    - πc = pressão oncótica plasmática
    - πi = pressão oncótica intersticial
    - Kf = coeficiente de filtração

    • Mecanismo 1 - ↑ Pressão Hidrostática Capilar (Pc ↑):
      Causa: IC, obstrução venosa, insuficiência valvular
      Resultado: Filtração ↑ → edema
      Exemplo: IC (Insuficiência Cardíaca) esquerda → congestão pulmonar → edema pulmonar
    • Mecanismo 2 - ↓ Pressão Oncótica Plasmática (πc ↓):
      Causa: Hipoalbuminemia (síndrome nefrótica, cirrose, desnutrição)
      Resultado: Reabsorção ↓ → edema
      Exemplo: Síndrome nefrótica → perda proteína urina → edema periférico
    • Mecanismo 3 - ↑ Permeabilidade Capilar (Kf ↑):
      Causa: Inflamação, anafilaxia, queimadura
      Resultado: Filtração ↑ + proteína extravasa → edema inflamatório
      Mediadores: Bradicinina, histamina, prostaglandinas
    • Mecanismo 4 - ↓ Drenagem Linfática:
      Causa: Obstrução linfonodal (câncer), remoção de nódulos, infecção
      Resultado: Filtração continua mas reabsorção ↓ → edema
      Exemplo: Linfedema pós-mastectomia (remoção nódulos axilares)
    • Mecanismo 5 - Retenção de Sódio (Na⁺):
      Causa: Aldosteronismo, IC, IRC
      Resultado: ↑ Na⁺ sistêmico → água segue osmoticamente → edema
      Mecanismo: Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA) ativado em IC/IRC

    Características do Edema por Mecanismo:

    • IC (Insuficiência Cardíaca): Mecanismo 1 (Pc ↑) + 5 (retenção Na⁺) → edema periférico + pulmonar
    • Síndrome Nefrótica: Mecanismo 2 (πc ↓) + 5 (retenção Na⁺) → edema face + periférico
    • Cirrose: Mecanismo 2 (πc ↓) + 1 (Pc ↑ portal) + 5 (retenção Na⁺) → ascite + edema
    • Inflamação: Mecanismo 3 (Kf ↑) → edema INFLAMATÓRIO (proteína no líquido)

    Tipos de Edema

    EDEMA PITTING: Deixa marca ao pressionar (água mobilizável)

    EDEMA NON-PITTING: Não deixa marca (edema crônico, fibrose)

    EDEMA PERIFÉRICO: Membros inferiores (dependência gravitacional)

    EDEMA FACIAL: Face/mãos (síndrome nefrótica, típicamente matinal)

    EDEMA PULMONAR: Pulmões (IC esquerda, ortopneia, PND)

    ASCITE: Cavidade peritoneal (cirrose, peritonite, câncer)

    Integração com Farmacologia

    DIURÉTICOS para edema em IC (Insuficiência Cardíaca)/síndrome nefrótica:

    • Furosemida (alça): ↓ reabsorção Na⁺ na alça de Henle → ↑ excreção → ↓ volume → ↓ Pc (Pressão Capilar)
    • Hidroclorotiazida (tiazida): ↓ reabsorção Na⁺ DCT → ↑ excreção → similar furosemida (menos potente)
    • Espironolactona (antagonista aldosterona): Bloqueia retenção Na⁺ por aldosterona → ↑ excreção Na⁺/água

    IECA (Inibidor da ECA)/BRA em IC (Insuficiência Cardíaca)/hipertensão:

    • Enalapril, losartana: Bloqueiam SRAA (Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona) → ↓ retenção Na⁺ → ↓ edema
    • Vasodilação aferente renal: Melhora filtração sem edema paradoxal

    AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) - COMPLICAÇÃO em edema:

    • AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) CAUSAM retenção Na⁺: Bloqueiam PGE2 → reduz natriurese → ↑ Na⁺ → ↑ água → PIORA edema em IC (Insuficiência Cardíaca)
    • Contraindição relativa: AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) em pacientes com IC (Insuficiência Cardíaca), IRC (Insuficiência Renal Crônica), síndrome nefrótica

    CORTICOIDES - COMPLICAÇÃO em síndrome nefrótica:

    • Corticoides causam retenção Na⁺: Aumentam expressão canal ENaC → reabsorção Na⁺ coletora ↑ → edema
    • Pode piorar edema se usados cronicamente

    Flashcards - Hiperemia e Edema

    Qual é a diferença entre hiperemia ativa e passiva?
    Ativa = ↑ fluxo arterial (sangue quente, vermelho); Passiva = ↓ drenagem venosa (sangue azul, edema)
    Qual mecanismo de edema é mais comum em IC?
    Mecanismo 1 (↑ Pc (Pressão Capilar)) + 5 (retenção Na⁺)
    Qual mecanismo de edema em síndrome nefrótica?
    Mecanismo 2 (↓ pressão oncótica por perda proteína) + 5 (retenção Na⁺)
    O que causa edema inflamatório?
    ↑ Permeabilidade capilar (mediadores como bradicinina, histamina); proteína extravasa
    Por que AINEs pioram edema em IC?
    Bloqueiam PGE2 → ↓ natriurese → retenção Na⁺ → ↑ água → edema piora

    Quiz - Edema

    Caso: Homem 45 anos, insuficiência cardíaca congestiva com edema em tornozelos e dispneia noturna. Médico vê inchaço que deixa marca ao pressionar.

    **Qual tipo de edema está presente?**

    ✅ Resposta: A.
    💡 Explicação simples: Insuficiência cardíaca causa edema pitting porque o líquido é água pura e móvel (pode deslocar ao pressionar). Non-pitting aparece em linfedema crônico (sem fluidez).

    Caso: Criança 6 anos com síndrome nefrótica (proteinúria maciça). Mãe nota inchaço na face principalmente de manhã, desaparece ao longo do dia.

    **Por que o edema aparece na FACE e é MATINAL?**

    ✅ Resposta: C.
    💡 Explicação simples: Síndrome nefrótica perde proteína → hipoalbuminemia → edema facial matinal clássico. Deitado → fluido gravita para face. Acordar e levantar → gravidade drena → inchaço desaparece ao longo do dia. Padrão muito característico.

    Caso: Paciente com cirrose avançada. Exame abdominal mostra abdômen distendido, macio, com macicez à percussão (fluido móvel). Albumina sérica baixa.

    **Por que cirrose causa ASCITE? Qual mecanismo Starling preponderante?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Cirrose = fígado não sintetiza albumina (hipoalbuminemia) → pressão oncótica cai → filtra água. Também aumenta pressão portal (congestão) → aumenta pressão capilar mesentérica. Rim ativa SRAA (retém Na⁺/água) → volume piora → ascite = mecanismo 1 + 2 + 5 combinados.

    Caso: Mulher 55 anos após mastectomia bilateral. Braço direito inchaço persistente, duro, não deixa marca ao pressionar. Sem melhora apesar de diuréticos.

    **Qual é o mecanismo de edema e por que diuréticos NÃO funcionam?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Linfedema pós-mastectomia = remoção linfonodos axilares → sem drenagem linfática → líquido com PROTEÍNA ALTA acumula → edema non-pitting, crônico, fibroso. Diuréticos não ajudam (precisa drenagem manual + compressão). Protein-rich edema é "pegajoso".

    Caso: Homem 62 anos com infarto agudo do miocárdio. 2 horas depois: dispneia súbita, tosse com escarro róseo, crepitantes difusos nos pulmões, SpO2 85%.

    **O que causou edema pulmonar fulminante?**

    ✅ Resposta: C.
    💡 Explicação simples: IM → morte miocárdio → VE fraco → não bombeia → sangue volta pulmão → pressão venosa pulmonar sobe → Pc (pressão capilar) aumenta → filtração maciça nos alvéolos → edema pulmonar agudo (emergência). Escarro róseo = espuma com sangue pelos alvéolos.

    Caso: Mulher 40 anos toma ibuprofeno por dor articular. Tem insuficiência cardíaca leve controlada com diurético. Uma semana depois: piora edema, falta de ar maior, ganha 3 kg.

    **Por que AINE piorou a insuficiência cardíaca?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: AINEs são CONTRA em IC porque bloqueiam prostaglandinas → reduzem natriurese → rim "acha" desidratação → aldosterona sobe → retenção Na⁺ → água retida → sobrecarga cardíaca. É pior que inútil—é destrutivo. Contraindicação relativa em IRC também.

    Caso: Paciente com síndrome nefrótica. Análise do líquido ascítico: proteína 4.5 g/dL, células 2.000/μL, turvo. Comparar com líquido de ICC: proteína 1.8 g/dL, células 150/μL, claro.

    **Qual diferença entre TRANSUDATO e EXSUDATO?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: TRANSUDATO = vazamento mecânico puro (sem inflamação) → proteína baixa, células poucas. Causas: IC, cirrose, síndrome nefrótica. EXSUDATO = vazamento com inflamação → proteína alta, células muitas, fibrina. Causas: pneumonia, peritonite, tuberculose.

    Caso: Criança desnutrida severa com kwashiorkor. Exame mostra barriga inchada (ascite), edema periférico. Albumina sérica = 1.8 g/dL (normal >3.5).

    **Como desnutrição com hipoalbuminemia causa EDEMA?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Kwashiorkor (desnutrição com deficiência proteica) → fígado não faz albumina → pressão coloidosmótica cai → água vaza dos vasos → edema PARADOXAL em desnutrição (criança magra com barriga inchada). Diferente de marasmo (desnutrição geral, sem edema).

    Caso: Paciente queimado com 40% da superfície corporal. Primeiras horas: edema fulminante, hipovolemia, choque hipovolêmico. Líquido da queimadura: proteína alta, células.

    **Qual mecanismo de edema em queimadura grave?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Queimadura → inflamação maciça → mediadores (bradicinina, histamina) aumentam permeabilidade capilar → vaza MUITA proteína intersticial → edema inflamatório com exsudato → choque hipovolêmico (volume perdido é MUITA). Reposição fluida agressiva é essencial (Parkland formula).

    Caso: Homem 58 anos com ICC, recebe furosemida 40mg diários. Edema melhora, nega dispneia. Exames: Na⁺ 138, K⁺ 3.2 (baixo).

    **Como diuréticos resolvem edema em ICC e qual complicação?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Diuréticos (furosemida bloqueia Na⁺/K⁺/Cl⁻ na alça) → perdem sódio + água → volume intravascular ↓ → pressão capilar (Pc) ↓ → edema melhora. MAS perdem potássio também → hipocalemia → risco arritmias. Precisa suplementar K⁺ ou adicionar poupador (espironolactona).

    Caso: Recém-nascido com icterícia + hepatomegalia + edema generalizado (anasarca). Diagnóstico: incompatibilidade Rh grave (hemólise). Albumina sérica baixa.

    **Por que hemólise grave causa anasarca (edema generalizado)?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Hemólise grave → destruição de glóbulos vermelhos → hemoglobina livre → filtra nos rins → perda para urina → hipoalbuminemia progressiva → pressão oncótica cai → edema generalizado (anasarca = "sem carne"). Também causa icterícia bilirrubina. Exsanguíneotransfusão urgente.

    Caso: Homem 72 anos com pneumonia bacteriana. Escarro purulento. Raio-X: infiltrado lobar. Análise do líquido pleural: proteína 5.2 g/dL, LDH 800, célula 8.000/μL (principalmente PMN).

    **Qual tipo de líquido pleural e mecanismo de edema?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Pneumonia → inflamação pulmonar → capilares "furando" → vaza água COM proteína + leucócitos → exsudato (proteína >3 g/dL, células >1000/μL). Teste Light: proteína/LDH elevados = exsudato. Precisa drenar se parainfeccioso.

    Caso: Paciente com ICC recebe enalapril (IECA). Diurético é reduzido aos poucos. Edema estabiliza, dispneia melhora. Pressão renal melhora.

    **Como IECA ajuda ICC além de simples vasodilatação?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: IECA + BRA (losartana) bloqueiam SRAA (Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona) → menos retenção sódio/água → modifica causa de ICC (não apenas sintoma). Combinação IECA + diurético é fundamental: diurético = alívio rápido, IECA = cura a longo prazo.

    Caso: Mulher 68 anos com cirrose + ascite volumosa. Paracentese tira 8 litros. Médico prescreve albumina intravenosa após procedimento. Após 48h, ascite reacumula.

    **Por que albumina sozinha NÃO cura ascite em cirrose?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Cirrose = ascite multifatorial (hipoalbuminemia + hipertensão portal + retenção Na⁺). Albumina repõe pressão oncótica MAS hipertensão portal e SRAA continuam → reacumula ascite. Precisa IECA + espironolactona + diurético + restrição sódio/líquidos. Transplante é única cura.

    Caso: Paciente com síndrome nefrótica relata que o edema piora com corticoides. Albumina continua baixa. Urina com >3.5g proteína/dia.

    **Por que corticoides podem PIORAR edema em síndrome nefrótica?**

    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Corticoides têm DOIS efeitos: (1) anti-inflamação (BOTA causa glomerulonefrite, reduz proteinúria). MAS (2) retenção Na⁺ (aumentam ENaC). Se proteinúria não responde aos corticoides (refratária), retenção Na⁺ é PREDOMINANTE → edema piora. Precisa adicionar diurético + IECA para bloquear SRAA.

    🩸 AULA 8 — 04/03 — Hemostasia e Coagulação

    Conceito Integrador

    Hemostasia = mecanismo de parada de hemorragia mantendo sangue fluído. Envolve: (1) Vasoconstrição, (2) Adesão/agregação plaquetária, (3) Coagulação em cascata, (4) Limitação do coágulo, (5) Fibrinólise.

    Fisiopatologia: Distúrbios causam sangramento (déficit) ou trombose (excesso).

    Farmacologia: Anticoagulantes, antiagregantes, trombolíticos.

    Fase 1: Vasoconstrição

    • Mecanismo: Resposta neurógena reflexa (lesão vascular) + local (endotélio) + sistêmica (catecolaminas)
    • Duração: Segundos a minutos
    • Efeito: Reduz fluxo pelo vaso, facilita tampão plaquetário
    • Controlada por: Catecolaminas (α1-vasoconstritor), óxido nítrico (vasodilatador)

    Fase 2: Hemostasia Primária (Agregação Plaquetária)

    Componentes: Plaquetas, vWF (von Willebrand factor), fibrinogênio, endotélio.

    Sequência Molecular:

    • 1. Adesão: Colágeno exposto → vWF liga colágeno → plaqueta liga vWF via GPIb + colágeno via GPVI → adesão
    • 2. Ativação: Colágeno + ADP + TXA2 + trombina → ↑ Ca²⁺ → mudança forma (estrela) → liberação grânulos → exposição fosfatidilserina
    • 3. Agregação: Fibrinogênio liga GPIIb/IIIa em múltiplas plaquetas → plugue plaquetário em 3-5 minutos

    Inibidores Naturais de Agregação:

    • PGI2 (Prostaciclina): Endotélio, ↓ Ca²⁺ intracelular, inibe agregação
    • NO (Óxido Nítrico): Endotélio, inibe agregação
    • ADPase: Quebra ADP, inibe agregação

    Teste Clínico: Tempo de sangramento (normal < 10 min). Prolongado em: trombocitopenia, doença von Willebrand, Aspirina, Ticlopidina.

    Fase 3: Coagulação em Cascata

    Objetivo: Converter fibrinogênio em fibrina estável para reforçar plugue.

    Via Extrínseca (Rápida, segundos):

    • Iniciação: Lesão tecidual expõe Fator Tecidual (TF) → TF + FVIIa → ativa FX
    • Complexo Protrombinase: FX + FV + Ca²⁺ + fosfolípides → Protrombina (II) → Trombina (IIa)
    • Teste: TP (Tempo Protrombina, normal 11-13.5s). Prolongado em: deficiência VII, X, V, II, I

    Via Intrínseca (Lenta, minutos):

    • Iniciação: Contato com colágeno/surfactantes → FXII → FXIa → FIXa + FVIIIa
    • Amplificação: Trombina ativa FVIII e FXI (feedback)
    • Converge: Via extrínseca em FX
    • Teste: TTPA (Tempo Tromboplastina Parcial Ativado, normal 25-35s). Prolongado em: deficiência XII, XI, IX, VIII, V, II, I, Heparina

    Via Comum:

    • Sequência: FX → Xa (complexo protrombinase) → II → IIa (Trombina) → I (Fibrinogênio) → monômeros de fibrina → polímero
    • Reticulação: FXIII ativado por trombina → FXIIIa reticulação cruzada → coágulo ESTÁVEL
    • Teste: TT (Tempo Trombina, normal 14-16s). Prolongado em: hipofibrinogenemia, Heparina

    Fase 4: Limitação do Coágulo

    Objetivo: Parar coagulação para evitar trombose generalizada.

    • Antitrombina III: Inibe trombina, Xa, IXa. Cofator: Heparina (↑ 1000x). Deficiência → trombose recorrente
    • Proteína C Ativada (APC): Inativa Va, VIIIa. Cofator: Proteína S. Deficiência → trombose
    • TFPI: Inibe TF + Xa
    • Localização: Coágulo formado apenas no local de lesão (sem propagação distal)

    Fase 5: Fibrinólise

    Objetivo: Remover coágulo após cicatrização (7-10 dias).

    • Plasminogênio → Plasmina: Protease que degrada fibrina
    • t-PA (Tissue Plasminogen Activator): Endotélio, específico por fibrina (terapêutico em infarto, AVC (Acidente Vascular Cerebral))
    • u-PA (Urokinase): Menos específico, menos usado
    • Produtos: D-dímero (fibrina reticulada degradada), FDP (produtos degradação fibrina)
    • Inibidores: α2-Antiplasmina, PAI-1
    • Testes: D-dímero ↑ em trombose/TEP/DIC; FDP ↑ em fibrinólise

    Distúrbios da Hemostasia - Déficit (Sangramento)

    TROMBOCITOPENIA (Plaquetas < 150,000/μL):

    • Produção ↓: Aplasia medular, infiltração, drogas (quimio), B12/folato ↓
    • Destruição ↑: PTI (imune), SHU, TTP (trombótica), infecções (dengue, malária)
    • Sequestro: Esplenomegalia (cirrose)
    • Clínica: Petéquias, equimose, epistaxe, sangramento mucoso

    DOENÇA VON WILLEBRAND (vWD):

    • Patogenia: Deficiência/disfunção vWF (adesão plaquetária)
    • Tipos: I (75%, parcial), II (qualitativa), III (grave, total)
    • Clínica: Sangramento mucoso, menorragia, equimose fácil
    • Teste: Tempo sangramento ↑, vWF ↓, FVIII ↓

    HEMOFILIA A (Deficiência Factor VIII):

    • Genética: Ligada a X (homens afetados)
    • Severidade: Leve (5-40%), Moderada (1-5%), Severa (< 1% FVIII)
    • Clínica: Hemartroses (articulações), hematomas musculares, sangramento pós-trauma
    • Teste: TTPA (Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada) ↑, FVIII ↓, TP/TT normais

    HEMOFILIA B (Deficiência Factor IX): Similar, menos comum (1:30,000), FIX ↓

    FATOR V LEIDEN:

    • Patogenia: Mutação → FV resistente a APC → Va não inativada → hipercoagulabilidade
    • Epidemiologia: 5-10% europeus do norte (causa mais comum trombofilia hereditária)
    • Manifestações: TVP (Trombose Venosa Profunda), TEP (Tromboembolismo Pulmonar), trombose cerebral

    Coagulopatia Consumptiva: Coagulação Intravascular Disseminada (DIC)

    Definição: Ativação maciça/descontrolada cascata coagulação → consumo de plaquetas/fatores → micro-trombos → fibrinólise → sangramento paradoxal.

    Causas: Sepse (gram-negativas), leucemia promielocítica, descolamento placentário, queimaduras, choque séptico, pancreatite.

    Patogenia: Endotoxina/citocinas → TF ↑ em monócitos → cascata descontrolada → FVIII/FV/fibrinogênio/plaquetas consumidos → micro-trombos isquêmicos → plasmina degrada fibrina → sangramento.

    Manifestações: Petéquias/equimose, sangramento mucoso/GI/IRA, isquemia dedos, AVC (Acidente Vascular Cerebral), anemia hemolítica, IRA (Insuficiência Renal Aguda).

    Testes Lab: Plaquetas ↓↓, Fibrinogênio ↓↓, TP ↑, TTPA (Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada) ↑, D-dímero ↑↑↑, FDP ↑↑↑, Hemoglobina ↓

    Prognóstico: Mortalidade 30-50% (pior em sepse 50-70%). Tratamento: causa + suporte (antibióticos, transfusões, vasopressores).

