🧠 Semiologia dos Nervos Cranianos (I, II, III, IV, V, VI e VII)
Profa. Raquel Portugal Haraki — UNINOVE | Disciplina Saúde Mental
60+
📚 Flashcards
60+
❓ Múltipla Escolha
50+
✍️ Dissertativas
📋 Nervos Cranianos — Visão Geral
🎯 Conceitos Fundamentais
Os 12 pares de nervos cranianos são essenciais para a inervação da cabeça e pescoço, controlando funções sensoriais, motoras e autonômicas críticas.
⚡ Ponto-Chave: Quase todos os nervos cranianos se originam do tronco encefálico, COM EXCEÇÃO de dois:
NC I (Olfatório) — origem em neurônios da mucosa olfatória
NC II (Óptico) — extensão do diencéfalo (não é nervo de verdade!)
🧬 Origem no Tronco Encefálico
Mesencéfalo: NC III (oculomotor), NC IV (troclear)
Ponte: NC V (trigêmeo), NC VI (abducente), NC VII (facial), NC VIII (vestibuloclear)
Bulbo/Medula: NC IX (glossofaríngeo), NC X (vago), NC XI (acessório), NC XII (hipoglosso)
📚 Termos Essenciais
Tronco Encefálico: estrutura que contém os núcleos dos nervos cranianos (mesencéfalo, ponte, bulbo)
Trato: conjunto de fibras nervosas no SNC
Par Craniano: par de nervos que sai do tronco encefálico bilateralmente
Fig 1: Distribuição dos 12 pares de nervos cranianos no tronco encefálico
💭 Comentário da Professora: "Quase todos saem do tronco encefálico, com exceção de dois: o olfatório vem da mucosa e o óptico é uma extensão do cérebro. Lembrem-se: essa é a regra e suas exceções!"
Qual estrutura do SNC contém os núcleos dos nervos cranianos?
Tronco Encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo)
Quais são os dois nervos cranianos que NÃO se originam no tronco encefálico?
NC I (Olfatório) — vem da mucosa olfatória / NC II (Óptico) — extensão do diencéfalo
Quais nervos cranianos se originam no mesencéfalo?
NC III (Oculomotor) e NC IV (Troclear)
Qual é a diferença entre um "trato" e um "par craniano"?
Trato = conjunto de fibras no SNC / Par Craniano = nervo que sai bilateralmente do tronco encefálico
Quantos pares de nervos cranianos existem?
12 pares (NC I a NC XII)
❓ Múltipla Escolha
1. O nervo óptico (NC II) é tecnicamente:
A) Um nervo periférico normal
B) Uma extensão do diencéfalo ✓
C) Originário da medula espinhal
D) Um nervo misto sensório-motor
O NC II é, na verdade, uma extensão do sistema nervoso central (diencéfalo), não um nervo periférico verdadeiro. Por isso não tem potencial de regeneração como os outros nervos cranianos.
2. O bulbo é parte do tronco encefálico. Qual nervo craniano NÃO se origina lá?
A) NC IX (Glossofaríngeo) — origina no bulbo ✓
B) NC VII (Facial) — origina na ponte
C) NC X (Vago) — origina no bulbo
D) NC XII (Hipoglosso) — origina no bulbo
O NC VII (Facial) se origina na ponte, não no bulbo. Lembre-se: Mesencéfalo = III/IV; Ponte = V/VI/VII/VIII; Bulbo = IX/X/XI/XII.
3. Qual afirmação melhor descreve a relação entre trato e par craniano?
A) São estruturas idênticas do ponto de vista anatômico
B) O trato é periférico; o par craniano é central
C) O trato é um conjunto de fibras no SNC; o par craniano sai bilateralmente do tronco encefálico ✓
D) Os tratos apenas transportam informações motoras
Um trato é um agrupamento de fibras nervosas dentro do SNC. Um par craniano é um nervo que sai bilateralmente (dois lados) do tronco encefálico.
4. Por que o NC I (olfatório) é considerado uma exceção?
A) Se origina na mucosa olfatória, não no tronco encefálico ✓
B) É o único nervo sensorial puro
C) Não entra no crânio
D) Inicia sua origem nas fossas nasais apenas
O NC I se origina em neurônios olfatórios localizados na mucosa olfatória nasal, não no tronco encefálico como os demais.
5. Qual das seguintes estruturas NÃO faz parte do tronco encefálico?
A) Mesencéfalo
B) Ponte
C) Bulbo
D) Diencéfalo ✓
O diencéfalo (que contém o tálamo e hipotálamo) não faz parte do tronco encefálico. O tronco encefálico é composto por mesencéfalo, ponte e bulbo.
6. Quantos nervos cranianos se originam na ponte?
A) 2 nervos cranianos
B) 4 nervos cranianos (V, VI, VII, VIII) ✓
C) 6 nervos cranianos
D) 8 nervos cranianos
A ponte (pars pontis) contém os núcleos dos NC V (trigêmeo), VI (abducente), VII (facial) e VIII (vestibuloclear).
✍️ Questões Dissertativas
1. Explique por que o NC I e o NC II são considerados "exceções" entre os nervos cranianos.
▼
Resposta esperada:
O NC I (olfatório) é uma exceção porque se origina em neurônios localizados na mucosa olfatória nasal, e não no tronco encefálico. O NC II (óptico) também é uma exceção, pois é tecnicamente uma extensão do diencéfalo (sistema nervoso central) e não um nervo periférico verdadeiro. Esses dois nervos diferem fundamentalmente dos demais nervos cranianos em sua origem e estrutura, e ambos têm implicações clínicas importantes (por exemplo, o NC I pode se danificar no traumatismo crânio-encefálico, e o NC II não pode se regenerar como um nervo periférico).
2. Descreva a distribuição dos nervos cranianos nos três níveis do tronco encefálico.
▼
Resposta esperada: Mesencéfalo: Contém os núcleos do NC III (oculomotor) e NC IV (troclear), responsáveis pela inervação dos músculos extraoculares.
Ponte: Contém os núcleos do NC V (trigêmeo), VI (abducente), VII (facial) e VIII (vestibuloclear), envolvidos na sensação da face, movimentos oculares, expressão facial e audição/equilíbrio.
Bulbo: Contém os núcleos do NC IX (glossofaríngeo), X (vago), XI (acessório) e XII (hipoglosso), envolvidos na deglutição, fonação, movimentos da língua e funções autonômicas.
3. Por que a compreensão da origem dos nervos cranianos é importante para a semiologia clínica?
▼
Resposta esperada:
Compreender a origem dos nervos cranianos permite localizar lesões no SNC. Por exemplo, uma lesão no mesencéfalo afetará os NC III e IV, enquanto uma lesão na ponte afetará os NC V, VI, VII e VIII. Isso ajuda a identificar o nível e a localização exata de patologias como tumores, acidentes vasculares cerebrais ou traumatismos. Além disso, saber que o NC I se origina na mucosa olfatória permite diagnosticar causas de anosmia relacionadas a doenças nasais.
4. Qual é a diferença funcional entre um trato e um par craniano, do ponto de vista da transmissão de informações?
▼
Resposta esperada:
Um trato é um conjunto de fibras nervosas que se conectam entre estruturas dentro do sistema nervoso central (ex: trato óptico, que conecta o nervo óptico ao núcleo geniculado lateral). Um par craniano transmite informações entre o tronco encefálico e estruturas periféricas (cabeça, pescoço). Os tratos são geralmente vias de processamento intracerebrais, enquanto os pares cranianos são a interface entre o SNC e a periferia.
👃 NC I — Nervo Olfatório
🎯 Função e Estrutura
O NC I é um nervo sensorial puro responsável pela transmissão do olfato. Seus neurônios sensoriais estão localizados na mucosa olfatória nasal, não no tronco encefálico.
⚡ Características:
Único nervo que é uma extensão de neurônios periféricos diretamente
Vulnerável a traumatismo crânio-encefálico na placa crivosa
Passo 2: Técnica
• Ocluir uma narina
• Olhos fechados
• Apresentar odor familiar (canela, sabão, café, frutas)
• Pedir para detectar (sente algo?) e identificar (o que é?)
• Repetir do outro lado
Passo 3: Avaliação
• Se queixa unilateral: começar pelo lado sintomático
• Comparar lados (simetria)
Fig 2: Técnica correta para examinar o olfato
😈 Disfunções do Olfato
As alterações olfatórias podem ser quantitativas (quantidade) ou qualitativas (qualidade):
Quantitativas:
Anosmia: ausência completa de olfato (unilateral ou bilateral)
Hiposmia: redução do olfato
Qualitativas:
Agnosia olfatória: incapacidade de identificar o odor (detecção preservada)
Cacosmia: percepção desagradável de odor normal
Fantosmia/Coprosmia: alucinação olfatória (sem estímulo real) — fezes
Parosmia/Disosmia: percepção distorcida de odor real
Hiperosmia: sensibilidade aumentada (raro)
Presbiosmia: perda olfatória relacionada à idade
Fig 3: Classificação das disfunções olfatórias
🏥 Etiologia: Déficit Condutivo vs Neurossensorial
CONDUTIVO (Problema na cavidade nasal):
✓ Hiposmia (geralmente)
✓ Reversível com tratamento da causa
✓ Causas: IVAS aguda, COVID-19, rinite alérgica, pólipos nasais, cocaína, tabagismo
NEUROSSENSORIAL (Problema nos neurônios olfatórios ou trato):
✓ Anosmia ou hiposmia grave
✓ Potencialmente irreversível
✓ Causas: TCE com lesão da placa crivosa, síndrome de Foster Kennedy (tumor frontal), Parkinson (precoce!), Kallmann, radioterapia
💭 Comentário da Professora: "Antes de tudo, excluir causa nasal! Se o paciente tem rinite alérgica ou gripe, pode ter anosmia, mas é apenas condutivo. COVID é o exemplo principal de hiposmia pós-viral. Se é neurossensorial, aí temos que pensar em doenças do SNC!"