    Integração Farmacológica - Anticoagulantes e Antiagregantes

    ANTICOAGULANTES ENDÓGENOS vs EXÓGENOS:

    Heparina (Não-fracionada, UFH):

    • Mecanismo: Potencia Antitrombina III → inibe Trombina (IIa), Xa, IXa
    • Farmacocinética: IV/SC (Subcutâneo), onset imediato, T½ 60-90 min (IV) a 2h (SC)
    • Monitorização: TTPA (alvo 1.5-2.5x basal)
    • Reversão: Protamina (neutraliza heparina)
    • Complicação: Trombocitopenia induzida heparina (HIT) - paradoxo trombótico

    Warfarina (Vitamina K Antagonista):

    • Mecanismo: Inibe epóxido redutase vitamina K → deficiência K → deficiência Fatores II, VII, IX, X (dependentes K)
    • Farmacocinética: PO, onset lento (3-5 dias), T½ 36-42h, alta ligação proteica
    • Monitorização: INR (alvo 2-3 para maioria, 2.5-3.5 prótese aórtica)
    • Reversão: Vitamina K (lento, 12-24h) + FFP/PCCs (rápido)
    • Interações: Muitas (difícil controle)
    • Teratogênese: Contraindicado 1º trimestre (síndrome fetal warfarina)

    NOACs (Anticoagulantes Orais Diretos):

    • Dabigatran: Inibidor direto Trombina (IIa), onset 30-120 min, reversível com idarucizumabe
    • Rivaroxaban/Apixaban: Inibidores diretos Xa, onset mais rápido, sem antídoto específico
    • Vantagens: PO, onset rápido, sem monitorização, previsível
    • Desvantagens: Caros, IR requer ajuste, sem total reversão (rivaroxaban/apixaban)

    ANTIAGREGANTES PLAQUETÁRIOS:

    Aspirina:

    • Mecanismo: Acetila COX (Ciclo-oxigenase)-1 irreversivelmente → ↓ TXA2 (agregador) na plaqueta
    • Duração: Vida toda da plaqueta (7-10 dias, até regeneração medular)
    • Indicação: Prevenção primária/secundária IAM (Infarto Agudo do Miocárdio), AVC (dose baixa 81-325 mg)
    • Efeito colateral: Sangramento (especialmente GI), alergia

    Clopidogrel (Ticlopidina):

    • Mecanismo: Pró-droga, metabolizada por CYP2C19 → bloqueio P2Y12 (receptor ADP plaquetário)
    • Farmacocinética: PO, onset 3-5 dias (loading dose 600mg → 6h; manutenção 5-7 dias sem loading)
    • Reversível: Sim (diferente aspirina)
    • Monitorização: Teste agregação plaquetária (opcional)
    • Indicação: Sinergia com aspirina em síndrome coronária aguda (DAPT - dual antiplatelet therapy)
    • Complicação: Resistência (CYP2C19*2 polimorfismo)

    GPIIb/IIIa Inhibidores (Abciximab, Eptifibatida, Tirofiban):

    • Mecanismo: Bloqueio direto receptor GPIIb/IIIa (final common pathway agregação)
    • Uso: IV durante angiografia em IAM (Infarto Agudo do Miocárdio) de alto risco
    • Efeito: Inibição máxima agregação (mais potente que aspirina/clopidogrel)

    Síndrome Coronária Aguda - Protocolos Integrados:

    • STEMI/NSTEMI: Aspirina 300-500mg loading + Clopidogrel 600mg + Heparina IV (TTPA) + GPIIb/IIIa (se high-risk) + angiografia urgente + stent + terapia crônica
    • Após Stent: DAPT (Aspirina + Clopidogrel) por 12 meses (BES) a vitalício (sem stent)
    • Pós-IM: ACEI + β-bloqueador + Estatina + Aspirina + Clopidogrel (6-12 meses)

    Slides da Aula — Hemostasia e Coagulação

    Slide 1

    Fase 1: Vasoconstrição

    Slide 2

    Adesão Plaquetária

    Slide 3

    Ativação Plaquetária

    Slide 4

    Agregação Plaquetária

    Slide 5

    Cascade da Coagulação

    Slide 6

    Via Extrínseca

    Slide 7

    Via Intrínseca

    Slide 8

    Via Comum

    Slide 9

    Fibrinogênio → Fibrina

    Slide 10

    Limitação Coágulo

    Slide 11

    Antitrombina

    Slide 12

    Proteína C

    Slide 13

    Fibrinólise

    Slide 14

    t-PA e Plasmina

    Slide 15

    D-dímero

    Slide 16

    Trombocitopenia

    Slide 17

    Doença von Willebrand

    Slide 18

    Hemofilia A

    Slide 19

    Hemofilia B

    Slide 20

    Fator V Leiden

    Slide 21

    DIC Iniciação

    Slide 22

    DIC Cascata

    Slide 23

    DIC Manifestações

    Slide 24

    Heparina Mecanismo

    Slide 25

    Warfarina

    Slide 26

    NOACs

    Slide 27

    Aspirina Mecanismo

    Slide 28

    Clopidogrel

    Slide 29

    GPIIb/IIIa Inhibidores

    Slide 30

    Síndrome Coronária Aguda

    Slide 31

    Teste TP/TTPA

    Flashcards - Hemostasia e Coagulação

    Qual é a diferença entre hemostasia primária e secundária?
    Primária = adesão/agregação plaquetária (3-5 min, tampão). Secundária = cascata coagulação (fibrina estável, 5-10 min)
    Qual é o papel de vWF e qual receptor de plaqueta liga?
    vWF liga colágeno + plaqueta via GPIb (adesão). Deficiência = sangramento (Doença von Willebrand)
    Como Antitrombina III inibe coagulação?
    Inibe Trombina, Xa, IXa (cofator Heparina ↑ 1000x). Deficiência → trombose recorrente
    Qual é a diferença entre via extrínseca e intrínseca?
    Extrínseca = lesão tecidual, TF+FVIIa, rápida (seg). Intrínseca = contato colágeno, XII→XI→IX, lenta (min)
    Como Proteína C ativada (APC) controla coagulação?
    APC (cofator Proteína S) inativa Va e VIIIa. Deficiência → trombose
    O que é FXIII e qual sua função?
    Fator estabilizador fibrina, ativado por trombina, reticulação cruzada fibrina → coágulo estável
    Como t-PA remove coágulos?
    t-PA (endotélio) ativa plasminogênio → plasmina → degrada fibrina → D-dímero + FDP. Usado em MI/AVC
    Qual é o mecanismo de DIC e suas manifestações?
    Ativação maciça cascata (sepse, trauma) → consumo fatores/plaquetas → micro-trombos + sangramento paradoxal. Lab: plaquetas ↓↓, Fib ↓↓, D-dímero ↑↑↑
    Como Aspirina inibe agregação plaquetária?
    Acetila COX (Ciclo-oxigenase)-1 irreversivelmente → ↓ TXA2 (agregador) → inibição por vida da plaqueta (7-10 dias)
    Qual é a diferença entre Heparina e Warfarina?
    Heparina = potencia ATIII (rápido IV/SC, TTPA). Warfarina = inibe K-fatores (lento PO, INR). Warfarina teratogênico 1º trim

    Quiz - Hemostasia e Coagulação

    Q1: Criança de 8 anos cai na escola e rala o joelho. O sangramento para sozinho em poucos minutos. A mãe pergunta como o corpo conseguiu parar o sangramento.

    Qual é a PRIMEIRA coisa que o corpo faz para parar um sangramento?

    Q2: Um menino está com uma pequena ferida no dedo. Você vê que depois da vasoconstrição, o sangramento continua. O que acontece agora?

    O que faz o "tampão" que fecha a ferida?

    Q3: O plug de plaquetas é frágil e dura pouco tempo. Precisa ficar mais resistente. Como o corpo deixa o coágulo mais forte?

    Como fica o coágulo mais firme e durável?

    Q4: Um paciente idoso está tomando um remédio que afina o sangue para não ter infarto. O remédio bloqueia a vitamina K. Qual é o resultado disso?

    Como o bloqueio de vitamina K afeta a coagulação?

    Q5: Um paciente com trombose aguda precisa de um afinador de sangue que age RÁPIDO (no mesmo dia). Qual remédio usar?

    Qual anticoagulante age mais rapidamente?

    Q6: Um paciente toma varfarina há 2 meses para fibrilação atrial. O médico pediu o exame INR para verificar se a dose está correta.

    O que o INR mede?

    Q7: Uma criança de 6 anos tem hemofilia A (falta fator VIII). Por que ela tem risco de sangramento?

    Como a hemofilia causa sangramento?

    Q8: Um paciente que toma anticoagulante teve um sangramento grave. Para reverter rapidamente o efeito da varfarina, qual vitamina administrar?

    Como recuperar a coagulação em um paciente com sangramento por varfarina?

    Q9: Um paciente com infarto agudo do miocárdio toma aspirina. Como esse remédio ajuda a prevenir coágulos?

    Qual é o mecanismo de ação da aspirina?

    Q10: O médico explica ao paciente que para o corpo parar um sangramento normalmente, são necessárias 3 fases. O paciente pergunta: "Se 1 fase é vasoconstrição e 2 é plaquetas, qual é a 3ª?"

    Qual é a terceira fase da hemostasia?

    Q11: Um paciente com cirrose hepática severa vai fazer uma cirurgia. Os testes de coagulação mostram: TP prolongado, TTPA prolongado, plaquetas baixas.

    Por que pacientes com doença hepática têm problemas de coagulação?

    Q12: Uma mulher grávida de 8 meses apresenta hemorragia intensa no parto. Os testes mostram: plaquetas muito baixas, fibrinogênio muito baixo, coágulos em todo o corpo.

    Qual é este quadro clínico grave de coagulação?

    Q13: Um idoso com hipertensão toma vários medicamentos. Acidentalmente tomou o dobro da dose de varfarina. Qual é o risco imediato?

    Qual é o efeito de uma overdose de varfarina?

    Q14: Um jovem atleta sofre um trauma no joelho durante um jogo. Há inchaço, mas o sangramento para rapidamente. Qual componente da hemostasia funcionou bem aqui?

    O que permitiu que o sangramento parasse rapidamente mesmo após trauma?

    Q15: Um paciente pergunta ao médico: "Qual é a diferença entre sangrar demais e ter coágulos demais?"

    Qual é a diferença entre sangramento e trombose?

    🔴 AULA 9 — 05/03 — Trombose

    Conceito: Tríade de Virchow

    O QUÊ é Trombose? Um coágulo que se forma DENTRO de um vaso vivo (artéria ou veia). É tipo um entupimento perigoso!

    Pensa numa caneta: quando o sangue "entope" um vaso, é tipo um plástico entupindo um cano. Virchow percebeu que SEMPRE há 3 culpados envolvidos.

    TRÍADE DE VIRCHOW = 3 fatores mágicos:

    1. Lesão Endotelial: Quando o "cano" fica machucado (aterosclerose = placa de gordura, trauma, cateter irritando). Sangue vê machucado e quer "proteger" com coágulo.

    2. Estase/Turbulência: Quando o sangue fica LENTO ou parado (repouso, insuficiência cardíaca, voo longo, fibrilação atrial). Sangue parado = sangue coagulado!

    3. Hipercoagulabilidade: Quando o sangue quer coagular DEMAIS (genético = fator V Leiden; adquirido = câncer, gravidez, pós-cirurgia). É tipo o sangue ficar "ligado demais" em coagular.

    LEMBRA ASSIM: Um fator sozinho = geralmente NÃO forma trombose. MAS múltiplos fatores? Aí sim = risco CRESCE E CRESCE!

    Trombose Arterial vs Venosa

    TROMBOSE ARTERIAL
    Culpado: Aterosclerose (placa gordura rasgou) → RÁPIDA (minutos!)
    O quê? Muita plaqueta + enzima TXA2
    Resultado: Infarto AGUDO (coração morre, cérebro para)
    Cura: Aspirina (quebra plaqueta) + Heparina (bloqueia fibrina) + Trombolítico (dissolve coágulo) + Cateter (abre vaso mecanicamente)
    TROMBOSE VENOSA
    Culpado: Sangue parado/viagem longa → LENTA (horas/dias!)
    O quê? Fibrina + células vermelhas aderidas
    Resultado: Inchaço na perna (TVP) ou embolia pulmão (TEP)
    Cura: Warfarina crônica (afina sangue) por 3-6 meses ou para SEMPRE

    LEMBRA A DIFERENÇA: Arterial = RÁPIDA + INFARTO. Venosa = LENTA + INCHAÇO.

    Composição e Evolução de Trombo

    O QUÊ tem dentro de um trombo?
    CORPO: Camadas de plaquetas vermelhas + fibrina branca COLADAS na parede do vaso.
    CAUDA: Uns pedaços soltos que PODEM se desprender e virar embolia!
    OBS: Trombo é diferente de coágulo: trombo GRUDA no vaso, coágulo pós-morte só preenche.

    O QUE ACONTECE COM O TROMBO (4 destinos possíveis)?

    LISE (MELHOR!): Corpo dissolve sozinho em 7-10 dias. Trombo desaparece = voltou ao normal!

    ORGANIZAÇÃO: Células novas invadem trombo e transformam em CICATRIZ = vaso fica estreito para sempre.

    CANALIZAÇÃO: Vasinhos novos passam DENTRO do trombo = um pouco de sangue passa de novo (não é bom, mas é alguma coisa).

    EMBOLIA (PIOR!): Trombo se solta, viaja pelo vaso e ENTOPE outro lugar (pulmão, cérebro, coração)!

    Consequências de Trombose

    Imagina que o vaso é uma mangueira. Se ENTOPE, água para de passar. Sem água, a grama morre. Com sangue = sem oxigênio, célula morre. ISSO É INFARTO!

    O QUE ACONTECE QUANDO VASO ENTOPE?

    Sangue PARA → Célula fica sem oxigênio → Célula respira "errado" → Célula MORRE = INFARTO!

    INFARTO BRANCO/PÁLIDO:
    Artéria terminal pura, sem ajuda nenhuma → Tecido morre BRANCO = sem sangue nenhum.
    Exemplo: Rim, baço ficam brancos.

    INFARTO HEMORRÁGICO/VERMELHO:
    TINHA vaso paralelo que ajuda → Sangue vem de outro lado → Tecido fica VERMELHO de sangue.
    Exemplo: Pulmão, cérebro (quando trombo dissolve e sangue volta = pode virar infarto vermelho!)

    INCHAÇO NA PERNA (Edema de TVP (Trombose Venosa Profunda)):
    Se veia fica entupida → Sangue não consegue SAIR da perna → Líquido acumula → Perna INCHAÇO!
    Esse inchaço é mole e deixa marca quando aperta (edema pitting = TÍPICO de TVP).

    Trombose Venosa Profunda (TVP)

    O QUÊ é TVP (Trombose Venosa Profunda)? Trombo em veia profunda da perna. Geralmente na panturrilha ou coxa.

    QUEM TEM RISCO? Gente que fica imóvel (cirurgia, cama), com câncer, ou gestante. Risco = 1-2% população geral, MAS 10% em hospitalizados sem prevenção!

    SINAIS QUE APARECEM (procure esses!):
    INCHAÇO: Perna incha (mede com fita = diferença >2cm é suspeito!)
    DOR: Panturrilha dói, especialmente ao esticar pé (sinal de Homans)
    VERMELHIDÃO: Pele fica vermelha por inflamação
    QUENTE: Local fica mais quente que outro lado do corpo
    PROBLEMA: 20-30% das TVP proximal são SILENCIOSAS = sem sintomas!

    COMO CONFIRMA TVP (Trombose Venosa Profunda)?

    ULTRASSOM DOPPLER (melhor teste!): Vê se veia COMPRIME (normal) ou NÃO COMPRIME (trombo).
    D-DÍMERO (teste sangue): Se NEGATIVO = provavelmente NÃO tem TVP (Trombose Venosa Profunda)! Se POSITIVO = precisa de ultrassom.

    COMO TRATA TVP (Trombose Venosa Profunda)?

    EMERGÊNCIA (primeiras horas):
    Heparina IV URGENTE (afina sangue rápido) ou Enoxaparina SC (heparina injetável em casa)

    CRÔNICO (meses/anos):
    Warfarina PO (pílula que afina sangue, precisa monitorar) por 3-6 meses MAS se TVP recorrente ou sem causa aparente = PARA SEMPRE!
    OU NOACs (novos anticoagulantes que não precisa tanto monitoramento)

    INCÔMODO LEVE: Elevar perna, meias compressivas (ajuda a tirar inchaço e previne síndrome pós-trombótica)

    EMERGÊNCIA MÁXIMA (TVP GIGANTE): Pode precisar de cirurgia mecânica (trombectomia) ou remédio DISSOLVE coágulo (trombolítico)

    LEMBRA: A SÍNDROME PÓS-TROMBÓTICA é um problema que vem DEPOIS, anos depois: perna incha sempre, fica ferida que não cicatriza, pele fica feia. Por isso é importante tratar rápido!

    Slides da Aula — Trombose

    Slide 1

    Tríade de Virchow

    Slide 2

    Lesão Endotelial

    Slide 3

    Estase Sanguínea

    Slide 4

    Hipercoagulabilidade

    Slide 5

    Composição Trombo

    Slide 6

    Trombo vs Coágulo

    Slide 7

    Evolução Trombo

    Slide 8

    Organização Trombo

    Slide 9

    Canalização

    Slide 10

    Trombose Arterial

    Slide 11

    Trombose Venosa

    Slide 12

    Trombose Cardíaca

    Slide 13

    Infarto Branco

    Slide 14

    Infarto Hemorrágico

    Slide 15

    TVP Clínica

    Slide 16

    TVP US Duplex

    Slide 17

    TVP Anticoagulação

    Slide 18

    Síndrome Pós-Trombótica

    Slide 19

    Profilaxia Mecânica

    Slide 20

    HBPM Profilaxia

    Slide 21

    Wells Score

    Slide 22

    Fatores Risco TVP

    Slide 23

    Virchow Clinicamente

    Slide 24

    Warfarina INR

    Slide 25

    NOACs TVP

    Slide 26

    Compressão Externa

    Slide 27

    Trombectomia

    Slide 28

    Trombolíticos

    Slide 29

    Filtro IVC

    Slide 30

    Prognóstico TVP

    Slide 31

    Monitorização

    Flashcards - Trombose

    Qual é a Tríade de Virchow para trombose?
    Lesão endotelial (aterosclerose, trauma), Estase/turbulência (repouso, IC, FA), Hipercoagulabilidade (herdada=FV Leiden; adquirida=câncer, gestação)
    Qual é a diferença de composição entre trombo arterial e venoso?
    Arterial = predominantemente plaquetas + TXA2 (rápido, aterosclerose). Venoso = fibrina + RBC + plaquetas (lento, estase)
    Como trombo se organiza?
    Lise (fibrinólise 7-10d), Organização (fibroblastos → cicatriz → estenose), Canalização (células endoteliais → vasos pequenos → fluxo parcial)
    Qual é a diferença entre infarto branco e hemorrágico?
    Branco = isquemia pura (artéria terminal, colateral insuficiente). Hemorrágico = reperfusão de sangue venoso em área isquêmica (colateral aberta)
    Qual é a escala de risco para TVP (Escala Wells)?
    Edema, dor/sensibilidade, eritema, aumento temperatura, Homans sign (+). Score alto = 75% TVP; baixo = 5% (D-dímero exclui com alta sensibilidade)
    Qual é o tratamento agudo de TVP?
    Heparina IV (bolus 5000 U, infusão TTPA) OU HBPM SC (enoxaparina 1mg/kg BD) para anticoagulação rápida
    Qual é o tratamento crônico de TVP?
    Warfarina (INR 2-3) por 3-6 meses (provável) a vitalício (idiopática). OU NOACs após 5-10 dias parenteral
    O que é síndrome pós-trombótica?
    Recanalization incompleta + dano valvular → insuficiência venosa crônica → edema persistente, úlcera trófica, dermatite (anos depois de TVP (Trombose Venosa Profunda))

    Quiz - Trombose

    Q1: Uma mulher de 32 anos, em uso de anticoncepcional oral, viaja 12h em avião. Ao desembarcar, apresenta edema e dor na panturrilha direita. Qual fator da Tríade de Virchow é MAIS relevante aqui?

    a) Lesão endotelial por trauma
    b) Estase sanguínea (imobilização prolongada) + Hipercoagulabilidade (estrógeno)
    c) Apenas diabetes
    d) Apenas taquicardia

    Q2: Um homem 58 anos com suspeita baixa de TVP (Wells score 1 ponto). D-dímero retorna NEGATIVO. Qual é a próxima conduta?

    a) Fazer ultrassom duplex imediatamente
    b) Excluir TVP (D-dímero negativo exclui com ~98% sensibilidade em suspeita baixa)
    c) Iniciar anticoagulação preventiva
    d) Repetir D-dímero em 48h

    Q3: TVP confirmada em homem 45 anos. Qual é o anticoagulante de PRIMEIRA ESCOLHA nas primeiras 24h?

    a) Warfarina oral
    b) Heparina IV (bolus + infusão) OU Enoxaparina SC
    c) Aspirina
    d) Trombolítico (alteplase)

    Q4: Qual é a diferença entre trombo BRANCO e VERMELHO?

    a) Branco = venoso (fibrina), Vermelho = arterial (plaquetas)
    b) Branco = arterial (plaquetas + TXA2), Vermelho = venoso (fibrina + RBC)
    c) São sinônimos
    d) Vermelho = coágulo pós-morte, Branco = trombo vivo

    Q5: Qual é o MELHOR destino possível de um trombo venoso profundo?

    a) Embolização para pulmão
    b) Organização + cicatrização = estenose vein
    c) Lise (fibrinólise) = dissolução em 7-10 dias = vasos voltam normal
    d) Canalização = vasos novos atravessam trombo

    Q6: Uma mulher 62 anos com TVP de perna iniciou anticoagulação, MAS no terceiro dia apresenta dispneia aguda + dor torácica pleurítica + taquicardia. O que aconteceu?

    a) Reação alérgica ao anticoagulante
    b) Embolia pulmonar (trombo se soltou da TVP = viajou pra artéria pulmonar = entope = isquemia pulmão)
    c) Infarto do miocárdio
    d) Pneumonia

    Q7: Uma mulher 55 anos com TVP extensa MAS tem alergia a heparina (HIT - trombocitopenia induzida por heparina). Anticoagulação está contraindicada. Qual é a salvação?

    a) Apenas observação clínica
    b) Trombectomia cirúrgica urgente
    c) Filtro de veia cava inferior (capta êmbolos antes chegarem pulmão)
    d) Elevação de membros inferiores

    Q8: Um jovem 28 anos, sem cirurgia recente, apresenta TVP idiopática. Qual trombofilia hereditária é MÁS COMUM neste caso?

    a) Deficiência de Proteína C
    b) Fator V Leiden (5-7% população caucasiana = MAIS comum)
    c) Deficiência de Antitrombina
    d) Homocisteinemia

    Q9: Uma mulher, 3 anos após TVP tratada, apresenta cronicamente: edema progressivo na perna + úlcera em gaiter zone (tornozelo). Qual é o diagnóstico?

    a) TVP recorrente
    b) Insuficiência venosa crônica
    c) Síndrome pós-trombótica (complicação de TVP = válvulas destruídas = refluxo = edema crônico + úlcera)
    d) Linfedema

    Q10: Compare velocidade de formação: trombo arterial vs trombo venoso. Qual é MAIS rápido?

    a) Ambos têm mesma velocidade
    b) Venoso é mais rápido (minutos)
    c) Arterial é MUITO mais rápido (minutos = infarto agudo) vs Venoso = horas/dias (lento)
    d) Venoso é mais rápido (horas)

    Q11: Qual achado NO EXAME CLÍNICO é MAIS específico para TVP de membro inferior?

    a) Sinal de Homans (dor panturrilha ao dorsiflexão = baixa especificidade)
    b) Edema unilateral > 2cm diferença (perna grossa de um lado = MAIS específico)
    c) Eritema
    d) Febre

    Q12: Um homem 65 anos apresenta PRIMEIRA TVP idiopática (sem causa provocadora). Por quanto tempo precisa anticoagular?

    a) 1 mês
    b) 3-6 meses
    c) Vitalício (TVP idiopática = risco recorrência 30% em 5 anos = precisa anticoagulação permanente)
    d) Nunca anticoagular

    Q13: Um homem 70 anos com câncer de pâncreas recentemente diagnosticado apresenta TVP de perna. Como é a anticoagulação diferente?

    a) Mesmo tratamento de TVP provocada = 3-6 meses
    b) Anticoagulação VITALÍCIO (câncer = hipercoagulável crônico) + preferência por LMWH/NOAC (não warfarina = INR oscila com câncer)
    c) Nenhuma anticoagulação (câncer avançado = risco sangramento)
    d) Apenas filtro de veia cava

    Q14: Uma mulher 50 anos com TVP idiopática precisa anticoagulação crônica. Qual é a DESVANTAGEM de warfarina comparado a NOAC?

    a) Warfarina é mais barata
    b) Warfarina requer monitoramento INR frequente (sangue de dedo cada 2-4 semanas = chato) + dieta restrita (vitamina K) + interações medicamentosas
    c) NOAC é sempre superior
    d) Warfarina tem menos risco sangramento

    Q15: Um homem passa por cirurgia ortopédica grande (prótese de joelho). Qual é a profilaxia PADRÃO para TVP pós-operatória?

    a) Nenhuma profilaxia
    b) HBPM (enoxaparina) OU fondaparinux SC por 10-14 dias pós-op + meias compressivas + mobilização precoce
    c) Warfarina imediata
    d) Apenas aspirina

    Questões Dissertativas - Trombose

    E1: Descreva a Tríade de Virchow com exemplos clínicos de cada componente e como cada um contribui ao risco trombose.

    [Ver Aula 8 E2 para resposta detalhada - conteúdo integrado]

    E2: TVP (Trombose Venosa Profunda) vs arterial: comparar composição, velocidade formação, manifestações clínicas, tratamento e prognóstico.

    Resposta: TVP (Trombose Venosa Profunda) = fibrina + RBC + plaquetas, lento (horas-dias), edema/oclusão venosa, anticoagulação crônica, bom prognóstico se tratada. Trombose Arterial = plaquetas + TXA2, rápido (minutos), isquemia/infarto agudo, antiagregantes + trombolíticos/PCI, pior prognóstico se não reperfusão rápida.

    E3: Síndrome Pós-Trombótica: mecanismo, manifestações clínicas, prevenção.

    Resposta: SPT = recanalization incompleta + dano valvular venoso → insuficiência venosa crônica. Manifestações = edema persistente, úlcera trófica, dermatite, lipodermatosclerose (anos após TVP (Trombose Venosa Profunda)). Prevenção = anticoagulação rápida (heparina) + meias compressão + mobilização cedo + reabsorção.

    E4: Protocolo diagnóstico e tratamento de paciente com suspeita TVP (Trombose Venosa Profunda) usando Escala Wells e D-dímero.

    Resposta: Escala Wells: Score > 2 = TVP (Trombose Venosa Profunda) provável, < 2 = improvável. Se score baixo + D-dímero negativo = TVP (Trombose Venosa Profunda) excluída (VPN 99%). Se score alto OU D-dímero elevado = US duplex (goldstandard). Se US confirma TVP (Trombose Venosa Profunda) = Heparina IV (bolus + infusão) + Warfarina PO (loading) → INR (Razão Normalizada Internacional) 2-3 em 3-5 dias → alta com warfarina 3-6 meses (provável) a vitalício (idiopática).

    💜 AULA 10 — 10/03 — Farmacodinâmica + SNA Parassimpático

    FARMACODINÂMICA: Mecanismos de Ação de Fármacos

    Farmacodinâmica = estudo do efeito do fármaco no corpo (mecanismo de ação molecular).

    Alvos Moleculares: Receptores, enzimas, canais iônicos, transportadores.

    Conceitos Fundamentais

    Pensa num receptor como uma FECHADURA específica de uma porta. Um remédio é uma CHAVE que se encaixa nela e abre. MAS existem chaves diferentes = alguns remédios abrem TOTALMENTE, outros abrem só um pouco!

    RECEPTOR: Proteína especial no corpo que "pega" no remédio. Quando pega = manda sinal = efeito acontece.

    AFINIDADE: Como o remédio "gosta" de prender no receptor. Quanto mais gosta = pega melhor.

    EFICÁCIA: Quanto de EFEITO o remédio consegue fazer. Máxima = efeito TOTAL. Parcial = só metade.

    4 TIPOS DE REMÉDIOS (MUITO IMPORTANTE!):

    1. AGONISTA COMPLETO (melhor amigo!)
    Abre a porta COMPLETAMENTE. Exemplo: Adrenalina faz coração BATER FORTE.
    Efeito máximo = 100%!

    2. AGONISTA PARCIAL (amigo meia boca)
    Abre a porta SÓ METADE. Mesmo que você force, não abre mais.
    Efeito máximo = só 50% (melhor do que nada mas não é ideal).

    3. ANTAGONISTA COMPETITIVO (bloqueia temporário)
    Chave que BLOQUEIA a porta (mas outro remédio consegue empurrar ela).
    Tipo: Beta-bloqueador quer bloquear coração, MAS se vem adrenalina = consegue passar.

    4. ANTAGONISTA NÃO-COMPETITIVO (bloqueia PERMANENTE)
    Chave que TRAVA a porta para SEMPRE. Nada consegue abrir.
    Tipo: Fenoxibenzamina cola na porta = bloqueio que dura dias!

    LEMBRA ASSIM: Agonista = abre porta. Antagonista = fecha porta. Se é COMPETITIVO = consegue desbloquear. Se é NÃO-COMPETITIVO = travou PARA SEMPRE!

    PROBLEMA COM REMÉDIO CRÔNICO (Tolerância):
    Se toma o mesmo remédio TODO DIA = corpo se adapta = remédio funciona menos = precisa aumentar dose!
    Por quê? Receptor desaparece (down-regulation), receptor ativa mas desliga rápido (desensibilização), ou corpo metaboliza remédio mais rápido (indução enzimas).

    Sistema Nervoso Autônomo (SNA) - Visão Geral

    Seu corpo tem 2 "modos": Modo REPOUSO = quando está dormindo, comendo, relaxado Modo PERIGO = quando está correndo, estressado, com medo

    PARASSIMPÁTICO = REPOUSO ("Rest & Digest")
    Neurotransmissor: Acetilcolina (ACh = molécula especial)
    Receptores: Muscarínicos (5 tipos) ou Nicotínicos (2 tipos)
    Efeito: Relaxa, digere, coração LENTO, brônquios FIT, pupila pequena

    SIMPÁTICO = PERIGO ("Fight or Flight")
    Neurotransmissor: Norepinefrina (NE = adrenalina)
    Receptores: Adrenérgicos (α1, α2, β1, β2, β3)
    Efeito: Acelera, para digestão, coração RÁPIDO, brônquios ABREM, pupila GRANDE

    LEMBRA ASSIM: Parassimpático = repouso relaxado. Simpático = correndo do leão!

    SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Parassimpático - Receptores Colinérgicos

    Receptores Muscarínicos (G-Protein Coupled Receptors):

    M1 (Neuronal, Cérebro): Gq coupling → ↑ IP3/DAG → ↑ Ca²⁺ → depolarização → memória, cognição. Bloqueadores: atropina, pirenzepina.

    M2 (Coração, Autorreceptor): Gi coupling → ↓ cAMP → hiperpolarização → ↓ FC (bradicardia), ↓ AV condução. Bloqueadores: atropina (cardioaceleração paradoxal em dose alta = M2 bloqueio > M3).

    M3 (Músculo liso, Glândulas): Gq coupling → ↑ Ca²⁺ → contração/secreção. Efeitos: Broncoconstricção, miose (constrição pupila), salivação, lacrimejamento, micção. Bloqueadores: atropina (midríase, boca seca, retenção urinária), ipratropium (inalado = broncodilatação seletiva).

    M4, M5: Menos caracterizados clinicamente. M4 = Gi (neuronal), M5 = Gq (cérebro, glândulas lacrimais).

    Receptores Nicotínicos (Ligand-Gated Ion Channels = Canais Iônicos):

    NN (Nicotina/Neuronal): Sinápses autonômicas (pré-ganglionares + pós-ganglionares). Liga ACh → canal Na⁺ abre → despolarização → transmissão ganglionar.

    NM (Neuromuscular): Junção neuromuscular esquelética. Liga ACh → despolarização → potencial de ação múscul → contração. Bloqueadores: succinilcolina (despolarizante = paralisia depolarizante), rocúrio (não-despolarizante = bloqueio competitivo).

    Parasimpatomiméticos (Agonistas Colinérgicos)

    Objetivo: Mimetizar efeitos parassimpáticos (repouso/digestão).

    Betanecol: Muscarínico M3 seletivo (não nicotínico) → contração músculo liso GI. Indicação: atonia intestinal pós-cirúrgica, retenção urinária (ativa bexiga). Contraindicação: asma (broncoconstricção), úlcera (secreção ácida ↑).

    Pilocarpina: Muscarínico M3 (principalmente), pouco nicotínico → salivação, lacrimejamento, miose. Indicação: síndrome de Sjögren (boca seca), xerostomia pós-radioterapia, glaucoma (miose reduz pressão intraocular). Administração: tópica (oftálmica), PO. Efeito colateral: broncoconstricção (asma).

    Neostigmina (Colinesterase Inhibitor): NÃO agonista direto. Inibe enzima acetilcolinesterase → ↓ degradação ACh → ↑ ACh sinapses → efeitos colinérgicos amplificados. Indicação: (1) Miastenia Gravis (doença autoimune, abs anti-NMJ receptor → déficit ACh) = neostigmina restaura ACh, (2) Reversão de bloqueadores neuromusculares não-despolarizantes (uso perioperatório). Mecanismo: carbamoilação covalente acetilcolinesterase (reversível a curto prazo). Efeito colateral: crise colinérgica (excesso = paralisia por despolarização muscular).

    Organofosforado (Envenenamento por Inseticida): Inibe acetilcolinesterase IRREVERSIVELMENTE (fosforilação) → acúmulo ACh maciço → crise colinérgica grave. Manifestações = SLUDGE (Salivação, Lacrimejamento, Urinação, Defecação, GI motilidade ↑, Emese) + miose, bradicardia, broncoconstricção, paralisia. Tratamento: Atropina IV (bloqueio M2/M3 = broncodilatação, cardioaceleração), Pralidoxima (reaktiva colinesterase se tempo < 24h).

    Parasimpatiolocos (Antagonistas Colinérgicos)

    Objetivo: Bloquear efeitos parassimpáticos.

    Atropina: Antagonista muscarínico não-seletivo (M1-M5 igual) → efeitos antimuscarínicos puros. Farmacocinética: bem absorvida PO, metabolizada fígado, T½ 3-4h. Efeitos:

    Indicações: Antídoto organofosforado (crise colinérgica), bradicardia sintomática (M2 bloqueio), antiespasmódico GI, midríase cirúrgica.

    Ipratropio (Brometo): Antagonista muscarínico M3 SELETIVO (tópico inalado) → broncodilatação SEM taquicardia sistêmica (ação local). Indicação: DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), asma (combinado com β2-agonista = sinergia). Mecanismo: M3 bloqueio em músculo liso brônquico reduz contração. Vantagem vs β2-agonista = sem tolerância, sem tremor, seguro cardiovascular.

    Oxibutinina: Antagonista muscarínico M3 seletivo → relaxamento bexiga → anticholinergic. Indicação: incontinência urinária, bexiga hiperativa, espasticidade em lesão medular. Efeitos colaterais: boca seca, constipação, midríase.

    Síndrome Anticolinérgica (Intoxicação por Bloqueadores Muscarínicos): "Dry as a bone, red as a beet, mad as a hatter, heart runs like a batter" = boca seca + rubor facial + alucinações/agitação + taquicardia + febre. Causas: atropina overdose, antihistamínicos, antidepressivos tricíclicos, difenhidramina (H1), proclorperazina. Tratamento: Fisostigmina (colinesterase agonista que cruza BBB) IV = anticrime colinérgica.

    Integração Farmacológica Parassimpática

    Miastenia Gravis (MG): Autoimunidade contra nAChR (Nicotinic Acetylcholine Receptors) na junção neuromuscular → bloqueio anticorpo IgG → abs (anticorpos) bloqueiam ACh ligação → deficiência juncional. Manifestações = ptose, diplopia, fraqueza muscular (piora com exercício). Tratamento: (1) Neostigmina (↑ ACh sinapses), (2) Corticoides (suprimir autoimunidade), (3) Plasmaférese (remover anticorpos), (4) Timectomia (remover timo = origem autoimunidade), (5) Bloqueadores β (propranolol = efeito sinergético com neostigmina).

    Glaucoma: Aumento pressão intraocular (PIO) → dano óptico → cegueira. Tratamento: (1) Parasimpatomiméticos = Pilocarpina (miose abre ângulo iridocorneal → drena fluido aquoso → reduz PIO), (2) Prostaglandinas (latanoprosta = ↑ drenagem uveal), (3) β-bloqueadores (timolol = ↓ produção fluido aquoso), (4) Inibidores anidrase carbônica (acetazolamida = ↓ aqueous humor).

    DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica)/Asma: Broncoconstricção (músculo liso brônquico ↑ contração) → obstrução via aérea → hipoxia. Tratamento: (1) β2-agonista (salbutamol = broncodilatação rápida, albuterol curta duração), (2) Antagonista muscarínico inalado (ipratropio = broncodilatação sem taquicardia), (3) Combinação = sinergia máxima (β2 via cAMP, M3 bloqueio via Ca²⁺).

    Slides e Flashcards - Farmacodinâmica SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Parassimpático

    Slide 1

    Farmacodinâmica Básica

    Slide 2

    Receptores Moleculares

    Slide 3

    Agonista vs Antagonista

    Slide 4

    Curva Dose-Resposta

    Slide 5

    Tolerância Dessensibilização

    Slide 6

    SNA Parassimpático

    Slide 7

    Acetilcolina Receptores

    Slide 8

    M1 M2 M3 Receptores

    Slide 9

    Nicotínico Receptores

    Slide 10

    Betanecol Pilocarpina

    Flashcards - Farmacodinâmica SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Parassimpático

    Qual é a diferença entre afinidade e eficácia?
    Afinidade = probabilidade fármaco ligar receptor (Kd = concentração 50% ligação). Eficácia = capacidade ativar receptor (agonista 100%, agonista parcial < 100%, antagonista 0%)
    Qual é a diferença entre antagonismo competitivo e não-competitivo?
    Competitivo = reversível (outro ligando desloca). Não-competitivo = irreversível (ligação covalente). Exemplo: atenolol competitivo vs fenoxibenzamina não-competitivo em α1
    O que causa tolerância a fármacos?
    Down-regulation (↓ receptores), desensibilização (receptor ativo mas não acopla sinal), metabolismo alterado (indução CYP)
    Qual é o efeito de M2 bloqueio (Atropina em coração)?
    M2 Gi coupling → ↓ cAMP → bradicardia normal. Bloqueio M2 = ↑ FC (taquicardia), ↑ AV condução. Paradoxo = dose baixa bradicardia (M2 autofeedback), dose alta taquicardia
    Qual é o efeito de M3 bloqueio (Atropina em mucosa)?
    M3 Gq coupling → ↑ Ca²⁺ → secreção/contração. Bloqueio = antimuscarínico: boca seca, midríase, retenção urinária, obstipação
    Qual é a diferença entre receptores nicotínicos neuronal (NN) e neuromuscular (NM)?
    NN = sinápses autonômicas (pré/pós-ganglionar). NM = junção neuromuscular esquelética. Bloqueadores: succinilcolina (despolarizante), rocúrio (competitivo não-despolarizante)
    Como Neostigmina funciona diferente de parasimpatomiméticos diretos (betanecol, pilocarpina)?
    Neostigmina = inibidor acetilcolinesterase (indireto) → ↑ ACh nas sinapses. Diretos = agonista muscarínico. Neostigmina útil miastenia gravis (restaura ACh depletado por abs anti-NMJ)
    Qual é o acrônimo SLUDGE de crise colinérgica?
    Salivação, Lacrimejamento, Urinação, Defecação, GI motilidade ↑, Emese (+ miose, bradicardia, broncoconstricção, paralisia). Causado por excesso ACh (organofosforado, neostigmina overdose)
    Qual é o tratamento de miastenia gravis?
    Neostigmina (↑ ACh), Corticoides (suprimir autoimunidade), Plasmaférese (remover abs anti-NMJ), Timectomia (remover timo), β-bloqueadores (sinergético com neostigmina)
    Qual é o mecanismo de ação de pilocarpina em glaucoma?
    Agonista M3 muscarínico → miose (constrição pupila) → abre ângulo iridocorneal → ↑ drenagem fluido aquoso → ↓ PIO (pressão intraocular)

    Quiz - Farmacodinâmica SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Parassimpático

    Questões Dissertativas - Farmacodinâmica SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Parassimpático

    E1: Descreva farmacodinâmica: afinidade, eficácia, agonista completo, agonista parcial, antagonista. Dê exemplos clínicos.

    Resposta: Farmacodinâmica = mecanismo de ação molecular. Afinidade (Kd = probabilidade ligar receptor, ↓ Kd = ↑ afinidade) vs Eficácia (capacidade ativar receptor, 0-100%). Agonista completo = afinidade boa + eficácia 100% (epinefrina β1 = inotrópico máximo). Agonista parcial = afinidade boa + eficácia 30-80% (aripiprazol D2 = terapêutico esquizofrenia, evita supressão dopamina extrema). Antagonista = afinidade boa + eficácia 0% (atropina M2/M3 = bloqueia sem ativar). Modulador alostérico = liga sítio DIFERENTE, muda afinidade/eficácia agonista (benzodiazepina amplifica GABA).

    E2: Envenenamento por organofosforado: patofisiologia, manifestações SLUDGE, tratamento (Atropina, Pralidoxima).

    Resposta: Organofosforado (inseticida agrícola) = fosforilação irreversível de serina ativa de acetilcolinesterase → enzima inativa → ACh não é degradado → acúmulo maciço nas sinapses (muscarínico + nicotínico). Manifestações SLUDGE = Salivação (M3 glândulas), Lacrimejamento (M3 glândulas lacrimais), Urinação (M3 bexiga), Defecação (M3 GI), GI motilidade ↑ (M3 músculo liso), Emese (CTZ, vagal). MAIS = miose (M3 pupila), bradicardia (M2 coração), broncoconstricção (M3 brônquios), paralisia muscular (nicotínico NM = despolarização contínua). Letal se ↑ CA massivo → parada respiratória. Tratamento: (1) Atropina IV 2-5 mg/10 min (antagonista M2/M3 = cardioaceleração, broncodilatação, dessecagem secretões), (2) Pralidoxima (2-PAM) IV (reaktiva colinesterase se tempo < 24h de exposição), (3) Benzodiazepinas (convulsões), (4) Suporte respiratório (intubação se necessário), (5) Atendimento toxicologia.

    E3: Miastenia Gravis vs Síndrome de Lambert-Eaton: diferenças fisiopatológicas e tratamento farmacológico.

    Resposta: MG = autoimunidade contra nAChR (nicotinic acetylcholine receptors) pós-sinápticos → bloqueio anticorpo anti-NMJ → deficiência ACh juncional. SLE = autoimunidade contra canais Ca²⁺ pré-sinápticos → bloqueio liberação vesículas ACh. MG = ptose, diplopia, fraqueza PIORA com exercício repetitivo (receptores já bloqueados). LEMS = fraqueza MELHORA com exercício repetitivo (Ca²⁺ acumula → mais liberação ACh). Tratamento MG: Neostigmina (↑ ACh sinapses), corticoides/plasmaférese (supressor autoimunidade), timectomia. Tratamento LEMS: 3,4-diaminopyridine (bloqueia K⁺ pré-sináptico → mais despolarização → mais Ca²⁺ → mais ACh liberado), corticoides/plasmaférese.

    E4: DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica)/Asma: mecanismo broncoconstricção, tratamento com β2-agonista + antagonista muscarínico (sinergia farmacológica).

    Resposta: Broncoconstricção em DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) = (1) Perda β2-adrenérgico endógeno (autorreceptor bloqueado em doença crônica), (2) Aumento tônus colinérgico (M3 ativado). Músculo liso brônquico contração via: Ca²⁺ (M3 → IP3 → Ca²⁺ liberação SR) + Rho-kinase (hipersensibilidade). Tratamento duplo = sinergia: (1) β2-agonista (salbutamol/formoterol) liga β2 → Gs → ↑ cAMP → PKA ativa → MLCK fosforilação inativa → relaxamento (via cAMP). (2) Antagonista muscarínico inalado (ipratropio) bloqueia M3 → ↓ IP3 → ↓ Ca²⁺ liberação → relaxamento (via Ca²⁺). Dois mecanismos DIFERENTES = máxima broncodilatação. Corticosteroide inalado (beclometasone) reduz inflamação + resgata β2-receptores dessensibilizados. NUNCA β2-agonista monoterapia crônica (dessensibilização por down-regulation + risco morte asmática paradoxo). Formulação: Qvar (ICS) + Formoterol (LABA) + Ipratropio combo = terapia tripla.