Excluir obstrução nasal (verificar permeabilidade das narinas)
O que é anosmia?
Ausência completa do olfato (pode ser unilateral ou bilateral)
Qual é a principal causa de hiposmia pós-viral?
COVID-19 (causa disfunção neurossensorial do olfato)
Diferencie agnosia olfatória de anosmia.
Agnosia: sente o odor mas não identifica / Anosmia: não sente o odor
Qual síndrome neurológica clássica apresenta anosmia unilateral por tumor frontal?
Síndrome de Foster Kennedy (tumor frontal → lesão NC I + papiledema contralateral)
O que é fantosmia?
Alucinação olfatória — percepção de odor sem estímulo externo real
❓ Múltipla Escolha
1. Qual é a localização dos neurônios sensoriais do NC I?
A) Mucosa olfatória nasal ✓
B) Bulbo olfatório
C) Tronco encefálico
D) Nervo olfatório intracraniado
Os neurônios sensoriais olfatórios estão localizados na mucosa olfatória da cavidade nasal, o que torna o NC I único entre os nervos cranianos.
2. Um paciente apresenta anosmia unilateral após TCE. Qual é a estrutura anatômica afetada?
A) Bulbo olfatório
B) Placa crivosa do etmóide (onde passa o NC I) ✓
C) Septo nasal
D) Mucosa olfatória intacta mas com edema
No TCE, o NC I pode se danificar ao passar pela placa crivosa do etmóide, causando anosmia. Isso é uma lesão neurossensorial irreversível.
3. Qual é a diferença entre anosmia condutiva e neurossensorial em relação ao prognóstico?
A) A condutiva é sempre reversível; a neurossensorial é sempre irreversível
B) A condutiva é geralmente reversível com tratamento da causa; a neurossensorial é potencialmente irreversível ✓
C) Ambas têm o mesmo prognóstico
D) A neurossensorial é mais fácil de tratar
Anosmia condutiva causada por IVAS ou rinite alérgica pode melhorar com tratamento. Anosmia neurossensorial (como em TCE) é geralmente permanente porque há destruição dos neurônios olfatórios.
4. Um paciente com Parkinson precoce relata perda de olfato. Qual tipo de disfunção olfatória é esperado?
A) Hiposmia/anosmia neurossensorial ✓
B) Anosmia condutiva
C) Agnosia olfatória pura
D) Hiperosmia compensatória
A perda de olfato é um sintoma precoce do Parkinson, relacionado à degeneração de neurônios dopaminérgicos. É uma disfunção neurossensorial.
5. O que diferencia agnosia olfatória de hiposmia?
A) A hiposmia é mais comum
B) A agnosia é sempre bilateral
C) Na agnosia, o paciente sente o odor mas não o identifica; na hiposmia, há redução da detecção ✓
D) A agnosia é apenas condutiva
Na agnosia olfatória, a sensação está preservada mas o reconhecimento está afetado. Na hiposmia, há redução real na capacidade de detectar odores.
6. Qual técnica correta deve ser usada ao examinar o olfato?
A) Apresentar odor forte bilateralmente ao mesmo tempo
B) Ocluir uma narina por vez, com olhos do paciente fechados, usando odor familiar ✓
C) Usar apenas odores químicos como amônia
D) Repetir o odor várias vezes sem pausa entre narinas
A técnica correta envolve ocluir uma narina, usar odores familiares (não irritantes), solicitar detecção e identificação, e comparar bilateralmente.
✍️ Questões Dissertativas
1. Descreva o procedimento correto para examinar o olfato em um paciente com queixa de anosmia unilateral.
▼
Resposta esperada:
1. Primeiro, excluir obstrução nasal verificando a permeabilidade das fossas nasais
2. Começar pelo lado sintomático (onde o paciente relata dificuldade)
3. Posicionar o paciente confortavelmente
4. Pedir para fechar os olhos
5. Ocluir a narina contralateral
6. Apresentar um odor familiar (canela, sabão, café) embaixo da narina aberta
7. Pedir para: (a) detectar se sente algo, (b) identificar o que é
8. Repetir o procedimento na narina contralateral
9. Comparar e documentar as diferenças
A anosmia unilateral sugere lesão do NC I ou estruturas nasais.
2. Explique a diferença entre déficit olfatório condutivo e neurossensorial, incluindo etiologias e prognóstico.
▼
Resposta esperada: CONDUTIVO:
• Problema nas fossas nasais impedindo o acesso do odor aos neurônios olfatórios
• Causas: IVAS aguda, COVID-19, rinite alérgica, pólipos nasais, sinusite, rinite medicamentosa
• Prognóstico: Reversível com tratamento da causa subjacente
NEUROSSENSORIAL:
• Problema nos neurônios olfatórios, NC I ou trato olfatório
• Causas: TCE com lesão da placa crivosa, Parkinson, síndrome de Foster Kennedy, neuropatia diabética, Kallmann, meningite
• Prognóstico: Potencialmente irreversível, especialmente em TCE e Parkinson
A distinção é importante porque o tratamento e o prognóstico são completamente diferentes.
3. Um paciente apresenta anosmia unilateral após traumatismo craniano grave. Qual estrutura foi afetada e por quê?
▼
Resposta esperada:
A placa crivosa do etmóide foi afetada. No traumatismo crânio-encefálico, especialmente com golpes na região frontal ou impactos violentos, os filetes do NC I que passam através da placa crivosa podem ser avulsionados ou danificados. Isso causa anosmia ipsilateral irreversível porque os neurônios olfatórios foram destruídos. Este é um exemplo clássico de lesão neurossensorial do olfato.
5. Por que a perda de olfato é considerada um sintoma precoce do Parkinson?
▼
Resposta esperada:
A perda de olfato ocorre precocemente no Parkinson porque há degeneração de neurônios dopaminérgicos no sistema olfatório, particularmente no bulbo olfatório. Os neurônios dopaminérgicos estão envolvidos no processamento olfatório, e sua morte leva a hiposmia ou anosmia. Isso pode ocorrer antes mesmo dos sintomas motores clássicos (tremor, rigidez) se manifestarem, tornando-se um marcador útil para diagnóstico precoce.
👁️ NC II — Campo Visual e Via Óptica
🎯 Introdução
O NC II transmite informações visuais do olho até o córtex visual occipital. Lesões em diferentes pontos dessa via causam padrões específicos de perda visual.
🔍 Campimetria por Confrontação
Técnica:
1. Paciente sentado, à mesma altura que o examinador
2. Distância: cerca de 60cm
3. Ambos estendem os braços totalmente (2 braços cada)
4. Paciente ocluir olho direito, examina com olho direito
5. Fixação: paciente fixa no nariz do examinador
6. Mover dedos em 4 quadrantes (superior, inferior, medial, lateral)
7. Pedir "me diga quando vê meu dedo se movendo"
8. Comparar com o examinador (normal) bilateralmente
🎨 Lógica da Retina e Campo Visual
Conceito fundamental: A imagem é invertida na retina!
⚡ Correlação retina-campo:
• Retina NASAL → vê campo TEMPORAL
• Retina TEMPORAL → vê campo NASAL
• Retina SUPERIOR → vê campo INFERIOR
• Retina INFERIOR → vê campo SUPERIOR
Resultado: Cada trato óptico carrega informação do campo contralateral!