    E5: Glaucoma: mecanismo aumento PIO, tratamento com pilocarpina e outros agentes.

    Resposta: Glaucoma = aumento pressão intraocular (PIO) → dano óptico progressivo → visão periférica perda → cegueira se não tratado. Anatomia: Fluido aquoso produzido pelo corpo ciliar → anterior câmara → drena ângulo iridocorneal (Schlemm canal) e via uveal (10%). Aumento PIO = (1) ↑ produção fluido aquoso, (2) ↓ drenagem ângulo. Tratamento pilocarpina = agonista muscarínico M3 seletivo → contração ciliar + miose → abre ângulo iridocorneal → ↑ drenagem fluido aquoso → ↓ PIO. Mecanismo = M3 Gq → Ca²⁺ → contração músculo ciliar (tração na trabécula). Outros agentes: (1) Prostaglandinas (latanoprosta tópica) = ↑ drenagem uveal, (2) β-bloqueadores (timolol) = ↓ produção aquoso (diminui cAMP em ciliar), (3) Inibidores anidrase carbônica (acetazolamida) = ↓ produtor aquoso (diminui HCO3 secreção), (4) Agonista α2 (brimonidina) = ↓ produção + ↑ drenagem. Tratamento moderno = prostaglandinas 1ª linha (eficácia > pilocarpina antiga), β-bloqueador 2ª, combinação se inadequado. Pilocarpina raramente usada agora (incômodo local, fotofobia, miopia induzida, tolerância).

    Questões de Múltipla Escolha - Farmacodinâmica + SNA Parassimpático

    Q1. O receptor é como uma:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Receptor = proteína especial no corpo que "pega" no remédio. Quando encaixa = envia sinal = efeito acontece. Cada receptor é uma fechadura específica para uma chave específica.

    Q2. Agonista é uma droga que:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Agonista = chave que abre a porta completamente = eficácia máxima (100%). Exemplo: adrenalina no coração = faz bater FORTE = efeito 100%.

    Q3. Antagonista é uma droga que:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Antagonista = chave que trava a porta = 0% efeito próprio, bloqueia a chave real. Exemplo: atropina = bloqueia acetilcolina (parassimpático) = sem efeito parassimpático.

    Q4. Agonista parcial abre a fechadura:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Agonista parcial = chave que abre SÓ METADE, mesmo forçando. Eficácia máxima = 50-80% apenas. Melhor que antagonista (algo) mas pior que agonista pleno (limitado).

    Q5. Potência é diferente de eficácia porque:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Potência = quanto remédio precisa (1mg vs 10mg vs 100mg?). Eficácia = quanto EFEITO consegue NO MÁXIMO (100% ou só 50%?). Droga pode ser potente (pouquíssima dose) mas baixa eficácia (máximo 50%).

    Q6. Curva dose-resposta mostra que:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Curva dose-resposta = sigmoide. Começa zero, sobe (dose aumenta efeito), depois PLANALTO (teto, não sobe mais). Teto = eficácia máxima daquela droga.

    Q7. Acetilcolina (ACh) é o neurotransmissor:

    ✅ Resposta: B.
    💡 ACh = molécula especial parassimpático. Quando liberada = "rest & digest" = coração LENTO (bradicardia), pupilas PEQUENAS (miose), saliva MUITA, brônquios FECHAM (broncoconstricção).

    Q8. Receptores muscarínicos (M1-M5) respondem a:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Muscarínico = tipo de receptor parassimpático que ACh ativa. Tem 5 tipos (M1, M2 no coração, M3 em boca/pulmão, M4, M5) com efeitos diferentes. M2 no coração = bradicardia.

    Q9. Receptores nicotínicos ativam:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Nicotínico = outro tipo receptor parassimpático. Tem 2 tipos: NN (neuronal) nas sinápses e NM (neuromuscular) músculos. Quando ACh ativa = despolarização rápida = transmissão urgente.

    Q10. Atropina bloqueia receptores muscarínicos causando:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Atropina = antagonista muscarínico. Bloqueia parassimpático = coração RÁPIDO (perde freio), pupilas GRANDES (perde constrição), boca SECA (perde saliva), não consegue urinar (perde bexiga). Mnemônico: "seco como osso, vermelho como beterraba, louco como chapeleiro".

    Q11. Pilocarpina em glaucoma funciona porque:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Pilocarpina = agonista muscarínico M3 em colírio. Ativa = abre câmara anterior = drena líquido = glaucoma melhora. Efeito colateral: pupilas muito pequenas (miose) = visão embaçada. Hoje raramente usada (prostaglandinas são melhores).

    Q12. Neostigmina é diferente de agonistas diretos porque:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Neostigmina = anticolinesterásico (indireto). Não ativa receptor, mas PREVINE degradação = ACh fica na sinapse mais tempo = efeito amplificado. Uso: miastenia gravis (restaura ACh depleto). Útil quando próprio ACh endógeno é o problema.

    Q13. Intoxicação por organofosforado causa morte por:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Organofosforado (inseticida) TRANCA colinesterase = não destrói ACh = CRISE COLINÉRGICA = SLUDGE (Salivação, Lacrimejamento, Urinação, Defecação, GI motilidade ↑, Emese) + miose, bradicardia, paralisia = MORTE. Tratamento emergencial: Atropina IV + Pralidoxima (reativa enzima).

    Q14. O parassimpático no coração causa:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Parassimpático = "repouso". No coração = BRADICARDIA (coração LENTO). Via receptores M2 = bloqueado por atropina = taquicardia surge. Oposição ao simpático: Simpático = bate RÁPIDO (perigo), Parassimpático = bate LENTO (repouso).

    Q15. O parassimpático nas pupilas causa:

    ✅ Resposta: B.
    💡 Parassimpático = pupilas PEQUENAS (miose) = conserva luz no olho = repouso. Simpático = pupilas GRANDES (midríase) = deixa passar mais luz = preparação para ação. Atropina bloqueia M3 = midríase = pupilas dilatadas (anti-parassimpático).

    💗 AULA 11 — 13/03 — Embolia, Choque e Reparo Tecidual

    EMBOLIA

    Imagina um cano entupido (como um ralo de pia):
    • Êmbolo = uma "rolha" que viaja pelo cano (coágulo, gordura, ar, bactéria)
    • Quando chega num lugar estreito → fica PRESO → entope tudo
    • Resultado: sem sangue passando (isquemia) → células morrem (infarto)
    Tipos de "rolha" (êmbolo):
    Trombótico (90%) = coágulo (sangue congelado)
    Gorduroso = gordura da medula (depois de fratura óssea)
    Gasoso = bolha de ar (mergulho, cirurgia)
    Tumoral = pedaço de tumor
    Bactéria / Amniótico = menos comum

    Embolia Pulmonar (TEP)

    O QUÊ é TEP (Tromboembolismo Pulmonar)? Um coágulo (ou gordura, ou ar) VIAJA até o pulmão → entope artéria do pulmão → coração não consegue bombear → EMERGÊNCIA!

    TEP (Tromboembolismo Pulmonar) é tipo uma mangueira do jardim que você liga e aparece uma rolha dentro → água não sai → mangueira fica com pressão → pode estourar! Com pulmão = ar não sai → coração fica com pressão → pode falhar!

    ONDE VINHA ESSE COÁGULO? 90% das vezes: perna (TVP) → viaja pela veia → chega no pulmão e TRAVA!

    O QUE ACONTECE NO PULMÃO?
    Coágulo bloqueia artéria pulmonar → Pulmão não consegue CAPTURAR oxigênio → Sangue fica AZUL (hipóxia) → Coração bomba mais forte → Pulmão fica com PRESSÃO ALTA → Coração cansa

    SINTOMAS QUE APARECEM RÁPIDO:
    FALTA DE AR (dispneia)
    DOR NO PEITO
    DESMAIO (se TEP (Tromboembolismo Pulmonar) gigante)
    Coração BATE RÁPIDO (taquicardia)
    Respira RÁPIDO (taquipneia)
    Oxigênio BAIXO no sangue (hipóxia)

    EKG (no monitor do coração): Normalmente é CHATO (sem padrão típico), MAS se maciço = pode mostrar "S1Q3T3" ou onda T de cabeça para baixo no pulmão

    RX peito: Geralmente NORMAL ou mostra atelectasia (pulmão desabado) ou derrame (líquido no pulmão)

    Diagnóstico: D-dímero (VPN alta em Wells baixo), TC angiografia pulmonar (goldstandard = trombo em vaso), ecocardiografia (disfunção RV prediz risco morte).

    Tratamento: Heparina IV (anticoagulação aguda), Warfarina/NOAC (crônico 3 meses a vitalício), trombolíticos (alteplase IV) se TEP (Tromboembolismo Pulmonar) maciço/choque, trombectomia mecânica se contraindicação trombolítico, filtro IVC (se contraindicação anticoagulação).

    Prognóstico: Pequeno < 5%, Maciço > 30%, Submassive 10-15%.

    CHOQUE

    O que é choque?
    Imagina um carro que deixa de funcionar porque:
    • Tanque de gasolina VAZIO (não tem combustível)
    • Ou o MOTOR quebrou (não consegue bombear)
    • Ou as VIAS estão ENTUPIDAS (não chega gasolina)
    Resultado = CARRO PARADO + CÉLULA SEM OXIGÊNIO = MORRE
    4 TIPOS DE CHOQUE (4 caminhos pro mesmo problema):
    1) HIPOVOLÊMICO = Tanque VAZIO (sangramento, desidratação)
    2) CARDIOGÊNICO = MOTOR quebrado (infarto, insuf. cardíaca)
    3) DISTRIBUTIVO = Vasos ABREM demais (sepse/infecção)
    4) OBSTRUTIVO = Bloqueio mecânico (coágulo, água no saco do coração)
    A "CASCATA" = como o choque PIORA sozinho:
    1. Não chega sangue → célula sem O2
    2. Célula passa pro "modo economia" (anaeróbico) → ácido láctico acumula
    3. Sem energia → bomba de sódio falhaágua e cálcio entram na célula
    4. Célula INCHA e MORRE
    5. Morte celular → inflamação massiva → mais células morrem
    6. SÍNDROME INFLAMATÓRIA SISTÊMICA → Sepse → MÚLTIPLA disfunção de órgãos → MORTE
    SINAIS DE ALERTA (Monitorar):
    Urina = se for pouca = alerta!
    Lactato sangue = se estiver alto = célula sofrendo
    Sonda no coração = vê o O2 que chega
    Ultrassom coração = vê se coração funciona bem
    Qual é o mecanismo de hipóxia em TEP?
    Ventilação/perfusão mismatch = área pulmão ventilada mas não perfundida (shunt) → ↓ O2 arterial
    Qual é a diferença entre 4 tipos choque?
    Hipovolêmico = volume ↓. Cardiogênico = bomba falha. Distributivo/séptico = RVP (Resistência Vascular Periférica) ↓ vasodilatação. Obstrutivo = fluxo bloqueado mecanicamente
    Qual vasopressor é 1ª linha em sepse?
    Norepinefrina (α > β1) = vasoconstrição + inotropia leve, 1ª linha sepse (MAP ≥ 65)
    Qual é a cascata universal de choque?
    Insulto → hipoperfusão → isquemia → metabolismo anaeróbico → acidose lática → ATP (Adenosina Trifosfato) ↓ → apoptose/necrose → SIRS → MODS → morte
    Qual é o fator de crescimento mais importante em remodelação pós-MI?
    ACEI bloqueia AngII → ↓ TGF-β → reduz colágeno deposição e remodelação adversa → previne IC (Insuficiência Cardíaca)
    Qual é a diferença entre regeneração e fibrosis?
    Regeneração = restauração tecido original (fígado, pele). Fibrosis = cicatriz permanente (MI, pulmão crônico). Determinante = tipo célula + volume lesão
    Qual é o papel de MMP em remodelação?
    Metalloproteinases degradam colágeno tipo III (fraco) → tipo I (forte), restabelecem arquitetura, normalizam vasos
    Qual mecanismo de hipotensão em choque distributivo?
    Citocinas (TNF, IL-6) → óxido nítrico ↑ → vasodilatação extrema + permeabilidade capilar ↑ → hipotensão refratária
    Qual é o tempo para colágeno atingir resistência máxima pós-lesão?
    Fase 3 remodelação (21 dias a 2 anos) = colágeno tipo III → tipo I, resistência máxima, estabilidade estrutural

    Quiz - Embolia, Choque, Reparo

    Q1: Um paciente sofreu fratura exposta de fêmur. Após 6 horas, apresenta dispneia súbita, taquicardia e baixa saturação. Exame revela crepitações pulmonares e insuficiência respiratória.

    Qual diagnóstico melhor explica os achados?

    a) Embolia gordurosa por liberação de medula óssea
    b) Edema pulmonar cardiogênico
    c) Pneumonia por aspiração
    d) Coágulo venoso profundo bilateral

    Q2: Mergulhador profissional ressurge muito rápido de uma imersão de 20m. Minutos depois apresenta confusão mental, tremores, dores articulares difusas e dificuldade respiratória.

    Qual é o mecanismo fisiopatológico?

    a) Embolia gasosa por redução rápida da pressão
    b) Intoxicação por oxigênio
    c) Hipotermia aguda
    d) Edema pulmonar por pressão

    Q3: Gestante de 36 semanas em trabalho de parto complicado por descolamento de placenta. Durante procedimento, apresenta colapso súbito, CID com sangramento massivo, insuficiência respiratória e choque refratário.

    Qual complicação embólica está ocorrendo?

    a) Embolia de líquido amniótico
    b) Embolia gasosa cirúrgica
    c) Embolia gordurosa
    d) Tromboembolia pulmonar

    Q4: Paciente com varizes e imobilidade por fratura de tíbia há 2 semanas. Apresenta edema doloroso unilateral de membro e D-dímero elevado.

    Qual é o risco imediato mais importante?

    a) Síndrome pós-trombótica crônica
    b) Tromboembolia pulmonar por desprendimento do coágulo
    c) Infecção secundária
    d) Fibrose venosa irreversível

    Q5: Homem de 65 anos com enfarte anterior há 5 dias. Apresenta hipotensão, taquicardia, extremidades frias e úmidas, oligúria e confusão mental.

    Qual tipo de choque está ocorrendo?

    a) Choque hipovolêmico por hemorragia
    b) Choque cardiogênico por falha de bomba miocárdica
    c) Choque distributivo/séptico
    d) Choque anafilático

    Q6: Paciente em pós-operatório de cirurgia abdominal. Horas depois apresenta febre, confusão, PA caindo, frequência cardíaca 120, extremidades quentes e avermelhadas.

    Qual é o mecanismo fisiopatológico deste choque?

    a) Vasoconstrição periférica e insuficiência cardíaca
    b) Vasodilatação massiva por citocinas inflamatórias (choque distributivo/séptico)
    c) Perda de volume por hemorragia oculta
    d) Bloqueio mecânico da aorta abdominal

    Q7: Mulher com anafilaxia por picada de vespa. Apresenta urticária, edema angioneurótico, broncospasmo, hipotensão, confusão mental e parada cardiorrespiratória iminente.

    Qual mecanismo causa este choque?

    a) Choque hipovolêmico por perda de sangue
    b) Choque anafilático por liberação de histamina e mediadores vasoativos
    c) Choque cardiogênico por miocardite
    d) Choque distributivo séptico

    Q8: Paciente vítima de acidente automóvel com sangramento profuso por trauma abdominal. PA 70/40, frequência cardíaca 140, extremidades muito frias, respiração rápida, confusão.

    Qual tipo de choque e qual é o mecanismo?

    a) Choque hipovolêmico por sangramento com diminuição de volume circulante
    b) Choque cardiogênico por contusão miocárdica
    c) Choque distributivo por inflamação
    d) Choque anafilático por alergeno ambiental

    Q9: Após TEP maciço, paciente evolui com falha ventricular direita aguda, pressão venosa central elevada, extremidades azuladas, hepatomegalia e oligúria.

    Qual complicação está ocorrendo?

    a) Edema pulmonar cardiogênico por congestão
    b) Choque cardiogênico por insuficiência ventricular direita aguda
    c) Síndrome de angústia respiratória aguda
    d) Necrose tubular aguda renal

    Q10: Paciente em fase de inflamação (primeiras 24h) após grande queimadura. Apresenta edema tecidual massivo apesar de reposição agressiva de fluidos.

    Qual é o fenômeno fisiopatológico responsável?

    a) Aumento de permeabilidade capilar por mediadores inflamatórios com extravasamento de fluido
    b) Insuficiência renal aguda
    c) Linfedema por destruição de vasos linfáticos
    d) Hipoproteinemia por desnutrição

    Q11: Ferida cirúrgica em pele fechada por primeira intenção há 7 dias. Sutura removida e ferida está cicatrizada. Histologia mostra colágeno tipo III sendo depositado.

    Em qual fase do reparo tecidual estamos?

    a) Inflamação (0-3 dias)
    b) Proliferação/angiogênese (3-21 dias) com colágeno tipo III fraco
    c) Remodelamento (21 dias - 2 anos) com colágeno tipo I forte
    d) Fibrose cicatricial irreversível

    Q12: Paciente com laceração traumática da pele que cicatrizou espontaneamente sem sutura. Exame mostra contração das margens, tecido de granulação e epitelização lateral.

    Qual mecanismo de cicatrização ocorreu?

    a) Cicatrização por primeira intenção (fechamento simples)
    b) Cicatrização por segunda intenção (contração + reepitelização)
    c) Regeneração completa sem cicatriz
    d) Fibrose patológica irreversível

    Q13: Mulher de 25 anos desenvolveu cicatriz queloide após piercing. Cicatriz cresce ALÉM das margens da ferida original, é vermelha, enrugada e causa prurido e dor.

    Qual é a diferença entre queloide e cicatriz hipertrófica?

    a) Nenhuma diferença, são sinônimos
    b) Queloide cresce além das margens; cicatriz hipertrófica fica dentro dos limites
    c) Queloide responde bem a cirurgia; hipertrófica não melhora
    d) Queloide aparece imediatamente; hipertrófica leva meses

    Q14: Homem com infarte miocárdico extenso. Semanas depois, cicatriz miocárdica se forma. Exame mostra dilatação ventricular progressiva com adelgaçamento da parede.

    Qual é o mecanismo de remodelamento adverso após infarte?

    a) Regeneração de miócitos viáveis
    b) Fibrose colágena substitui miocárdio morto, reduz complacência, dilata ventrículo, causa insuficiência cardíaca
    c) Hipertrofia miocárdica funcional
    d) Resolução espontânea da necrose sem consequências

    Q15: Cirrose hepática avançada com necrose hepatocelular massiva. Espera-se regeneração, mas há fibrose excessiva com depósito anormal de colágeno, levando a hipertensão portal progressiva.

    Por que regeneração não ocorre e fibrose avança em cirrose?

    a) Fígado não consegue se regenerar após lesão
    b) Citocinas inflamatórias perpetuam ativação de miofibroblastos, colágeno excessivo substitui hepatócitos, fibrose supera regeneração
    c) Apenas desnutrição impede regeneração
    d) Fibrose é reversível com repouso hepático
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    🔵 AULA 12 — 17/03 — SNA Simpático

    Receptores Adrenérgicos

    Pensa nos receptores como FECHADURAS diferentes no corpo. A adrenalina é uma CHAVE MESTRA que abre TODAS. Mas existem remédios que são chaves específicas — abrem SÓ uma fechadura.

    α1 = vasos sanguíneos APERTAM (vasoconstrição) → PA (Pressão Arterial) sobe. Pupila GRANDE (midríase)
    α2 = "freio" do sistema → menos adrenalina liberada → RELAXA
    β1 = coração ACELERA e BOMBEIA mais forte
    β2 = brônquios ABREM (broncodilatação) + vasos RELAXAM
    β3 = gordura QUEIMA (lipólise)

    LEMBRA DE NOVO: α = vasos, β1 = coração, β2 = pulmão. Se lembra de ABC: Alfa = Aperta vasos, Beta1 = Bate coração, Beta2 = 2 pulmões abrem!

    BLOQUEADORES (remédios que FECHAM as fechaduras):
    Prazosina, Doxazosina: Bloqueia α1 = vasos ABREM (hipertensão baixa)
    Clonidina: Ativa α2 = RELAXA sistema (hipertensão, sedação)
    Metoprolol, Bisoprolol, Atenolol: Bloqueia β1 = coração LENTO (pressão alta, proteção pós-infarto)
    Propranolol: Bloqueia TUDO (α + β) = coração lento + vasos abrem
    Salbutamol: ATIVA β2 = pulmão ABRE (asma, DPOC)

    Simpatomiméticos (Agonistas Adrenérgicos)

    O QUÊ é Simpatomiméticos? Remédios que ATIVAM o sistema simpático = ACELERADOR do corpo!

    ADRENALINA (Epinefrina): A MÃEZINHA do corpo
    Ativa: α + β1 + β2 (TUDO JUNTO!) = vasos apertam + coração BATE + pulmão abre + açúcar SOBE
    Quando usa: ANAFILAXIA (alergia grave), choque, asma
    Rapidão: Funciona em segundos! Duração curta (minutos)

    NORADRENALINA (Norepinefrina): A chefe da pressão arterial
    Ativa: α > β1 = vasos MUITO aperta + coração bate pouco
    Quando usa: CHOQUE SÉPTICO (1ª linha!), pressão muito baixa
    Infusão IV central: Precisa de cateter no peito, muito potente

    DOPAMINA: A versátil
    Ativa: POUCA dose (< 5) = rim funciona melhor, MÉDIA dose (5-10) = coração bate, MUITA dose (> 10) = vasos apertam
    Quando usa: Choque leve (tipo sangramento pequeno)
    Lembra assim: Aumenta a dose = vai mudando de efeito!

    DOBUTAMINA: O inotropa
    Ativa: β1 muito + β2 pouco = coração BOMBEIA FORTE + vasos ABREM
    Quando usa: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA, coração fraco
    Cuidado: Coração fica rápido (taquicardia), não dá pressão sozinha (tem que usar com vasopressor)

    FENILEFRINA: O puro vasoconstritor
    Ativa: α1 PURO = vasos APERTAM MAS coração não bate
    Quando usa: Pressão muito baixa, quer aumentar pressão sem acelerar coração
    Problema: Vasos apertam demais, dedos ficam azuis!

    SALBUTAMOL (Albuterol): O broncodilatador
    Ativa: β2 puro = pulmão ABRE
    Quando usa: ASMA, DPOC, falta de ar
    Inalado: Funciona em 5 minutos, bem-vindo em asma aguda!

    Simpaticolíticos (Antagonistas Adrenérgicos)

    β-Bloqueadores:

    β1-SELECTIVOS (Metoprolol, Bisoprolol, Atenolol, Acebutolol):
    BLOQUEIAM coração SÓ = coração LENTO, FRACO MAS pulmão OK!
    Quando usa: Hipertensão, Protege coração pós-infarto (reduz morte 20%!), Angina, Arritmias
    Vantagem: Asma OK (porque β2 pulmão ainda funciona)
    Contra-indicação: Coração MUY lento, Bloqueio AV (elétrica ruim)

    NÃO-SELETIVOS (Propranolol, Nadolol, Timolol):
    BLOQUEIAM TUDO (α + β1 + β2) = coração LENTO + pulmão FECHA (broncoconstricção!) + Vasos APERTAM
    PROBLEMA: CONTRAINDICADO ASMA! (pode ser FATAL)
    Quando usa: Coração, hipertensão (rare agora pois tem melhores opções)

    EFEITOS COLATERAIS de β-bloqueadores:
    Coração LENTO (bradicardia)
    CANSAÇO (fadiga, sonolência)
    NÃO CONSEGUE DORMIR (insônia) = propranolol entra cérebro
    PRESSÃO CAI (hipotensão)
    SÍNDROME REBOTE: Se parar remédio de repente = coração DISPARA (taquicardia), arritmias, infarto! NUNCA PARAR DE REPENTE! Tem que ir diminuindo lentamente

    α-Bloqueadores:

    Prazosina (Antagonista α1 seletivo): Usa: hipertensão, BPH (inibe contração próstata/bexiga = relaxamento → melhora fluxo urinário). Efeito: vasodilatação, hipotensão ortostática (síncope ao levantar), reflexo taquicardia (barorreflexo). Início de ação: síncope de primeiro-dose (evita = dose noturna baixa progressiva).

    Doxazosina, terazosina: Similar prazosina, T½ mais longa (dose QD vs BD).

    Tamsulosina: α1A seletivo (próstata) vs α1B (vaso). Efeito: BPH sem hipotensão sistêmica (seletividade tecidual).

    Fenoxibenzamina: Antagonista α não-seletivo e não-competitivo (ligação covalente = irreversível). Uso: feocromocitoma (catecol liberação massiça antes cirurgia, causa hipertensão + arritmia → bloqueia com fenoxibenzamina ANTES β-bloqueador para evitar hipertensão paradoxal). Efeito: vasodilatação, taquicardia reflexa.

    Fentilamina: Antagonista α competitivo (mais seguro que fenoxibenzamina, reversível).

    Integração Clínica - Hipertensão, Asma, Choque

    Hipertensão Essencial: β-bloqueador (↓ FC (Frequência Cardíaca)/contractility) + ACE-I (vasodilatação) + diurético (volume ↓) + α-bloqueador (vasodilatação) = terapia escalonada.

    Asma Aguda (Status Asmaticus): β2-agonista (salbutamol inalado) + antimuscarínico (ipratropio) + corticosteroide (metilprednisolona IV) + teofilina (broncodilatação). NÃO usar β-bloqueadores não-seletivos (broncoconstricção fatal).

    Anafilaxy: Epinefrina IM 0.3-0.5 mg (1:1000) imediato = prioridade 1. Mecanismo = α (vasoconstrição, edema ↓) + β2 (broncodilatação, mediador liberação ↓). Depois = H1 bloqueador (difenhidramina), corticoides, vasopressor se necessário.

    Feocromocitoma (Tumor Produtor Catecol): Libera norepinefrina/epinefrina massivamente → crises hipertensivas (PA 200/120), taquicardia, sudorese, ansiedade. Diagnóstico = plasma metanefrina ↑, urina metanefrina 24h ↑. Tratamento pré-cirurgia = (1) Fenoxibenzamina 10-80 mg PO QD-BID (bloqueia α antes cirurgia), (2) DEPOIS de α bloqueio controlado, β-bloqueador (propranolol 10-40 mg QID) para evitar taquicardia reflexa. Ordem = SEMPRE α bloqueio 1ª (se β-bloqueador sozinho = vasoconstrição extrema paradoxal = crise hipertensiva). Cirurgia com cuidado (catecol liberação massiva durante manipulação tumor).p>

    Flashcards - SNA (Sistema Nervoso Autônomo) Simpático

    Qual é a diferença entre agonista direto e indireto?
    Direto = liga receptor (epinefrina, norepinefrina, dopamina). Indireto = libera neurotransmissor endógeno (anfetamina, efedrina, cocaína)
    Qual é o mecanismo de fenoxibenzamina vs prazosina?
    Fenoxibenzamina = α não-seletivo, não-competitivo (ligação covalente = irreversível, onset lento). Prazosina = α1 seletivo, competitivo (reversível = onset rápido). Feocromocitoma = fenoxibenzamina
    Por que β-bloqueador contraindicado asma?
    β2 bloqueio em músculo liso brônquico → broncoconstricção severa → asma fatal. Cardioselectivos β1 (metoprolol) menos problemático mas ainda risco. Evitar TODOS β-bloqueadores em asma
    Qual é o efeito de síncope de primeiro-dose em prazosina?
    Vasodilatação α1 bloqueio intensa + hipotensão ortostática → síncope ao levantar da cama/sentar. Prevenção = dose noturna baixa progressiva (2.5 mg titrado)
    Como tratar feocromocitoma pré-cirurgia?
    SEMPRE α-bloqueio 1ª (fenoxibenzamina 10-80 mg QD-BID) para controlar hipertensão crise, DEPOIS β-bloqueador (propranolol) para taquicardia reflexa. Ordem inversa = hipertensão paradoxal severa
    Qual é o papel de dopamina dose-dependente?
    D1 (< 5 mcg/kg/min) = renal/mesentérico vasodilatação (renalprotetivo). β1 (5-10) = inotropia. α (> 10) = vasoconstrição. Choque hipovolêmico = dose média (β1 + D1 combo)
    Qual é a diferença entre salbutamol inalado vs PO?
    Inalado = onset 5-15 min, duração 4-6h, local (pulmão) → menos efeito sistêmico. PO = onset 30min, duração 4-8h, sistêmico → taquicardia mais frequente
    Qual é o síndrome rebote β-bloqueador?
    Descontinuação abrupta = up-regulation receptores β (compensação crônica bloqueio) → taquicardia intensa, arritmias, reinfarto possível. Prevenção = taper gradual (semanas), não parar abrupt
    Qual é mecanismo de epinefrina em anafilaxy?
    α = vasoconstrição → reduz edema sistêmico + hipotensão, β2 = broncodilatação (reversa broncoconstricção) + inibe mediador liberação (degranulação mastócito). Rápido = IM 0.3-0.5 mg 1:1000 STAT

    Quiz - SNA Simpático (Sistema de Luta ou Fuga) — 15 questões super simples

    Q1: João estava dormindo tranquilamente quando ouve um barulho estranho. Seu coração dispara, as mãos tremem, a boca fica seca. Qual sistema nervoso foi ativado?

    Qual sistema nervoso fez o coração disparar?

    Q2: Maria está correndo para pegar o ônibus. Seu coração bate rápido, a respiração acelera, o intestino para. O que está causando isso?

    O que faz tudo acelerar quando você corre?

    Q3: Os receptores são como "fechaduras" no corpo. A adrenalina é como uma "chave mestra". Existem dois tipos principais de receptores: alfa e beta. Onde está o receptor beta que faz o coração bater mais rápido?

    Qual receptor faz o coração disparar?

    Q4: Pedro tem pressão alta. O médico deu a ele um remédio que bloqueia os receptores alfa. O que vai acontecer com os vasos sanguíneos dele?

    O que faz os vasos relaxarem?

    Q5: Ana está com asma. Seu médico deu a ela um remédio chamado salbutamol que dilata os pulmões. Qual receptor este remédio está ativando?

    Qual receptor abre os pulmões?

    Q6: Carlos tem pressão alta e toma um beta-bloqueador (metoprolol). Como este remédio faz a pressão cair?

    Como o beta-bloqueador lowdown a pressão?

    Q7: Uma pessoa com asma grave nunca deve tomar propranolol (um tipo de beta-bloqueador). Por quê?

    Por que propranolol é perigoso na asma?

    Q8: Gabriel leva um susto terrível e seu corpo libera muita adrenalina. Suas pupilas dilatam (ficam grandes), suas mãos ficam frias, o intestino para. Qual receptor está sendo ativado para fazer as pupilas dilatar?

    Qual receptor dilata a pupila?

    Q9: Um paciente vai passar por uma cirurgia de um tumor raro (feocromocitoma) que produz muita adrenalina. Antes da cirurgia, o médico dá fenoxibenzamina (um alfa-bloqueador) PRIMEIRO. Semanas depois, dá propranolol (um beta-bloqueador). Por quê essa ordem?

    Por que bloqueio alfa ANTES do bloqueio beta?

    Q10: Uma criança de 8 anos come uma comida com amendoim e sofre uma reação alérgica grave (anafilaxy): inchaço na garganta, dificuldade respirar, pressão cai. O pai dela precisa fazer algo RÁPIDO. O que fazer?

    O que fazer na anafilaxy grave?

    Q11: Um paciente toma beta-bloqueador por 5 anos para pressão alta. De repente, ele para o remédio "porque se sentia melhor". Uma semana depois, taquicardia severa, palpitações e até dor no peito. O que aconteceu?

    Por que parar beta-bloqueador de repente é perigoso?

    Q12: Dona Maria toma prazosina (um alfa-bloqueador) para pressão alta. Na primeira noite, ela levanta rápido da cama pra ir ao banheiro e quase desmaiar. Seu neto bate na porta e ela cai no chão. O que é isto?

    Por que quase desmaiou ao levantar?

    Q13: Qual é o efeito mais importante do simpático no intestino durante uma situação de susto ou luta?

    O que faz o intestino parar?

    Q14: Um paciente em choque séptico precisa de ajuda pra aumentar a pressão arterial e melhorar o coração. Qual é o vasopressor de PRIMEIRA linha recomendado?

    Qual droga é a primeira escolha em choque séptico?

    Q15: Resumo final: o que o sistema simpático faz em uma situação de "luta ou fuga"?

    O que muda no corpo durante "luta ou fuga"?

    ⚡ BÔNUS — Anti-inflamatórios: AINEs, Corticoides, Antihistamínicos

    Integração: Inflamação em Todas as Aulas

    Inflamação = Resposta a Lesão Celular (Aula 1), Hemostasia (Aula 8), Trombose (Aula 9), Choque (Aula 11), Reparo (Aula 11)

    Mediadores: Bradicinina, histamina, prostaglandinas, leucotrienos, TNF, IL-6, óxido nítrico.

    Fármacos Anti-inflamatórios integram tratamento de múltiplas condições.

    Cascata do Ácido Araquidônico

    Fosfolipídios membrana → (fosfolipase C) → Ácido Araquidônico → (ciclooxigenase/lipoxigenase) → Mediadores

    Via COX (Ciclooxigenase):

    • COX (Ciclo-oxigenase)-1: Constitutiva (sempre presente) em plaquetas, estômago, rim. Produz TXA2 (plaquetas = agregação, vasoconstrição), PGI2 (endotélio = vasodilatação, antiagregação), PGE2 (estômago = muco protetor, rim = fluxo renal).
    • COX (Ciclo-oxigenase)-2: Induzida (por inflamação). Produz prostaglandinas pró-inflamatórias (febre, dor, edema).
    • AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais): Bloqueam COX (Ciclo-oxigenase)-1 + COX (Ciclo-oxigenase)-2 não-seletivo. Aspirina = bloqueio irreversível COX (Ciclo-oxigenase)-1 (acetilação covalente). Ibuprofeno/naproxeno = reversível.
    • Coxibs (COX-2 seletivos): Celecoxib = bloqueia COX (Ciclo-oxigenase)-2 >> COX (Ciclo-oxigenase)-1. Reduz GI sangramento (COX-1 estômago preservado) MAS aumenta trombose/MI (perde PGI2 vascular = trombo ↑). Retirados mercado (rofecoxib/vioxx 2004).

    Via LOX (Lipoxigenase): Ácido araquidônico → (5-LOX) → Leucotrienos (LT4, LT5, CysLT). Efeito = broncoconstricção, infiltração leucócito, edema, vasodilatação. Bloqueadores = montelucaste, zafirlucaste (asma, rinite alérgica).

    AINEs (Anti-inflamatórios Não-Esteroides)

    Mecanismo: COX (Ciclo-oxigenase) bloqueio → ↓ TXA2, PGE2, PGI2 → ↓ agregação plaquetária, ↓ dor (PGE2 = nociceptor sensitização), ↓ febre (hipotálamo), ↓ edema.

    Não-Seletivos (Clássicos): Aspirina, ibuprofeno, naproxeno, indomethacina, meloxicam. Bloqueiam COX (Ciclo-oxigenase)-1 + COX (Ciclo-oxigenase)-2.

    Aspirina (Ácido Acetilsalicílico): Bloqueio IRREVERSÍVEL COX (Ciclo-oxigenase)-1 → ↓ TXA2 plaqueta vida todo (7-10 dias) = antiagregante potente. Dose = 81-325mg QD prevenção primária/secundária. Efeitos colaterais = sangramento GI, alergia, asma (bloqueio COX (Ciclo-oxigenase)-1 desvia arachidônico → LOX → leucotrienos). Contraindicação = úlcera péptica ativa, alergia AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais)/aspirina, deficiência K-vitamina (Warfarina interação).

    Ibuprofeno/Naproxeno: COX (Ciclo-oxigenase) reversível. Menos sangramento GI que aspirina (porque reversível = PGE2 pode regenerar-se). Naproxeno = T½ longa (permite BD dosing). Toxicidade = GI (ulceração, sangramento), renal (reduz fluxo → IRA (Insuficiência Renal Aguda) em depletados), cardiovascular (aumento MI/AVC com uso crônico = perda PGI2).

    Indomethacina: COX (Ciclo-oxigenase) reversível potente. Uso específico = PCA (patente ductus arteriosus em RN), cefaleias, enxaqueca. Efeito colateral = GI grave, cefaleia "rebound" (paradoxal), vertigem.

    Efeitos Adversos AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais):

    • GI = ulceração, sangramento (bloqueio PGE2 muco protetor), perfuração. Risco = idade > 65, história úlcera, anticoagulante concomitante.
    • Renal = redução fluxo renal (prostaglandinas vasodilatador renal), IRA (Insuficiência Renal Aguda) em depletados, hiperkalemia. Contraindicação = IRC (Insuficiência Renal Crônica) avançada.
    • Cardiovascular = aumento MI/AVC (perda PGI2 vascular = trombose ↑). Maior risco = coxibs > não-seletivos.
    • Alergia = anafilaxy rara, asma (bloqueio COX (Ciclo-oxigenase)-1 → LOX → leucotrienos).
    • Interação Warfarina = deslocamento proteico (↑ INR (Razão Normalizada Internacional)) + antiagregante (sangramento ↑).

    Proteção GI AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais): Omeprazol (PPI = ↓ HCl gástrico → ulceração ↓), misoprostol (PGE1 análogo = restora muco), coxibs (perda COX (Ciclo-oxigenase)-1 relativa).

    Corticosteroides

    Mecanismo: Ligam receptor glucocorticoide (citoplásma) → translocação núcleo → inibe NF-κB (fator transcrição inflamação) → ↓ transcrição TNF, IL-6, IL-8, adesinas → ↓ citocinas, ↓ infiltração leucócito, ↓ edema, imunosupressão.

    Ação Rápida: Não-genômica (meia-vida minutos, citoplásma = membrane receptores rápidos).

    Classificação por Duração: Ultra-curta (hidrocortisona 8-12h), curta (prednisona 18-36h), intermediária (metilprednisolona 24-36h), longa (dexametasona 36-72h).

    Efeitos Adversos Crônicos:

    • Síndrome Cushing = face lua-cheia, giba dorsocervical, estriações purpúreas, hipertensão, diabetes (hiperglicemia = bloqueio insulina + gliconeogênese ↑).
    • Osteoporose = bloqueio osteoblasto + ↑ osteoclasto + ↓ absorção Ca intestinal = fatura óssea risco ↑.
    • Imunossupressão = ↓ resposta imune → infecções oportunistas (PCP, CMV), TB reativação.
    • Psiquiátricos = mania, depressão, psicose.
    • Oftalmológicos = catarata, glaucoma (PIO ↑).
    • Musculares = miopatia proximal.

    Síndrome de Retirada: Bloqueio HPA (eixo hipotálamo-pituitária-adrenal) com uso crônico (> 3 semanas) → supressão ACTH/cortisol endógeno → descontinuação abrupta = deficiência cortisol aguda → choque adrenal (hipotensão, hiponatremia, hipoglicemia). Prevenção = taper gradual (redução 10% dose Q5-10 dias) até 7.5mg prednisona (dose fisiológica), depois pausar com cuidado.

    Uso Clínico Integrado:

    • Edema cerebral pós-trauma = dexametasona (penetra BBB melhor).
    • Anafilaxy = metilprednisolona IV (prevenção recorrência bifásica).
    • DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) exacerbação = metilprednisolona 125mg IV Q6h x 3-5 dias = ↓ inflamação via aérea.
    • Choque séptico refratário = hidrocortisona 50mg IV Q6h (Surviving Sepsis 2021) = imunomodulação em DIC.
    • DIC = causa subjacente + suporte (transfusões) + corticoides controversos (imunoregulação).

    Antihistamínicos

    Receptor H1 (mastócito, histamina): Causa prurido, eritema, edema, vasodilatação.

    H1 Bloqueadores Geração 1 (Lipofílicos = penetram BBB): Difenhidramina, prometazina. Efeito = sedação (antagonismo H1 central), anticholinérgico (boca seca, retenção urinária, taquicardia). Uso = anafilaxy, reação alérgica aguda. Risco = overdose = coma, convulsão, síndrome anticolinérgica.

    H1 Bloqueadores Geração 2 (Seletivos, não-lipofílicos = NOT BBB): Loratadina, cetirizina, fexofenadina. Efeito = pouca/nenhuma sedação (não cruza BBB), sem anticholinérgico. Uso = rinite alérgica crônica, urticária. Segurança melhor gen1.

    Receptor H2 (estômago = HCl, coração = FC (Frequência Cardíaca)): Cimetidina, ranitidina (retirada), famotidina. Efeito = ↓ secreção HCl gástrica (prevenção úlcera) + leve cardioaceleração (H2 bloqueio no coração = ↓ inibição de catecolamina = não efeito clínico significante). Uso = úlcera péptica, GERD, profilaxia aspiração perioperatória (reduz volume/pH gástrico). Uso anafilaxy = H1 + H2 (combo = cobertura histamina melhor, embora H1 prioridade).