Fig 5: Técnica de campimetria por confrontação
💥 Mancha Cega (Escotoma Fisiológico)
O que é? Área onde o disco óptico não tem fotorreceptores Localização: Região nasal do campo visual (15-17° da fixação) Compensação: Em visão binocular, o olho contralateral compensa! Teste: Apenas aparente em campimetria monocular
🔴 Lesões da Via Óptica e Padrões de Deficiência Visual
2. HEMIANOPSIA BITEMPORAL (Quiasma):
✓ Perda dos campos TEMPORAIS bilateralmente (| V |)
✓ Visão em "túnel"
✓ Causa: tumor hipofisário comprimindo quiasma por cima
3. HEMIANOPSIA HOMÔNIMA (Trato/Radiações):
✓ Perda do mesmo lado (direito ou esquerdo) de AMBOS os olhos
✓ Padrão: campo direito ou esquerdo inteiro afetado
✓ Causa: AVC, tumor, lesão occipital contralateral
4. QUADRANTANOPSIA (Radiações Parciais):
✓ Perda de um quadrante (superior ou inferior)
✓ Meyer: radiação temporal inferior → quadrante superior (AVC temporo-parietal)
✓ Oppenheim: radiação parietal superior → quadrante inferior
📍 Escotomas (Áreas Localizadas de Cegueira)
Escotoma central: Lesão de mácula (doenças oftalmológicas) → perda de visão central mas periférica preservada
Escotoma peripapilar: Edema de papila (papiledema) → bordas do disco óptico não veem
Escotoma relativo: Redução parcial de visão
Escotoma absoluto: Perda completa de visão naquela área
Fig 6: Padrões de perda de campo visual
Fig 7: Correlação entre localização de lesão e padrão de deficiência visual
💭 Comentário da Professora: "Lembrem-se: as fibras nasais CRUZAM. Então se há uma lesão no quiasma vindo de cima (tumor hipófise), afeta aquelas fibras nasais que cruzam → hemianopsia bitemporal. Se a lesão é no trato óptico, é homônima porque o trato já tem fibras do lado contralateral misturadas. Decorem: nervo = amaurose, quiasma = bitemporal, trato = homônima."
Por que as fibras nasais cruzam no quiasma óptico?
Para que cada hemisfério cerebral receba informação do campo visual contralateral (fibras nasais descussam, temporais não)
Qual é a diferença entre amaurose e hemianopsia?
Amaurose = cegueira monocular completa (lesão nervo óptico). Hemianopsia = perda de metade do campo visual (lesão pós-quiasma)
❓ Múltipla Escolha
1. Ao fazer campimetria por confrontação, qual é a posição correta do examinador em relação ao paciente?
A) O examinador fica a 1 metro de distância
B) O examinador fica à mesma altura, cerca de 60cm de distância, com braços estendidos ✓
C) O examinador fica atrás do paciente
D) A distância não importa desde que os campos se sobreponham
Na campimetria por confrontação, o examinador deve estar à mesma altura do paciente, aproximadamente 60cm de distância, permitindo comparação precisa dos campos visuais.
2. Um paciente apresenta hemianopsia bitemporal. Qual estrutura está sendo comprimida?
A) Quiasma óptico (por tumor hipofisário) ✓
B) Nervo óptico bilateral
C) Trato óptico bilateral
D) Córtex occipital bilateral
Hemianopsia bitemporal é causada por compressão do quiasma óptico (geralmente tumor hipofisário), afetando as fibras nasais que cruzam.
3. Qual é a consequência da inversão da imagem na retina para o campo visual?
A) Não tem consequência; visão é normal
B) A retina nasal vê campo temporal; retina superior vê campo inferior ✓
C) A retina temporal vê campo temporal
D) A inversão só ocorre monocularmente
A imagem invertida na retina significa que hemirretina nasal corresponde a hemicampo temporal e vice-versa. Isso é crucial para entender padrões de defeitos visuais.
4. Um paciente tem hemianopsia homônima à esquerda (perda campo visual esquerdo em ambos os olhos). Qual é a localização mais provável da lesão?
A) Hemisfério cerebral direito (trato óptico ou córtex occipital) ✓
B) Perda de visão central (mácula) com periféria preservada ✓
C) Mancha cega fisiológica
D) Defeito bitemporal
Escotoma central é perda de visão na região central (mácula), geralmente por doenças oftalmológicas, enquanto a visão periférica é preservada.
6. Por que as fibras nasais (mas não as temporais) cruzam no quiasma óptico?
A) Porque são mais frágeis
B) Para que cada hemisfério receba informação do campo visual contralateral ✓
C) Porque a retina nasal é maior
D) Por razões evolutivas desconhecidas
O cruzamento parcial de fibras nasais garante que cada hemisfério cerebral processe informação do campo visual contralateral, essencial para visão binocular integrada.
✍️ Questões Dissertativas
1. Explique por que um tumor hipofisário causa hemianopsia bitemporal.
▼
Resposta esperada:
Um tumor hipofisário cresce para cima e comprime o quiasma óptico. O quiasma contém as fibras nasais que cruzam (vindo de ambos os olhos). Quando essas fibras são comprimidas, há perda dos campos temporais bilateralmente (porque são processados pelas fibras nasais que cruzam). Isso resulta em hemianopsia bitemporal clássica, criando uma visão em "túnel". Isso é tão característico que hemianopsia bitemporal praticamente sempre aponta para tumor hipofisário.
2. Descreva a correlação entre lesão em diferentes partes da via óptica e os padrões de deficiência visual resultantes.
▼
Resposta esperada: Nervo óptico: Amaurose (cegueira monocular completa) Quiasma óptico: Hemianopsia bitemporal (perda dos campos temporais bilateralmente) Trato óptico: Hemianopsia homônima (perda do mesmo lado em ambos os olhos, contralateral à lesão) Radiações ópticas (temporal/parietal): Quadrantanopsia (superior ou inferior) Córtex occipital: Hemianopsia homônima (com preservação da visão macular em algumas lesões)
A regra geral é: lesões PRÉ-quiasma causam amaurose; lesões PROSS-quiasma causam hemianopsia homônima; lesão DO quiasma causa bitemporal.
3. Por que a mancha cega (escotoma fisiológico) não é normalmente percebida pelos pacientes?
▼
Resposta esperada:
A mancha cega é a área onde o disco óptico não tem fotorreceptores, causando uma pequena zona cega em cada olho. Entretanto, ela não é percebida porque:
1. Em visão binocular, o olho contralateral cobre esse ponto
2. O cérebro "preenche" a lacuna através de mecanismos compensatórios
3. A mancha cega está localizada na região nasal do campo visual (15-17° do fixação), um ponto que naturalmente tendemos a não notar
A mancha cega só se torna aparente em campimetria monocular (um olho de cada vez).
5. Um paciente tem AVC da região temporo-parietal direita. Qual padrão de defeito visual seria esperado e por quê?
▼
Resposta esperada:
Esperaríamos quadrantanopsia superior contralateral (perda do campo visual superior esquerdo).
Razão: Na região temporo-parietal direita passam as radiações ópticas inferiores (de Meyer), que processam informação do quadrante visual superior contralateral. Quando essa região é lesada por AVC, há perda seletiva do quadrante superior do campo visual contralateral (esquerdo).
Isso difere de quadrantanopsia inferior, que seria causada por lesão parietal superior (radiação de Oppenheim).
🔍 NC II — Acuidade Visual
🎯 Definição
Acuidade visual é a capacidade de distinguir detalhes finos em objetos à distância. Diferencia-se do campo visual (que é QUANTO você vê) da acuidade (que é QUÃO BEM você vê).
📏 Medidas de Acuidade
Convenção Clínica: AV = 20/X (sistema imperial) ou 6/X (sistema métrico)
• Numerador: distância de teste (20 pés = 6 metros)
• Denominador: distância em que pessoa normal lê a mesma linha
Exemplo: 20/40 = o paciente lê aos 20 pés o que uma pessoa normal lê aos 40 pés
🔍 Teste de Acuidade Visual
Condições para teste válido:
✓ Usar a MELHOR visão possível do paciente (com óculos se necessário)
✓ Se não tem óculos, testar com furo de agulha (pinhole) — melhora em erros refrativos
✓ Testar cada olho separadamente
Testes disponíveis:
• Cartão de Snellen: 6 metros de distância (padrão ouro)
• Cartão de Rosenbaum: 35cm (handheld, útil em enfermarias)
• Tabela de Jaeger: 35-40cm (material de leitura)
Fig 8: Testes de acuidade visual (Snellen, Rosenbaum)
📊 Classificação de Acuidade Visual
20/20 (6/6): Normal — visão adequada para dirigir, trabalho normal 20/40 (6/12): Leve redução — pode precisar de óculos 20/70 (6/21): Moderado — baixa visão 20/200 (6/60): Limite legal de cegueira em vários países Abaixo de 20/800: Contagem de dedos ou percepção luminosa
• Contagem de dedos (CF): Paciente vê dedos movimentando a 1-2 metros
• Percepção luminosa (PL): Paciente vê apenas luz/sombra
• Ausência de percepção luminosa (NPL): Cegueira completa
💡 Fatores Importantes
Óculos: Se o paciente usa, vai deixá-lo de óculos! Testar com e sem, documentar a melhor acuidade Furo de agulha: Se há melhora com pinhole, sugere erro refrativo (não patologia retiniana) Reprodutibilidade: Testar mais de uma vez; pacientes podem se cansar
💭 Comentário da Professora: "Se o paciente faz uso de óculos, vai deixá-lo de óculos! Queremos saber o melhor que ele consegue. Se melhorou com o furo de agulha e voltou ao normal, é erro refrativo. Se não melhorou, aí temos patologia mais séria."
Paciente lê aos 20 pés o que uma pessoa normal lê aos 40 pés (visão reduzida)
Qual é a principal diferença entre os testes de Snellen e Rosenbaum?
Snellen: 6 metros de distância (padrão) / Rosenbaum: 35cm (handheld, portátil)
Um paciente com óculos tem AV 20/20. Como você documenta isso?
20/20 com correção óptica (cc) — especifica que a visão normal foi alcançada apenas com óculos
O que significa CF (contagem de dedos) em acuidade visual?
Paciente consegue contar dedos do examinador a 1-2 metros; indica baixa visão grave
❓ Múltipla Escolha
1. Um paciente que usa óculos tem AV 20/200 sem óculos e 20/20 com óculos. Qual é a melhor acuidade documentada?
A) 20/200 (a pior medida)
B) 20/20 com correção óptica (cc) ✓
C) É considerado cego legalmente
D) 20/100 (média)
A melhor acuidade visual alcançável é a que é documentada. Com óculos, este paciente tem 20/20, então se documenta "20/20 com correção óptica".
2. Qual teste de acuidade visual é mais apropriado para um paciente hospitalizado acamado?
A) Cartão de Rosenbaum (35cm) ✓
B) Cartão de Snellen (6 metros)
C) Teste de Amsler
D) Perimetria automatizada
O cartão de Rosenbaum é um teste handheld realizado a 35cm, ideal para pacientes acamados ou em consultório sem espaço para 6 metros.
3. Um paciente com AV de 20/80 sem melhorar com furo de agulha provavelmente tem qual problema?
A) Apenas erro refrativo
B) Patologia oftalmológica/neurológica, não apenas refrativa ✓
C) Cegueira total
D) Apenas necessita de óculos mais fortes
Se o furo de agulha (pinhole) não melhora a acuidade, indica que não é apenas erro refrativo. Há patologia retiniana, neurológica ou outra.
4. Qual é o limite legal de cegueira em muitos países?
A) 20/200
B) 20/200 ou pior ✓
C) 20/100
D) 20/400
20/200 é considerado a limite legal de cegueira em muitos países (incluindo EUA). Visão pior do que isso (20/400, contagem de dedos, etc.) é considerada cegueira legal.
✍️ Questões Dissertativas
1. Descreva a importância de testar a acuidade visual COM óculos em um paciente que faz uso deles.
▼
Resposta esperada:
Testar com óculos é fundamental porque queremos saber a MELHOR acuidade visual possível que o paciente consegue alcançar. Isto permite diferenciar entre:
• Erro refrativo puro (melhora com óculos)
• Patologia oftalmológica (não melhora adequadamente mesmo com óculos)
• Patologia neurológica (visão baixa apesar de óculos adequados)
A acuidade com óculos corretos também é essencial para determinar se o paciente pode executar atividades diárias (dirigir, trabalhar) ou se precisa de reabilitação visual.
2. Qual é a diferença entre acuidade visual e campo visual? Por que ambos são importantes?
▼
Resposta esperada: Acuidade visual (AV): Capacidade de ver detalhes finos — QUÃO BEM você vê Campo visual (CV): Extensão da visão periférica — QUANTO você vê
Exemplo: Um paciente pode ter AV 20/20 (detalhes nítidos) mas campo visual reduzido (visão em túnel), ou vice-versa. Ambos precisam ser testados porque:
• AV reduzida afeta tarefas detalhistas (leitura, cirurgia)
• CV reduzido afeta navegação (dirigir, caminhar em ambientes novos)
• Combinação de ambos reduzidos = incapacidade visual grave
3. Um paciente tem AV 20/80 sem óculos e 20/30 com furo de agulha (pinhole). O que isso indica?
▼
Resposta esperada:
A melhora significativa com pinhole (de 20/80 para 20/30) indica que o problema é principalmente erro refrativo. O pinhole atua como um estenope, eliminando aberrações ópticas e reduzindo a importância da refração. A melhora demonstra que a retina e o sistema nervoso visual estão funcionais. Este paciente provavelmente precisa de óculos bem ajustados. Se não houvesse melhora com pinhole, sugeriria patologia retiniana ou neurológica subjacente.
👀 NC III/IV/VI — Movimentos Oculares
🎯 Introdução
Três nervos cranianos controlam os 6 músculos extraoculares para coordenar o movimento dos olhos. Alterações resultam em estrabismo, diplopia e deficiências visuais funcionais.
🧬 Anatomia: Qual Nervo Inerva Qual Músculo?
⚡ Regra Mnemônica: "TODOS SÃO III, EXCETO..."
NC III (Oculomotor) — 5 músculos:
✓ Reto medial (adução)
✓ Reto superior (elevação)
✓ Reto inferior (depressão)
✓ Oblíquo inferior (elevação + extorsão)
✓ Levantador da pálpebra superior (elevação da pálpebra)
✓ Núcleo Edinger-Westphal (parassimpático → pupilas)
NC IV (Troclear) — 1 músculo:
✓ Oblíquo superior (EXCEÇÃO 1)
✓ Função: Depressão + intorsão (olhar para dentro e para baixo)
NC VI (Abducente) — 1 músculo:
✓ Reto lateral (abdução) (EXCEÇÃO 2)
✓ Função: Afastamento do olho (lateral)
Fig 19: Inervação dos músculos extraoculares pelos NC III, IV, VI
2. Posições Cardinais do Olhar (9 posições):
• Centro (primária)
• Direita, esquerda, cima, baixo
• Cima-direita, cima-esquerda, baixo-direita, baixo-esquerda
• Testar cada posição: "siga meu dedo" com movimentos lentos e suaves
Fig 20: As 9 posições cardinais do olhar
👀 DIPLOPIA (Visão Dupla)
Anamnese importante:
✓ MONOCULAR vs BINOCULAR?
• Monocular: Desaparece ao ocluir um olho (problema oftalmológico)
• Binocular: Persiste mesmo com um olho ocluído (problema neurológico dos movimentos oculares)
✓ QUANDO PIORA?
• Olhar para longe: NC VI (reto lateral)
• Olhar para perto: NC III (acomodação + convergência)
• Olhar para baixo: NC IV (oblíquo superior)
Fig 21: Fluxograma de avaliação de diplopia binocular
🔴 PARALISIA NC III (Oculomotor)
Semiologia:
✗ Ptose completa (pálpebra caída, não consegue levantar)
✗ Midríase fixa (pupila grande, não reage à luz)
✗ Estrabismo divergente (olho "para fora e para baixo" — posição de repouso)
✗ Diplopia binocular horizontal e vertical
✗ Impossibilidade de acomodação
Causa: Lesão do núcleo ou fascículo do NC III no mesencéfalo (AVC, tumor, aneurisma) ou ao longo do trajeto (síndrome de Weber, paralisia de Weber)
Fig 22: Achados clínicos da paralisia do NC III
🔴 PARALISIA NC VI (Abducente)
Semiologia:
✗ Estrabismo convergente (olho "para dentro" porque reto lateral está paralizado)
✗ Impossibilidade de abdução (não consegue afastar o olho lateralmente)
✗ Diplopia binocular HORIZONTAL
✗ PIORA ao olhar para LONGE (demanda máxima do reto lateral)
✗ Pupilas normais (parassimpático preservado)
✗ Pálpebra normal
Causa: Aumento de pressão intracraniana (nervo NC VI é de trajeto longo, vulnerável), paresia infantil, síndrome de Gradenigo (infecção do osso temporal), AVC da ponte
Fig 23: Paralisia do NC VI — olho em converência, impossibilidade de abdução
🔴 PARALISIA NC IV (Troclear)
Semiologia:
✗ Diplopia VERTICAL (imagem superior uma da outra)
✗ PIORA ao olhar para BAIXO (o oblíquo superior deveria agir)
✗ Hipertropia ipsilateral (olho afetado mais alto)
✗ Teste de Bielschowsky positivo (head tilt para o lado lesado melhora diplopia)
✗ Pupilas normais
✗ Sem ptose
Causa: Menos comum que III e VI; traumatismo crânio-encefálico (oblíquo superior é frágil), tumores, AVC de tronco
Fig 24: Paralisia do NC IV — hipertropia, diplopia ao olhar para baixo
💭 Comentário da Professora: "Lembrem-se: TODOS SÃO III, EXCETO oblíquo superior (IV) e reto lateral (VI). Paralisia de III = emergência (pode ser aneurisma!). Paralisia de VI = aumento de pressão (nervo de trajeto longo). Paralisia de IV = diplopia ao olhar para baixo, teste de Bielschowsky!"
1. Um paciente relata diplopia que desaparece ao ocluir o olho esquerdo. Qual é a classificação?
A) Diplopia monocular (problema oftalmológico do OE) ✓
B) Diplopia binocular (problema neurológico)
C) Ilusão visual
D) Ambliopia
Diplopia que desaparece ao ocluir um olho é monocular, indicando problema oftalmológico naquele olho (catarata, astigmatismo, etc.), não neurológico.
2. Um paciente com paralisia do NC VI apresenta qual padrão de diplopia?
A) Binocular horizontal que piora ao olhar para longe ✓
B) Binocular vertical que piora ao olhar para baixo
C) Monocular
D) Sem diplopia, apenas ptose
Paralisia de NC VI causa estrabismo convergente com diplopia binocular HORIZONTAL que piora ao olhar para LONGE (máxima demanda do reto lateral).