    Flashcards - Anti-inflamatórios (10)

    Qual é a diferença COX-1 vs COX-2?
    COX-1 constitutiva (sempre) em plaquetas/estômago/rim = TXA2/PGE2/PGI2. COX-2 induzida por inflamação = prostaglandinas pró-inflamação. AINEs bloqueiam ambas (não-seletivo), coxibs seletivo COX-2
    Por que aspirina irreversível diferente ibuprofeno?
    Aspirina = acetilação covalente COX (Ciclo-oxigenase)-1 (irreversível, 7-10 dias até novo plaqueta). Ibuprofeno = reversível = PGE2 pode regenerar-se → menos sangramento GI
    Qual é o efeito de coxibs (celecoxib)?
    COX (Ciclo-oxigenase)-2 seletivo >> COX (Ciclo-oxigenase)-1 = ↓ GI sangramento (muco PGE2 preservado) MAS ↑ trombose/MI (perda PGI2 vascular). Retirados mercado (rofecoxib) exceto celecoxib
    Qual é mecanismo de corticoides?
    GR ligação → núcleo → inibe NF-κB → ↓ transcrição citocinas (TNF, IL-6) → imunosupressão, ↓ edema inflamação
    Qual efeito adverso corticoide CRÔNICO?
    Síndrome Cushing (face lua-cheia, giba, hipertensão, diabetes), osteoporose (↓ osteoblasto), imunossupressão (infecções), psiquiátricos, catarata
    O que é síndrome de retirada corticoide?
    Bloqueio HPA crônico → deficiência cortisol endógeno → descontinuação abrupta = choque adrenal (hipotensão, hipoglicemia). Prevenção = taper gradual
    Qual é diferença H1 gen1 vs gen2?
    Gen1 (difenhidramina) = penetra BBB → sedação, anticholinérgico. Gen2 (loratadina) = seletivo = não BBB → sem sedação, seguro crônico
    Por que AINE prejudicial em IC?
    Bloqueio PGE2 → ↓ natriurese → retenção Na⁺ → ↑ água → edema piora em IC (↑ congestão)
    Como proteger estômago de AINE?
    PPI omeprazol (↓ HCl), misoprostol (PGE1 análogo = restaura muco), coxibs (relativamente seguro GI)
    Qual é mecanismo de leucotrienos?
    Via LOX (ácido araquidônico → leucotrienos) = broncoconstricção, edema, infiltração leucócito. Bloqueadores = montelucaste (asma, rinite)

    Quiz Anti-inflamatórios (10 questões)

    b) Bloqueio COX (Ciclo-oxigenase) → ↓ prostaglandinas (dor, febre, edema)
    c) Bloqueio H1
    d) Bloqueio β-bloqueador
    b) Acetila COX (Ciclo-oxigenase)-1 covalentemente (ligação covalente permanente) → duração 7-10 dias (vida plaqueta) até novo plaqueta regenere
    c) Sem efeito
    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: As AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) bloqueiam DUAS enzimas — COX-1 e COX-2. Mas elas fazem coisas DIFERENTES!
    🔑 COX-1 (Ciclo-oxigenase-1) = "protetor constitutivo":
    • Sempre ligado (SEMPRE funciona) no estômago, rins, plaquetas
    • Faz PGE2 (protetor muco gástrico), TXA2 (agregação plaqueta)
    • Bloqueio COX-1 = ↓ proteção muco → ↑ risco úlcera (MAS ↓ coagulação = bom pós-MI)

    🔑 COX-2 (Ciclo-oxigenase-2) = "inflamação induzível":
    • Ligado QUANDO há inflamação/febre (não em repouso)
    • Faz PGE2 e PGI2 (aumentam inflamação)
    • Bloqueio COX-2 = ↓ inflamação/febre (BOM!) + menos efeito GI (porque não bloqueia protetor basal)

    🔑 DIFERENÇA PRÁTICA:
    AINEs não-seletivos (ibuprofeno, naproxeno): bloqueiam AMBAS → bom para dor/inflamação MAS risco úlcera GI (porque bloqueia COX-1)
    Coxibs (celecoxibe): seletivos para COX-2 → menos úlcera GI (preserva protetor COX-1) MAS ainda tem risco cardiovascular (perdem efeito antitrombose de COX-1)

    💡 Pense assim: COX-1 = guarida permanente. COX-2 = reforço chamado em caso de briga. AINEs atiram nos dois. Coxibs atira só no reforço (mais seguro para estômago).
    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Aspirina e ibuprofeno parecem iguais, mas o tipo de LIGAÇÃO que fazem é COMPLETAMENTE diferente — e isso muda TUDO!
    🔑 ASPIRINA = Ligação COVALENTE IRREVERSÍVEL:
    • Acetila (adiciona um grupo acetil) PERMANENTEMENTE os receptores
    • Bloqueio persiste enquanto célula vive (plaqueta = 7-10 dias de vida)
    • Efeito antitrombose = DURÁVEL (proteção semanas) mesmo após parar
    • ✅ Por isso é 1ª linha pós-MI: toma aspirina uma vez → 7-10 dias de proteção contra coágulos!

    🔑 IBUPROFENO = Ligação REVERSÍVEL:
    • Se liga, mas depois sai (como magneto vs cola)
    • Bloqueio desaparece horas após parar o medicamento
    • Efeito antitrombose = CURTO (só enquanto toma)
    • ⚠️ Não é proteção duradoura para coração!

    📊 Implicação clínica — Por quê isso importa pós-MI?
    • Pós-MI = risco coágulo nos primeiros dias/semanas = MORTAL
    • Aspirina = toma uma vez → protegido por SEMANAS
    • Ibuprofeno = pára de tomar → proteção DESAPARECE em horas → risco coágulo volta

    💡 Pense assim: Aspirina = tatuagem permanente (enquanto vive). Ibuprofeno = caneta (apaga quando para de desenhar).
    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: PGE2 (prostaglandina E2) é como o "guarda-costas" do estômago — protege contra o ácido!
    🔑 O que PGE2 faz normalmente:
    ✅ (1) Aumenta espessura muco: cria barreira grossa contra ácido
    ✅ (2) Aumenta fluxo sanguíneo mucosa: traz nutrientes para reparar danos
    ✅ (3) Inibe células parietais: reduz produção ácido em repouso

    ⚠️ O PROBLEMA com AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais):
    • AINEs bloqueiam prostaglandinas (para reduzir inflamação)
    • MAS também bloqueiam PGE2 → muco ENFRAQUECE
    • Ácido penetra epitélio desprotegido → ulceração (ferida gástrica) → sangramento → transfusão, até morte

    🔑 QUEM ESTÁ EM RISCO ALTO de úlcera com AINE:
    ⚠️ (1) Idade > 65 (estômago mais frágil)
    ⚠️ (2) História prévia úlcera gástrica/duodenal
    ⚠️ (3) Infecção Helicobacter pylori (já compromete muco)
    ⚠️ (4) Usando Warfarina (anticoagulante = risco sangramento extra)

    PROTEÇÃO (para pacientes em risco):
    Opção 1: PPI (omeprazol, pantoprazol) = bloqueia ácido gástrico = ambiente alcalino permite cicatrização
    Opção 2: Misoprostol = RESTITUI PGE1 (análogo) = repõe proteção muco
    Opção 3: Simplesmente EVITAR AINE em risco alto

    💡 Pense assim: PGE2 = colete à prova de bala do estômago. AINEs tiram o colete. Se tira, precisa de algo (PPI, misoprostol) para proteger!
    ✅ Resposta: B.
    ⚠️ CONTRAINDICAÇÃO CRÍTICA: AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) em IC (Insuficiência Cardíaca) descompensada = PERIGOSO!
    💡 Mecanismo: Nos rins, PGE2 normalmente faz um trabalho importante = INIBE reabsorção de sódio (Na⁺). AINEs bloqueiam PGE2 → perdem esse "inibidor" → rins reabsorvem MAIS Na⁺ → água segue atrás (osmose) → RETENÇÃO VOLUME! 🔑 O resultado em IC (Insuficiência Cardíaca):
    • Coração já está fraco (não bombeia bem)
    • Você ADICIONA mais volume → coração fica MAIS congestionado
    • Pulmão enche de líquido (edema pulmonar) → falta de ar PIOR
    • Periferias incham (edema periférico) → peso aumenta
    • Pode precipitar IC descompensada AGUDA!

    🔑 Por quê é pior em IC DESCOMPENSADA vs IC compensada?
    • IC compensada = coração está conseguindo "lidar" com pressão
    • IC descompensada = coração FALHOU = não tolera líquido extra
    • Adicionar volume = pode ser a gota que faz o copo transbordar!

    ALTERNATIVA SEGURA para dor:
    Paracetamol (acetaminofeno): NÃO é AINE → não afeta prostaglandinas renais → não retém volume → SEGURO em IC
    Dose: 500-1000 mg 6/6h ou 8/8h (máximo 3-4g/dia)

    💡 Pense assim: AINEs = fechar a comporta de drenagem dos rins. Em IC = coração já está afogando em líquido. Fechar mais comporta = afogar mais ainda!
    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Corticoides parecem bom (reduzem inflamação), mas em IM (Infarto do Miocárdio) crônico = PARADOXAL e perigoso!
    🔑 FASE AGUDA (dias 1-3 pós-MI):
    ✅ Corticoides = reduz inflamação excessiva do miocárdio lesado = bom temporariamente

    ⚠️ PROBLEMA — Fase crônica (semanas/meses):
    • Corticoides BLOQUEIAM TGF-β (Fator de Crescimento Transformador Beta)
    • TGF-β é ESSENCIAL para cicatrização apropriada do coração
    • Sem cicatrização boa → cicatriz fica FRACA → parede VE (Ventrículo Esquerdo) dilata
    • VE dilatado = piora função cardíaca → IC (Insuficiência Cardíaca) piora!
    • PARADOXAL: tentou proteger o coração, mas prejudicou a cicatrização!

    🔑 ALTERNATIVA MELHOR = ACEI (Inibidor ECA = Enzima Conversora de Angiotensinogênio):
    ✅ ACEI bloqueia Angiotensina II (AngII)
    ✅ AngII ATIVA TGF-β (o problema!)
    ✅ Bloqueia AngII = menos TGF-β ativação = remodelação CONTROLADA do coração
    ✅ Resultado = cicatrização APROPRIADA sem dilatação excessiva

    📊 Conclusão prática:
    • Corticoides pós-MI agudo = talvez (ainda discutido), MAS
    • Corticoides CRÔNICO pós-MI = EVITAR! Prejudica remodelação
    • ACEI = 1ª escolha para proteger coração pós-MI (melhora cicatrização + reduz AngII)

    💡 Pense assim: Corticoides = apagar inflamação muito rápido. Mas coração precisa de inflamação controlada para cicatrizar bem. ACEI = controla AngII que desencadeia cicatrização descontrolada.
    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Histamina é famosa em anafilaxia, MAS não é o único vilão! Há todo um elenco de mediadores!
    🔑 HISTAMINA:
    • Causa: edema (inchaço), prurido (coceira), flushing (rubor facial)
    • Bloqueador H1 (difenidramina) reduz esses efeitos
    • PORÉM = histórico thinking foi que H1 bloqueador era suficiente para anafilaxia = ERRADO!

    ⚠️ O PROBLEMA: Anafilaxia TAMBÉM libera OUTROS mediadores:
    ⚠️ (1) Triptase: de mastócitos → causa edema (ainda pior que histamina)
    ⚠️ (2) Leucotrienos: LTC4, LTD4 → causa broncoespasmo SEVERO (mais potente que histamina!)
    ⚠️ (3) Bradicinina: → colapso vascular → choque profundo
    ⚠️ (4) Outros: IL-6, TNF-α, óxido nítrico → amplificam tudo

    🔑 POR QUÊ H1 bloqueador SÓ = INSUFICIENTE:
    • Bloqueia histamina → reduz coceira/edema superficial
    • MAS não bloqueia leucotrienos → pulmão ainda fecha
    • MAS não bloqueia bradicinina → choque continua
    • Paciente ainda MORRE apesar de H1 bloqueador!

    SOLUÇÃO = EPINEFRINA (Adrenalina):
    ✅ (1) α = vasoconstrição → reverte choque
    ✅ (2) β1 = inotropia → bomba cardíaca
    ✅ (3) β2 = broncodilatação → abre pulmão
    ✅ ALÉM DISSO = inibe DEGRANULAÇÃO de mastócitos → PARA a liberação de TODOS mediadores (histamina, triptase, leucotrienos, bradicinina)!

    📊 ORDEM CORRETA em anafilaxia:
    ✅ (1) PRIMEIRO: Epinefrina IM 0.3-0.5 mg (1:1000) = salvavida
    ✅ (2) DEPOIS: H1 bloqueador (difenidramina) = coadjuvante para sintomas
    ✅ (3) DEPOIS: H2 bloqueador (cimetidina) = proteção extra
    ✅ (4) DEPOIS: Corticoides = previne recorrência tardia

    💡 Pense assim: H1 bloqueador = apagar apenas o fogo da sala de estar. Epinefrina = apagar o fogo da sala de estar + fechar torneira de gás (para de liberar mais fogo) + abrir janelas (respira) + pumpar sangue (sobrevive)!
    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Histamina tem DOIS tipos de receptores completamente diferentes — causam efeitos opostos!
    🔑 RECEPTOR H1 (alérgico/anafilaxy):
    ✅ Localização: pulmão, vasos, pele, cérebro
    ✅ Bloqueador: difenidramina (Benedryl), cetirizina (Zirtec)
    ✅ Efeitos quando ativado: edema, prurido (coceira), broncospasmo (aperto pulmão), rubor
    ✅ Uso: alergia, urticária, anafilaxia (COADJUVANTE)

    🔑 RECEPTOR H2 (ácido gástrico):
    ✅ Localização: células parietais estômago
    ✅ Bloqueador: cimetidina, ranitidina
    ✅ Efeitos quando ativado: estimula produção ácido HCl (normal em repouso)
    ✅ Uso: DRGE, úlcera, proteção durante anestesia

    🔑 EM ANAFILAXIA — por quê usar AMBOS H1 + H2?
    ✅ (1) H1 bloqueador: bloqueia sintomas alérgicos (edema, prurido, broncospasmo)
    ✅ (2) H2 bloqueador: proteção EXTRA — se paciente vomita/aspira durante crise → ácido gástrico poderia piorar (H2 bloqueia produção ácido extra)
    ✅ Sinergia = protege de mais ângulos

    💡 Pense assim: H1 = freia a alergia (pele, pulmão, vasos). H2 = freia o ácido (estômago). Anafilaxia = tempestade de tudo — usa H1 para frear a tempestade, H2 para proteção extra se tiver regurgitação.
    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Aspirina é um medicamento REVOLUCIONÁRIO pós-IM (Infarto do Miocárdio) — reduz morte de forma DRAMÁTICA!
    🔑 NÚMEROS (muito importante!):
    ✅ Aspirina reduz mortalidade pós-MI em 25-50%
    ✅ Significa: a cada 100 pacientes infartados, aspirina salva 25-50 vidas!
    ✅ Efeito comprovado, recomendação CLASSE I (máximo nível)

    ⚠️ E OS RISCOS (alergia)?
    ✅ Alergia LEVE (urticária, coceira) = rare (< 2%) = controlável = NÃO pára aspirina
    ✅ Alergia SEVERA (anafilaxy = choque, asma agudo broncoespasmo) = RARA = stop aspirina, usar alternativa

    🔑 ALTERNATIVAS se alergia severa:
    ✅ Ticlopidina (raro, efeito colateral potencial)
    ✅ Clopidogrel (Plavix) = bloqueador plaqueta similar
    ✅ MAS nenhuma tem benefício tão alto quanto aspirina!

    📊 ANÁLISE BENEFÍCIO-RISCO:
    Benefício: salva 25-50 vidas a cada 100 infartados
    Risco: alergia leve em poucos % (e severa é rara)
    Conclusão: benefício >> risco = use aspirina SEMPRE pós-MI (exceto alergia severa documentada)

    💡 Pense assim: É como escolher andar de carro (risco pequeno de acidente) vs nunca sair de casa (muito seguro mas vida ruim). Benefício de aspirina >> risco de alergia — a escolha é clara!
    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Lúpus (LES) e AR (Artrite Reumatoide) são autoimunidade — seu próprio sistema imune ataca você! Medicamentos diferentes têm papéis diferentes!
    🔑 AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal) = INSUFICIENTE:
    ✅ Reduz dor local + inflamação local (ex: articulação inchada dói menos)
    ⚠️ MAS não freia autoimunidade de fundo = continua atacando
    ⚠️ Resultado: alívio temporário, mas doença continua deteriorando

    🔑 CORTICOIDES (Prednisona) = MELHOR para autoimunidade:
    ✅ Reduz inflamação MASSIVAMENTE (Th2 cells inibição)
    ✅ Freia resposta autoimune (inibe T-cells, B-cells)
    ✅ Efeito rápido (dias vs semanas)
    ⚠️ MAS efeito colateral crônico (osteoporose, infecção, hiperglicemia)

    🔑 IMUNOSUPRESSORES = GOLD-STANDARD para remissão:
    ✅ Metotrexato = bloqueia síntese DNA de linfócitos B/T
    ✅ Outros: azatioprina, micofenolato, biológicos (anti-TNF, anti-B cell)
    ✅ Objetivo: remissão completa (parar inflamação na raiz)
    ✅ Efeito lento (semanas-meses) mas durável

    📊 ESTRATÉGIA COMBINADA (padrão moderno):
    ✅ (1) AINE: para dor local (articulação)
    ✅ (2) Corticoides: para inflamação geral inicial
    ✅ (3) Imunosupressor: para frear autoimunidade (longo prazo)
    ✅ Resultado: menos corticoide (menor efeito colateral) + remissão

    💡 Pense assim: AINE = apagar fogo local (dor). Corticoide = apagar fogo geral rápido. Imunosupressor = consertar a torneira (para de incendiar). Precisa dos três para controlar a doença!
    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: PPI (Proton-Pump Inhibitor) é a arma MAIS POTENTE contra ácido gástrico!
    🔑 O QUE FAZ:
    ✅ Bloqueia a "bomba" (ATPase H⁺) da célula parietal estômago
    ✅ Reduz ácido de pH 1-2 (muito ácido, corrosivo) para pH 3-4 (menos ácido, mucosa consegue regenerar)
    ✅ Ambiente menos ácido = mucosa consegue cicatrizar melhor

    🔑 INDICAÇÃO PRINCIPAL = PROTEÇÃO em pacientes com risco úlcera:
    ⚠️ (1) Idade > 65: estômago é mais frágil na idade
    ⚠️ (2) História prévia úlcera: indica mucosa propensa = risco recorrência
    ⚠️ (3) Usando AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal): combinação = risco muito alto
    ⚠️ (4) Helicobacter pylori: infecção já danifica muco
    ⚠️ (5) Warfarina (anticoagulante): risco sangramento extra

    📊 EVIDÊNCIA CLÍNICA:
    ✅ AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal) + PPI = reduz ulceração/sangramento GI em 80%+
    ✅ Significa: protege a maioria dos pacientes em risco
    ✅ Recomendação CLASSE I em guidelines

    EXEMPLOS de PPIs: omeprazol (Losec), pantoprazol (Protium), esomeprazol
    Dose típica: 20-40 mg 1x/dia
    Timing: tomar 30 min ANTES do café (ativa melhor)

    💡 Pense assim: PPI = neutraliza a fábrica de ácido. Se você não tem fábrica funcionando = mucosa consegue se reparar. Igual cicatrizar ferida — precisa estar limpa e seca, não ácida!
    ✅ Resposta: B.
    💡 Explicação simples: Misoprostol e omeprazol AMBOS protegem úlcera, MAS por caminhos completamente diferentes!
    🔑 MISOPROSTOL = Restitui proteção diretamente:
    ✅ É um ANÁLOGO de PGE1 (prostaglandina)
    ✅ Recoloca a proteção que AINE tirou
    ✅ Aumenta muco, aumenta fluxo sangue mucosa
    ✅ Mecanismo: restitui PROTETOR que faltava
    ⚠️ PROBLEMAS com misoprostol:
    • Diarréia em 10% pacientes (efeito colateral comum)
    • Hipotensão (reduz PA) = PROBLEMA em hipertenso já tratando
    • Abortivo (contrai útero) = CONTRAINDICADO gravidez
    • Necessita 3-4x/dia (inconveniente)

    🔑 OMEPRAZOL = Remove o agressor (ácido):
    ✅ É um PPI (Inibidor Bomba Prótons)
    ✅ Bloqueia produção ácido na raiz
    ✅ Mecanismo: reduz AGRESSOR (ácido) para que mucosa se cure
    VANTAGENS:
    • Melhor tolerância geral (menos efeitos colaterais)
    • 1x/dia (conveniente)
    • Seguro hipertenso (não causa hipotensão)
    • Seguro gravidez

    📊 COMPARAÇÃO CLÍNICA:
    Ambos: protegem úlcera AINE ~80%
    Misoprostol: para quem tolera (sem HTA, sem diarréia fácil)
    Omeprazol: para maioria (HTA, QualidadeVida melhor)

    🔑 ESTRATÉGIA MODERNA: PPI (omeprazol) é 1ª escolha pela tolerância

    💡 Pense assim: Misoprostol = colocar um escudo novo (restitui protetor). Omeprazol = remover a espada (ácido). Omeprazol é mais simples porque é 1x/dia e não causa diarréia!
    ✅ Resposta: B.
    ⚠️ COMPLICAÇÃO SÉRIA: AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) podem DANIFICAR rins acutamente!
    💡 Mecanismo — Por quê:
    🔑 Nos rins, PGE2 tem trabalho especial = DILATA vasos glomerulares (afere) = mantém fluxo sanguíneo glomerular. AINEs bloqueiam PGE2 → vasoconstrição glomerular → fluxo REDUZ → TFG (Taxa Filtração Glomerular) cai rapidamente!

    📊 APRESENTAÇÃO CLÍNICA:
    ⚠️ Azotemia aguda: uréia sobe rápido (BUN altos)
    ⚠️ Creatinina ↑: marcador TFG = sobe em dias
    ⚠️ Oliguria: urina < 400 mL/dia (rins fracassando)
    ⚠️ Potássio ↑: hipercalemia (rins não conseguem eliminar K⁺)
    ⚠️ pH ↓: acidose metabólica (rins não conseguem acidificar urina)

    ⚠️ ALTO RISCO COM:
    Depleção volume: diarréia, vômito, sudorese → corpo já está tentando conservar fluido → AINEs pioram
    IRC (Insuficiência Renal Crônica): rins já danificados = margem mínima
    IC (Insuficiência Cardíaca): coração fraco → menos fluxo renal = rins já estressados
    Diabetes: nefropatia diabética já presente = risco extra
    Idade avançada: rins menos resilientes

    BOAS NOTÍCIAS:
    ✅ Efeito é REVERSÍVEL = para AINE → rins se recuperam em dias (se não dano permanente!)
    ✅ Monitorar creatinina + K⁺ durante uso

    🔑 CONCLUSÃO: EVITAR AINEs nessa população! Se necessário = monitore muito, considere PPI proteção + hidratação

    💡 Pense assim: PGE2 = válvula que mantém entrada água no rim. AINEs fecham a válvula → água não entra → rio seca (rim falha)!
    ✅ Resposta: B.
    ⚠️ EFEITO COLATERAL CARDIO-VASCULAR: AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) aumentam risco coágulo!
    💡 Mecanismo DUPLO (muito importante!):
    🔑 (1) EFEITO PRÓ-TROMBOSE:
    • AINEs bloqueiam COX-1 → reduz PGI2 (prostacyclina) nos vasos
    • PGI2 normalmente = antitrombose + vasodilatação (proteção contra coágulo)
    • Perder PGI2 = pró-trombose (favorece coágulo) = aumenta risco MI/AVC

    🔑 (2) RETENÇÃO VOLUME + PA ↑:
    • AINEs bloqueiam PGE2 renal → reabsorção Na⁺ ↑ → volume circulante ↑
    • Mais volume = PA (Pressão Arterial) ↑ (se já tem HTA, piora)
    • Coração estressado por pressão alta + volume extra = falha
    • IC (Insuficiência Cardíaca) pode descompensar

    📊 NET RESULT = TRADE-OFF PERIGOSO:
    ✅ Lado bom: anti-inflamação (reduz dor/febre)
    ⚠️ Lado ruim: pró-trombose + retém volume + PA ↑ = stress cardíaco

    ⚠️ ESPECIALMENTE PERIGOSO em CARDIOPATA ou PÓS-MI:
    • Pós-MI = risco reinfarto já ALTO (primeiras semanas)
    • AINE = adiciona risco coágulo = reinfarto ainda mais provável
    • Risco AVC/MI aumenta 25-50% com AINE (vs baseline)

    ALTERNATIVA SEGURA = PARACETAMOL:
    ✅ Não afeta prostaglandinas → sem efeito pró-trombose
    ✅ Não retém volume → sem stress cardíaco
    ✅ Seguro em pós-MI / IC / HTA

    🔑 RECOMENDAÇÃO CLÍNICA:
    ❌ NÃO use AINE pós-MI (mesmo que "pequena dor")
    ✅ USE paracetamol (acetaminofeno) para analgesia

    💡 Pense assim: AINEs = apagar fogo local mas criar tempestade de tornado (coágulo + pressão). Paracetamol = apagar fogo local SEM criar tempestade!
    ✅ Resposta: B.
    ⚠️ COXIB PARADOXO: Celecoxibe parece seguro para estômago, MAS ainda tem risco CV!
    💡 Explicação simples: Coxibs (como celecoxibe) foram desenvolvidos para serem "seletivos" — bloqueam COX-2 (inflamação) mas PRESERVAM COX-1 (proteção muco). Parecem melhor!
    🔑 VANTAGEM:
    ✅ Menos úlcera GI (porque preserva PGE2 muco)

    ⚠️ DESVANTAGEM ESCONDIDA:
    • COX-1 também faz TXA2 (agregação plaqueta = pró-coágulo)
    • Preservar COX-1 significa = TXA2 continua normal
    • MAS bloqueio COX-2 reduz PGI2 (vasos)
    • Resultado = DESEQUILÍBRIO: TXA2 (pró-coágulo) >> PGI2 (anti-coágulo)
    • Net = Pró-trombose AINDA PRESENTE! (talvez até PIOR!)