3. Qual sinal clínico diferencia paralisia de NC III de paralisia de NC VI?
A) Tipo de estrabismo (III = divergente, VI = convergente) e pupilas (III = dilatada, VI = normal) ✓
B) Diplopia (III = horizontal, VI = vertical)
C) Presença de ptose em ambos
D) Ausência de sintomas em ambos
NC III causa estrabismo divergente + midríase fixa + ptose (triplé). NC VI causa apenas estrabismo convergente com pupilas normais e sem ptose.
4. Um paciente apresenta diplopia vertical que piora ao olhar para baixo, e head tilt para o lado esquerdo melhora a diplopia. Qual é o diagnóstico?
A) Paralisia de NC IV à esquerda ✓
B) Paralisia de NC III à esquerda
C) Paralisia de NC VI
D) Paralisia de NC VII
Diplopia vertical piorando ao olhar para baixo + melhora com head tilt é patognomônico de paralisia de NC IV. O head tilt reduz a demanda do oblíquo superior paralizado.
5. Qual nervo inerva o oblíquo superior e qual é sua função?
A) NC III — elevação
B) NC IV — depressão + intorsão (especialmente ao olhar para dentro e para baixo) ✓
C) NC VI — abdução
D) NC V — funções motoras da mastigação
NC IV (troclear) é a EXCEÇÃO que inerva oblíquo superior. Sua função é depressão + intorsão, especialmente importante ao olhar para baixo.
6. Um paciente com TCE apresenta ptose completa, midríase fixa e olho desviado para baixo e para fora. Qual é a emergência suspeitada?
A) Paralisia de NC III — pode indicar aneurisma ou compressão ✓
B) Apenas problema oftalmológico
C) Lesão de NC VI
D) Lesão de NC IV
A tríade de paralisia de NC III (ptose + midríase + estrabismo divergente) é uma emergência que pode indicar aneurisma da artéria comunicante anterior ou posterior, ou trauma.
7. Por que o NC VI é especialmente vulnerável ao aumento de pressão intracraniana?
A) Porque inerva apenas um músculo pequeno
B) Porque tem trajeto longo (sai da ponte e atravessa a cavidade craniana) e fixações ósseas ✓
C) Porque é o primeiro nervo a ser afetado
D) Porque inerva músculos da expressão facial
NC VI tem trajeto alongado desde a ponte até o forame abducente, com fixações ósseas. Qualquer aumento de pressão comprime este nervo facilmente, causando paralisia.
8. Um paciente em pós-operatório de cirurgia cerebral desenvolve estrabismo convergente com diplopia binocular horizontal. Qual é o nervo afetado e qual é a complicação mais comum?
A) NC VI — aumento de pressão intracraniana ou edema pós-operatório ✓
B) NC III — lesão iatrogênica
C) NC IV — lesão do forame troclear
D) NC VII — paralisia facial
Estrabismo convergente pós-operatório sugere paralisia de NC VI secundária a aumento de pressão ou edema craniano. NC VI é o primeiro a sofrer com aumentos de pressão.
✍️ Questões Dissertativas
1. Descreva a diferença clínica entre paralisia de NC III, NC IV e NC VI em relação a estrabismo, diplopia e prognóstico.
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PARALISIA NC VI:
• Estrabismo: Convergente (olho para dentro)
• Diplopia: Binocular HORIZONTAL, piora longe
• Semiologia: Sem ptose, pupilas normais
• Prognóstico: Mais comum em aumento de pressão intracraniana
PARALISIA NC IV:
• Estrabismo: Hipertropia ipsilateral
• Diplopia: Binocular VERTICAL, piora ao baixo
• Semiologia: Teste de Bielschowsky positivo
• Prognóstico: Menos comum, geralmente TCE
2. Explique por que a paralisia de NC VI é especialmente importante como sinal de hipertensão intracraniana.
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Resposta esperada:
O NC VI (abducente) tem o trajeto mais longo de todos os nervos cranianos — sai da ponte, atravessa toda a cavidade do crânio e passa pelo forame abducente. Essa característica o torna especialmente vulnerável ao aumento de pressão intracraniana. Qualquer aumento de pressão consegue comprimir este nervo alongado, resultando em:
1. Paralisia de NC VI como sinal de hipertensão intracraniana: É frequentemente um dos primeiros sinais de aumento de pressão
2. Bilateralidade: Pode afetar bilateralmente quando pressão é muito alta
3. Importância diagnóstica: Presença de paralisia de NC VI sem trauma direto deve sempre alertar para possível tumor cerebral, hematoma ou pseudotumor
4. Monitoramento: É usado como marcador de efetividade de tratamento para reduzir pressão intracraniana
3. Um paciente apresenta diplopia vertical piorando ao olhar para baixo. Como você diferencia entre paralisia de NC III e NC IV?
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Resposta esperada: PARALISIA DE NC III:
• Não é apenas diplopia vertical
• Acompanhada de ptose COMPLETA
• Pupila DILATADA FIXA
• Estrabismo divergente (olho para fora/baixo)
• Diplopia em múltiplas direções
PARALISIA DE NC IV:
• Diplopia VERTICAL PURA
• SEM ptose
• Pupilas NORMAIS
• Hipertropia ipsilateral
• TESTE DE BIELSCHOWSKY POSITIVO — head tilt para lado lesado melhora diplopia
Diferenciação prática: Se há ptose + midríase = NC III. Se há apenas diplopia vertical pura sem ptose/pupilas normais + melhora com head tilt = NC IV. O teste de Bielschowsky é praticamente diagnóstico de NC IV.
6. Por que é importante questionar sobre o tipo de diplopia (monocular vs binocular, horizontal vs vertical) durante a anamnese?
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Resposta esperada:
O tipo de diplopia fornece informação crucial sobre a localização da lesão:
Diplopia MONOCULAR:
• Indica problema oftalmológico (catarata, astigmatismo, retinites, descolamento)
• Requer avaliação oftalmológica, não neurológica
Diplopia BINOCULAR:
• Indica problema neurológico dos músculos extraoculares
• Tipo HORIZONTAL → lesão horizontal (NC III, VI)
• Tipo VERTICAL → lesão vertical (NC III, IV)
Timing piora diplopia:
• Piora ao olhar LONGE → NC VI (reto lateral)
• Piora ao olhar PERTO → NC III (acomodação)
• Piora ao olhar BAIXO → NC IV (oblíquo superior)
Essa anamnese precisa orienta o diagnóstico diferencial e ajuda a localizar a lesão mesmo antes de completar o exame físico.
〰️ Olhar Conjugado e Nistagmo
🎯 Olhar Conjugado
Olhar conjugado é o movimento coordenado de AMBOS os olhos na mesma direção, essencial para seguir objetos e manter fixação.
Centros de controle:
✓ Lobo frontal (Brodmann área 8): Controla olhar voluntário para a direita/esquerda
✓ Lobo occipital: Controla perseguição suave (seguir movimento)
✓ Cerebelo: Coordenação
✓ Fascículo Longitudinal Medial (FLM): Conecta núcleos dos NC III e VI no tronco encefálico
🧠 Fascículo Longitudinal Medial (FLM)
Função: Conecta núcleo do NC VI (ponte) ao núcleo do NC III (mesencéfalo) para coordenar movimento conjugado Importância clínica: Lesão = oftalmoplegia internuclear
Fig 26: Fascículo Longitudinal Medial coordena NC III e VI
🔴 OFTALMOPLEGIA INTERNUCLEAR (OIN)
Patofisiologia: Lesão do FLM ipsilateral ao lado do olhar prejudicado
Semiologia clássica:
✗ Deficiência de adução no lado lesado (não consegue virar olho para dentro)
✗ Nistagmo de abdução no lado contralateral (olho oposto oscila ao virar para fora)
✗ PRESERVAÇÃO da convergência (quando olha para perto, AMBOS os olhos conseguem virar para dentro!) — isto é PATOGNOMÔNICO!
Causas:
• EM (Esclerose Múltipla) — especialmente em adultos jovens
• AVC da ponte
• Tumor brainstem
• Doença de Wernicke
Fig 27: OIN — déficit de adução com preservação de convergência
〰️ NISTAGMO
Nistagmo é um movimento ocular rítmico involuntário com componentes bifásicos: fase lenta (lenta) + fase rápida (rápida).
Direção do nistagmo: Nomeado pela direção da FASE RÁPIDA (componente rápido)
• Nistagmo para direita = fase rápida para direita, fase lenta para esquerda
Sintoma principal: OSCILOPSIA = sensação de que o mundo está se movendo (desconfortável!)
📊 Classificação de Nistagmo
1. JERK (Espasmódico) vs PENDULAR:
• Jerk: Fase lenta + fase rápida distinta (maioria dos nistagmos)
• Pendular: Sem distinção, movimento oscilatório puro
2. DIREÇÃO:
• Horizontal: Mais comum
• Vertical: Mais raro, mais preocupante (lesão do tronco)
• Torcional: Raro, associado a lesões mesencefálicas
3. FISIOLÓGICO vs PATOLÓGICO:
• Fisiológico: Terminal (ao fim do olhar), congênito, ninystagmo óptocinético
• Patológico: Periférico ou central
CENTRAL (Tronco/Cerebelo):
✗ Vertical, torcional ou mudando direção
✗ Direção pode mudar (não fixa)
✗ NÃO suprimido pela fixação — persiste mesmo fixando
✗ Pode NÃO ter vertigem
✗ Causa: AVC, tumor, EM, degeneração cerebelar
Fig 29: Diferença entre nistagmo periférico e central
⭐ Outros Tipos de Nistagmo
Flutter ocular: Múltiplos jerks rápidos (30-80/seg) na mesma direção, parece "flutuar" Opsoclonus: Movimentos oculares multidirecionais caóticos ("dancing eyes") — associado a tumores, encefalite
💭 Comentário da Professora: "Nistagmo é fácil de identificar quando você vê — parece um 'exorcismo'! Lembrem-se: periférico é suprimido pela fixação; central não. Vertical ou torcional = central. Oscilopsia é o principal sintoma — o paciente se queixa que o mundo está se mexendo."
O que é o Fascículo Longitudinal Medial (FLM) e qual é sua função?
Conecta núcleo NC VI (ponte) ao núcleo NC III (mesencéfalo) para coordenar movimento conjugado dos olhos
Qual é o achado patognomônico de Oftalmoplegia Internuclear?
Déficit de adução + nistagmo de abdução + PRESERVAÇÃO DE CONVERGÊNCIA (ambos olhos conseguem virar para dentro!)
Como é determinada a direção de um nistagmo?
Pela FASE RÁPIDA (componente rápido). Nistagmo para direita = fase rápida para direita
Qual é a diferença principal entre nistagmo periférico e central?
Periférico: SUPRIMIDO pela fixação visual / Central: NÃO suprimido, persiste ao fixar
O que é oscilopsia?
Sensação de que o mundo está se movendo — principal queixa de pacientes com nistagmo
Qual descoberta sugere nistagmo central em vez de periférico?
Nistagmo VERTICAL, TORCIONAL, ou que MUDA DE DIREÇÃO = central (AVC, tumor, EM)
❓ Múltipla Escolha
1. Um paciente apresenta nistagmo que desaparece quando fixa o olhar em um objeto. Qual é a origem mais provável?
A) Periférica (labirinto, CN VIII) — nistagmo suprimido pela fixação ✓
B) Central (brainstem, cerebelo)
C) Oftalmológica
D) Psicológica
Nistagmo suprimível pela fixação é caracterísitco de causa periférica (labirinto). Nistagmo central persiste mesmo durante fixação.
2. Um paciente com múltipla esclerose apresenta déficit de adução OE com nistagmo de abdução OE, mas consegue convergência normal. Qual é o diagnóstico?
A) Paralisia NC III
B) Oftalmoplegia Internuclear (OIN) — lesão FLM esquerdo ✓
C) Paralisia NC VI
D) Estrabismo infantil
OIN é caracterizada por déficit de adução + nistagmo de abdução + PRESERVAÇÃO de convergência. É muito associada a EM em adultos jovens.
3. Qual descoberta clínica em um paciente com nistagmo sugere origem CENTRAL?
A) Nistagmo horizontal que melhora com fixação
B) Nistagmo vertical que NÃO melhora com fixação ✓
C) Apenas vertigem sem nistagmo
D) Visão dupla sem nistagmo
Nistagmo vertical ou torcional que persiste (não é suprimido) é típico de lesões centrais (tronco, cerebelo, EM).
4. Como é nomeada a direção de um nistagmo?
A) Pela direção da fase RÁPIDA (componente rápido) ✓
B) Pela direção da fase lenta
C) Pela direção da amplitude
D) Arbitrariamente
Nistagmo é nomeado pela direção de sua fase rápida. "Nistagmo para direita" = fase rápida para direita + fase lenta para esquerda.
5. O que é oscilopsia e qual é sua importância clínica?
A) Um tipo de cegueira
B) Sensação de que o mundo está se movendo — principal sintoma referido por pacientes com nistagmo ✓
C) Dificuldade em ler
D) Tremor das mãos
Oscilopsia é a queixa subjetiva incapacitante de nistagmo — o paciente relata que o mundo parece estar oscilando continuamente.
6. Um paciente com labirintite apresenta nistagmo horizontal. O que se espera ao solicitar que ele fixe o olhar?
A) Nistagmo desaparece ou diminui muito (suprimido) ✓
B) Nistagmo piora
C) Nistagmo não muda
D) Paciente fica cego
Nistagmo periférico (como em labirintite) é suprimido pela fixação visual. É um mecanismo de proteção do sistema nervoso central.
✍️ Questões Dissertativas
1. Explique a fisiopatologia da Oftalmoplegia Internuclear e por que a convergência é preservada.
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Resposta esperada: Anatomia normal:
• FLM conecta núcleo NC VI (ponte) ao núcleo NC III (mesencéfalo)
• Movimentos conjugados (olhar para direita/esquerda) usam essa conexão
• Convergência (olhar para perto) usa uma via diferente — núcleo de convergência no mesencéfalo
Em OIN:
• Lesão do FLM afeta a via para olhar conjugado
• NC VI não consegue comunicar com NC III para adução coordenada
• Resultado: Olho ipsilateral ao FLM lesado não consegue fazer adução para olhar para outro lado
Por que convergência é preservada?
A convergência usa uma via DIFERENTE (via direta de núcleos de convergência para NC III), que não passa pelo FLM lesado. Por isso, quando paciente é instruído a olhar para um objeto muito perto (convergência), AMBOS os olhos conseguem virar para dentro normalmente — isto é patognomônico de OIN!
Implicação clínica: Este achado praticamente diagnostica OIN e ajuda a diferenciar de paralisia NC III pura.
2. Diferencie nistagmo periférico de nistagmo central em termos de semiologia, causa e teste de supressão.
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Resposta esperada: NISTAGMO PERIFÉRICO:
Características:
• Horizontal, raramente vertical
• Direção FIXA (não muda)
• SUPRIMIDO pela fixação visual — desaparece ao fixar
• Acompanhado de VERTIGEM verdadeira
• Amplitude pode variar
NISTAGMO CENTRAL:
Características:
• Pode ser horizontal, vertical ou torcional
• Direção pode MUDAR (não é fixa)
• NÃO suprimido pela fixação — persiste ao fixar
• Pode ter vertigem leve ou nenhuma
• Outros achados neurológicos presentes
Teste de supressão pela fixação é a chave! É a forma mais fácil e prática de diferenciar periférico de central.
3. Por que a Esclerose Múltipla está especialmente associada a Oftalmoplegia Internuclear?
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Resposta esperada:
A Esclerose Múltipla é uma doença desmielinizante autoimune que afeta a bainha de mielina do SNC. O Fascículo Longitudinal Medial é uma estrutura importante de conexão no tronco encefálico que é frequentemente afetada em EM.
Por que FLM é afetada em EM?
1. EM tipicamente afeta fibras longas e mielinizadas
2. FLM é uma estrutura alongada no tronco encefálico
3. Lesões de EM no FLM causam desmielinização
Apresentação clínica em EM:
• OIN é frequentemente bilateral em EM ("going-and-coming sign")
• Pode ser um dos primeiros sinais de EM em adultos jovens
• Apresentação típica: Adulto jovem com visão dupla e achado de OIN na fundoscopia
Investigação recomendada:
Todo paciente com OIN deve ser investigado para EM (RM de cérebro, punção lombar com bandas oligoclonais, potenciais evocados)
🦷 NC V — Nervo Trigêmeo
🎯 Características Gerais
O NC V é o maior nervo craniano e é predominantemente sensorial, mas tem componente motor importante.
⚡ Distribuição e Divisões:
✓ V1 (Oftálmico): Testa, região orbital, ápice nasal, meninges
✓ V2 (Maxilar): Bochecha, maxila, palato, dentes superiores
✓ V3 (Mandibular): Mandíbula, dentes inferiores, gengiva, 2/3 anteriores da língua, músculos da mastigação
⚠️ IMPORTANTE: O ângulo da mandíbula é inervado por C2-C3 (NOT trigêmeo!) — erro comum de estudiosos!
👃 Função Sensorial
Exame clínico:
1. Teste de sensibilidade ao toque:
• Toque leve na testa (V1), bochecha (V2), queixo (V3)
• Compare lado esquerdo vs direito
• Pesquise assimetrias
2. Teste com agulha (dor):
• Use agulha limpa (descartável)
• Compare sensação de dor nas 3 divisões bilateralmente
3. Teste de temperatura:
• Menos frequente na prática clínica
• Útil em investigação de neuropatia
Fig 30: Áreas de inervação sensorial do NC V (V1, V2, V3)
Fig 31: Técnica de teste sensorial do NC V
💪 Função Motora
A inervação motora é predominantemente de V3 (mandibular).