    📊 ESTUDOS CLÍNICOS (muito importante!):
    ⚠️ Celecoxibe pós-MI = aumenta risco reinfarto/AVC
    ⚠️ Não é "melhor" que ibuprofeno — apenas diferentes riscos (menos GI, mesma CV)

    🔑 CONCLUSÃO CRUCIAL:
    ❌ NENHUM AINE é seguro pós-MI (não importa se seletivo ou não)
    ✅ Paracetamol = única escolha segura

    💡 Pense assim: Coxib = vendeu como "novo e melhorado" = menos úlcera. MAS escondeu que ainda causa coágulo. Como escolher entre úlcera e infarto? Escolha paracetamol (nenhum dos dois!)!
    ✅ Resposta: B.
    ⚠️ TERATÓGENO ESPECIAL: AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) no 3º trimestre = CONTRAINDICADO absolutamente!
    💡 Mecanismo — Por quê é tão perigoso:
    🔑 (1) DUCTO ARTERIOSO (Arterial Ductus):
    • Feto não respira (pulmões cheios de fluido) → sangue bypassa os pulmões via ducto arterioso
    • Normalmente, prostaglandinas MANTÊM o ducto ABERTO (durante gravidez)
    • Após parto = quando respira = prostaglandinas caem = ducto FECHA (normal)
    • MAS se mãe tomar AINE no 3º trimestre → bloqueia prostaglandinas fetais → ducto FECHA ANTES DO PARTO (anormalmente)
    • Resultado = persistência ducto arterioso pós-parto → IC (Insuficiência Cardíaca) neonatal + shunt direita-esquerda (sangue não oxigenado volta para corpo) = bebê azul, insuficiência cardíaca = FATAL possível!

    🔑 (2) DISFUNÇÃO RENAL FETAL:
    • Prostaglandinas mantêm fluxo renal fetal
    • AINE bloqueia → queda fluxo renal → azotemia fetal
    • Resultado = oligohidrâmnio (pouco líquido amniótico) → compressão pulmonar fetal → hipoplasia pulmonar → bebê não consegue respirar bem após nascer!

    ⚠️ TIMING: Especialmente perigoso 3º trimestre (feto desenvolvido, maior risco complicação). 1º e 2º trimestres = menor risco mas ainda evitar

    ALTERNATIVA SEGURA:
    Paracetamol = Categoria B (seguro!) Pode usar qualquer trimestre
    ✅ Dose: 500-1000 mg 6/6h ou 8/8h (máximo 3-4g/dia)

    🔑 RECOMENDAÇÃO: Gravidez + dor = PARACETAMOL. NÃO AINE!

    💡 Pense assim: AINE = bate a porta do coração fetal = fechamento prematuro = bebê nasce com coração quebrado. Paracetamol = abre a porta normalmente = bebê nasce normal!
    d) Reversível em pulmão
    b) Bloqueio PGE2 → ↓ natriurese → retenção Na⁺ → ↑ água → edema piora, congestão pulmonar ↑
    c) Apenas benefício
    d) Melhora diurese
    b) GR ligação → inibe NF-κB → ↓ transcrição citocinas (TNF, IL-6) → imunosupressão
    c) Bloqueio H1
    d) Bloqueio dopamina
    b) Descontinuação abrupta = HPA bloqueio crônico → deficiência cortisol endógeno = choque adrenal (hipotensão, hipoglicemia, hiponatremia)
    c) Apenas alergia
    d) Sem importância
    b) Gen1 (difenhidramina) lipofílico → penetra BBB → sedação + anticholinérgico. Gen2 (loratadina) seletivo → não BBB → sem sedação, seguro crônico
    c) Gen2 mais sedação
    d) Gen1 seguro crônico
    b) PPI (omeprazol = ↓ HCl gástrica), misoprostol (PGE1 análogo restaura muco), coxibs COX (Ciclo-oxigenase)-2 seletivo
    c) Apenas dieta
    d) Nada efetivo
    b) LOX (lipoxigenase) → ↓ leucotrienos → ↓ broncoconstricção, edema (asma, rinite alérgica)
    c) H1
    d) H2
    b) COX (Ciclo-oxigenase)-2 seletivo >> COX (Ciclo-oxigenase)-1 = preserva PGE2 estômago (↓ GI sangramento) MAS perde PGI2 vascular (↑ trombose/MI/AVC). Trade-off desfavorável = retirados mercado
    c) Sem efeito vascular
    d) Sem efeito GI
    b) Bloqueio COX (Ciclo-oxigenase) → ↓ PGI2 vascular → antiagregação ↓ → trombose ↑ + ↓ natriurese → edema/congestão pior (IC) + remodelação fibrosa piora (TGF-β não inibido)
    c) Apenas analgesia
    d) Proteção cardíaca

    Questões Dissertativas - Anti-inflamatórios (5)

    E1: Cascata ácido araquidônico: vias COX (Ciclo-oxigenase) vs LOX, mediadores, bloqueio fármacos.

    Resposta: Ácido araquidônico (fosfolípido membrana → fosfolipase C) → 2 vias: (1) COX (ciclooxigenase) → TXA2 (plaqueta agregação), PGE2 (nociceptor sensibilização, febre, muco estômago), PGI2 (vascular antiagregação). COX (Ciclo-oxigenase)-1 constitutiva (plaqueta, estômago, rim), COX (Ciclo-oxigenase)-2 induzida (inflamação). AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) bloqueiam COX (aspirina irreversível, outros reversível) → ↓ dor, ↓ febre, ↓ inflamação, ↓ agregação. (2) LOX (lipoxigenase) → leucotrienos (broncoconstricção, edema, infiltração) → bloqueio montelucaste (asma, rinite alérgica). Trade-off = AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) reduzem PGI2 vascular (trombose ↑) + PGE2 renal (retenção Na⁺, IC (Insuficiência Cardíaca) piora).

    E2: AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal): benefícios vs efeitos adversos, proteção GI, contraindicações.

    Resposta: Benefícios AINE (Anti-Inflamatório Não Esteroidal) = analgesia (bloqueio PGE2 nociceptor), antipiresia (bloqueio hipotálamo), anti-inflamação (↓ edema), antiagregação (aspirina 1ª linha pós-MI). Efeitos adversos = (1) GI (ulceração, sangramento, perfuração via bloqueio PGE2 muco, risco > 65y, história úlcera, Warfarina), (2) Renal (redução fluxo renal → IRA (Insuficiência Renal Aguda) em depletados, hiperkalemia em IRC (Insuficiência Renal Crônica)), (3) Cardiovascular (↑ MI/AVC via perda PGI2), (4) Alergia (anafilaxy, asma), (5) Interação Warfarina (deslocamento proteico + antiagregação). Proteção GI = PPI (omeprazol), misoprostol (PGE1 análogo), coxibs seletivos (relativo). Contraindicação = úlcera ativa, IRC (Insuficiência Renal Crônica) severa, IC (Insuficiência Cardíaca) descompensada, asma (em alguns), alergia AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais), Warfarina concomitante (aumenta sangramento).

    E3: Corticoides: mecanismo NF-κB, efeitos adversos crônicos, síndrome retirada, uso integrado.

    Resposta: Corticoides mecanismo = GR ligação → núcleo → inibe NF-κB (fator transcrição inflamação) → ↓ transcrição TNF, IL-6, IL-8, adesinas → ↓ citocinas, ↓ infiltração leucócito, ↓ edema, imunosupressão. Efeitos adversos crônicos (semanas-meses) = síndrome Cushing (face lua-cheia, giba, estriações, hipertensão), osteoporose (↓ osteoblasto + ↓ Ca absorção), imunossupressão (infecções, TB reativação), psiquiátricos (mania, depressão), oftalmológicos (catarata, glaucoma). Síndrome retirada = HPA bloqueio crônico → descontinuação abrupta = deficiência cortisol → choque adrenal (hipotensão, hipoglicemia). Prevenção = TAPER GRADUAL (redução 10% dose Q5-10 dias). Uso integrado = edema cerebral (dexametasona), anafilaxy (metilprednisolona), DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) exacerbação (metilprednisolona IV), choque séptico refratário (hidrocortisona 50mg IV Q6h), DIC causa subjacente.

    E4: Antihistamínicos: H1 gen1 vs gen2, H2 receptor, mecanismos, indicações.

    Resposta: H1 receptor = mastócito/basófilo → libera histamina (via SIRT liberação mediador) → prurido, eritema, edema, vasodilatação local/sistêmica. H1 gen1 (difenhidramina, prometazina) = lipofílico → penetra BBB → H1 central antagonismo = sedação (antihistamina-related sleep). Anticholinérgico (boca seca, retenção urinária, taquicardia). Uso = anafilaxy, reação alérgica aguda (combo H1 + corticoides + epinefrina). H1 gen2 (loratadina, cetirizina, fexofenadina) = hidrofílico seletivo → não BBB → sem sedação, sem anticholinérgico. Seguro crônico rinite alérgica, urticária. H2 receptor = estômago (↓ HCl) + coração (pouco efeito). H2 bloqueador (cimetidina, ranitidina-retirada, famotidina) = ↓ HCl (prevenção úlcera péptica, GERD). Uso anafilaxy = H1 + H2 combo (cobertura histamina melhor, aunque H1 prioridade). Trade-off = gen1 efetivo anafilaxy (onset rápido) but sedação issue vs gen2 seguro crônico sem sedação.

    E5: Integração anti-inflamatórios em todas aulas: lesão celular, edema, hemostasia, choque, reparo.

    Resposta: Anti-inflamatórios integram todas aulas: (1) Lesão celular (Aula 1) = inflamação causa lesão secundária, AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) podem ser protetivos fase inicial (reduz edema). (2) Edema (Aula 7) = AINEs (Anti-Inflamatórios Não Esteroidais) contraindicated IC (bloqueio PGE2 renal = retenção Na⁺, edema piora). (3) Hemostasia (Aula 8) = aspirina irreversível COX (Ciclo-oxigenase)-1 bloqueio → antiagregante essencial pós-MI (cardioprevenção). (4) Trombose (Aula 9) = aspirina prevenção TVP (Trombose Venosa Profunda)/TEP (antiagregação). (5) Choque (Aula 11) = corticoides em choque séptico refratário (imunomodulação), vasopressores + corticoides protocol. (6) Reparo (Aula 11) = corticoides bloqueio TGF-β (piora remodelação pós-MI se usado crônico), ACEI superior (bloqueia AngII-TGF-β eixo completo). Síntese = inflamação necessária cicatrização MAS excesso prejudicial, farmacos anti-inflamatórios modulam (não eliminam) para equilibrar.

    Quiz - SNA Simpático (20 questões, formato BMF4)

    Quiz - SNA Simpático (20 questões, formato BMF4)

    Caso 1: Paciente 45a com hipertensão crônica apresenta PA 180/110 mmHg. Iniciado tratamento com atenolol. Qual receptor é bloqueado?

    ❓ Qual receptor é bloqueado pelo atenolol?

    a) α1 (vasos)
    b) β1 (coração)
    c) β2 (pulmão)
    d) Todos os adrenérgicos
    Caso 2: Criança 4a apresenta dispneia aguda durante reação alérgica. Brônquios contraem, edema de glote. Qual droga salva vida?

    ❓ Qual é a droga de primeira escolha em anafilaxy?

    a) Difenhidramina
    b) Epinefrina IM 0.3-0.5 mg 1:1000
    c) Metilprednisolona
    d) Observação
    Caso 3: Homem 60a com infarto agudo do miocárdio recebe dobutamina em UTI. Qual efeito predominante?

    ❓ Qual é o efeito predominante da dobutamina no coração?

    a) Vasoconstrição (α1)
    b) Inotropismo positivo (β1)
    c) Broncodilatação
    d) Reduz frequência cardíaca
    Caso 4: Paciente asmático usa propranolol para controlar PA. Apresenta crise de dispneia severa. Por quê?

    ❓ Por que propranolol é contraindicado em asma?

    a) Aumenta frequência cardíaca
    b) Bloqueia β2 em brônquios → broncoconstricção
    c) Causa vasodilatação
    d) Estimula mastócitos
    Caso 5: Homem 35a com feocromocitoma será operado. Qual medicação DEVE ser iniciada primeiro?

    ❓ Qual medicação deve ser iniciada PRIMEIRO antes de cirurgia de feocromocitoma?

    a) Propranolol (β-bloqueador)
    b) Fenoxibenzamina (α-bloqueador)
    c) Salbutamol
    d) Nenhuma pré-medicação
    Caso 6: Paciente choquenizado (PA 60/40) por sepse. Fluidos já dados. Qual vasopressor é primeira linha?

    ❓ Qual vasopressor é primeira linha em choque séptico?

    a) Epinefrina
    b) Norepinefrina (α > β1)
    c) Dopamina
    d) Fenilefrina
    Caso 7: Criança com asma aguda apresenta dispneia severa. Qual medicação ABRE brônquios rapidamente?

    ❓ Qual agonista β2 abre brônquios em asma aguda?

    a) Propranolol
    b) Fenilefrina
    c) Salbutamol inalado
    d) Adrenalina PO
    Caso 8: Homem para tratamento HTA. Médico escolhe prazosina. Qual efeito colateral é MAIS temido na primeira dose?

    ❓ Qual é o efeito colateral de PRIMEIRO-DOSE da prazosina?

    a) Bradicardia
    b) Síncope ao levantar (hipotensão ortostática)
    c) Hipertensão rebound
    d) Insônia
    Caso 9: Paciente com infarto recebe propranolol há 2 meses. Para remédio abruptamente. No dia 3: taquicardia (FC 120 bpm), dor no peito.

    ❓ O que é síndrome rebote de β-bloqueador?

    a) Sem consequências
    b) Descontinuação abrupta → up-regulation receptores β → taquicardia, arritmias
    c) Bradicardia permanente
    d) Hipertensão crônica
    Caso 10: Dopamina é iniciada em choque. Dose <5 mcg/kg/min. Qual efeito predominante?

    ❓ Em dose BAIXA (<5 mcg/kg/min), qual é efeito de dopamina?

    a) Vasoconstrição (α)
    b) Inotropismo (β1)
    c) Vasodilatação renal/esplâncnica (D1)
    d) Broncoconstricção
    Caso 11: Mulher usa descongestionante nasal (fenilefrina) por 2 semanas. Nariz fica congestionado PIOR. Por quê?

    ❓ Por que uso prolongado de descongestionante causa piora?

    a) Alergia ao medicamento
    b) Dessecação nasal
    c) Tachyfilaxia (dessensibilização α1)
    d) Infecção sinusal
    Caso 12: Epinefrina é dada EV (em vez IM) em anafilaxy. Qual complicação pode ocorrer?

    ❓ Por que epinefrina IV é arriscada em anafilaxy?

    a) Ineficaz
    b) Onset muito lento
    c) Arritmia cardíaca (β1 em altas concentrações)
    d) Sem risco especial
    Caso 13: Homem 50a com novo antidiabético recebe aviso: 'β-bloqueadores mascaram sintomas de hipoglicemia'. Por quê?

    ❓ Como β-bloqueador mascara hipoglicemia?

    a) Bloqueia adrenalina → elimina tremores, palpitações
    b) Bloqueia insulina
    c) Causa hiperglicemia
    d) Aumenta tolerância glicose
    Caso 14: Fenilefrina (α1-puro) é usada para subir PA em sepse. Paciente desenvolve dedos azuis, frieza. Por quê?

    ❓ Por que fenilefrina causa vasoconstrição periférica?

    a) Ativa β2 (relaxa vasos)
    b) Ativa α1 PURO (contrai vasos)
    c) Bloqueia dopamina
    d) Causa trombose
    Caso 15: Paciente asmático toma bisoprolol. Tem LEVE broncoconstricção. Por quê?

    ❓ Por que β1-seletivo ainda causa broncoconstricção?

    a) β1-seletividade é absoluta
    b) Em dose alta, perdem seletividade, bloqueiam β2
    c) Causa alergia
    d) Não causa broncoconstricção
    Caso 16: Paciente recebe noradrenalina em UTI. Desenvolve vasoconstrição, mas coração não acelera muito. Por quê?

    ❓ Por que norepinefrina causa pouca taquicardia?

    a) Bloqueia β1
    b) α > β1 → vasoconstrição dominante + reflexo barorreceptor
    c) Não tem efeito β
    d) Causa bradicardia
    Caso 17: Homem toma epinefrina PO (por engano). Sente tremores, palpitações, mas PA quase normal. Por quê?

    ❓ Por que epinefrina PO tem pouco efeito sistêmico?

    a) É ineficaz
    b) Metabolizada em GI → pouca absorção
    c) Bloqueia seus próprios receptores
    d) Ligação proteica total
    Caso 18: Paciente usa clonidina para HTA. Para remédio abruptamente. Hipertensão SEVERA no dia 2.

    ❓ Por que parar clonidina causa hipertensão rebound?

    a) Sem motivo, é seguro parar
    b) α2 bloqueia adrenalina; parar = liberação maciça → HTA
    c) Causa tachyfilaxia
    d) Alergia a medicação
    Caso 19: Mulher com insônia após começar propranolol. Qual receptor CNS é afetado?

    ❓ Por que propranolol causa insônia?

    a) Bloqueia GABA
    b) Propranolol permeia BBB → bloqueia β no SNC
    c) Causa alucinações
    d) Estimula dopamina
    Caso 20: Paciente em UTI recebe norepinefrina + vasopressina. Por que vasopressina é adicionada?

    ❓ Por que vasopressina é usado com norepinefrina em sepse refratária?

    a) Aumenta frequência cardíaca
    b) Sinergismo (V1a vasoconstrição) + poupador de catecol
    c) Bloqueia receptores α
    d) Causa broncodilatação

    AULA 13 — 21/03 — FARMACOLOGIA: Antidepressivos

    Introdução — Depressão e Hipótese Monoaminérgica

    Imagina um elevador que QUEBROU nos circuitos do cérebro. O botão "felicidade" não funciona mais porque falta QUÍMICA lá embaixo. Antidepressivos CONSERTAM o elevador = a química volta = pessoa melhora!

    O QUÊ é Depressão?
    NÃO é só "estar triste". É uma DOENÇA do CÉREBRO onde 3 moléculas importantes estão FALTANDO:
    Serotonina (5-HT) = felicidade, vontade, dormir bem
    Noradrenalina (NA) = energia, atenção, acordado
    Dopamina (DA) = prazer, motivação, mover corpo

    RESULTADO: Sem essas moléculas = tristeza, preguiça, insônia (ou dormir MUITO), sem energia, sem vontade de fazer nada = DEPRESSÃO!

    COMO ANTIDEPRESSIVOS AJUDAM? Remédios AUMENTAM essas moléculas no cérebro = pessoa fica melhor!

    PROBLEMA: Demora 2-4 SEMANAS para efeito aparecer! NÃO é tipo aspirina (que tira dor em 1 hora). Paciente tem que ESPERAR e TER PACIÊNCIA!

    Classe 1: ISRS — Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina

    Pensa numa festa onde FALTA refrigerante (serotonina). O refrigerante desce → vira copo → a pessoa bebe. MAS tem um "aspirador" que SUGA tudo de volta pra cima! ISRS = DESLIGA O ASPIRADOR = refrigerante fica MAIS TEMPO no party = MAIS FELICIDADE!

    O QUÊ faz ISRS? Bloqueia um "tubo de volta" (SERT) que puxa serotonina pra fora. Resultado = MAIS SEROTONINA em volta das células = MAIS FELICIDADE!

    ISRS = SELETIVO! Só mexe em serotonina, não mexe em outros fios (noradrenalina, dopamina) = menos efeitos colaterais!

    REMÉDIOS MAIS USADOS:

    FLUOXETINA (Prozac): Demora MUITO tempo pra sair do corpo (6 dias!) = só 1x por dia. PROBLEMA: Bloqueia enzima CYP2D6 = pode dar ruim com outros remédios.
    SERTRALINA (Zoloft): A MAIS USADA no Brasil! Bom balanço entre efeito e efeitos colaterais.
    PAROXETINA (Paxil): Causa MAS efeitos colaterais = difícil parar de tomar. EVITAR se possível!
    CITALOPRAM (Celexa): Bom, mas cuidado com coração (QT prolongado em dose alta).
    ESCITALOPRAM (Lexapro): Versão "melhorada" de citalopram, bem tolerado.

    EFEITOS COLATERAIS QUE APARECEM:
    Náusea/diarreia (barriguinha ruim) = passa em 1-2 semanas
    Insônia OU cansaço (ou quer dormir demais, depende)
    DOR DE CABEÇA (passageira)
    PROBLEMA SEXUAL = 40-50% dos pacientes (difícil dizer!) = IMPORTANTE FALAR COM MÉDICO!
    GANHO DE PESO (2-3kg ao longo do tempo)
    TREMOR nos dedos (raro) ou apertação de dentes (bruxismo)
    SÍNDROME DE PARADA: Se parar de repente = tontura, sensação elétrica no cérebro (!), dormência. NUNCA PARAR DE REPENTE! Tem que DIMINUIR LENTAMENTE.

    DEMORA 2-4 SEMANAS! Paciente tem que esperar. Sono/ansiedade melhoram ANTES (1-2 semanas). Depressão melhora DEPOIS (2-4 semanas).

    ATENÇÃO: NUNCA COMBINAR ISRS COM IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase)! Reação FATAL chamada "síndrome serotoninérgica" = cérebro EXPLODE de tanta serotonina = febre, rigidez, morte!

    Efeitos Adversos Comuns

    Latência e Eficácia

    Latência: 2-4 semanas para efeito antidepressivo apreciável. Melhoria do sono/ansiedade pode aparecer em 1-2 semanas.

    Resposta: ~60-70% dos pacientes respondem ao 1º ISRS. Se não responder, tenta outro.

    Duração do tratamento: Mínimo 4-6 semanas para avaliar. Após remissão, manter por 6-12 meses (manutenção), depois considerar retirada gradual (risco recidiva ~50% se parar cedo).

    Interações Importantes

    ⚠️ SÍNDROME SEROTONINÉRGICA (ISRS + IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) = CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA!):

    Inibição CYP2D6 (Fluoxetina > Paroxetina > Sertralina):

    Indicações Além de Depressão

    ISRS não são apenas para depressão unipolar:

    Classe 2: IRSN — Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina

    Mecanismo Detalhado

    ISRS bloqueia 1 tipo de reciclagem (serotonina)
    IRSN bloqueia 2 tipos de reciclagem!

    Resultado: 2 "moedas de felicidade" circulando MAIS TEMPO
    + serotonina (humor, sono)
    + noradrenalina (energia, atenção, motivação)
    ALVOS DUPLOS:
    SERT (serotonina) + NET (noradrenalina)

    VANTAGEM:
    → Para depressão COM FADIGA/APATIA
    → Mais energia que ISRS sozinho
    → Melhor motivação, atenção

    DESVANTAGEM:
    → Pode aumentar pressão (noradrenalina = vasoconstritor!)
    → Pode acelerar coração

    Fármacos Principais

    Efeitos Adversos

    Similar a ISRS + efeitos NA:

    Indicações Especiais

    Classe 3: Antidepressivos Tricíclicos (ADT)

    Mecanismo — Por que "SUJO"?

    ISRS = arma específica (mata alvo certo)
    IRSN = arma mais potente (2 alvos)
    TRICÍCLICO = BOMBA (mata TUDO ao redor!)

    Resultado: muito efeito colateral!
    O QUE TRICÍCLICO BLOQUEIA (além de serotonina + noradrenalina):

    M (Muscarínico) = bloqueio anticolinérgico
    → Boca SECA (sem saliva)
    → Prisão de ventre (GRAVE às vezes)
    → Preso urina
    → Visão turva
    → Confusão mental

    H1 (Histamina) = sedação
    → MUITO SONO
    → Ganho de peso

    α1 (Adrenérgico) = vasodilatação
    TONTURA ao levantar (hipotensão ortostática)
    → Risco de queda em idosos!

    Canal Na⁺ do coração = CARDIOTOXICIDADE!
    → Alargamento QRS (ECG anormal)
    Arritmias GRAVES
    → Risco MORTE em overdose (janela terapêutica ESTREITA!)
    CONCLUSÃO:
    Tricíclicos são POTENTES (funcionam bem) MAS têm MUITOS efeitos ruins.
    Por isso: ISRS é 1ª escolha agora (melhor tolerância)
    Tricíclicos = 2ª/3ª linha ou usos ESPECÍFICOS (ver abaixo)

    Fármacos Principais

    Efeitos Adversos

    Anticolinérgicos (bloqueio M): Boca seca, constipação (às vezes grave → impactação!), retenção urinária, visão turva, confusão

    Sedação: Bloqueio H1, depressão SNC (Sistema Nervoso Central). Evitar atividades que requerem atenção.

    Hipotensão ortostática: Bloqueio α1 → risco queda, síncope (especialmente 1ª dose ou ajuste posológico). Usar em idosos com cuidado.

    ⚠️ CARDIOTOXICIDADE: Bloqueio canal Na⁺ → alargamento QRS, prolongamento PR, arritmias. Risco maior em doses altas, idade avançada, doença cardíaca pré-existente. ECG (Eletrocardiograma) baseline recomendado.

    ⚠️ OVERDOSE FATAL: Janela terapêutica ESTREITA! Risco de suicídio — paciente deprimido com acesso a ADT pode tomar dose letal. Por isso ISRS é 1ª linha (toxicidade menor em overdose).

    Indicações Atuais

    Classe 4: IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) — Inibidores da Monoamina Oxidase

    Estratégia COMPLETAMENTE diferente:
    ISRS/IRSN = BLOQUEIA o "ralo" da recaptação (mais tempo na fenda)
    IMAO = DESTRÓI a "máquina destruidora" (MAO) de monoaminas

    Resultado: monoaminas VIVEM MAIS TEMPO (não são destruídas)
    POTENTE DEMAIS? Sim. SEGURO? NÃO!
    MECANISMO:
    → MAO = enzyme que DESTRÓI serotonina, noradrenalina, dopamina
    → IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) BLOQUEIA essa enzyme
    → Resultado: monoaminas AUMENTAM 3x (todas as 3!)
    → MAS: EFEITOS COLATERAIS GRAVES!

    FÁRMACOS:
    → Tranilcipromina, fenelzina (irreversível = bloqueio permanente)
    → Moclobemida (reversível = mais seguro)
    ⚠️⚠️⚠️ PERIGO CRÍTICO 1: SÍNDROME SEROTONINÉRGICA
    Se combinar IMAO + ISRS/IRSN = MORTE!
    Serotonina EXPLODE → hipertermia (febre 40°C+), tremor, rigidez muscular, convulsão, coma
    Prevenção: NUNCA usar junto
    Washout: aguardar 2-5 semanas entre mudanças

    ⚠️⚠️⚠️ PERIGO CRÍTICO 2: "CRISE DO QUEIJO" (TIRAMÍNICA)
    Como funciona a "crise do queijo":
    1. Normalmente: MAO degrada tiramina no alimento
    2. IMAO bloqueia MAO
    3. Você come queijo envelhecido com MUITA tiramina
    4. Tiramina NÃO é degradada → absorção COMPLETA
    5. Tiramina solta ENXURRADA de noradrenalina
    6. VASOS APERTAM DEMAIS → pressão 250/150 mmHg
    7. RISCO: AVC hemorrágico, infarto, morte!

    SINTOMAS de crise tiramínica:
    → Dor de cabeça SÚBITA na nuca
    → Visão embaçada
    → Palpitações
    → Sudoração extrema
    → Minutos a horas após comer alimento com tiramina
    ALIMENTOS PROIBIDOS com IMAO:
    NUNCA COMA:
    → Queijos ENVELHECIDOS (cheddar, suíço, gorgonzola, azul)
    → Vinho TINTO, cerveja
    → Embutidos (presunto, pastrami, pepperoni)
    → Soja fermentada
    → Molho de soja
    → Alguns iogurtes antigos

    OK (baixa tiramina):
    → Queijo fresco (mozzarela, ricota)
    → Vinho branco
    → Frutas/vegetais
    INDICAÇÕES (MUITO RARAS):
    ÚLTIMA LINHA depressão refratária (tudo falhou)
    Depressão "atípica" (muito cansada, come demais)
    Fobia social severa (funciona bem)

    CONTRAINDICAÇÕES:
    NUNCA com ISRS/IRSN
    Paciente que não consegue seguir dieta restrita
    Hipertensão descontrolada
    História de AVC (Acidente Vascular Cerebral)

    Classe 5: Antidepressivos Atípicos/Outros

    Bupropiona (IRND — Inibidor Recaptação Noradrenalina+Dopamina)

    Mecanismo: Bloqueia NET + DAT (transportador dopamina) → ↑ NA + DA (não afeta 5-HT!)

    Características únicas:

    Dosagem: Formas SR (liberação estendida), XL (24h). XL = OD.

    Indicações: Depressão com apatia, TDAH, cessação tabagismo, depressão sexual-adversa, depressão com ganho de peso.


    Mirtazapina (Antagonista α2 pré-sináptico)

    Mecanismo: Bloqueia autorreceptor α2 pré-sináptico em neurônios NA → ↑ liberação NA + ↑ liberação 5-HT (NA ativa receptores pós-sinápticos que facilitam 5-HT). Anti-H1 → sedação. Anti-M leve → boca seca.

    Características únicas:

    Indicações: Depressão com insônia+inapetência, depressão em idosos (sedação útil), depressão com anorexia nervosa/caquexia.


    Trazodona (Antagonista 5-HT2 + débil inibidor SERT)

    Mecanismo: Antagonista 5-HT2A/2C + fraco bloqueio SERT

    Características únicas:

    Indicações: Off-label para insônia (não é ansiolítico), depressão com insônia severa, aumento eficácia ISRS.


    Vortioxetina (Multimodal)

    Mecanismo: Triplo alvo: (1) Bloqueio SERT (como ISRS), (2) Agonista 5-HT1A (autorreceptor), (3) Antagonista 5-HT3

    Características únicas:

    Indicações: Depressão com disfunção cognitiva, executiva, memorial. Alternativa ISRS se depressão afeta cognição.

    Tabela Comparativa de Todos os Antidepressivos

    Classe Exemplo 1ª Linha? Disfunção Sexual Ganho Peso Indicação Especial
    ISRS Sertralina, fluoxetina SIM ✅ COMUM (40-50%) Leve Ansiedade, TOC, fobia social
    IRSN Venlafaxina, duloxetina Sim (2ª) Raro Leve Dor neuropática + depressão
    Tricíclico Amitriptilina, clomipramina NÃO Comum Moderado-grave Dor, migrânea, TOC (clomi)
    IMAO Tranilcipromina ÚLTIMA LINHA Raro Moderado Depressão refratária atípica
    Bupropiona Wellbutrin Alternativa NENHUM! ✅ NENHUM/Perda Cessação tabagismo, TDAH
    Mirtazapina Remeron Alternativa Nenhum Grave Insônia + inapetência
    Trazodona Desyrel Não (hipnótico) Nenhum Leve Insônia, priapismo raro
    Vortioxetina Brintellix Alternativa Nenhum Nenhum Disfunção cognitiva

    Flashcards — Antidepressivos

    Qual é o mecanismo de ISRS?
    Bloqueio SERT (transportador serotonina) → ↑ serotonina na fenda sináptica → melhoria humor, motivação, cognição. Latência 2-4 semanas.
    Qual ISRS tem t½ mais longa e inibe CYP2D6?
    Fluoxetina (t½ ~6 dias, regime OD) inibe CYP2D6 potentemente → risco interações. Washout 5 semanas se descontinuar (vs 2 semanas outros ISRS).
    Qual é efeito adverso MAIS comum de ISRS?
    Disfunção sexual (40-50% pacientes) — ↓libido, anorgasmia. Outros comuns: náusea GI, insônia OU sonolência, ganho peso crônico.
    O que é síndrome de descontinuação ISRS?
    Parada abrupta → tontura, "brain zaps" (sensação elétrica), parestesias, insônia, ansiedade. Prevenção: TAPER GRADUAL (reduzir 10-25%/semana). Fluoxetina precisa taper mais longo (t½ longa).
    ISRS + IMAO = ?
    CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA! Síndrome serotoninérgica (hipertermia, agitação, mioclonia, diarreia, coma). Washout obrigatório: 2 semanas (fluoxetina 5 semanas).
    Qual é mecanismo IRSN?
    Bloqueia SERT + NET → ↑5-HT + ↑NA na fenda sináptica. Útil para depressão com fadiga/apatia (NA melhora motivação). Efeito colateral: hipertensão (NA).
    Como venlafaxina é "dose-dependente"?
    Dose baixa (75mg) = ISRS (ativa SERT). Dose alta (>225mg) = ativa NET também → efeito IRSN pleno. Estratégia: aumentar dose gradualmente.
    Qual é a vantagem duloxetina em dor + depressão?
    Duloxetina ativa SERT+NET igualmente em doses terapêuticas → ↑5-HT+NA. Aprovada FDA para dor diabética neuropática, fibromialgia. Trata ambas condições.
    Por que tricíclicos são "SUJOS"?
    Bloqueiam SERT+NET + M (anticolinérgicos), H1 (sedação), α1 (hipotensão), canal Na⁺ (cardiotoxicidade). Resultado: muitos efeitos adversos. Relegados 2ª/3ª linha.
    Qual é risco CRÍTICO overdose tricíclicos?
    Bloqueio canal Na⁺ cardíaco → alargamento QRS, arritmias, morte cardíaca súbita. Janela terapêutica ESTREITA. Risco suicida alto. Por isso ISRS é 1ª linha (seguro overdose).
    Qual tricíclico é 1ª linha para TOC?
    Clomipramina (mais serotoninérgica, bloqueio SERT predominante). FDA-aprovada TOC. Quando ISRS falha em TOC, tentar clomipramina ou aumentar ISRS dose.
    Qual é mecanismo IMAO?
    Bloqueia enzima MAO (degradação monoaminas) → ↑↑ serotonina, NA, DA intracelular e sináptica. Irreversível (tranilcipromina) = duração dias. Efeito potente, mas interações graves.
    O que é "crise tiramínica" com IMAO?
    Tiramina (alimentos: queijo, vinho tinto, embutidos) normalmente degradada por MAO. Com IMAO (Inibidor da Monoamina Oxidase) bloqueado → tiramina absorção completa → libera NA massiçamente → HIPERTENSÃO MALIGNA (risco AVC (Acidente Vascular Cerebral)). Alimentos proibidos!
    Qual é mecanismo bupropiona?
    Bloqueia NET + DAT → ↑NA + DA (SEM efeito 5-HT!). Único sem disfunção sexual. Sem ganho peso. Risco convulsão. FDA-aprovada cessação tabagismo (Zyban).
    Qual antidepressivo usar se paciente tem disfunção sexual por ISRS?
    Bupropiona (SEM disfunção sexual, ↑DA/NA) OU vortioxetina (sem disfunção sexual, melhora cognição). Pior: trazodona (priapismo raro), mirtazapina (sedação).
    Qual é mecanismo mirtazapina?
    Antagonista α2 pré-sináptico (↑NA liberação) → desensibilização permite ↑5-HT. Anti-H1 → sedação. Dose inversa: baixas doses (7.5-15mg) mais sedação. ↑apetite, ganho peso grave.
    Qual antidepressivo para insônia + inapetência?
    Mirtazapina (sedação H1 + ↑apetite). Dose baixa (15mg noite) = máxima sedação. Alternativa: trazodona 50-100mg (hipnótico, sem efeito antidepressivo).
    Qual é efeito paradoxo trazodona?
    Bloqueio α1 → vasoconstrição reversão prejudicada → PRIAPISMO (ereção prolongada, dolorosa). Raro mas grave (impotência permanente possível). Antagoniza 5-HT2 que facilita ereção (conflito).
    Qual antidepressivo melhora cognição?
    Vortioxetina (multimodal: ISRS + agonista 5-HT1A + antagonista 5-HT3). Dados robustos para melhoria atenção, processamento, memória. Sem disfunção sexual, sem ganho peso. CARO.
    Qual é latência para efeito antidepressivo?
    2-4 semanas (não é calmante!). Melhoria sono/ansiedade pode aparecer 1-2 semanas. Resultado esperado = 4-6 semanas. Se não responder, trocar classe ou aumentar dose.

    Quiz — Antidepressivos (12 questões)

    Q1: Um paciente com depressão moderada queixa-se de tristeza constante, fadiga e insônia. O médico inicia fluoxetina 20mg/dia. Após 1 semana, o paciente retorna reclamando que "o remédio não funcionou".

    a) Suspender fluoxetina e trocar por outro antidepressivo
    b) Aumentar dose para 40mg imediatamente para acelerar efeito
    c) Orientar paciente que latência é 2-4 semanas; melhoria de sono vem primeiro
    d) Associar benzodiazepínico para acelerar resposta

    Q2: Paciente em sertralina por 3 meses relata dificuldade de ereção, diminuição de libido. A depressão melhorou bem.

    a) Suspender sertralina abruptamente
    b) Trocar para bupropiona (que não causa disfunção sexual)
    c) Aumentar dose para potencializar efeito
    d) Manter sertralina e prescrever sildenafila

    Q3: Psiquiatra prescreve fluoxetina. Semanas depois, paciente iniciou automedicação com "energético" contendo linezolida. Após poucas horas: febre 39°C, rigidez muscular, tremores, confusão mental.

    a) Síndrome anticolinérgica
    b) Síndrome serotoninérgica (excesso serotonina)
    c) Síndrome de descontinuação de antidepressivo
    d) Intoxicação por linezolida apenas

    Q4: Paciente em amitriptilina (tricíclico) por 2 semanas relata: boca seca, visão turva, constipação severa, dificuldade urinar.

    a) Bloqueio de receptores H1 (histamina)
    b) Bloqueio de receptores muscarínicos (anticolinérgicos)
    c) Inibição de serotonina
    d) Aumento de noradrenalina

    Q5: Paciente com depressão resistente em fluoxetina 40mg/dia há 8 semanas sem resposta. Psiquiatra quer trocar para IMAO.

    a) Nenhum washout = pode começar IMAO no dia seguinte
    b) 1 semana para maioria ISRS; 5 semanas para fluoxetina
    c) 24 horas = tempo meia-vida
    d) 3 dias = padrão universal

    Q6: Paciente parou fluoxetina abruptamente após 4 meses. Uma semana depois: tontura, sensação "choque elétrico" na cabeça, dormência, insônia.

    a) Recaída depressiva
    b) Síndrome de descontinuação de antidepressivo
    c) Efeito adverso tardio de fluoxetina
    d) Intoxicação por residual medicamento

    Q7: Paciente deprimido com baixa serotonina, baixa noradrenalina, fuma 1 maço/dia. Quer aumentar energia E parar de fumar.

    a) Sertralina (apenas serotonina)
    b) Amitriptilina (tricíclico)
    c) Bupropiona (aumenta NA e DA; reduz vontade nicotina)
    d) Mirtazapina (causa sonolência)

    Q8: Paciente deprimido com perda apetite (10kg em 2 meses), insônia, agitação noturna. Médico prescreve mirtazapina 15mg à noite.

    a) Bloqueio 5-HT2A/2C → aumento apetite
    b) Aumento dopamina
    c) Bloqueio noradrenalina
    d) Inibição MAO

    Q9: Paciente em sertralina + analgésico contendo tramadol (ativa serotonina). Desenvolve: tremor, hipertermia 39°C, confusão, rigidez muscular.

    a) Interação farmacocinética por CYP450
    b) Síndrome serotoninérgica (serotonina em excesso)
    c) Efeito colateral isolado tramadol
    d) Aumento noradrenalina

    Q10: Paciente em fluoxetina 40mg/dia relata taquicardia, tremores finos, ansiedade aumentada. Iniciou há 2 dias.

    a) Suspender fluoxetina imediatamente
    b) 40mg é dose alta para início; reduzir para 20mg
    c) Síndrome serotoninérgica; trocar para IMAO
    d) Adicionar betabloqueador

    Q11: Paciente com depressão + hipertensão controlada. Prescreve-se IRSN (venlafaxina 75mg/dia). Pressão sobe para 160/100mmHg.

    a) Aumento serotonina causando vasoconstrição
    b) Aumento noradrenalina causando ativação adrenérgica
    c) Redução dopamina
    d) Bloqueio receptores H1

    Q12: Psiquiatra prescreve fluoxetina para depressão. Paciente também toma enalapril, metoprolol, simvastatina. Fluoxetina inibe CYP2D6.

    a) Simvastatina metabolizada CYP2D6 → ↑nível → miopatia
    b) Metoprolol metabolizado CYP2D6 → ↑nível → bradicardia, hipotensão
    c) Enalapril metabolizado CYP2D6
    d) Sem risco; combinação segura

    Q13: Paciente com depressão refratária em fluoxetina 12 semanas sem resposta. Quer trocar para IMAO. Qual ISRS tem MENOR washout?

    a) Fluoxetina (meia-vida muito longa)
    b) Sertralina (2 semanas washout)
    c) Escitalopram (meia-vida intermediária)
    d) Paroxetina (acumula corpo)

    Q14: Paciente em sertralina 50mg/dia por 1 ano. Depressão em remissão. Quer saber quando parar.

    a) Parar imediatamente; resolveu
    b) Manter 6-12 meses remissão, depois reduzir gradualmente 10-25% semana
    c) Manter indefinidamente para prevenir recaída total
    d) Reduzir para metade depois 1 mês

    Q15: Paciente deprimido com diabetes tipo 2 (hipoglicemia frequente). Inicia sertralina. Glicemia melhorou. Por quê?

    a) Aumenta secreção insulina diretamente
    b) Melhora depressão → paciente ativa + melhor adesão dieta → melhor controle
    c) Bloqueia CYP3A4 → reduz metabolismo antidiabético
    d) Reduz absorção glicose intestino