Músculos inervados por V3:
✓ Masseter (fechamento/elevação mandíbula)
✓ Temporal (fechamento/elevação)
✓ Pterigoideu medial (fechamento/elevação)
✓ Pterigoideu lateral (abertura, movimento lateral)
✓ Tensor do véu palatino
✓ Tensor do tímpano
Exame clínico:
1. Palpação bilateral do masseter e temporal (toque nos músculos durante fechamento)
2. Pedir para abrir e fechar a boca contra resistência
3. Pedir para mover queixo de um lado para outro (deslocamento lateral)
4. Simetria de movimentos
Fig 32: Teste motor — palpação de masseter e temporal
🔔 Reflexo Mandibular (Jaw Jerk)
Técnica:
1. Paciente com boca levemente aberta
2. Percutir com martelo reflexo o queixo (mento)
3. Normalmente: leve contração dos músculos mastigatórios (fechamento boca)
Inervação:
✓ Aferência: V3 (sensível ao toque no mento)
✓ Eferência: V3 (motora para masseter/temporal)
Interpretação:
• Reflexo aumentado: Lesão acima do reflexo (lesão cortical, AVC)
• Reflexo diminuído/ausente: Lesão do NC V ou trajeto aferente/eferente
Fig 33: Teste do reflexo mandibular (jaw jerk)
👁️ Reflexo Corneano (Córneo-Palpebral)
Técnica:
1. Aproximar-se lateralmente (não direto na córnea!)
2. Tocar LEVEMENTE a córnea com um tufo de algodão
3. Observar piscada BILATERAL
Inervação:
✓ Aferência: V1 (tato na córnea) — VIA TRIGÊMEA
✓ Eferência: NC VII bilateral (fecha pálpebra) — músculos orbicular
Interpretação:
• Reflexo ausente/diminuído: Lesão V1 (sensitivo) ou CN VII (motor)
• Reflexo preservado: NC V e VII normais
💭 Comentário da Professora: "V3 ingerva os 2/3 anteriores da língua para sensação geral, mas não para gosto (isso é CN VII). O ângulo da mandíbula é C2-C3, não trigêmeo — muita gente erra! Reflexo corneano é importante para avaliar ambos CN V e VII ao mesmo tempo."
1. Um paciente apresenta perda sensorial na testa e região orbital. Qual divisão do NC V está afetada?
A) V1 (Oftálmico) ✓
B) V2 (Maxilar)
C) V3 (Mandibular)
D) CN VII
V1 inerva a testa, região supraorbitária e meninges. Perda sensorial nessa área indica afetação do ramo oftálmico do trigêmeo.
2. Um paciente não consegue fechar a boca contra resistência e tem fraqueza ao mover o queixo lateralmente. Qual é o padrão esperado?
A) Paralisia de CN VII
B) Paralisia de CN XII
C) Paralisia de V3 (mandibular) ✓
D) Nenhuma anormalidade
V3 inerva os músculos da mastigação (masseter, temporal, pterigoideus). Fraqueza ao fechar boca e mover queixo indica paralisia de V3.
3. Qual é a inervação sensorial dos 2/3 anteriores da língua?
A) NC V (sensação geral) + CN VII (gosto) ✓
B) Apenas CN VII
C) Apenas NC V
D) CN IX
NC V ingerva sensação geral (toque, temperatura, dor) nos 2/3 anteriores, enquanto CN VII ingerva paladar. É uma inervação compartilhada importante de lembrar.
4. Uma lesão na órbita afeta qual ramo do NC V?
A) V2
B) V1 (região oftálmica) ✓
C) V3
D) CN VI
A órbita é inervada por V1 (ramo oftálmico do trigêmeo). Lesões orbitárias podem afetar sensação periorbital.
5. Qual estrutura anatômica é classicamente confundida com NC V mas é na verdade inervada por C2-C3?
A) Dentes superiores
B) Ângulo da mandíbula ✓
C) Lábios
D) Gengiva inferior
O ângulo da mandíbula é inervado por C2-C3, não pelo NC V. Este é um erro muito comum que estudantes cometem.
6. Um paciente com trauma facial perdeu a sensibilidade à bochecha bilateralmente. Qual ramo trigêmeo é mais provável de estar afetado?
A) V2 (Maxilar) ✓
B) V1
C) V3
D) CN VII
V2 (ramo maxilar) inerva a bochecha, palato duro, e dentes superiores. Perda sensorial nessa região indica afetação de V2.
7. Um paciente apresenta reflexo corneano ausente. Qual é a localização mais provável da lesão?
A) CN III
B) V1 (sensorial) ou CN VII (motor) ✓
C) CN IX
D) CN XII
Reflexo corneano depende de V1 (aferência) e CN VII (eferência). Ausência sugere lesão em uma dessas vias.
✍️ Questões Dissertativas
1. Descreva o exame clínico completo do NC V incluindo testes sensorial, motor e reflexos.
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Resposta esperada: 1. SENSORIAL:
• Teste de toque leve na testa (V1), bochecha (V2), queixo (V3)
• Use algodão macio ou seu dedo
• Compare bilateralmente
• Pesquise assimetrias
• Teste com agulha para dor/temperatura se necessário
2. MOTOR:
• Palpação bilateral de masseter durante fechamento (sinta contração)
• Palpação bilateral de temporal durante fechamento
• Pedir ao paciente para abrir boca contra sua resistência
• Pedir para mover queixo de um lado para outro (lateralização)
• Avalie simetria dos movimentos
3. REFLEXO MANDIBULAR:
• Paciente com boca levemente aberta
• Percuta mento com martelo reflexo
• Observe contração do masseter (fechamento boca)
• Compare bilateralmente
4. REFLEXO CORNEANO:
• Aborde lateralmente com tufo de algodão
• Toque LEVEMENTE a córnea
• Observe piscada BILATERAL (V1 aferente, CN VII eferente)
2. Explique por que a distinção entre V3 e C2-C3 é clinicamente importante no exame neurológico.
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Resposta esperada: Distribuição anatômica:
• V3 (mandibular) inerva: mandíbula, dentes inferiores, gengiva inferior, 2/3 anteriores de língua
• C2-C3 inervam: ângulo da mandíbula, região posterior da mandíbula, pescoço
Importância clínica:
1. Localização de lesão: Perda sensorial no ângulo da mandíbula sugere lesão cervical (C2-C3), não lesão de NC V
2. Diagnóstico diferencial: Ajuda a diferenciar entre patologia de tronco encefálico (V3) vs patologia cervical (C2-C3)
3. Avaliação de trauma: Trauma facial com perda sensorial difusa pode incluir ambas as distribuições
4. Herpes zoster: V3 causa afetação anterior/medial mandíbula; C2/C3 causa herpes zoster cervical com distribuição diferente
3. Um paciente apresenta reflexo corneano ausente bilateralmente. Qual é a localização provável da lesão e como você investigaria?
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Resposta esperada: Localização provável:
O reflexo corneano depende de V1 (aferência) e CN VII bilateral (eferência). Ausência bilateral sugere:
1. Bilateral V1 involvement: Menos provável (lesão bilateral de trigêmeo)
2. Bilateral CN VII involvement: Paralisia facial bilateral (rara)
3. Mais provável: Lesão de tronco encefálico ou protuberância que afeta ambos NC V e VII
Investigação:
1. Teste seletivo: Teste V1 (sensação na córnea) e CN VII (piscada voluntária) separadamente
2. Neuroimagem: RM de cérebro/tronco encefálico se suspeita de lesão central
3. Buscar outros sinais: Avaliar movimentos oculares (CN III/IV/VI), outros nervos cranianos
4. Investigação etiológica: AVC, tumor, síndrome de Foville, mielite transversa
😊 NC VII — Nervo Facial
🎯 Características Gerais
O NC VII é predominantemente MOTOR (músculos da expressão facial) com componentes sensorial (gosto) e parassimpático (glândulas salivares/lacrimal).
Técnica:
1. Limpe língua com papel secante
2. Aplique sabor no anterior 2/3 da língua (lado de cada vez)
3. Peça identificação
4. Enxague entre testes
5. Compare bilateralmente
Fig 37: Distribuição de gosto — CN VII (2/3 anteriores) + CN IX (1/3 posterior)
🔔 Reflexos Faciais
REFLEXO GLABELAR:
✓ Técnica: Percuta a glabela (região entre sobrancelhas) com martelo reflexo
✓ Resposta esperada: Piscada BILATERAL
✓ Inervação: Aferência trigêmea (V1), eferência facial (CN VII)
✓ Importante: O reflexo deve DESAPARECER após 3 percussões (habituação)
✓ Patológico: Se não desaparece → liberação frontal ou demência
Fig 38: Teste do reflexo glabelar — normal desaparece após 3 repetições
⚠️ SINAL DE BELL
Achado importante em paralisia facial periférica.
O que é:
✗ Em paralisia facial periférica, quando paciente tenta fechar os olhos, o globo ocular desvia para CIMA e para FORA
✗ Este é um mecanismo de proteção da córnea
✗ Chamado "sinal de Bell" ou "reflexo de Bell"
Importância clínica:
✗ Indica que a musculatura extraocular está preservada (CN III/IV/VI normais)
✗ O déficit é seletivo para órbita do olho (CN VII)
✗ Ajuda a proteger córnea durante paralisia
Fig 39: Sinal de Bell em paralisia facial — globo desvia para cima ao fechar olho
🔴 PARALISIA FACIAL CENTRAL vs PERIFÉRICA
Distinção fundamental com implicações diferentes para localização de lesão!
PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA:
✗ Afeta TODO o lado (testa + boca + platisma)
✗ Testa/sobrancelhas AFETADAS (não consegue levantar)
✗ Causa: Paralisia de Bell, tumores parótida, AVC de tronco (ponte)
✗ Padrão: Lesão ipsilateral de CN VII → paralisia ipsilateral
Fig 40: Diferença entre paralisia facial central (testa preservada) e periférica (testa afetada)
💭 Comentário da Professora: "Paralisia facial periférica: afeta TUDO — testa, boca, platisma. Paralisia central: só pega a BOCA porque testa tem inervação bilateral. Sinal de Bell é específico de periférica. CN VII é pura expressão facial, lembrem disso!"
Paralisia idiopática de CN VII (periférica) — causa mais comum de paralisia facial periférica
❓ Múltipla Escolha
1. Um paciente sofre AVC em hemisfério cerebral esquerdo. Qual padrão de paralisia facial é esperado?
A) Paralisia central com comprometimento apenas de boca direita ✓
B) Paralisia periférica de todo o lado direito
C) Paralisia bilateral
D) Sem paralisia facial
AVC de hemisfério esquerdo causa paralisia facial CENTRAL contralateral (direita) com testa preservada. A testa é poupada porque tem inervação bilateral cortical.
2. Um paciente com paralisia de Bell apresenta qual padrão de fraqueza facial?
A) Afeta todo o lado do rosto (periférica) — testa não consegue levantar ✓
B) Afeta apenas a boca
C) Bilateral
D) Sem fraqueza detectável
Paralisia de Bell é uma paralisia periférica de CN VII que afeta todo o lado — testa, boca, platisma.
3. O que é o Sinal de Bell em paralisia facial?
A) Globo ocular desvia para cima ao tentar fechar o olho (proteção da córnea) ✓
B) Contração dos músculos faciais
C) Aumento de lágrimas
D) Tremor facial
Sinal de Bell é um reflexo protetor onde o olho se desvia para cima e para fora durante tentativa de fechar em paralisia facial periférica.
4. Um paciente não consegue franzir a testa após AVC de hemisfério direito. Qual é a explicação?
A) AVC sempre causa paralisia facial completa
B) Não é esperado — testa deveria estar preservada em paralisia central (inervação bilateral) ✓
C) O patient tem paralisia de Bell
D) É paralisia periférica
Em AVC (paralisia central), a testa é PRESERVADA porque recebe inervação corticobulbar bilateral. Se a testa está afetada, sugere paralisia periférica ou bilateral.
5. Um paciente relata que não consegue identificar sabores na língua anterior. Qual nervo está comprometido?
A) CN V (trigêmeo)
B) CN VII (facial) — 2/3 anteriores ✓
C) CN IX (glossofaríngeo) — 1/3 posterior
D) CN XII (hipoglosso)
CN VII inerva paladar dos 2/3 anteriores da língua. CN IX inerva o 1/3 posterior. CN V ingerva sensação geral, não gosto.
6. O que deveria acontecer ao reflexo glabelar após 3 percussões sucessivas?
A) Aumentar em intensidade
B) Desaparecer (habituação normal) ✓
C) Permanecer igual
D) Virar bilateral
O reflexo glabelar DEVE desaparecer após 3 percussões (habituação normal). Se não desaparece, sugere liberação frontal ou demência.
7. Um paciente com tumor de parótida apresenta paralisia facial. Qual é a origem?
A) Periférica (compressão de CN VII saindo de parótida) ✓
B) Central (lesão cortical)
C) Combinada
D) Neuromuscular
Tumor de parótida comprime CN VII na glândula parótida, causando paralisia periférica com afetação de todo o lado (testa + boca).
8. Um paciente com lesão de tronco encefálico na ponte apresenta qual padrão esperado de paralisia facial?
A) Periférica ipsilateral — afeta todo o lado da lesão ✓
B) Central contralateral
C) Bilateral
D) Sem paralisia facial
Lesão na ponte afeta o núcleo ou fascículo de CN VII, causando paralisia periférica IPSILATERAL (mesmo lado da lesão). Toda a metade do rosto é afetada.
✍️ Questões Dissertativas
1. Descreva a diferença clínica entre paralisia facial central e periférica, incluindo etiologia e padrão de fraqueza.
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Resposta esperada: PARALISIA FACIAL CENTRAL:
Padrão de fraqueza:
• Afeta apenas ANDAR INFERIOR (músculos da boca)
• Testa E sobrancelhas PRESERVADAS (podem levantar normalmente)
• Piscada normal
Etiologia:
• Lesão contralateral de córtex cerebral (fibras corticobulbares)
• AVC isquêmico ou hemorrágico
• Tumor cortical
Porquê testa preservada?
• Núcleo do CN VII recebe inervação bilateral de ambos hemisférios
• Lesão unilateral não afeta função bilateral
PARALISIA FACIAL PERIFÉRICA:
Padrão de fraqueza:
• Afeta TODO o lado do rosto (testa, boca, platisma)
• NÃO consegue levantar sobrancelha do lado afetado
• Não consegue piscar
• Sinal de Bell positivo
Etiologia:
• Lesão de CN VII (núcleo ou periférico)
• Paralisia de Bell (idiopática — mais comum)
• Tumor parótida
• AVC de tronco (ponte)
• Infecção (otite, mastoidite)
Diferenciação clínica: Teste a capacidade de levantar sobrancelha — se consegue = central; se não consegue = periférica.
2. Explique por que o Sinal de Bell ocorre em paralisia facial periférica e qual é sua importância clínica.
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Resposta esperada: O que é o Sinal de Bell?
Em paralisia facial periférica, quando o paciente tenta fechar os olhos, o globo ocular desvia para CIMA e para FORA. Isto é um reflexo involuntário.
Fisiologia:
• Orbiuclar do olho (inervado por CN VII) está paralizado
• Músculos extraoculares (CN III/IV/VI) estão preservados
• Ao tentar fechar o olho, o sistema nervoso autom aticamente contrai músculos extraoculares para proteger a córnea
• Resultado: globo desvia para cima (reto superior) e para fora (reto lateral)
Importância clínica:
1. Diagnóstico: Presença de Sinal de Bell confirma paralisia facial PERIFÉRICA (não central)
2. Proteção da córnea: O reflexo protege a córnea de ressecamento e ulceração durante a paralisia
3. Indicador de prognóstico: Presença de Sinal de Bell geralmente indica que músculos extraoculares estão funcionais — bom prognóstico
4. Manejo: Se Sinal de Bell está presente, o olho é menos propenso a complicações, mas ainda precisa de proteção (colírio lubrificante, oclusão noturna)
3. Descreva como você examinaria completamente as funções motor, sensorial (paladar) e reflexos do CN VII.
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Resposta esperada: 1. FUNÇÃO MOTOR (Expressão Facial):
• Elevação de sobrancelhas: Peça para levantar sobrancelhas contra sua resistência; avalie simetria
• Fechar olhos: Com força; teste resistência (tente abrir o olho do paciente)
• Sorrir: Observe comissuras labiais; compare simetria
• Inflar bochechas: Pressione as bochechas para sentir resistência bilateral
• Mostrar dentes: Observe retração simétrica dos lábios
• Platisma: Pedir para esticar pescoço; observe contração do músculo
2. FUNÇÃO SENSORIAL (Paladar):
• Limpe língua com papel secante seco
• Coloque pequena quantidade de solução em um lado da língua (não na ponta)
• Peça identificação (doce, salgado, amargo, azedo)
• Enxague com água entre testes
• Repita no outro lado
• Sabores: Doce (açúcar 10%), Salgado (sal 5%), Amargo (quinina), Azedo (ácido cítrico)
3. REFLEXO GLABELAR:
• Paciente relaxado, olhando para frente
• Percuta a glabela (região entre sobrancelhas) com martelo reflexo
• Observe piscada bilateral
• Repita percussão 3 vezes
• Normal: reflexo desaparece após 3 repetições (habituação)
• Patológico: reflexo persiste (liberação frontal, demência)
6. Um paciente com AVC apresenta fraqueza para sorrir apenas no lado direito com sobrancelhas normais bilateralmente. Qual é o tipo e localização da lesão?
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Resposta esperada: Tipo de paralisia: PARALISIA FACIAL CENTRAL
Localização da lesão: Hemisfério cerebral ESQUERDO (contralateral ao lado afetado)
Razão pela qual testa está preservada: Em paralisia facial central, o núcleo do CN VII recebe inervação bilateral de ambos os hemisférios cerebrais. Uma lesão unilateral de hemisfério afeta apenas os neurônios que inervam os músculos orais (abaixo), não os músculos da testa (que têm inervação bilateral redundante).
Pathways envolvidas:
• Via corticobulbar contralateral para músculos orais cruza no tronco encefálico
• Via corticobulbar para músculos da testa é bilateral
Próximas investigações:
• RM ou TC de cérebro para localizar lesão
• Avaliar outros sinais de AVC (paresia de membros contralaterais, afasia se envolver Broca)
• EKG, ecodopplercarotídeo conforme protocolos AVC